Sobre o imperialismo e a pirâmide imperialista
Uma das questões propagadas pelo oportunismo contra o Partido é
sobre a nossa avaliação (que, aliás, não é
nova, sendo mencionada no programa atual e tendo sido elaborada no 15º
Congresso, em 1996) de que o capitalismo grego está na fase imperialista
de desenvolvimento e ocupa uma posição intermediária no
sistema imperialista internacional, com uma forte dependência dos EUA e
da União Europeia.
Eles atacam a posição de que a luta pela defesa das fronteiras,
dos direitos soberanos da Grécia, do ponto de vista da classe
trabalhadora e setores populares, está indissoluvelmente ligada à
luta pela derrubada do poder do capital. O povo grego não deve defender
os planos de guerra de um ou outro pólo imperialista, a rentabilidade de
um ou outro grupo monopolista.
O KKE tem uma rica experiência que confirma plenamente a
posição leninista sobre a relação entre o
imperialismo como a fase superior do capitalismo . e o oportunismo
no movimento operário, que é um assunto que não
está relacionado apenas à Grécia, mas a todos
países capitalistas. Não é por acaso que a essência
econômica do imperialismo, que tem o monopólio como um dos seus
traços característicos, é subestimada ou deixada de lado
pelos partidos comunistas que aderiram ao oportunismo, seja antes ou,
especialmente, após a vitória da contra-revolução
nos países socialistas.
A percepção oportunista sobre o imperialismo e a
negação da existência de um sistema imperialista
internacional (pirâmide imperialista)
O termo "imperialista" ficou recentemente muito em moda na Europa e
na Grécia entre forças que não o utilizavam com
frequência ou tão facilmente nos anos anteriores. O problema
é que o imperialismo é apresentado como algo diferente e distinto
do capitalismo, como um conceito político separado da base
econômica, uma posição que foi fortemente respaldada pelo
pai do oportunismo, Kautsky. O oportunismo é, entre outras coisas,
incapaz de se modernizar; repete-se Kautsky, utilizam-se argumentos
anti-científicos, centra-se deliberadamente na superfície e
não na essência. Não é de seu interesse e, portanto,
não pode ver o panorama inteiro da economia capitalista mundial em suas
relações internacionais mútuas. Ele, que não quer
entender a essência econômica do imperialismo e ver nessa base a
superestrutura ideológica e política, ao final o absolve, o
apóia e semeia ilusões entre as massas trabalhadores e populares
de que existe capitalismo bom e mau, de que existe gestão burguesa boa e
eficaz. Em última análise, o oportunismo quer uma sociedade
capitalista, sem os supostos desvios, chamando de desvios as próprias
leis da economia capitalista e suas conseqüências. Esconde do povo a
essência de classe da guerra, criticando-a de um ponto de vista moral
pelas suas trágicas consequências. Semeia a ilusão de que o
capitalismo pode garantir a paz se impuser os princípios da igualdade e
da liberdade, pelo entendimento político entre países
capitalistas rivais, se forem colocadas regras de competição
inter-capitalista.
O oportunismo, o reformismo, repete com estilo inovador a
percepção antiga, velha e ultrapassada de que o imperialismo se
identifica com a agressão militar a um país, com a
política de intervenção militar, com os bloqueios, com o
esforço de reativar a velha política colonial. Na Europa, os
oportunistas identificam o imperialismo com a Alemanha e com o dogmático
segundo dizem ponto de vista liberal autoritário. A
política dos EUA sob a administração de Obama é
considerada progressista pelas diferenças parciais com a Alemanha sobre
a gestão da crise, ou é considerada imperialista apenas em
relação à América Latina. Consideram-se
progressistas todas as tentativas da classe trabalhadora, por exemplo, na
França ou na Itália, de confrontar o antagonismo com o
capitalismo alemão. O oportunismo na Grécia tem como
posição fundamental a de que o país está sob
ocupação alemã, que se tornou ou está se tornando
uma colônia, que está sendo saqueado pela Sra. Merkel e pelos
credores. O principal inimigo, além da própria Alemanha, é
a tríade da União Europeia, Banco Central Europeu e do Fundo
Monetário Internacional que supervisionam e determinam a gestão
da dívida externa, interna e o déficit fiscal. Acusam a burguesia
do país e os partidos governistas de traidores, antipatrióticos,
subordinados e subservientes à Alemanha, aos credores e banqueiros.
Eles acusam o KKE a respeito de nossas avaliações sobre o
capitalismo grego no sistema imperialista internacional, o que eles não
aceitam que exista. Eles acreditam que a Grécia é um país
ocupado principalmente pela Alemanha e que o regime é neocolonial.
Utilizam de maneira arbitrária a avaliação de Lenin em sua
conhecida obra
"Imperialismo, fase superior do capitalismo",
de que um punhado, um pequeno número de Estados, saqueiam a grande
maioria dos Estados do mundo. Como consequência, o imperialismo é
identificado por um número muito pequeno de países, que
são contados nos dedos de uma mão, enquanto todos os outros
países estão subordinados, oprimidos, são colônias,
países ocupados devido à subordinação à
percepção liberal.
Hoje em dia há poucos países no topo, nas posições
superiores do sistema imperialista internacional (que também é
ilustrado pelo esquema de uma pirâmide para mostrar os diferentes
níveis ocupados pelos países capitalistas). Poder-se-ia
até dizer que estes são um punhado de países, segundo a
expressão leninista. No entanto, isso não significa que os outros
Estados capitalistas sejam vítimas de poderosos países
capitalistas, que a burguesia da maioria dos países sucumbiu à
pressão, apesar de seu interesse geral, que teria assim se corrompido.
Isso não significa que a luta dos povos da Europa deve estar em
direção anti-alemã, e nas Américas deve ser
dirigida apenas contra os EUA. Não é por acaso que os
oportunistas na Grécia colocam como exemplo positivo a
superação da crise no Brasil e na Argentina e exaltam as
políticas de Obama.
Sua insistência de que não há pirâmide imperialista,
ou seja, de que não existe um sistema imperialista internacional (mas
apenas um número muito pequeno de países que podem ser
classificados como imperialistas sobretudo devido à sua
posição hegemônica imperialista e sua capacidade de decidir
lançar uma guerra local ou generalizada), não é nada
acidental ou resultado de uma opinião equivocada, é consciente.
Disto deriva sua disposição de assumir responsabilidades em um
governo burguês para gerir a crise.
O principal é que defendem a existência de uma etapa entre o
capitalismo e o socialismo com um objetivo claro. Por um lado, assegurar que a
classe trabalhadora renuncie à luta pelo poder operário e, por
outro lado, prometer que no futuro distante e indefinido o capitalismo se
transformará, pacificamente, mediante reformas e sem sacrifícios,
no seu "socialismo", em que a propriedade capitalista vai coexistir
com algumas formas de autogestão.
Cabe assinalar que quando falam de uma Grécia independente e digna que
resiste à Sra. Merkel, esclarecem que o país deve permanecer na
União Europeia como Estado-membro, enquanto esperam que a OTAN se
auto-dissolva, desligando-se das dependências e compromissos
político-militares que impõe.
Eles dizem que a Grécia, enquanto membro da União Europeia e da
OTAN, pode recorrer a empréstimos, crédito, investimentos de
outros Estados, como os EUA, Rússia e China, ao mesmo tempo em que
consideram que os governos do Brasil e Argentina alcançaram a
libertação de seus povos do FMI. Como se os investimentos desses
Estados não se baseassem na aquisição do maior
benefício possível e na utilização de força
de trabalho barata, no uso a longo prazo dos recursos naturais e
matérias-primas locais, até que se esgotem.
Também dizem que a restauração capitalista nos
países socialistas aboliu a Guerra Fria e que o mundo ficou melhor
porque se tornou multipolar, ou seja, tem muitos centros e novas
potências. No entanto, "esquecem" o fato de que estes novos
"centros" e "potências" são baseados no
desenvolvimento das relações capitalistas de
produção, no domínio dos monopólios na economia, ou
seja, trata-se de novas potências imperialistas emergentes. Concluindo, o
mundo não se tornou melhor nem mais promissor mesmo porque
já não há conflito entre o imperialismo e o socialismo
, como sustentam os apologistas do capitalismo.
O oportunismo justifica o seu curso decadente interpretando arbitrariamente
citações de Marx e Lênin
Devido à existência e à atividade do KKE, o oportunismo,
principalmente por causa de suas táticas aventureiras, surge como
pretenso substituto do movimento comunista, invocando fragmentos de Lenin, e
até mesmo de Marx e Engels, para acusar o nosso partido de ter
abandonado o socialismo científico.
Hoje é absolutamente necessário recordar alguns elementos
básicos do conceito leninista de imperialismo que tem sido confirmados,
bem como destacar os desenvolvimentos que estão se acelerando e fazem
ainda mais imperativo do que antes a identificação da luta
anti-imperialista com a luta anti-capitalista. A resposta ao capitalismo
não é, entre outras, o retorno impossível à
época do capitalismo de livre concorrência, de empresas
capitalistas dispersas, mas a afirmação da necessidade e
vigência do socialismo, a aquisição de
preparação em condições de situação
revolucionária. Uma preparação que, é claro,
não pode ser conciliada com o oportunismo na luta diária.
Mesmo se imaginarmos o inimaginável, ou seja, se fosse possível
voltar ao capitalismo de livre concorrência, isso inevitavelmente
produziria novamente o nascimento do monopólio. As grandes empresas
carregam dentro de si a tendência de se converterem em monopólios.
Marx já deixou claro que a livre concorrência cria o
monopólio.
A história tem mostrado que o monopólio, como consequência
da concentração de capital, como lei fundamental da fase atual do
capitalismo, é uma tendência geral no mundo inteiro e pode
coexistir com formas da economia e da propriedade pré-capitalistas. No
final do século XIX a crise econômica acelerou a
criação dos monopólios, como todas as crises
econômicas cíclicas que aceleraram a concentração, a
centralização e o surgimento de monopólios poderosos, a
reprodução e a competição em um nível
elevado. O surgimento de monopólios e seus desenvolvimentos,
expansão e enraizamento não é realizado simultaneamente em
todos os países, nem mesmo em países vizinhos, mas certamente
ocorre da mesma forma, com a exportação de capitais que prevalece
sobre a exportação de mercadorias. O surgimento e fortalecimento
de monopólios, mesmo quando se limitam a certos setores a nível
nacional, ao final causa a anarquia de toda a produção
capitalista. Isso foi particularmente característico do século XX
e ocorre até hoje em dia com o desequilíbrio de desenvolvimento
entre a produção industrial e agrícola, o
desequilíbrio de desenvolvimento entre setores da indústria. O
desequilíbrio não tem a ver apenas com os setores de
produção, mas também com o desequilíbrio na
aplicação e uso da tecnologia. A política de pilhagem, de
anexações, da conversão de Estados em protetorados, a
política de desmembramento de Estados, não é o resultado
da imoralidade política por parte dos imperialistas poderosos, nem
é uma questão de subordinação e de covardia por
parte da burguesia do país que experimenta a dependência. É
um assunto que tem a ver com a exportação de capitais e com a
desigualdade inerente ao capitalismo em nível nacional e internacional.
A Grécia é um dos exemplos típicos que, certamente, tem um
valor universal, já que o fenômeno não é meramente
grego. Nosso país tem um importante potencial produtivo que, no entanto,
tem sido desenvolvido de forma seletiva no curso do desenvolvimento
capitalista, enquanto a incorporação do país à
União Europeia e sua relação em geral com o mercado
capitalista mundial levou a uma utilização ainda mais restritiva
de seus recursos naturais. Em resumo, deve-se notar que a Grécia tem
importantes recursos energéticos, importantes recursos minerais,
produção industrial e agrícola, artesanato, ou seja,
recursos que podem cobrir grande parte das necessidades do povo, tal como a
necessidade de alimentação, de energia, de transportes, de
construção de obras públicas, de infra-estrutura e
habitação. A produção agrícola pode apoiar a
indústria em diversos setores. No entanto, a Grécia, não
só como resultado da crise, mas de todo o curso de sua
assimilação na pirâmide imperialista, se deteriorou ainda
mais; depende das importações, enquanto os produtos gregos
não são vendidos e se enterram.
Trata-se de uma característica que mostra as conseqüências da
propriedade capitalista e da competição capitalista, tanto a
nível europeu quanto a nível mundial.
Assim como Kautsky, o oportunismo contemporâneo divide o capital em
seções separadas, centrando sua crítica em uma de suas
formas.
Lembremos que Kautsky considera como inimigo apenas parte do capital, o capital
industrial que, com sua política imperialista, lança seu ataque
em primeiro lugar contra as áreas rurais, e assim se cria um
desequilíbrio entre o desenvolvimento da indústria e da
agricultura. Supostamente se trata de um desvio estrutural. Os oportunistas
contemporâneos afirmam mais ou menos as mesmas posições,
centrando sua crítica no sistema bancário, os banqueiros, o
capital bancário, sem levar em conta a fusão do capital
bancário com o capital industrial, ainda que se apresentem como
marxistas. Os desequilíbrios que aparecem, mesmo nos países
capitalistas desenvolvidos e fortes em diferentes ramos e setores, são
atribuídos à irracionalidade ou a uma tendência à
especulação, que eles consideram ser imoral, posto que fazem uma
distinção entre a rentabilidade e a especulação.
Mas a posição de que a exportação de capitais
estava orientada exclusivamente para as zonas rurais não se confirmou
nem no período em que o oportunista Kautsky estava em pleno apogeu.
Naquela época também a política das chamadas
anexações, utilizando como alavanca o capital financeiro, afetou
enormemente as áreas industriais. Se o capitalismo na sua fase
imperialista apoiasse todo o potencial de desenvolvimento de todos os
países, sem exceção, então não haveria esse
nível de acumulação capitalista para exportar capitais e
explorar as matérias-primas e a classe trabalhadora de um grande
número de países, mantendo-os amarrados com uma variedade de
relações de dependência e interdependência.
A invocação do patriotismo tem a finalidade de justificar a
estratégia da burguesia para tomar a maior parte possível da nova
distribuição em condições de rivalidade
imperialista implacável.
Os oportunistas e partidos nacionalistas na Grécia estão dizendo
em voz alta que a burguesia, o Estado grego e os partidos burgueses, não
são patriotas, mas traidores. Na realidade, a burguesia de nosso
país, assim como seus partidos, estão bem cientes do fato de que,
mesmo em condições de desigualdade, é preferível
aderir a uma união imperialista porque é o único modo de
reivindicar uma parte do botim e esperar por apoio político-militar
externo caso o sistema comece a estremecer, se a luta de classes se
intensificar, prevenindo e esmagando o movimento com a ajuda dos mecanismos
militares da União Europeia e da OTAN. O patriotismo da burguesia se
identifica com a defesa do sistema capitalista podre.
Em condições em que as contradições
inter-imperialistas e mundiais conduzam a um conflito militar, então a
burguesia da Grécia terá que escolher o lado de um imperialista
poderoso, ao lado de que aliança imperialista vai lutar para a
redistribuição dos mercados, na esperança de tomar pelo
menos uma pequena parte.
É impossível que a burguesia defenda os direitos soberanos a
favor do povo; o fará apenas para seus próprios interesses. Se
necessário, vai até mesmo ignorar seus interesses particulares a
fim de não perder o seu poder, para mantê-lo tanto quanto
possível.
A teoria a respeito de um punhado de países dominantes
Quando Lenin falava de um punhado de países que saqueiam um grande
número de países, destacou, com muitos exemplos e detalhes, uma
variedade de formas de pilhagem coloniais, semi-coloniais e também
não-coloniais. No topo da pirâmide está um pequeno grupo de
países, já que o capital financeiro (uma das cinco
características básicas do capitalismo na fase imperialista, como
fusão do capital bancário com o capital industrial) está
estendendo seus tentáculos para todos os países mundo.
A ideia de "um punhado de países" define as diferentes formas
de relações entre os países capitalistas, caracterizadas
pela desigualdade. Isto é o que descreve a pirâmide para ilustrar
a economia capitalista global.
Antes de tudo, Lenin deixou claro que o imperialismo é o capitalismo
monopolista, é a economia capitalista mundial, é o prólogo
da revolução socialista em cada país.
Lenin esclareceu as características do imperialismo: a
concentração da produção e do capital, a
fusão do capital bancário com o capital industrial e a
criação da oligarquia financeira, a exportação de
capitais, a criação de uniões monopolistas internacionais.
Não se trata de uma política de anexações, de
dependências concebidas num aspecto moral ou de um fenômeno que
reflita uma certa visão política no marco do sistema
político burguês, uma coisa que fazem sistematicamente os
oportunistas. Conecta diretamente o imperialismo nas relações
internacionais com a emergência do capital financeiro na fase
imperialista do capitalismo e sua necessidade imperiosa de expandir
continuamente o terreno econômico mais além das fronteiras
nacionais, com o objetivo de deslocar os antagonistas. O deslocamento dos
antagonistas poderia ser feito mais facilmente através da
colonização, assim como através da
transformação de uma colônia em um Estado politicamente
independente, tirando do meio o país capitalista-metrópole, cuja
posição ocuparia uma outra potência capitalista emergente
através da exportações de capitais e de investimentos
estrangeiros diretos. São importantes e ilustrativas as diferentes
posturas da Grã-Bretanha colonialista e da Alemanha emergente como
potência imperialista.
A nova divisão do mundo no final do século XIX e
princípios do século XX de que falou Lenin, levou-se a cabo entre
os países capitalistas mais poderosos. No entanto, no jogo de partilha,
da formação da correlação negativa de forças
em geral também se envolveram outros Estados capitalistas, não
ficaram passivos. Os países capitalistas fortes repartiram não
somente as colônias, mas também países
não-coloniais, enquanto que à parte das grandes potências
coloniais havia países coloniais menores, através dos quais a
nova expansão colonial se iniciou. Também se mencionam Estados
pequenos que mantinham colônias quando as grandes potências
coloniais não logravam um acordo de partilha.
Além disso, Lenin sublinhava que a política colonial existia
mesmo nas sociedades pré-capitalistas, mas o que a distingue da
política colonial capitalista é que esta é baseada no
monopólio. Sublinhava que a variedade de relações entre os
Estados capitalistas no período do imperialismo se convertem em um
sistema geral, constituem parte do conjunto das relações de
partilha do mundo, tornam-se os elos da cadeia de operações do
capital financeiro mundial. No período a que se refere Lenin, e ainda
hoje, as relações de dependência e saques de
matérias-primas também existem a expensas das
não-colônias, ou seja, dos Estados com independência
política.
Depois da Segunda Guerra Mundial e do estabelecimento do sistema socialista
internacional, levou-se a cabo necessariamente o máximo agrupamento do
imperialismo contra as forças do socialismo-comunismo e se intensificou
sua agressividade, seu expansionismo econômico, político e militar
multifacetado. Sob o impacto da nova correlação de forças,
rapidamente começou o desmantelamento dos impérios coloniais, do
império francês e britânico. Os Estados capitalistas mais
poderosos viram-se obrigados a reconhecer a independência dos Estados
nacionais, sob a pressão dos movimentos de independência nacional
que desfrutavam do apoio múltiplo e da solidariedade dos países
socialistas, do movimento operário e comunista.
No período pós-guerra, uma série de países
não se incorporaram plenamente aos organismos político-militares
e econômicos do imperialismo, já que tinham a possibilidade de
estabelecer relações econômicas com os países
socialistas, ainda que a correlação de forças continuasse
a favor do capitalismo. Volta-se a observar a variedade de
relações, de interdependências, assim como de
obrigações nos marcos do mercado capitalista mundial.
Na última década do século XX a situação
começou a mudar como resultado de dois fatores que interagiram entre si,
mas cada um com sua autonomia relativa. Os países capitalistas mais
maduros e poderosos, que estão no topo da pirâmide, com um ponto
de partida histórico diferente, mas com o mesmo objetivo
estratégico, seguem uma política diferente em favor dos
monopólios, especialmente sob o impacto da crise econômica
capitalista de 1973. Em condições de crescente antagonismo e mais
rápida internacionalização, a estratégia
contemporânea que apoia a rentabilidade capitalista abandona as receitas
neo-keynesianas que foram úteis especialmente em países que
sofreram danos de guerra. Efetuam extensas privatizações,
fortalecem as exportações de capitais, diminuem e gradualmente
suprimem as concessões que tinha feito especialmente na área
social, com objetivo de parar o movimento operário que foi influenciado
pelas conquistas do socialismo, comprando uma parte da classe trabalhadora e de
setores sociais médios.
Isto se demonstra também pelo fato de que a política
pró-imperialista contemporânea tem um caráter mundial;
não é uma forma de gestão conjuntural, mas uma
opção estratégica, dado que se adotam medidas
anti-populares e contrárias aos trabalhadores para contrariar a
tendência decrescente da taxa de lucro em quase todos os países,
não só na União Europeia, mas também fora dela,
especialmente na América Latina. As medidas que estão
encaminhadas para a eliminação dos ganhos trabalhistas são
tomadas tanto pelos governos liberais quanto pelos social-democratas, tanto
pela centro-esquerda quanto pela centro-direita.
A restauração capitalista deu ao imperialismo a oportunidade de
lançar uma nova onda de ataques com menor resistência, com a ajuda
do oportunismo que se havia fortalecido, enquanto novos mercados foram formados
nos antigos países socialistas. Como resultado, debilitou-se a unidade
entre as potências dirigentes contrárias ao socialismo, que antes
colocavam em segundo plano as contradições entre si. Eclodiu uma
nova onda de contradições inter-imperialistas sobre a
repartição de novos mercados que resultou nas guerras nos
Balcãs, Ásia, Oriente Médio e Norte da África.
Nestas guerras tomaram parte também Estados que não estavam
integrados nas uniões inter-estatais imperialistas. Isso demonstra que o
sistema imperialista existe como sistema mundial. Nele se incorporam todos os
países capitalistas, mesmo aqueles que estão atrasados ou
têm resíduos de formas econômicas pré-capitalistas.
As potências dirigentes estão no topo, entre as quais há
uma forte concorrência e os acordos estabelecidos são
temporários.
Ao final do século XX havia três centros imperialistas
desenvolvidos principalmente após a Primeira Guerra Mundial: a
Comunidade Econômica Europeia, que mais tarde se tornou a União
Europeia, os EUA e o Japão. Hoje em dia os centros imperialistas
aumentaram e tem surgido novas formas de aliança, como a aliança
que tem em seu núcleo a Rússia, a aliança de Shangai, a
aliança do Brasil, Rússia, Índia, China, África do
Sul (BRICS), a aliança dos países da América Latina
(Mercosul, ALBA), etc.
A política imperialista não é exercida somente pelos
países capitalistas que estão na parte de cima, mas também
pelos que estão nos outros níveis, inclusive pelos que têm
fortes dependências das potências maiores, como potências
regionais e locais. Hoje em dia, na nossa região, tal é o caso da
Turquia, Israel, os Estados árabes, e tais potências
através das quais o capital monopolista ocupa novo terreno e se encontra
também na África, Ásia, América Latina, e como
consequência disso temos o fenômeno da dependência e
interdependência.
A dependência e interdependência das economias, é claro,
não são iguais. Estão determinadas pela força
econômica de cada país, assim como por alguns outros elementos
militares e políticos, dependendo dos laços de aliança
particulares.
Ainda que um ou vários países estejam no nível mais alto e
sejam os líderes da internacionalização capitalista e da
partilha, não deixam de estar sob um regime de interdependência
com outros países. Por exemplo, na Europa, a Alemanha pode ser a
potência dirigente, no entanto as exportações de capitais e
bens industriais dependem da capacidade de os estados europeus
absorvê-los. Já na China, devido à crise, esta
possibilidade começou a se limitar e por isso os círculos
dirigentes do governo, assim como setores da burguesia, sobretudo da
indústria, refletem e se preocupam.
O curso da economia dos EUA depende muito da China, bem como dos interesses
opostos na União Europeia; a Batalha entre dólar, euro e iene
é visível.
Nas Teses do 19º Congresso destaca-se que a tendência de
mudança na correlação de forças entre os Estados
capitalistas se reflete também na participação dos
países no fluxo de capitais na forma de Investimento Direto Estrangeiro
(IDE), bem como das reservas de capital em forma de IDE em fluxo.
Está aumentando o número dos Estados-satélites de
potências imperialistas fortes, países imperialistas regionais que
cumprem um papel particular na política de alianças e de
afiliação a uma ou outra potência da pirâmide. As
contradições inter-imperialistas estão em vigor em cada
forma de aliança e todas estas relações multifacetadas que
abarcam todos os países capitalistas do mundo, sem
exceção, constituem a pirâmide imperialista.
Nossa referência a isto não significa em absoluto que estamos de
acordo com as posições sobre o "ultra-imperialismo",
como nos acusam equivocadamente. Pelo contrário! Ressaltamos sempre que
no sistema imperialista, que representamos sob a forma de uma pirâmide,
seguem se desenvolvendo e se manifestando fortes contradições
entre os Estados imperialistas, entre os monopólios pelo controle das
matérias-primas, das rotas de transporte, das cotas de mercado, etc. A
burguesia pede formar uma frente comum para a exploração mais
eficiente dos trabalhadores, mas sempre afiará suas facas na hora de
repartir o "botim" imperialista.
Ademais, é ridícula a acusação de que a
referência a uma "pirâmide" é um "enfoque
estruturalista" do imperialismo. Lenin, como é bem sabido, utilizou
o esquema da "corrente". O esquema que se utiliza em cada
ocasião é uma maneira de ajudar os trabalhadores a compreender a
realidade do imperialismo como capitalismo monopolista, como capitalismo que
está podre e morre, no qual estão incorporados todos os
países capitalistas, segundo sua força (econômica,
política, militar, etc.). Isto está claramente em conflito com o
chamado "enfoque cultural" do imperialismo que, assim como fez
Kautsky, separa a política do imperialismo de sua economia. Lenin
assinalava que este enfoque nos levaria à avaliação
errônea de que os monopólios na economia podem coexistir na
política com um tipo de atividade não monopolista, não
violento, não predatório.
O desenvolvimento desigual faz-se ainda mais evidente, não só
entre os países capitalistas poderosos em comparação com
os mais fracos, mas também no núcleo duro dos países mais
poderosos. Cabe destacar que na Europa está crescendo o fosso entre a
Alemanha, por um lado, e a França e a Itália, por outro. No
entanto, o fenômeno mais importante e característico é a
diminuição da participação dos EUA, da UE e do
Japão no PIB mundial. A zona do euro já não detém a
segunda posição; caiu para terceiro, enquanto a segunda
posição foi ocupada pela China. Há uma maior
participação da China e da Índia no PIB mundial, enquanto
a participação do Brasil, Rússia e África do Sul se
mantém estável.
Com relação ao capital que constitui o estoque de IDE, é
notável a tendência de fortalecimento dos capitais de origem ou de
destino final nas economias emergentes do grupo BRICS (Brasil, Rússia,
Índia, China, África do Sul). A China se reforça como o
destino para o IDE e está aumentando sua participação no
estoque de IDE, especialmente após a eclosão da crise capitalista
de 2008. Como exportador de capitais está aumentando a sua
participação nas saídas mundiais de IDE que duplicaram com
crises nos anos 2007-2009 e tem se mantido em um nível elevado desde
então.
Por outro lado, tende a se reduzir a participação das economias
capitalistas desenvolvidas com respeito à entrada e saída de
capital de IDE após a eclosão da crise. É claro que
não perdem a sua primazia (mantendo uma distância do grupo
seguinte de países) já que em meio à crise a maior parte
permanece indo ou vindo dos EUA e dos países da União Europeia.
Uma tendência similar está se desenvolvendo com respeito à
participação nas importações e
exportações de mercadorias. A participação da China
está se reforçando constantemente com relação
à totalidade das exportações e importações
de mercadorias, assim como no conjunto das importações. A
participação correspondente da Índia está se
fortalecendo, mas a um ritmo muito mais lento, enquanto que a Rússia, a
Coréia do Sul e a África do Sul estão se movendo com um
ritmo constantemente crescente.
Os únicos países da OCDE que superam os EUA em produtividade
(volume de produção por unidade de tempo) são a Noruega,
Irlanda, Luxemburgo e se aproximam Alemanha, França, Bélgica e
Holanda.
Nas Teses do 19º Congresso enfatiza-se que as mudanças no
equilíbrio de forças entre os Estados capitalistas aumentam a
possibilidade de uma mudança geral na posição da Alemanha
com relação aos temas das relações
euro-atlânticas e do rearranjo do eixo imperialista. Os fatores decisivos
para este desenvolvimento são, por um lado, a interdependência das
economias dos EUA e da União Europeia e, por outro lado, o antagonismo
entre o euro e o dólar como moeda de reserva internacional e o
fortalecimento da cooperação entre a Rússia e a China.
Sobre a posição da Grécia no sistema imperialista
Aqueles que falam de subordinação e ocupação
não reconhecem a exportação de capitais da Grécia
(um traço característico do capitalismo na sua fase
imperialista), que foi significativa antes da crise e ainda segue sem ser
diminuída em condições de crise. A
exportação de capitais é realizada para investimentos
produtivos em outros países e, é claro, nos bancos europeus,
até que se produzam as condições para voltar a entrar no
processo de garantir o máximo benefício possível. Eles
enxergam a escassez de capitais em vez da super-acumulação.
Eles não vêem o problema da super-acumulação porque
assim seriam forçados a admitir o caráter da crise
econômica capitalista que faria voar pelos ares a sua proposta
política pró-monopolista. Os partidos burgueses, bem como os
oportunistas, apesar das diferenças parciais entre eles, defendem a
proteção da competitividade dos monopólios nacionais que
inevitavelmente trazem em primeiro plano as reestruturações
reacionárias, garantem uma força de trabalho mais barata,
intensificam a intimidação estatal, a repressão e o
anticomunismo, ao mesmo tempo em que dirigem o foco da atenção
para a expansão do capital grego na região (Balcãs,
Mediterrâneo Oriental, zona do Mar Negro). Trata-se, dentre outras
coisas, do ciclo vicioso que conduz a um novo e mais profundo ciclo de crise.
Lenin, no seu livro sobre o imperialismo, acrescentou que a
comparação não pode ser feita entre os países
capitalistas desenvolvidos e atrasados, mas entre a exportação de
capitais, um assunto que os oportunistas em todos os lugares não querem
e não se atrevem a reconhecer, pois este critério refuta seu
ponto de vista com relação à ocupação da
Grécia, a colônia grega.
Todos esses dados também confirmam que a partir deste ponto de vista, a
luta contemporânea deve ter uma direção anti-monopolista,
anti-capitalista, que em nenhum caso pode ser somente anti-imperialista com o
conteúdo que dão os oportunistas a este termo, que identificam o
imperialismo com a política externa agressiva, com
relações desiguais, com a guerra, com a chamada questão
nacional, desligada de exploração de classe, das
relações de propriedade e poder.
É um fato que a adesão de um país a uma aliança
inter-estatal imperialista, e inclusive em uma forma mais avançada, como
é a União Europeia, limita algumas capacidades de manobras
táticas do ponto de vista da burguesia. Por exemplo, minimiza as margens
e as possibilidades de manobra na política monetária uma vez que
esta está sob a jurisdição do Banco Central Europeu. Mas
este assunto não tem a ver somente com o período da crise,
já que haviam sido firmados acordos entre Estados-membros muito antes
20 anos antes da eclosão da crise na zona do euro , segundo
os quais se cedem direitos nacionais-estatais coscientemente, se reconhece a
primazia do direito europeu em muitos assuntos, independentemente do fato de
que a zona euro e a União Europeia em geral não tenham uma forma
federal. Esta tendência, precisamente, que demonstra o interesse
classista da burguesia, será expressa na promoção de
elementos de federalização da União Europeia se forem
superados os respectivos desacordos inter-imperialistas.
A situação na África, em regiões da Eurásia
e do Oriente Médio confirma que todos os países capitalistas
estão incorporados no sistema imperialista internacional,
independentemente de terem ou não a capacidade de assumir a
responsabilidade para a realização de uma política
expansionista. Em qualquer caso, o século XX e o século XXI
mostram que mesmo os EUA, a principal potência imperialista, não
consegue lidar independentemente com os assuntos mundiais do imperialismo se
não dispuser da ajuda múltipla e do apoio de seus aliados, se
não formar alianças pelo menos temporárias. A
Grécia não é apenas um Estado-membro da União
Europeia e da OTAN, é um país que tem uma aliança de
importância estratégica para os EUA, devido a sua
posição geográfica no cruzamento de três
continentes: Europa, Ásia e África, sendo uma importante base
militar para lançamento de ataques e de suprimentos para as
operações militares, um país por onde passam condutas de
petróleo e de gás natural. Ao longo do século XX e XXI,
quando necessário, contribuiu com as operações de guerra e
para a manutenção da paz imperialista, assim como no caso da
guerra na Iugoslávia, no Afeganistão, Iraque e Líbia,
atuando com forças militares, mostrando também sua
disposição na guerra contra a Síria.
Portanto, a posição do KKE de que a Grécia pertence ao
sistema imperialista, que está organicamente integrada e que desempenha
um papel ativo na guerra como aliado dos atores principais, está
completamente justificada. Trata-se de uma decisão que leva em conta os
interesses da burguesia que, de fato, chamou duas vezes o imperialismo
britânico e norte-americano para esmagar o povo armado com forças
militares, armas e operações militares.
Os oportunistas contemporâneos, quando querem destacar a necessidade de
que sua burguesia não seja o "primo pobre" em termos de
partilha de mercados, recordam-se da questão nacional, mas quando se
trata do assunto da luta pelo socialismo, logo declaram que ou o socialismo
será mundial ou que não pode ser realizado num só
país. Renunciam à luta em âmbito nacional, ou seja,
rejeitam a necessidade de agudizar a luta de classes, a necessidade de preparar
o fator subjetivo em condições de situação
revolucionária.
A luta pela libertação do homem de toda forma de
exploração, a luta contra a guerra imperialista, não pode
obter um desenvolvimento positivo se não for combinada com a luta contra
o oportunismo. Independentemente da força política do oportunismo
em cada país, este não deve ser subestimado ou julgado com
critérios parlamentares, posto que a raiz do oportunismo se encontra no
próprio sistema imperialista, porque a burguesia quando se dá
conta que não pode gerir os seus negócios com estabilidade,
apóia-se no oportunismo como uma visão generalizada, como um
partido político, a fim de ganhar tempo para reagrupar o sistema
político burguês, minando o crescimento contínuo do
movimento operário revolucionário. A concentração
de forças, a aliança da classe operária com os setores
populares pobres dos trabalhadores autônomos objetivamente deve se
desenvolver em uma direção firmemente anti-monopolista e
anti-capitalista, deve dirigir-se à conquista do poder operário.
A direção anti-monopolista e anti-capitalista expressa o
compromisso necessário, porém avançado, entre o interesse
da classe operária de eliminar toda forma de propriedade capitalista
grande, média e pequena e as camadas que são
oscilantes devido à sua natureza (por sua posição na
economia capitalista), que têm interesse na abolição dos
monopólios, na socialização dos meios de
produção concentrados, ao mesmo tempo em que estão
imbuídas da ilusão de que têm interesse na pequena
propriedade privada. Não podem entender que seus interesses a longo e
médio prazo só podem ser atendidos pelo poder socialista. A
ilusão de que qualquer outro compromisso pode ter êxito em
condições de capitalismo monopolista, ou seja, na fase
imperialista do capitalismo, é prejudicial, utópico, ineficiente.
O KKE, em condições em que não há uma
situação revolucionária, tem como meta não apenas
prevenir o curso descendente, não apenas obter conquistas
temporárias, mas sobretudo preparar o fator subjetivo, ou seja, o
partido da classe operária e seus aliados, para levar a cabo suas
tarefas estratégicas em condições de
situação revolucionária. Nestas situações,
que não podem ser preditas de antemão há de se
levar em conta o aprofundamento da crise econômica, a
agudização das contradições inter-imperialistas que
chegam até o ponto de conflitos militares , é
possível que se criem as condições prévias e seus
desdobramentos na Grécia. Nas condições da
situação revolucionária, o papel da
preparação organizativa e política da vanguarda do
movimento operário, do Partido Comunista, é decisivo para o
agrupamento e orientação revolucionária da maioria da
classe operária, especialmente do proletariado industrial, para atrair
os setores dirigentes das camadas populares.
[*]
Secretária-Geral do Partido Comunista da Grécia. Artigo para
O Machete
, Revista de Teoria e Política do Partido Comunista do México,
Tradução do
PCB
. A versão em inglês encontra-se em
.
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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