Se fossem ainda necessárias evidências da autêntica
"fuga em frente" que a União Europeia está a fazer,
perante as consequências da profunda crise que ajudou a criar, a
Comissão acaba de nos dar mais um claro sinal.
Depois do descalabro provocado pela rédea solta à
especulação financeira, depois de meses, anos já, de
inacção e de promessas quanto às medidas a impor aos
mercados financeiros, a confirmação chegou esta semana: no
essencial, tudo vai continuar como até aqui.
Numa altura em que não é ainda conhecida a verdadeira
dimensão do "lixo tóxico" que contamina o sector
financeiro, a mensagem da Comissão é clara, mesmo se embrulhada
na retórica da "maior segurança e transparência":
a especulação financeira é para continuar, os seus
principais instrumentos são para continuar derivados, vendas a
descoberto, swaps ou CDS. Os "lixos tóxicos" são para
continuar.
São para continuar os paraísos fiscais, sobre os quais repousa
agora um silêncio de chumbo, depois do alarido e das promessas vãs
sobre o seu fim.
Tudo isto a contrastar com a prontidão e violência com que foram
impostos pesados sacrifícios aos trabalhadores e aos povos, chamados que
foram a suportar os desmandos do capital financeiro.
A resposta aí está: em Portugal, França, Grécia,
Espanha, por toda a Europa, os povos erguem-se e lutam contra a profunda
regressão social que a UE lhes quer impor!
[*]
Deputado ao Parlamento Europeu.
Intervenção em 20/Setembro/2010