O único meio que resta para salvar o euro

por Paul Jorion [*]

Nos meus bilhetes aqui, tenho o hábito de me dirigir a qualquer um que me possa ler. Neste caso, fora do costume, gostaria de me dirigir mais particularmente aos meus confrades engenheiros financeiros no modo, o que também não é costume, da provocação grosseira mas, esperemos, ainda assim eficaz.

Ei-la: uma zona monetária deve poder fazer incumprimento (défaut) no seu conjunto e reestruturar a sua dívida (ou seja, dizer: "Eu só posso vos reembolsar X centimos por euro tomado emprestado") e deve poder revalorizar a sua divisa, desvalorizá-la em particular.

A zona euro privou-se destes dois remédios. Não é de espantar portanto que hoje ela esteja moribunda.

Solução: na noite de domingo próximo (antes da abertura de Tóquio), toda a dívida dos 17 países da zona euro é rebaptizada Eurodívida (OATs [1] , Bunds, etc) e, no minuto seguinte, a zona euro faz incumprimento no seu conjunto.

Na manhã de segunda-feira a Eurodívida está reestruturada (num único bloco) e a paridade euro / outras divisas irá situar-se onde puder.

A zona euro terá assim operado a sua metamorfose: ela pode doravante funcionar como uma zona monetária ordinária. Ela está salva.

PS: comentadores eventuais clamando que NÃO é preciso salvar o euro, sejam gentis e coloquem os vossos comentários alhures. O que digo aqui não é nem "a favor" nem "contra".

24/Julho/2012

[1] OATs: Obligations Assimilables du Trésor (título do Tesouro francês)

[*] Professor titular da cadeira "Stewardship of Finance" na Vrije Universiteit Brussel.

O original encontra-se em http://www.pauljorion.com/blog/?p=39817


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27/Jul/12