Perigo de guerra nuclear promovida pelos EUA
Mais de 470 físicos assinam petição em protesto contra a
política americana de ataque nuclear
por Kim McDonald
Mais de 470 físicos, incluindo sete laureados com o Prémio Nobel,
assinaram uma petição opondo-se a uma nova proposta do
Departamento da Defesa dos EUA que permite aos Estados Unidos utilizarem armas
nucleares contra estados não nucleares.
A petição foi iniciada por dois professores de física da
Universidade da Califórnia, San Diego, Kiem Griest e Jorge Hirsh, que
afirmaram sentirem-se na obrigação de falar abertamente acerca da
mudança de política nuclear porque a sua profissão trouxe
armas nucleares para o mundo 60 anos atrás.
Eles e outros eminentes físicos que assinaram a petição
a qual será entregue a membros do Congresso, a sociedades de
cientistas profissionais e aos media discordam da nova política
porque ela torna indistinta a linha aguda entre armas nucleares e armas
convencionais, químicas e biológicas.
"Enquanto por longo tempo tem sido política dos EUA utilizar armas
nucleares a fim de responder a um ataque nuclear", disse Hirsch, "a
nova política permite aos EUA utilizarem armas nucleares contra estados
que não têm armas nucleares e por uma multidão de novas
razões, incluindo o término rápido de um conflito nos
termos americanos ou para assegurar o êxito das forças dos
EUA".
"A humanidade andou mais de meio século sem usar armas nucleares,
em grande parte devido ao êxito do Tratado de Não
Proliferação Nuclear", disse Griest. "A
utilização americana de armas nucleares contra estados não
nucleares destruirá o Tratado de Não Proliferação
Nuclear e dará forte incentivo a outros países para desenvolverem
e utilizarem armas nucleares, tornando mais provável a guerra nucleare.
Como físicos, sentimo-nos obrigados a trazer isto à
atenção dos mentores da política e do público, a
fim de engendrar discussão, debate e, esperamos, repúdio à
nova política".
Os dois físicos principiaram a sua petição de base no
mês passado a seguir a relatos em
The New York Times
e no
Washington Post
de que o governo federal estava no processo final de adopção de
uma nova política americana que permitiria a utilização de
armas nucleares contra um adversário pelas seguintes razões:
Para o término rápido e favorável de uma guerra nos
termos americanos.
Para assegurar o êxito de operações dos EUA e
multinacionais.
Para demonstrar a intenção e capacidade dos EUA em utilizarem
armas nucleares a fim de dissuadir o adversário de utilizar armas de
destruição em massa.
Contra um adversário que pretenda utilizar armas de
destruição em massa contra os EUA e forças multinacionais
ou aliadas.
Griest e Hirsch puseram a sua petição na internet em
http://physics.ucsd.edu/petition/
,
convidaram seus colegas a assinarem e rapidamente receberam uma avalanche de
respostas.
A petição é assinada por dois antigos presidentes da
American Physical Society, a principal organização profissionais
dos físicos dos EUA George Trilling da UC Berkeley e Jerome
Friedman do MIT. Friedman, que também é um laureado com o Nobel,
aderiu à petição juntamente com seis outros vencedores do
Prémio Nobel de Física Philip Anderson da Universidade de
Princeton, Anthony Leggett da Universidade do Illinois, Douglas Osheroff da
Universidade de Stanford, Daniel Tsui da Universidade de Princeton, Steven
Weinberg da Universidade do Texas e Frank Wilczek do MIT.
Outros eminentes físicos assinantes da petição incluem
Edward Witten, vencedor da Fields Medal, do Institute for Advanced Study; os
laureados com o Wolf Prize Michael Fisher, da Universidade de Maryland; e
Daniel Kleppner do MIT, bem como Leo Kadanoff da Universidade de Chicago, que
recebeu a National Medal of Science e é o presidente eleito da American
Physical Society.
"Salientamos na petição que armas nucleares estão
numa escala completamente diferentes das demais armas de
destruição em massa e armas convencionais e que o
princípio subjacente do Tratado de Não Proliferação
é que em troca de os outros países abdicarem do desenvolvimento
de armas nucleares, os estados com a arma nuclear orientar-se-ão para o
desarmamento nuclear", considerou Hirsch. "Ao invés disso,
esta nova política americana aumenta dramaticamente o risco da
proliferação nuclear e, finalmente, o risco de que conflitos
regionais explodirão numa guerra nuclear geral, com o potencial para
destruir nossa civilização".
Os físicos esperam obter apoiantes adicionais antes de uma
reunião do conselho executivo da American Physical Society em 18 de
Novembro, de uma reunião da Agência Internacional de Energia
Atómica em 24 de Novembro.
Comentários:
Kim Griest (858) 534-0924, Jorge Hirsch (858) 534-3931
Contactos dos media: Kim McDonald (858) 534-7572
01/Novembro/2005
O original encontra-se em
http://www.globalresearch.ca/
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
.
|