por Caoimhghin Ó Croidheáin
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A austeridade é uma impostura. Dívida é
teorização económica destinada ao povo miúdo. Se as
pessoas produzem a riqueza então porque estão sempre pobres e/ou
a reembolsar dívidas? Porque os ricos nacionais e internacionais
emprestam-nos de volta o dinheiro (com juros) que sacaram da sociedade na forma
de lucros a fim de preencher o fosso criado por eles próprios. Portanto,
somos triplamente explorados: Somos tributados nos salários, alienados
da riqueza criada (lucros) e temos de pagar juros sobre o dinheiro tomado
emprestado dos ricos a fim de pagar as despesas correntes e de capital
necessárias à manutenção da sociedade.
Quando há uma crise económica provocada por esta constante
drenagem de riqueza na economia, os "peritos" então debatem o
melhor meio de impor cortes para nos levar de volta ao "caminho da
recuperação". Isto seria divertido se tantas pessoas
não pessoas não soçobrassem no mar do desemprego e dos
salários de subsistência. Além disso, qualquer
rejeição destas "dívidas" não será
tolerada pelas elites que supervisionam os "reembolsos de
dívida" do povo miúdo.
Se uma forma de reembolso de dívida (notas promissórias) for
considerada trapaceira e possivelmente insustentável (devido a
legalismos ou repugnância pública) então, da noite para o
dia, é apressada legislação a fim de converter tal
"dívida" a uma forma mais aceitável o
título do governo. Foi o que sucedeu esta semana em Dublim. Como
é que isto aconteceu?
"Em 2010 os bancos que constituíam o então Anglo Irish Bank
e o Irish Nationwide (agora Irish Bank Resolution Corporation ou IBRC) exigiram
do Estado cerca de 30,06 mil milhões em dinheiro adicional devido
à sua situação perigosa na sequência do colapso do
mercado imobiliário.
O ministro das Finanças, Brian Lenihan, preencheu então uma nota
promissória para o IBRC esta, basicamente, dizia "Nós
lhe devemos 31 mil milhões" a qual o banco utilizou
como colateral para contrair um empréstimo junto ao fundo de
emergência de assistência à liquidez
(emergency liquidity assistance, ELA)
do Banco Central da Irlanda. Sob este acordo, o Estado concordou em pagar ao
IBRC 3,06 mil milhões por ano até 2023 e pagamentos mais
pequenos posteriormente para satisfazer o principal e os juros.
Mas criar dinheiro ou financiamento monetário é
inaceitável segundo o Banco Central Europeu (BCE). Seus
princípios fundadores o Tratado de Maastricht dizem que
estados membros da UE não podem financiar seus défices
públicos emitindo moeda.
Como destaca Stephen Donnelly, que se opôs veementemente às notas
promissórias: "Isto certamente entraria em conflito com duas
directivas da Europa: De que nenhum banco europeu iria à falência
e que as perdas potenciais e lucros perdidos de grandes investidores fossem
pagos em pleno pelo público".
Uma das opções que a Irlanda pôs sobre a mesa foi trocar as
notas por um título do governo a longo prazo possivelmente
originado do
MEE
com os reembolsos estendidos ao longo de 40 anos. O que significa
isto? Bem, o nosso caro chefe de governo
(taoiseach)
Enda Kenny
provavelmente descreveu a operação quando disse que seria como
comutar "de um grave saque a descoberto para uma hipoteca a longo prazo e
com juro baixo".
Como se vê, a perspectiva aterrorizante para o BCE seria a perda de
controle sobre a oferta da moeda e o efeito indirecto que isto teria sobre os
mercados se todos os governos da UE fizessem o mesmo. Portanto, da noite para o
dia, foi aprovada em Dublim legislação títulos-por-notas a
fim de dar corda ao IBRC e colocar os reembolsos numa base mais estável,
"normalizada". O
taoiseach
Enda Kenny disse a "the Dáil:
"O primeiro pagamento principal sobre estes títulos será
feito daqui a 25 anos, em 2038, com o pagamento final a ser efectuado em 2053.
A maturidade média destes títulos será de mais de 34 anos
ao invés dos 7-8 na nota promissória". A taxa média
de juro destes títulos será 3%, a comparar com os 8% das notas
promissórias".
Certamente os filhos e netos do "povo miúdo" podem pagar essa
"dívida" ao invés de nós! Isto foi confirmado
pelo ministro das Finanças, Michael Noonan, o qual disse que o acordo da
dívida à banca garantida pelo governo "facilita o fardo de
toda a gente" (excepto os seus filhos que nada suspeitam).
O porta-voz da campanha Anglo Not Our Debt, Andy Storey, classificou a dívida
como "ilegítima" ela foi agravada a fim de beneficiar
os especuladores que apostaram o seu dinheiro num banco trapaceiro agora sob
investigação criminal, não é a dívida das
pessoas comuns e sob nenhuma circunstância deveria ser reclassificada
como "soberana". Ele também declarou que acelerar esta noite
"legislação de emergência através da
câmara baixa
(Dáil)
e alta
(Seanad)
do parlamento irlandês nesta base seria "tortuoso e não
democrático ao invés de efectuar um debate adequado e
informado acerca desta questão muitíssimo séria o governo
estaria a despachar o assunto por meio de uma legislação que
faria com que o povo irlandês assumisse a responsabilidade formal por
dívidas que não são suas".
Como se isto não fosse suficientemente mau, o Eurostat, a agência
de estatística da Comissão Europeia, calculou que o custo da
crise bancária em cada país da UE e
de acordo com Michael Taft
a Irlanda aproxima-se "da Alemanha quanto ao dúbio título
de maior gasto com a crise bancária. Foram 41 mil milhões
até à data segundo dados da contabilidade do Eurostat (isto
não contabiliza os milhares de milhões desviado para os bancos a
partir do nosso Fundo de Reserva Nacional para Pensões pois isto
não foi contado como "custo" no Orçamento Geral do
governo). [...] A crise bancária europeia até à data
custou a cada indivíduo na Irlanda aproximadamente 9.000. A
média por toda a UE é de 192 per capita. [...] O povo
irlandês pagou 42% do custo total da crise bancária europeia".
Não é admirar que Angela Merkel tenha declarado a Irlanda como um
"caso especial" para acordo de dívida bancária.
Reformulando palavras famosas de Churchill, "Nunca tão poucos
deveram tanto a muitos".
08/Fevereiro/2013
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Editor de
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O original encontra-se em
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Este artigo encontra-se em
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