As lições da guerra do Iraque principiam na história
americana
No terceiro aniversário do fracasso iraquiano do presidente Bush
é importante considerar porque a administração tão
facilmente arrastou tantas pessoas para o apoio à guerra.
Acredito que haja duas razões, as quais têm a ver profundamente
com a nossa cultura nacional.
Uma é a ausência de perspectiva histórica. A outra
é uma incapacidade para pensar fora dos limites do nacionalismo.
Se não soubermos história, então seremos carne pronta para
políticos carnívoros e para os intelectuais e jornalistas que
fornecem as facas de trinchar. Mas se soubermos alguma história, se
soubermos quantas vezes presidentes nos mentiram, não seremos enganados
outra vez.
O presidente Polk mentiu ao país acerca da razão para ir à
guerra contra o México em 1846. Não foi porque o México
"derramava sangue americano sobre o solo americano" mas sim porque
Polk, e a aristocracia escravocrata, cobiçava a metade do México.
O presidente McKinley mentiu em 1898 acerca da razão para invadir Cuba,
dizendo que queríamos libertar os cubanos do controle espanhol, mas a
verdade é que ele realmente queria a Espanha fora de Cuba a fim de que a
ilha pudesse ser aberta à United Fruit e outras
corporações americanas. Ele também mentiu acerca das
razões para a nossa guerra nas Filipinas, afirmando que apenas
queríamos "civilizar" os filipinos, quando a razão real
era possuir uma valiosa peça imobiliária no extremo do
Pacífico, mesmo se tivéssemos de matar centenas de milhares de
filipinos para conseguir isso.
O presidente Wilson mentiu acerca das razões para entrar na Primeira
Guerra Mundial, dizendo que era uma guerra para "fazer um mundo seguro
para a democracia", quando era realmente uma guerra para fazer o mundo
seguro para a ascensão do poder americano.
O presidente Truman mentiu quando disse que a bomba atómica foi
lançada sobre Hiroshima porque esta era "um objectivo militar".
E toda a gente mentiu acerca do Vietnam o presidente Kennedy acerca da
extensão do nosso envolvimento, o presidente Johnson acerca do Golfo de
Tonquim e o presidente Nixon acerca do bombardeamento secreto do Cambodja.
Todos eles afirmaram que a guerra era para manter o Vietnam do Sul livre do
comunismo, mas eles realmente queriam manter o Vietnam do Sul como um posto
avançado americano no extremo do continente asiático.
O presidente Reagan mentiu acerca da invasão de Granada, afirmando
falsamente que era uma ameaça aos Estados Unidos.
O Bush mais velho mentiu acerca da invasão do Panamá, que levou
à morte de milhares de cidadãos comuns naquele país. E
mentiu outra vez acerca da razão para atacar o Iraque em 1991 que
estava longe de ser a defesa da integridade do Kuwait e sim para afirmar o
poder americano no Médio Oriente rico em petróleo.
Há uma mentira ainda maior: a ideia arrogante de que este país
é o centro do universo, de que é excepcionalmente virtuoso,
admirável, superior.
Se o nosso ponto de partida para avaliar o mundo em torno de nós
é a convicção firme de que esta nação
é de alguma forma dotada pela Providência com qualidades
únicas que a tornam moralmente superior a todos os outros países
sobre a Terra, então não é provável questionarmos o
presidente quando ele diz que estamos a enviar nossas tropas aqui ou ali, ou a
bombardear isto o aquilo, a fim de difundir nossos valores democracia,
liberdade e, não vamos esquecer, a livre empresa em alguns
lugares do mundo (literalmente) abandonados por Deus.
Mas temos de enfrentar alguns factos que perturbam a ideia de uma
nação com virtudes únicas.
Temos de enfrentar nossa longa história de limpeza étnica, na
qual os governo americano expulsou milhões de índios das suas
terras por meio de massacres e evacuações forçadas.
Temos de enfrentar nossa longa histórica, ainda não ultrapassada,
de escravidão, segregação e racismo.
E temos de enfrentar a memória persistente de Hiroshima e Nagasaki.
Não é uma história de que possamos orgulhar-nos.
Nossos dirigentes aceitam como verdade absoluta, e plantam esta crença
na cabeça de muitas pessoas, que estamos destinados, devido à
nossa superioridade moral, a dominar o mundo. Tanto os partidos Republicado
como Democrático abraçaram esta noção.
Mas em que está baseada a ideia da nossa superioridade moral?
Uma avaliação mais honesta de nós próprios como
nação nos prepararia a todos para a barragem seguinte de mentiras
que acompanharão a próxima proposta para infligir o nosso poder
sobre alguma outra parte do mundo.
Ela também poderia inspirar-nos a criar uma história diferente de
nós próprios, afastando o nosso país para dos
mentirosos que o governam e rejeitando a arrogância nacionalista, de
modo a que possamos juntar-nos aos povos de todo o mundo na causa comum da paz
e da justiça.
14/Março/2006
[*]
Autor de "A People's History of the United States"
(HarperCollins, 1995) e co-autor, com Anthony Arnove, de "Voices of a
People's History of the United States" (Seven Stories Press, 2004).
Seu
email é
pmproj@progressive.org
.
O original encontra-se em
http://progressive.org/media_mpzinn030806
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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