Quem ajuda quem?
A "ajuda" à Grécia nada custa à Alemanha (e muito
pouco à França)
- A baixa dos custos de financiamento da Alemanha desde 2009 compensa o custo
dos salvamentos gregos. A França já amortizou em 80% o seu apoio
à Grécia.
As atenções concentram-se sempre sobre a factura alemã.
Aquela que Berlim deve pagar pelos dois planos de salvamento da Grécia a
partir de Maio de 2010. A Alemanha é o maior contribuidor da zona euro,
com uma participação de 29% nos programas de ajuda a Atenas.
Até hoje ela desembolsou cerca de 46 mil milhões de euros e ainda
deve assinar um cheque que fará a factura subir para 67 mil
milhões de euros.
Mas isto é esquecer que a crise grega, que originou uma
desconfiança geral para com a zona euro, provocou um movimento de
"fuga para a qualidade" que se traduziu por uma corrida sobre a
dívida alemã. Como prova, Berlim financia-se em certos
títulos a uma taxa de 0%. Mais notável ainda, o custo de
empréstimos a dois anos no mercado secundário foi negativo no
princípio do mês de Junho. O que significa que os investidores
estavam prontos a perder dinheiro para preservar o seu capital, tal como se
alugassem um cofre-forte num banco.
Um cálculo aproximado
[1]
mostra que as economias geradas pela baixa dos custos de financiamento desde
há três anos se elevam a cerca de 63 milhões de euros. As
taxas a 6% as que correspondem à maturidade média da
dívida alemã passaram efectivamente de 2,66% em 2009 a
0,95% em 2012. O país está portanto certo de ter recuperado seu
risco com a Grécia: a baixa dos seus custos de tomada de
empréstimos quase compensa os empréstimos concedidos a Atenas.
De acordo com o mesmo raciocínio, a França
[1]
, que viu a sua taxa a 6 anos declinar de 2,91% em 2009 para 1,97% este ano,
amortizou a sua ajuda à Grécia em 80%. Os ganhos teóricos
realizados nestas tomadas de empréstimos representam 38 mil
milhões de euros, ao passo que os empréstimos a Atenas elevam-se
a 48 mil milhões portanto 33 milhões já foram pagos.
Há que considerar que a contribuição da Alemanha e da
França não cessa na Grécia. Os dois países apoiam
também a Irlanda, Portugal e dentro em breve os bancos espanhóis
através do fundo de socorro europeu.
[1] Tendo como hipótese um stock de dívida pública de
2.200 mil milhões de euros para a Alemanha e 2000 mil milhões
para a França, renovado a cada 6 anos. As economias realizadas
representam as taxas fixadas em 2010, 2011, 2012 para seis anos em
comparação com a taxa de 2009.
22/Junho/2012
[*]
Chefe de serviço adjunta de
Les Echos.
O original encontra-se em
www.lesechos.fr/...
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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