A crise económica e os bancos centrais
Os elementos de uma nova crise financeira internacional estão a
aproximar-se. Não se sabe quando ela vai explodir, mas explodirá
certamente e o seu impacto sobre todo o planeta será importante.
Os principais factores de crise são:
O aumento muito forte das dívidas privadas das empresas, por um lado, e
por outro a bolha especulativa sobre o preço dos activos financeiros:
bolsas de valores, preço dos títulos da dívida e, em
certos países, (Estados Unidos, China, ...), novamente o sector
imobiliário. Os dois factores estão estreitamente interligados.
Mesmo empresas com enorme liquidez à sua disposição, como
a Apple, endividam-se maciçamente pois aproveitam-se das baixas taxas de
juros para emprestar a outros o dinheiro que tomam emprestado. A Apple e
numerosas outras empresas tomam emprestado para emprestar e não para
investir na produção. A Apple também toma emprestado para
recomprar em bolsa suas próprias acções . Expliquei isso
num artigo intitulado "A montanha das dívidas privadas das empresas
estará no cerne da próxima crise financeira"
www.cadtm.org/La-montagne-de-dettes-privees-des
, publicado em 9/ Novembro/2017.
As bolhas especulativas acima mencionadas são o resultado da
política adoptada pelos grandes bancos centrais (Reserva Federal dos
EUA, BCE , Banco da Inglaterra, desde há dez anos, e do Banco do
Japão desde o estouro da bolha imobiliária na década de
1990) que injectaram milhões de milhões de dólares, euros,
libras esterlinas, iene em bancos privados para mantê-los à tona.
Estas políticas têm sido chamadas
Quantitative easing
ou flexibilização monetária. Os recursos financeiros que
os bancos centrais distribuíram em profusão não foram
utilizados pelos bancos e pelas grandes empresas capitalistas dos outros
sectores para o investimento produtivo. Eles serviram para adquirir activos
financeiros: acções em bolsa, obrigações de
dívidas das empresas, títulos públicos soberanos,
produtos estruturados e derivados... Isso produziu uma bolha especulativa no
mercado bolsista, no mercado obrigacionista (ou seja, obrigações
de dívidas) e, em alguns lugares, no sector imobiliário. Todas as
grandes empresas estão super endividadas.
Esta política dos bancos centrais reflecte o facto de que as
decisões dos seus dirigentes são inteiramente determinadas pelos
interesses de curto prazo dos grandes bancos privados e das grandes firmas
capitalistas dos outros sectores: impedir falências em cadeia e,
consequentemente, perdas consideráveis para os grandes accionistas.
Esta política tem a ver igualmente com uma característica do
capitalismo financiarizado contemporâneo: uma parte cada vez menos
importante do novo valor criado é reinvestida na produção
(ver François Chesnais, Mais uma vez sobre o impasse económico
histórico do capitalismo mundial,
alencontre.org/...
consultado em 17/Março/2019). Uma parte crescente do novo valor
é gasto sob a forma de dividendos para os accionistas, sob a forma de
recompras de acções, sob a forma de investimentos especulativos,
particularmente em produtos estruturados e derivados,... François
Chesnais fala nomeadamente de "um influxo cada vez mais maciço dos
lucros não reinvestidos dos grupos financeiros com dominância
industrial"
[1]
.
Retornemos à política adoptada pelos banqueiros centrais para
combater a crise que explodiu em 2007-2008. Sua intervenção
não permitiu sanear o sistema, ao contrário, os elementos de
fragilidade mantiveram-se ou aumentaram: o rácio entre os fundos
próprios (o capital da empresa) e os compromissos assumidos pela empresa
é demasiado fraco. Com efeito, o nível deste rácio
é insuficiente para fazer face a uma perda de valor que fosse provocada
por uma queda nas cotações bolsistas, no mercado obrigacionista
ou em outros activos financeiros detidos pela empresa, quer seja ela um banco
ou uma empresa como a Apple ou a General Electric para não tomar
senão alguns exemplos. Todas as empresas estão fortemente
endividadas pois o recurso à tomada de empréstimos custa-lhes
muito pouco graças às taxas de juros que estão muito
baixas (0% na zoa euro, -0,1% no Japão, 0,75% na Grã-Bretanha,
2,5% nos Estados Unidos) e uma pletora de capitais está à procura
de um máximo de retorno financeiro, mesmo através da compra de
títulos de dívida duvidosos
(junk bonds)
emitidos por empresas em má situação. Assim, empresas
como a Apple, que tem uma boa reputação em termos de saúde
financeira, contraem empréstimos para comprar títulos podres de
alto rendimento. As empresas em má situação que emitem
esses títulos podres de alto rendimento estão numa
política de endividamento permanente: elas tomam empréstimos para
poderem reembolsar empréstimos anteriores.
No final de Dezembro de 2018, um grande krach bolsista quase estourou nos
Estados Unidos e o efeito de contágio foi imediato. Foi um sinal
adicional anunciador de um grande krach que está a vir.
O mercado imobiliário nos Estados Unidos tornou-se novamente
frágil: o preço dos imóveis aumentou 50% desde 2012 e o
seu nível ultrapassa aquele atingido pouco antes da crise que arrancou
em 2005-2006 e provocou a grande crise internacional de 2008-2009. Alguns
especialistas consideram que se poderia estar no início de uma nova
crise imobiliária pois a actividade começa a desacelerar, as
vendas de habitação diminuem.
A continuação da política de flexibilização
monetária
(Quantitative Easing)
na Europa, assim como a sua saída nos EUA, são factores de
crise.
Os grandes bancos privados chamados sistémicos são extremamente
frágeis e o valor de suas acções caiu drasticamente tanto
nos Estados Unidos como na Europa no segundo semestre de 2018, a queda
continuou no primeiro trimestre de 2019. Os grandes bancos privados são
sustentados com grande esforço pelo banco central
do seu país. O Fed não honra seu compromisso de revender os
títulos de dívida privada tóxica (os famosos mortgage
backed securities, MBS). Em Março de 2019, ele detinha um volume enorme
de US$1,6 milhão de milhões de MBS (ver
www.federalreserve.gov/releases/h41/current/h41.pdf
acessado em 17/Março/2019) adquirido em 2008-2009 junto a grandes
bancos privados a fim de salvá-los. O Fed sabe muito bem que se vendesse
maciçamente esses títulos, como prometera, o preço dos
mesmos entraria em colapso e, na sequência disso o mercado obrigacionista
dos Estados Unidos. Ele também sabe que, se elevasse a taxa de juros
acima de 2,5% toda uma série de empresas endividadas seria confrontada
com sérias dificuldades de reembolso / refinanciamento das suas
dívidas. Sem mencionar que isso aumentaria igualmente o custo do
reembolso da dívida pública.
O BCE, por sua vez, continua a emprestar dinheiro aos bancos à taxa de
juros de 0% e acaba de lhes prometer não aumentar a taxa antes de 2020
(ver Martine Orange, "O BCE face aos seus limites",
www.mediapart.fr/journal/international/080319/la-bce-face-ses- limites? page_article = 1
publicado em 8/Março/2019 e Delphine Cuny
(La Tribune),
"O BCE choca os mercados ao repelir a alta das taxas",
www.latribune.fr/...
[l-actu-du-jour] -20190308, publicado em 7/Março/2019). Além
disso, o BCE concederá aos bancos privados novos empréstimos
maciços a médio e longo prazo, que no jargão são
conhecidos como TLTRO
(Targeted longer-term refinancing operations).
Os bancos italianos e espanhóis são os mais dependentes (segundo
o JPMorgan, eles representam 55% do montante emprestado aquando do
último TLTRO), mas como todos os bancos estão interconectados,
todos dependem mais ou menos directamente. Acrescentemos que os bancos europeus
utilizam maciçamente o dinheiro que recebem a taxas de juro zero para
comprar títulos da dívida soberana, preferencialmente de seu
Estado e também de outros Estados europeus, o que lhes dá um
retorno positivo sobre títulos considerados seguros por serem emitidos
pelo Estado.
O entusiasmo dos bancos e dos outros actores nos mercados financeiros
pelos títulos da dívida pública é impressionante:
todos os Estados da zona euro conseguiram tomar emprestadas grandes somas de
dinheiro nos primeiros três meses de 2019 (assim como em 2018). Cada
anúncio de um empréstimo depara-se com um afluxo de ofertas de
compra. Geralmente, quando um Estado quer contrair um empréstimo de mil
milhões de euros, os bancos oferecem-lhe quatro, ou seja, tanto quanto
eles têm em liquidez (a qual vem em grande medida dos bancos centrais ao
seu serviço). Isto mostra até que ponto desejam comprar
títulos públicos remuneradores e seguros. Além disso, como
expliquei em meu livro
Bancocratie
, o facto de comprar títulos soberanos permite aos bancos aumentar
artificialmente o rácio dos seus fundos próprios em
relação ao seu balanço graças ao sistema da
ponderação dos activos pelo risco (ver "Vai tudo bem",
www.cadtm.org/Tout-va-tres-bien-madame-la
e
Bancocratie
, capítulo 12, Aden, Bruxelas, 2014). Mas assim que a crise tomar um
rumo catastrófico, os media dominantes e os banqueiros mais uma vez
acusarão os estados de fazerem demasiada despesa pública e de
emitir demasiada dívida pública.
Crescimento muito fraco em geral, estagnação ou forte
recessão em uma série de casos
O crescimento económico nos países de
industrialização mais antiga continua em baixa e está a
diminuir em vários países chave. Especialmente na Europa, onde,
após um pequeno crescimento em 2017, o ano de 2018 terminou com a
estagnação e, no caso da Alemanha, uma queda na
produção industrial no quarto trimestre de 2018 e no primeiro
trimestre de 2019 (
Financial Times
, "A produção industrial alemã cai
inesperadamente", 11/Março/2019,
www.ft.com/content/2e93cb1a-43ca-11e9-a965-23d669740bfb
). As autoridades alemãs reduziram as previsões de crescimento
para 2019 para 1% (enquanto em 2016-2017 a taxa de crescimento anual
ultrapassou os 2%). O investimento na UE demorou 12 anos para regressar ao seu
nível de 2007 antes do desencadeamento da crise (
Financial Times,
"O investimento da UE recupera o nível anterior ao crash
financeiro de 2008", 9/Março/2019).
Na zona do euro, o crescimento no terceiro trimestre de 2018 foi de apenas
0,2%, o mais baixo em quatro anos. A Itália está em
recessão. A França experimenta uma pequena retomada graças
ao ligeiro aumento no consumo que é o resultado do movimento de coletes
amarelos que levou Macron a não respeitar cegamente a disciplina
orçamental (ver meu artigo: "Europa: desobedecer para executar uma
alternativa favorável aos povos, 12/Fevereiro/2019,
.org/Europe-desobeir-pour-mettre-en-oeuvre-une-alternative-favorable-aux-peuples
)
No Japão, o crescimento no período de Abril/2018
Março/2019 é cerca de 0,9%, também em baixa em
relação a 2017. A economia dos EUA está igualmente em
desaceleração, o FMI
prevê um crescimento de 2,5% em 2019 contra 2,9% em 2018. Outros peritos
prevêem um crescimento menor. Isso levou a Reserva Federal dos EUA a
suspender provisoriamente o aumento das taxas de juros iniciado no final de
2016.
O crescimento chinês está a desacelerar apesar de a China
continuar a desempenhar o papel de locomotiva global. Este estaria em torno de
6%, o menor em 25 anos. Na China, uma crise financeira pode eclodir a qualquer
momento, fazendo cair o crescimento interno e mundial, agravando as
condições de vida de centenas de milhões de chineses/as.
A economia dos outros BRICs também está a desacelerar, com
excepção da Índia, que experimenta uma taxa de crescimento
de pouco mais de 7%. A Rússia está experimenta um crescimento
muito fraco, da ordem dos 1,2% em 2018 e uma previsão de 1,3% para 2019.
A África do Sul caiu em recessão no primeiro semestre de 2018,
experimentando uma pequena retomada. O Brasil, que experimentou uma forte
recessão em 2015-2016, recuperou algum crescimento, mas este é
muito fraco, pouco mais de 1% em 2018.
Crises muito fortes já estão a atingir uma série de
países ditos emergentes: Turquia, Argentina, Venezuela,...
Desvalorização da moeda, grandes dificuldades para continuar o
reembolso da dívida externa pública e privada.
Uma série de países periféricos entre os mais pobres
enfrenta uma aguda crise da dívida (Moçambique,...). Isto
não é senão o começo de uma lista que se vai
alongar.
Apesar deste crescimento económico muito fraco ao nível mundial,
nomeadamente nas principais potências industriais poluidoras, os factores
que impulsionam a aceleração das mudanças
climáticas não se atenuam. Temos provas tangíveis diante
de nós dos efeitos da perturbação e do aquecimento global
por todo o mundo
[NR]
. Diante desta crise, cujas consequências dramáticas estão
a aumentar, os governos apegam-se a promessas puramente retóricas, o que
felizmente leva a fortes reacções na população em
geral e entre os jovens em particular.
Resumo da acção do BCE
Desde o início da crise em 2007-2008, o BCE desempenhou um papel vital
no resgate dos grandes bancos privados, dos seus grandes accionistas e
principais dirigentes, garantindo-lhes a continuidade dos seus
privilégios. Pode-se afirmar sem risco de engano que, sem a
acção do BCE, grandes bancos teriam falido, o que teria
forçado os governos a tomar fortes medidas coercivas contra seus
administradores e accionistas maioritários. Deve acrescentar-se que a
acção do BCE reforçou a concentração do
sector bancário em benefício de uma vintena de grandes bancos que
desempenham um papel dominante. O BCE contribuiu activamente para manter e
desenvolver monstros bancários demasiado grandes para irem à
falência. Além do resgate dos principais accionistas dos bancos, o
BCE prossegue oficialmente o objectivo de uma inflação de 2%.
Deste ponto de vista, o balanço do BCE é um fracasso, uma vez que
a taxa de inflação na Zona Euro em 2018 atingiu apenas 1,6% e
está em baixa no primeiro trimestre de 2019.
Três objectivos adicionais da acção do BCE podem resumir-se
da seguinte forma:
Defender o euro, que é uma camisa de força para as economias
mais fracas da zona do euro e para todos os povos europeus. O euro é um
instrumento ao serviço das grandes empresas privadas e das classes
dominantes europeias (os 1% mais ricos). Os países que fazem parte da
zona euro não podem desvalorizar a sua moeda desde que adoptaram o euro.
Mas os países mais fracos da zona euro teriam vantagem em desvalorizar a
fim de recuperar a competitividade frente aos gigantes económicos
alemães, franceses, do Benelux (Bélgica, Holanda, Luxemburgo) e
da Áustria. Países como a Grécia, Portugal, Espanha ou
Itália ficam assim presos pela sua pertença à zona euro.
As autoridades europeias e seus governos nacionais aplicam portanto o que
é chamado de desvalorização interna: elas impõem
uma redução dos salários para o benefício exclusivo
dos accionistas das grandes empresas privadas. A desvalorização
interna é sinónima de redução salarial.
Reforçar a dominação das economias europeias mais fortes
(Alemanha, França, Benelux, ...) onde as maiores empresas privadas
europeias estão sediadas. Isto implica manter fortes assimetrias entre
as economias mais fortes e mais fracas.
Participar e apoiar de forma ofensiva os ataques do Capital contra o
Trabalho, a fim de aumentar os lucros das empresas e tornar as grandes empresas
europeias mais competitivas no mercado mundial face aos seus concorrentes
estado-unidenses, chineses, japoneses, coreanos,... São múltiplos
os exemplos de intervenção do BCE para atingir este objectivo na
Itália, Grécia, Chipre, Portugal, Irlanda, Espanha,...
O encarniçamento do BCE para contribuir para os ataques contra os de
baixo vem mais uma vez exprimir-se muito claramente. Em Março de 2019, o
BCE e os bancos do Eurosistema recusaram-se a devolver à Grécia
parte dos lucros obtidos nas costas do povo grego
[2]
sob o pretexto de que o governo de Alexis Tsipras não havia aprofundado
suficientemente as contra-reformas sociais. Trata-se nomeadamente da vontade do
BCE de suprimir os últimos obstáculos ao despejo de
famílias gregas incapazes de continuar a pagar a dívida
hipotecária da sua residência principal. Nada é poupado em
sacrifícios ao povo grego, que constitui uma vítima inerme da
Troika no seio da qual o BCE desempenha um papel chave.
A necessidade de soluções radicais
A nova crise financeira que surge faz parte de um contexto mais amplo de uma
crise sistémica do capitalismo global. Esta crise sistémica
é multidimensional: económica, ecológica, social,
política, moral, institucional,...
É preciso romper de modo radical com a lógica que orienta os
governos em vigor e tomar medidas de urgência. Em contraste com o actual
sistema que oferece impunidade e pára-quedas dourados aos
responsáveis das derrocadas, é necessário fazer com que
paguem a factura dos resgates bancários aqueles e aquelas que são
os responsáveis.
As medidas anunciadas para disciplinar os bancos são cosméticas.
Supervisão centralizada dos bancos da zona euro, criação
de um Fundo Europeu de Garantia de Depósitos, proibição de
certas operações (que afectam apenas 2% da actividade
bancária global), limites máximos dos bónus,
transparência das actividades bancárias ou ainda as novas regras
de Basileia III constituem apenas recomendações, promessas ou, na
melhor das hipóteses, medidas totalmente insuficientes em
relação aos problemas a serem resolvidos. Mas é preciso
impor regras muito estritas e incontornáveis.
Esta crise deveria ser superada pela realização de medidas que
afectassem a própria estrutura do mundo das finanças e do sistema
capitalista
[3]
.
A actividade bancária é demasiado séria para ser deixada
nas mãos do sector privado. É necessário socializar o
sector bancário (o que implica a sua expropriação) e
colocá-lo sob controle cidadão (dos assalariados dos bancos, dos
clientes, das associações e dos representantes de actores
públicos locais), pois ele deve ser submetido às regras de um
serviço público e as receitas que a sua actividade gera devem ser
utilizadas para o bem comum.
A dívida pública incorrida para salvar os bancos é
claramente ilegítima e deve ser repudiada. Uma auditoria cidadã
deve determinar as outras dívidas ilegítimas, ilegais, odiosas,
insustentáveis... e permitir uma mobilização tal que uma
alternativa anti-capitalista crível possa tomar forma.
Estas duas medidas devem fazer parte de um programa mais amplo que já
esboçámos alhures. Ver: Coletes Amarelos: Aprender com a
História e agir no Presente
www.cadtm.org/Gilets-jaunes-apprendre-de-l-histoire-et-agir-dans-le-present
Os bancos centrais precisam ser radicalmente refundados, suas missões
devem ser redefinidas. Eles devem retomar o papel da criação
monetária em favor do sector público e contribuir activamente
para o financiamento da transição ecológica e para a luta
contra a injustiça social.
A mobilização cidadã e a auto-organização
social constituem a condição sine qua non para a
realização das várias soluções propostas.
18/Março/2019
[1] Estou de acordo com a conclusão do artigo de François
Chesnais já mencionado:
"Em primeiro lugar, são as políticas públicas de
austeridade por toda a parte, mas também uma configuração
em que empresas e retalhistas de massa devem persuadir as famílias cujo
poder de compra estagna a comprar, além das necessidades quotidianas,
coisas que já possuem.
Paralelamente nas cadeias mundiais de valor, os que dão ordens
pressionam cada vez mais pressionando os subcontratados e os transportadores
marítimos e rodoviários ao longo de toda a cadeia.
A curva da acumulação do capital dinheiro portador de juros
reforça o peso económico e político em todos os
países dos gestores de fundos e fortunas e dos administradores dos
grupos industriais e comerciais financeiros ligados apenas à
segurança dos fluxos de juros e à distribuição
máxima de dividendos.
Assim, os processos contraccionistas que dominam a economia mundial são
acompanhados por uma aceleração da dilapidação dos
recursos minerais, da desflorestação e do esgotamento dos solos.
Paralelamente, o montante dos investimentos públicos exigidos por
qualquer "transição ecológica" é
inatingível sem o cancelamento das dívidas públicas, o que
é mais do que nunca uma reivindicação democrática
absolutamente central".
[2] Em relação aos lucros odiosos realizados pelo BCE nas costas
do povo grego, ver: Eric Toussaint, "Os lucros odiosos do BCE nas costas
do povo grego",
/www.cadtm.org/The-profits -a-ECB-on
publicada a 13/Outubro/2017 e "A política da Troika na
Grécia: Roubar o povo grego e dar dinheiro aos bancos privados, ao BCE,
ao FMI e aos Estados que dominam a zona euro ",
Politics-of-Troika-Grece-Flying-the-People-Grece-and-Giving-the-Silver-Published
20/Agosto/2018
[3] Estou plenamente de acordo com a orientação do artigo de
Michael Roberts: "Estagnação laica, política
monetária e John Law",
www.anti-k.org/2019/03/16/stagnation-laique-politique-monetaire-et-john-law/
consultado em 17/Março/2019.
[NR] Um falso problema, como resistir.info tem denunciado reiteradamente. O
autor parece ter-se deixado influenciar pela nova ideologia aquecimentista.
[*]
Doutorado em ciências políticas pelas universidades de
Liège e Paris VIII, porta-voz do CADTM internacional e membro do
Conselho Científico da ATTAC França. Autor de
Le Système Dette. Histoire des dettes souveraines et de leur répudiation
, Les liens qui libèrent, 2017;
Bancocratie
, ADEN, Bruxelles, 2014;
Procès d'un homme exemplaire
, Éditions Al Dante, Marseille, 2013;
Un coup d'il dans le rétroviseur. L'idéologie néolibérale des origines jusqu'à aujourd'hui
, Le Cerisier, Mons, 2010. É co-autor com Damien Millet de
AAA, Audit, Annulation, Autre politique
, Le Seuil, Paris, 2012;
La dette ou la vie
, Aden/CADTM, Bruxelles, 2011.
O original encontra-se em
www.cadtm.org/La-crise-economique-et-les-banques-centrales
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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