Não a um exército comum europeu
"Pela ruptura com a submissão ao Euro e à UE"
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, Srs. Membros do Governo, Sr.
Primeiro-Ministro,
Acerca do próximo Conselho Europeu é fundamental que se aborde as
questões relativas à Cooperação Estruturada
Permanente, ao pilar social europeu e obviamente o enquadramento da
eleição de Mário Centeno para Presidente do Eurogrupo.
Rejeitamos a participação de Portugal na Cooperação
Estruturada Permanente. Assumimos esta posição por considerarmos
que a Cooperação Estruturada Permanente significa um passo
qualitativo e quantitativo na militarização da União
Europeia, um dos pilares da sua concepção e natureza.
Assumimos esta posição contrariamente ao que fazem PSD e CDS que
procuram ensaiar falsas divergências de forma a disfarçar que
estão de acordo com a posição do PS e do Governo, com os
objectivos e a participação de Portugal na
Cooperação Estruturada Permanente.
Discordamos da participação de Portugal na
Cooperação Estruturada Permanente por corresponder à
constituição do pilar europeu da NATO, com a
intenção de criar um exército comum da União
Europeia, de centralização de processos de decisão e
comando e por se constituir como um bloco político-militar complementar
ao da NATO, em oposição ao disposto do artigo 7.º da
Constituição da República Portuguesa.
A participação de Portugal na Cooperação
Estruturada Permanente representa ainda a perda de soberania, subalternizando
os interesses nacionais aos interesses militaristas, da guerra e da
agressão e pervertendo a missão das forças armadas
portuguesas.
A criação da Cooperação Estruturada Permanente
exige a assunção de compromissos de aumento do orçamento
na área da despesa, em detrimento da coesão, já
deficitária. Perante as inúmeras assimetrias entre os
vários Estados-Membros, com tendência para se agravarem, perante
os problemas com que os povos estão confrontados, o desemprego, a
desvalorização do trabalho e os baixos salários, as
desigualdades, a pobreza e a exclusão, a opção passa pelo
aprofundamento dos pilares da constituição da União
Europeia, o federalismo, o neoliberalismo e o militarismo, ao invés de
canalizar os recursos para a coesão, para o combate às
desigualdades e à pobreza.
O pilar social europeu anunciado como a iniciativa para reforçar a
dimensão social da União Europeia, assinado em Gotemburgo,
não passa de uma enorme operação de propaganda para iludir
os povos, mantendo no fundamental e dando suporte aos pilares da
governação económica que suportam a União
Económica e Monetária.
Das 20 medidas que constam do pilar social europeu, não se vislumbra uma
que vá no sentido do aumento dos salários, do combate à
precariedade, da efectiva defesa da contratação colectiva, nem
para uma justa redistribuição da riqueza.
É um embuste, ao qual o Governo e o país não deveriam
estar associados. O seu único objetivo é legitimar as
opções políticas impostas pela União Europeia, de
ataque aos direitos laborais e sociais, responsáveis pela
exploração e o empobrecimento dos trabalhadores e dos povos e que
já demonstraram que não são solução.
Não é por acaso que a União Europeia propagandeia uma
preocupação fingida com a dimensão social. Pretende-se
continuar o caminho do aprofundamento da União Europeia, numa fuga em
frente, nomeadamente através da conclusão da União
Económica e Monetária e de todos os seus instrumentos e
mecanismos (um autêntico garrote ao desenvolvimento e à garantia
dos direitos do trabalho e sociais, como bem se reflecte no nosso país);
pretende-se a conclusão da União Bancária; a
criação do chamado Fundo Monetário Europeu e a
criação do ministro das finanças da União Europeia,
concentrando ainda mais os centros de decisão.
E não é a designação de Mário Centeno como
Presidente do Eurogrupo que vai alterar o actual estado de coisas. Todos
sabemos que as decisões no Eurogrupo continuarão a ser tomadas
pelas grandes potências (como de resto aconteceu com a própria
eleição de Mário Centeno). E não alimentamos a
ilusão de que o facto de portugueses assumirem responsabilidades
institucionais nas estruturas da União Europeia contribui para defender
os interesses nacionais. O passado já nos demonstrou que não
é assim. Identificamos de resto uma contradição entre a
assunção destas responsabilidades e o caminho que é
necessário aprofundar na actual fase da vida política nacional.
E reafirmamos: o caminho a fazer não é o da submissão
às limitações e constrangimentos impostos pela
União Europeia que impedem o desenvolvimento do nosso país, em
especial quanto à necessidade do reforço do investimento
público, da melhoria dos serviços públicos, do incentivo
à produção nacional e da valorização dos
salários.
A resposta aos problemas estruturais do país passa pela ruptura com essa
submissão ao Euro e às imposições da União
Europeia, para que o país se possa desenvolver e melhorar as
condições de vida dos trabalhadores e do povo.
Disse.
[*]
Deputada do PCP. Intervenção na AR em 06/Dez/17.
Ver também:
Opinião de João Ferreira do Amaral
Ilusões traiçoeiras
, José Goulão
PCP propõe a rejeição da associação de Portugal ao mecanismo Europeu de Cooperação
Permanent Structured Cooperation (PESCO) - Factsheet
O original encontra-se em
www.pcp.pt/...
Este discurso encontra-se em
http://resistir.info/
.
|