O único meio que resta para salvar o euro
Nos meus bilhetes aqui, tenho o hábito de me dirigir a qualquer um que
me possa ler. Neste caso, fora do costume, gostaria de me dirigir mais
particularmente aos meus confrades engenheiros financeiros no modo, o que
também não é costume, da provocação
grosseira mas, esperemos, ainda assim eficaz.
Ei-la: uma zona monetária deve poder fazer incumprimento (défaut)
no seu conjunto e reestruturar a sua dívida (ou seja, dizer: "Eu
só posso vos reembolsar X centimos por euro tomado emprestado") e
deve poder revalorizar a sua divisa, desvalorizá-la em particular.
A zona euro privou-se destes dois remédios. Não é de
espantar portanto que hoje ela esteja moribunda.
Solução: na noite de domingo próximo (antes da abertura de
Tóquio), toda a dívida dos 17 países da zona euro é
rebaptizada Eurodívida (OATs
[1]
, Bunds, etc) e, no minuto seguinte, a zona euro faz incumprimento no seu
conjunto.
Na manhã de segunda-feira a Eurodívida está reestruturada
(num único bloco) e a paridade euro / outras divisas irá
situar-se onde puder.
A zona euro terá assim operado a sua metamorfose: ela pode doravante
funcionar como uma zona monetária ordinária. Ela está
salva.
PS: comentadores eventuais clamando que NÃO é preciso salvar o
euro, sejam gentis e coloquem os vossos comentários alhures. O que digo
aqui não é nem "a favor" nem "contra".
24/Julho/2012
[1] OATs: Obligations Assimilables du Trésor (título do Tesouro
francês)
[*]
Professor titular da cadeira "Stewardship of Finance" na Vrije Universiteit
Brussel.
O original encontra-se em
http://www.pauljorion.com/blog/?p=39817
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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