O grande silêncio de uma Idade de Ouro

por Steve Fraser [*]

Cartoon de 1899. Se pesquisarmos no Google a expressão "Segunda idade do ouro" ("second Gilded Age") obteremos 7 000 possíveis sites onde podemos ficar a saber mais coisas do que já sabemos instintivamente. É já um lugar comum jornalístico dizer-se que estamos a viver numa idade de ouro. A óbvia tendência de todas as conversas sobre tal tema é um Yoga Berra-ismo [1] : É uma questão de déjà vu mais uma vez. Mas será mesmo? Será que a América do virar do século é uma réplica do mundo que Mark Twain [2] baptizou "de ouro" no seu best-seller na década de 1870?

De certeza que Twain se sentiria em casa nos dias de hoje. O capitalismo dos amigalhaços, o principal objecto do seu espírito satírico em A Idade de Ouro, (The Gilded Age) encontra-se próspero. Esquemas incestuosos tão grandes como aquele em que os principais investidores da Union Pacific Railroad [3] tramaram com a conivência de uma série de funcionários governamentais, incluindo o vice-presidente Ulysses S. Grant, para pilhar o erário federal, lubrificam mais uma vez o mecanismo da política pública.

Um compadrio, que teria sido familiar a Twain, faz girar as rodas nestes anos finais da administração de George W. Bush. Até a invasão e destruição do Iraque foi planeada e executada num exercício de compadrio altamente estratégico; chamem-lhe camaradagem com uma vingança. Tudo isto tem vindo a passar-se desde que Ronald Reagan disse "Começou um novo dia na América".

A América de Reagan foi dourada propositadamente. Em 1981, quando os Novos Ricos e a Nova Direita desfilaram no baile em Washington, nos seus sumptuosos trajes, para festejar a tomada de posse do novo presidente, houve quem lhe chamasse um "bacanal dos ricaços". Diana Vreeland, guru da moda (e confidente de Nancy Reagan), afirmou elegantemente e sem rebuços: "Tudo se resume ao poder e ao dinheiro e à forma como os usar… Não devemos ter medo do snobismo e do luxo".

E foi então que a distribuição da riqueza e dos rendimentos começou a polarizar-se de tal modo que, qualquer que fosse o sistema de medição, o país ultrapassou os extremos da desigualdade atingidos durante a primeira Idade do Ouro; mas as nossas elites não parecem mais envergonhadas com a sua adoração do vil metal do que os membros da "classe ociosa", excomungada há um século por esse crítico social radical do capitalismo americano Thorstein Veblen. [4]

Nessa época, tratava-se de imitar a nobreza europeia em bailes sumptuosos em hotéis elegantes como o Waldorf-Astoria de Nova Iorque, bem fechados para afastar os acontecimentos desagradáveis que se passavam na rua (onde as pessoas comuns tentavam rudemente sobreviver à brutal depressão da década de 1890). Hoje em dia, a "classe ociosa" refugia-se em condomínios de portões fechados ou em enormes casarões, parentes dos castelos importados pelos seus precursores da Idade do Ouro, prontos para fugirem nos seus jactos privativos para ilhas privativas – caso os nativos se revoltem.

O melodrama do mercado livre

No auge da primeira Idade do Ouro, William Graham Sumner [5] , um sociólogo de Yale e o mais conhecido defensor da teoria de Herbert Spencer do darwinismo social 'comem-se uns aos outros', colocou uma boa questão: o que é que as classes sociais devem umas às outras? Na prática, nada, foi a resposta do professor.

Hoje como ontem, não têm fim as justificações ideológicas para uma desigualdade tão alargada que ninguém a pode ignorar totalmente. Em 1890, o reformador Jacob Riis [6] publicou o seu livro Como vive a outra metade (How the Other Half Lives) . Houve quem ficasse chocado com as suas descrições realistas da pobreza. Nos fins do século XIX, porém, a forma preferida para menosprezar essa realidade embaraçosa era culpar uma cultura de dependência pretensamente prevalecente entre "as classes mais baixas", especialmente, claro, entre os que tinham determinada cor de pele e determinada origem étnica; e a forma lógica de acabar com essa dependência, assim se afirmava, era eliminar o "apoio exterior" financiado com dinheiros públicos.

Como isto faz lembrar as políticas da "incentivo ao trabalho" cozinhadas pela administração Bill Clinton, uma substituição de uma forma de dependência, um subsídio, por outra, trabalho com salários baixos. A pobreza, quando passou a ser um problema cultural e moral dos empobrecidos, isentou de culpas a economia da Idade do Ouro tanto no século XIX como no século XXI (além de se mostrar lucrativa).

Ainda hoje se mantêm vestígios do velho argumento social darwiniano de que a superioridade dos "mais aptos" beneficia todo o grupo, com a insinuação complementar de que os que se encontram na base da pirâmide estão fadados pela natureza para ali acabarem. A isto temos que juntar a crença revigorada no mercado livre como a forma mais justa (para não dizer a mais eficaz) de distribuir a riqueza. Depois, temperem tudo isto com a elevação virtuosa dos riscos assumidos a um estatuto de tónico espiritual, e económico também. No fim, obtemos um elixir intelectual de auto-satisfação, como o purgante para limpeza da consciência que tornou o Professor Sumner tão seguro no seu sangue-frio.

Ontem como hoje, a hipocrisia e a dissimulação eram os ingredientes finais nesta beberagem ideológica. Quanto às questões práticas, tanto as elites de negócios da primeira Idade do Ouro, como os nossos próprios "liquidatários", "exterminadores", especialistas em fusões e compradores maquiavélicos nunca acreditaram verdadeiramente no mercado livre ou na iniciativa individual.

Ontem como hoje, quando a concorrência apertava (e muitas vezes ainda antes disso), recorriam ao governo: para favores políticos, para contratos, para reduções de impostos, para privilégios, para tarifas e subsídios, para concessões públicas de terras e de recursos naturais, para fianças financeiras quando se atravessam tempos difíceis (veja-se a Bear Stearns [7] ), e para protecção muscular, incluindo o uso de forças armadas, contra todos os que pudessem interferir com os direitos da propriedade privada.

E assim, embora os magnatas industriais e financeiros gostassem de se considerar heróis solitários, cowboys destemidos na fronteira urbano-industrial-financeira, a verdade é que a primeira Idade do Ouro deu origem à moderna empresa burocrática – e fê-lo à custa do empresário isolado. Até hoje, esse monstro dos grandes negócios mantém-se como a instituição definidora da vida comercial. O melodrama que está a ser representado pode continuar a falar do mercado livre e do indivíduo audacioso, mas nos bastidores, a dirigir os actores, está o Estado e a grande empresa.

Capitalismo de amigalhaços, desigualdade, extravagância, auto-justificação social darwiniana, frieza quanto à culpabilização da vítima, hipocrisia do mercado livre: foi assim ontem, e é assim hoje!

No final dos anos Reagan, os conhecidos intelectuais Kevin Phillips [8] e Gary Wills [9] profetizaram que este estado de coisas era insustentável e em breve acabaria. Phillips previu mesmo um levantamento popular. Mas isso não aconteceu. Pelo contrário, quase 20 anos depois, a segunda Idade do Ouro está bem viva, embora não muito bem de saúde. Como é possível tão grande longevidade? A resposta diz-nos como estas duas épocas, apesar de todas as suas semelhanças flagrantes, são também profundamente diferentes.

A falta de utopias e de distopias [10]

Como título, 'Apocalypse Now' podia aplicar-se facilmente a um filme feito sobre a América nos finais do século XIX. Qualquer que fosse o lado em que se estivesse, havia um receio tremendo de que a nação se estivesse a dividir em duas e à beira de uma segunda guerra civil, de que era inevitável um confronto final entre os que tinham tudo e os que não tinham nada.

Agricultores enfurecidos mobilizaram-se em uniões de cooperativas e no Partido Populista. Reuniões de trabalhadores rurais em estados e cidades duma costa à outra desafiaram o domínio do sistema bipartidário. Vagas sucessivas de greves, capitaneadas por guerreiros dos Cavaleiros do Trabalho (Knights of Labor), envolveram comunidades inteiras enquanto novas associações se alargaram até barreiras anteriormente irreconciliáveis de profissões, etnias, e até mesmo de raças e sexos.

Legiões de pequenos empresários, sindicalistas, consumidores urbanos e políticos locais enfureceram-se contra o monopólio e "os trusts ". Milícias de trabalhadores armados desfilaram pelas ruas de muitas cidades americanas. As elites empresariais e políticas construíram sólidas fortalezas urbanas, arsenais públicos equipados com espingardas Gatling (as metralhadoras dessa época), preparando-se para esmagar as insurreições que viam surgir à sua frente.

Ainda hoje nomes como Haymarket (a praça em Chicago onde, em 1886, uma bomba num comício de trabalhadores revoltados levou ao linchamento legal de líderes anarquistas no julgamento mais vergonhoso do século XIX), como Homestead (onde, em 1892, o Rio Monongahela ficou tinto de vermelho com o sangue dos gorilas da agência Pinkerton enviados por Andrew Carnegie e Henry Clay Frick [11] para esmagar a greve dos seus empregados metalúrgicos), e como Pullman (a cidade dessa empresa em Illinois onde, em 1894, o presidente Grover Cleveland ordenou às tropas federais para acabar com a greve da American Railway Union contra a Pullman Palace Car Company), evocam memórias de toda uma sociedade a viver no fio da navalha.

A primeira Idade do Ouro foi um momento de Grandes Medos, mas também de Grandes Expectativas, um período apaixonado pela literatura das utopias mas também das distopias. Os dois romances de maior êxito do século XIX, depois de A Cabana do Pai Tomás, foram a utopia de Looking Backward de Edward Bellamy [12] e a horrível distopia Caesar's Column do tribuno populista Ignacius Donnely [13] . Este último tem o seu desenlace quando o movimento proletário clandestino, ficcionado por Donnely, a "Irmandade da Destruição", festeja o seu "triunfo" com o levantamento duma gigantesca pirâmide formada por duzentos e cinquenta mil cadáveres do inimigo, "a Oligarquia" e seus apaniguados, cimentados e armadilhados com explosivos, para que ninguém se atrevesse a retirá-los e a destruir esse memorial eterno à barbárie do capitalismo industrial americano.

Além do mais, os maus presságios desses tempos e a ânsia de uma solução utópica não estavam limitados às fileiras dos agitadores rurais ou industriais. Antes de "Pullman" ter passado a ser um sinónimo da escravidão industrial e da crueldade do governo federal, a cidade de Pullman foi construída pelo seu proprietário, George Pullman [14] , como uma cidade industrial modelo, uma espécie de utopia capitalista de benevolência paternalista e de harmonia social.

Toda a gente procurava uma saída, uma coisa completamente nova que substituísse a hostilidade e a violência incipiente do capitalismo da Idade do Ouro. Os Cavaleiros do Trabalho, o Partido Populista, o movimento anti-monopólios, os movimentos de cooperativas da cidade e do campo, as revoltas por toda a nação em 1886 em prol do Dia das Oito Horas que culminaram na infâmia dos enforcamentos em Heymarket, tudo isto expressava um forte aviso para que fosse abolida a ordem industrial vigente.

Estes grupos não estavam apenas enfurecidos; não estavam apenas raivosos – embora também o estivessem. Eram demasiado confusos, demasiado ingénuos, demasiado desesperados, demasiado inventivos, demasiado desejosos, demasiado desiludidos, tendo alguns deles ido buscar alimento cultural às quintas e oficinas decadentes da América pré-industrial, para acreditar que daquilo tudo pudesse surgir uma nova forma de vida, uma comunidade cooperativa. Ninguém sabia exactamente o que seria isso. No entanto, a grande expectativa de um futuro sem subserviência ao calculismo do mercado e da fábrica capitalista trouxe à primeira Idade do Ouro a sua especial cisão, o seu grande (trágico) drama.

Passemos agora à nossa segunda Idade do Ouro e, na verdade, o palco parece estar nu. Não há grandes medos, não há grandes expectativas, não se lobrigam apocalipses sociais, não há utopias nem distopias; apenas uma espécie de sensação banal de fim de história. Onde estão todas as revoltas em série, os partidos políticos marginais, as ondas de greves e de boicotes, os motins públicos contagiosos, a sensação crónica de que já basta? Onde estão os esforços ardentes para exigir uma nova ordem que, independentemente de incompleta e recheada de questões por resolver, parece hoje estar tão minuciosamente detalhada como os planos para um Boeing 747, quando comparada com um "sim, podemos"?

Tudo o que resta do populismo predominante está nos recursos salva-vidas num sótão qualquer do Partido Democrata. Até a linguagem da nossa segunda Idade do Ouro está esvaziada. Numa sociedade saturada de hipocrisia cristã, haverá alguém capaz de descrever uma "sociedade crucificada numa cruz de ouro", como fez William Jennings Bryan [15] , ou de denunciar a "adoração do vil metal", de condenar os "parasitas" aristocratas, ou de excomungar os "vampiros especuladores" e o "polvo" de Wall Street? Enquanto que os pregadores evangélicos do século XIX lançaram o anátema sobre a ganância capitalista, os tele-evangelistas do século XXI deificam-na. Os temperamentos esfriaram, deixando Deus, tal como muitos americanos, com um emprego a tempo parcial.

O enorme silêncio

Claro que exagerei. Ainda existem hoje movimentos que lutam contra as desigualdades e as iniquidades da nossa própria Idade do Ouro. De vez em quando, os vigaristas de Wall Street são presos por um xerife. Alguns ministros, mesmo os convertidos, continuam a pregar o Santo Evangelho. Mas tudo isto é uma pálida sombra do que era. Alguma coisa de fundamental no metabolismo do capitalismo mudou.

Talvez a resposta seja simples e básica. A primeira Idade de Ouro assentava na industrialização; a segunda na desindustrialização. Nos nossos tempos, um novo sistema de desacumulação despojou a indústria americana, liquidando o seu património para premiar a especulação de capital fictício. Vendo bem as coisas, as taxas de investimentos em novas instalações, tecnologia e investigação e desenvolvimento, baixaram todas nos anos 80. Durante vinte e cinco anos, os sectores da economia que mais rapidamente cresceram foram a finança, os seguros e o imobiliário (FIRE). [16]

A desindustrialização desencadeou uma avalanche cujo impacto ainda está a fazer sentir os seus efeitos na economia, na cultura política do país, e na vida diária. Deitou abaixo a classe trabalhadora industrial e o movimento dos trabalhadores, matando-os duas vezes. Isto, mais do que tudo o resto, pode ser a causa do enorme silêncio da segunda Idade de Ouro, quando comparado, pelo menos, com o ruído violento da primeira. O trabalho foi ferido de morte num ataque directo, que começou com a decisão do presidente Reagan em 1981 de despedir todos os controladores de tráfego aéreo em greve. Este acto draconiano permitiu que o patronato americano desencadeasse o seu próprio ataque geral ao direito de organização, que continua até hoje.

Em si mesmo, porém, o recurso à coerção para lidar com a oposição pouco distingue a nossa elite de ouro da primeira. Na verdade, vivemos em tempos menos selvagens, mas pelo menos neste aspecto estamos em casa. Muito mais fatal foi a chegada de uma nova forma de acumulação de capital, muito pior do que a que vigorou há um século. Estripou aldeias, cidades, regiões e toda uma forma de vida. Desmoralizou as pessoas, esvaziou instituições populares que outrora ofereciam resistência e alimentou os fogos da raiva, do racismo e do revanchismo nacional. Foi esta a matéria-prima para a divisão das pessoas mesquinha, em vez da solidariedade.

A desacumulação transformou a classe trabalhadora numa bolsa desagregada de mão-de-obra precária, de trabalho a contrato, de trabalho temporário e de trabalho a tempo parcial, tudo no interesse dum novo "capitalismo flexível". Os ideólogos enfeitaram esta força de trabalho flutuante classificando-a de trabalho de "trabalhador por conta própria", um eufemismo destinado a lisonjear o homenzinho do mercado livre que existe em cada um de nós e isso funcionou durante algum tempo. Mas a realidade subsequente provou que isso era uma pílula amarga de engolir. Ser hoje um "trabalhador por conta própria" é não ter direito a cuidados de saúde, a reforma, a um emprego seguro, a qualquer tipo de segurança. Na nossa idade de ouro, a mobilidade rebaixante, que dura há vinte e cinco anos e continua, marcou a trajectória social de milhões de pessoas que vivem no coração da América.

O capitalismo de desacumulação também minou o centro de gravidade política da pobreza. Na primeira Idade de Ouro, a pobreza existia em função da exploração; na segunda, em função da exclusão ou da marginalização. Quando pensamos na pobreza, o que nos vem à cabeça é a assistência social e a raça. A primeira idade de Ouro, pelo contrário, visualizava mineiros do carvão, trabalho infantil, oficinas domésticas, e os bairros de barracas que cresciam em torno das fábricas de aço de Aliquippa e de Homestead.

A pobreza provocada pela exploração alimentava uma revolta moral alargada e um robusto ataque político ao poder dos exploradores. Os causadores da pobreza de exclusão do nosso tempo são mais difíceis de identificar. No seu livro de 1962, The Other America, Michael Harrington [17] assinalou a invisibilidade da pobreza. Já passou meio século e a miséria continua a viver na sombra. Auxiliada por um racismo entranhado, a pobreza da segunda Idade de Ouro foi politicamente neutralizada, ou pior ainda.

Declínio, desapropriação e marginalização: um cenário terrível. No entanto a nova economia política de desacumulação baseada na finança também se anunciou como a segunda chegada do capitalismo democrático. E no reino do imaginário colectivo, mas não na realidade, convenceu milhões.

O mito do capitalismo democrático

Já não existem aristocratas, mas é espantoso como duraram tanto tempo como actores principais na dramaturgia política do país. Franklin Delano Roosevelt continuava a denunciar os "monárquicos económicos" e os "tóris da indústria" no apogeu do New Deal. A luta contra o aristocrata contra-revolucionário, considerado como subvertendo as instituições da vida democrática e pilhando riquezas não merecidas, forneceu a energia que alimentou a reforma americana durante gerações. Na vida real, os ladrões barões da indústria e da finança de Wall Street não foram menos aristocratas do que a minha avó da aldeia. Eram novos-ricos.

Mas, por boas razões pessoais, conspiraram activamente neste logro popular, desempenhando o papel do aristocrata por tudo o que ele valia. Em retrospectiva, o que parece uma das utopias mais estúpidas da primeira Idade de Ouro foi representado por esses novos-ricos, actuando em quadros vivos em bailes de gala vestidos à aristocrata, ou fazendo cabriolas em castelos e mansões que mandaram transportar, pedra a pedra, de França ou de Itália, ou exibindo-se nos casamentos das suas filhas com os rebentos da nobreza europeia falida, ou desfilando em direcção à Opera Metropolitana de Nova Iorque em carruagens guiadas por criados de libré e ornamentadas com o "brasão" de família, completo com insígnias roubadas e genealogias fabricadas que escondiam as origens humildes dos seus proprietários.

Agora podemos fazer troça disso tudo. Mas na altura, para milhões de pessoas, essas pretensões aristocratas confirmavam uma antiga suspeita de Jefferson: os capitalistas não eram nem mais nem menos do que aristocratas camuflados. A mobilização para salvar a república e a democracia dum tal perigo era praticamente um instinto natural. No entanto, ir além deste horizonte de democracia política na direcção da social-democracia é uma questão totalmente diferente, e provocava desconfianças quanto à ameaça da sub-estrutura da propriedade privada que, é preciso não esquecer, também faz parte do sonho americano. Ter uma aristocracia para poder correr com ela, mesmo uma sucedânea, pode ser politicamente gratificante.

Com uma ou duas excepções bizarras, os novos magnatas da segunda Idade de Ouro não se consideram aristocratas. Não se vestem como eles nem casam as filhas com duques e condes europeus à caça de fortunas. Pelo contrário, as suas figuras principais vestem-se normalmente de blue jeans e usam chapéus à cowboy, afectando um populismo caseiro e um desmazelo popularucho. Por muito dependente da parafernália de excessos exibicionistas que possa ser, a nova elite capitalista não acha que esses excessos sejam o símbolo dos direitos da classe dominante.

Na antiga idade de ouro, as classes mais baixas imitavam as modas e os modos dos supostamente mais importantes; hoje passa-se o contrário. Com efeito, já nem se pode falar de uma "classe ociosa" visto que os nossos influentes do momento são viciados em trabalho, campeões dos clubes de fusões-e-aquisições.

Embora o peso da influência económica e política da nossa Idade de Ouro seja pelo menos tão importante como a dos seus antecessores da época de J.P. Morgan e de John D. Rockefeller, o medo americano de uma aristocracia endinheirada acalmou-se. Em vez dele, desde a época de Reagan que os americanos têm vindo a ser cativados pelos homens de negócios que assumiram o papel dos rebeldes contra uma ordem corporativa esclerosada e uma burocracia governamental ossificada que, no seu conjunto, foram classificadas como bloqueando o acesso a uma democracia dos destemidos.

Quantas vezes, pessoas da classes média, sem genealogia social, sem a promoção de um dia para o outro de pessoas como Michael Milken [18] , Carl Ichan [19] , ou "a ganância é saudável" de Ivan Boesky [20] , gabaram e confirmaram a sua fé popular no sonho americano. Estes novos "revolucionários" irreverentes, apostados em derrubar o capitalismo no interesse do capitalismo, fizeram pouco desses homens de fatinho domingueiro.

Quando os capitães da indústria e da finança dominaram o país nos finais do século XIX, ninguém pensou em lhes chamar rebeldes contra uma burocracia governamental ou contra um conjunto de "importantes". Na altura não havia burocracia governamental e os magnatas como Russel Sage [21] e Jay Gould [22] eram "os importantes". Só se preocupavam em serem destronados, e não em destronar quem quer que fosse.

A nossa elite empresarial está muito mais interessada em jogar o jogo da democracia do que os seus antecessores da Idade de Ouro. A antiga "classe ociosa" era abertamente adversa à política. Se precisava de uma redução de tarifas ou de impostos, recorria ao seu senador de serviço. Quando mortalmente desafiada pelos populistas e por William Jennings Bryan em 1896, acabou por envolver-se nela; mas, geralmente, não se metia muito em políticas partidárias de massas, que encaravam como mecanismos étnicos demasiado incontroláveis, agricultores enfurecidos e coisas parecidas. Preferia recorrer ao sistema judicial, aos presidentes amigos de negócios, aos advogados constitucionais e às milícias públicas e privadas para proteger os seus interesses.

A partir do início dos anos 70, a elite empresarial da nossa era passou a preocupar-se muito mais com a política e organizou-se de forma impressionante, penetrando profundamente em todos os poros da democracia partidária e eleitoral. Foi ao ponto de fabricar alianças estratégicas com elementos que os seus antecessores do século XIX (que ficariam pálidos só de pensar nisso) designariam de hoi polloi (as massas) . Os apelos ao desmantelamento da burocracia federal contêm agora uma certo pendor populista, ao passo que o esbravejar acerca dos valores da família hoje não passa de um compromisso barato de uma elite dourada que em geral pouco se importa com isso.

Além do mais, os meios de comunicação têm acompanhado a ascensão dos nossos faux revolucionários com hossanas ao mercado bolsista, como sendo um Oz para toda a gente. A velha paixão cega da América pelo seu próprio ego democrático-igualitário serviu de motor a esta ilusão.

O aviso inspirado de Horace Greely [23] "vai para o oeste, rapaz" ecoou por todos os canais da cultura popular nos anos 90, desde os espectáculos da TV por cabo e revistas de circulação de massas até aos painéis de pontuação dos estádios de basebol e salas de conversação da Internet. Só agora a fronteira de oportunidades ilimitadas de Greeley imigrou para leste para a bolsa de valores e para o éter da realidade virtual ou dot.com. A cultura do dinheiro liberta de todas as suas antigas inibições envolveu os comuns mortais.

"Democracia dos accionistas" e a "sociedade da propriedade participada" são, reconhecidamente, muito mais slogans de relações públicas do que uma coisa real. Apesar disso, não podemos ignorar o facto de que, durante a segunda Idade de Ouro, metade das famílias americanas se tornaram investidoras no mercado de acções. Dentistas e engenheiros, burocratas da classe média e professores do ensino superior, lojistas e técnicos da saúde – ou seja, pessoas do largo espectro da classe média que antigamente encaravam a Bolsa de Valores de Nova Iorque com um misto de respeito, medo e genuíno desinteresse, e se mantinham cautelosamente à distância – são agora os primeiros a mergulhar de cabeça no mercado, transportando com eles todas as suas esperanças febris de uma elevação social.

Como a Wall Street de repente se tornou mais amável, os medos dos monopólios estranguladores desapareceram. A resistência decrescente da classe média aos grandes negócios é a causa do enfraquecimento do antigo movimento anti-monopólios, uma alteração que nos revela muito sobre a evolução da forma particular da nossa era do capitalismo "de hipermercados". Antigamente, esse movimento exprimia as ambições frustradas não apenas dos pequenos empresários mas de todos os que se sentiam vítimas do poder dos monopólios. Personificava não apenas a ideia de acabar com os monopólios, mas de competir com eles com ou de os substituir por empresas públicas.

Mas, muito antes de a contra-revolução de Reagan tornar inoperante todo o aparelho regulador, já o movimento "anti-monopólios" tinha acabado. A sua ausência do panorama político durante a segunda Idade de Ouro marca a demissão de um antigo enorme grupo da classe média formado por produtores locais, por comerciantes e pelos seus clientes que outrora se tinham unido pelos laços do comércio e pelas verdades populares do protestantismo de pequena cidade.

O capitalismo das cadeias de hipermercados, o capitalismo de Wal-Mart [24] , ainda incita levantamentos locais que denotam traços desse passado anti-monopólios, mas as forças da oposição estão divididas. O capitalismo de que a Wal-Mart é emblemática gera um universo dissonante de desejos políticos e culturais. Apela, sobretudo, a instintos de bem-estar material individual e familiar, que podem funcionar contra as exigências duma maior solidariedade social.

Além do mais, na sua forma quotidiana, a cultura consumista, muito mais abrangente do que seria possível imaginar há um século atrás, canaliza o desejo para formas de auto-libertação significativa. Narrativas grandiosas que contam uma história de destino colectivo – Redenção, Iluminação, e Progresso, a Comunidade Cooperativa, a Revolução Proletária – não encaixam bem neste teatro político remodelado.

O fim da Era da Aceitação?

No entanto, a roda não pára. O capitalismo da segunda Idade do Ouro enfrenta hoje uma crise sistémica e, sob a pressão de um desastre iminente, o passado pode regressar no futuro. A pobreza à moda antiga está a regressar. É possível argumentar que a economia global, incluindo o seu ramo americano, se está a tornar cada vez mais numa economia de trabalho escravo. Não há hipótese de negar esse facto brutal na Tailândia, na China, no Vietname, na América Central, no Bangladesh e em dezenas de outros países e regiões que servem de plataforma para a tradicional acumulação. Centenas de milhões de camponeses passaram a proletários praticamente da noite para o dia.

Por cá, tem acontecido algo análogo, mas com uma irónica diferença e trazendo no seu seio uma nova oportunidade histórica. Podíamos dizer que a classe média caiu do cavalo abaixo.

Na primeira Idade de Ouro, uma oficina de trabalho escravo seria considerada uma aberração prejudicial. Oferecia emprego precário à margem da lei, em troca de salários abaixo dos estabelecidos em paga de horas intermináveis. Encontrava-se normalmente instalada a trouxe-mouxe numa oficina artesanal que podia estar ali num dia e no dia seguinte ter desaparecido. Era uma empresa clandestina que fugia permanentemente aos pagamentos aos seus trabalhadores e os ludibriava nos seus direitos duma forma grosseira.

Agora, o que antigamente parecia anormal já não o é. As maiores empresas do planeta dependem deste sistema. Prosperaram com isso. Também é verdade que encorajaram a proliferação de pequenas empresas sob a forma de subempreiteiras, firmas consultoras, companhias de serviços domésticos, fertilizando o solo em que está enraizada a nossa era de capitalismo democrático. Mas a ubiquidade da economia do suor promete alterar a química política da nação.

Muitos dos proletários recém flexibilizados que trabalham para a Wal-Mart, para empresas de acessórios de automóveis ou para subempreiteiros de empresas de construção, ao telefone em call centers de vendas directas, atrás de balcões como caixeiros de hipermercados retalhistas, ganham muito menos do que estavam habituados. Até mesmo os novos contratados pelos Três Grandes fabricantes de automóveis [25] ganham agora um salário horário mais reduzido do que os seus avós ganhavam em 1948. Desapareceu assim também a relativa segurança de trabalho de que estes empregados gozavam antigamente, deixando-os vulneráveis aos ditames "magros e sovinas" do novo capitalismo: cargas de trabalho duplo ou triplo; ou, pior ainda, trabalho a tempo parcial, trabalho sempre ensombrado pela indignidade e pelo medo, ou, ainda muito pior, nenhum trabalho de todo.

Entretanto, os colarinhos brancos da Terra do Futuro, os especialistas "trabalhadores por conta própria", os engenheiros de programação, e outros que tais, para não falar de toda uma espécie em perigo de gestores médios, vivem uma existência precária, sob uma pressão terrível, prevendo cronicamente o próximo ciclo de despedimentos. No entanto muitos deles foram em tempos membros da "classe média" com uma boa posição. Agora, encontram-se na parte inferior da escada rolante, descendo a um estado desprezível que ninguém pode classificar como padrão de vida da classe média.

A "acumulação flexível" junta esta desapropriação da classe média à super-exploração de milhões que nunca reclamaram esse estatuto. Muitos destes trabalhadores escravizados são mulheres, que trabalham como assistentes de cuidados de saúde ao domicílio, na indústria de serviços alimentares, em fábricas de processamento de carnes, em hotéis e restaurantes e hospitais, porque a aritmética da "acumulação flexível" exige dois a trabalhar para reforçar o rendimento de subsistência familiar que, ainda há bem pouco tempo, era trazido para casa por um único trabalhador.

Muitos outros milhões são imigrantes, legais ou sem documentos, vindos de todas as partes do mundo. Vivem, praticamente indefesos, num mundo crepuscular de ilegalidade e de preconceito. Graças a tudo isto, a categoria dos "trabalhadores pobres" voltou a entrar no nosso vocabulário público. De novo, tal como durante a primeira Idade de Ouro, a pobreza aparece em função da exploração em vigor, e não apenas como o destino dos excluídos do trabalho.

Poderão estes desenvolvimentos prenunciar o fim da nossa segunda Idade de Ouro, ou será talvez o fim da era da aceitação? Ninguém sabe. Mas a fúria e a raiva quanto à insegurança, à mobilidade rebaixante, à exploração, à cidadania de segunda classe, e aos ganhos ilícitos dos mercenários da nossa Idade de Ouro e dos políticos que tal permitem já encresparam as águas políticas durante as eleições intermédias de 2006. Esta altura das primárias assistiu a uma clara viragem para a esquerda do centro de gravidade até mesmo no seio das fileiras dos medrosos dirigentes do Partido Democrata, uma viragem provocada em grande medida pelo colapso imobiliário do sub-prime e os rumores ameaçadores de uma grave recessão.

Mas a fúria e a raiva, só por si, não representam uma alternativa visionária. E o Partido Democrata, por muito nervoso que esteja, não é um veículo provável das aspirações sociais democráticas. Muito mais terá que acontecer fora dos recintos da política eleitoral, através da constituição de um movimento de massas para traduzir estes sinais de fumo de resistência em qualquer coisa mais musculada e duradoura. Além disso, a competição indecente sobre as oportunidades económicas em decrescimento pode vir a inflamar apenas e facilmente os antagonismos raciais e étnicos que fervem em fogo brando.

Apesar de tudo, o actual colapso do sistema financeiro é um mau presságio. Ameaça uma implosão económica geral mais grave do que qualquer outra jamais testemunhada em muitas décadas. A depressão, se isso vier a acontecer, juntamente com as agonias de uma guerra ilegítima e perdida em que já ninguém acredita, pode minar o que resta da credibilidade esfarrapada da nossa elite da Idade de Ouro.

A legitimidade é um bem precioso; depois de perdida não é facilmente recuperada. Actualmente, o mito da "sociedade de posse" confronta-se com a realidade da "sociedade do arresto". O grande silêncio da segunda Idade de Ouro pode dar lugar ao tremendo clamor da primeira.

N.T.:

[1] Lawrence Peter "Yogi" Berra é um antigo jogador e treinador de basebol, que tem tendência para utilizar palavras incorrectamente e utilizar a língua inglesa de forma altamente provocativa e interessante. Confirmando e rejeitando a sua reputação, Berry afirmou um dia, "Nunca disse metade das coisas que realmente disse".

[2] 'Mark Twain' – Samuel Langhorne Clemens (1835-1910) – escritor americano. O termo "Idade de Ouro' é o título da obra The Gilded Age: A Tale of Today , publicada em 1873 por Mark Twain e Charles Dudley Warner que, embora ficcional, é um exame crítico da política e corrupção nos Estados Unidos durante o século XIX.

[3] Union Pacific Railroad – A maior rede de caminhos-de-ferro dos Estados Unidos. Foi envolvida no escândalo de corrupção política do Crédit Mobilier de 1872. Em 1867, o congressista Oakes Ames, director do Crédit Mobilier, facilitou a alguns membros do Congresso a compra de acções da companhia pelo seu valor facial, em vez do valor de mercado, membros esses que aprovaram depois o financiamento governamental para cobrir os custos inflacionados do Crédit Mobilier na construção de um troço contratado com a U.P.R.

[4] Thornstein Veblen (1857-1929) – Sociólogo e economista americano, de origem norueguesa, autor de The Theory of the Leisure Class , um retrato satírico da sociedade americana, em que os instintos da competição e da predação desempenham um papel central.

[5] William Graham Sumner (1840-1910) – Professor americano na Universidade de Yale, defensor do mercado livre, do anti-imperialismo e do padrão ouro.

[6] Jacob August Riis (1849-1914) – Jornalista e fotógrafo americano, nascido na Dinamarca; conhecido por dedicar os seus talentos jornalísticos e fotográficos a ajudar os menos favorecidos da cidade de Nova Iorque, que foram o tema da maior parte dos seus escritos e fotografias.

[7] Em 2008, o FED concedeu a JP Morgan Chase uma linha de crédito de 30 mil milhões de dólares para o ajudar a comprar a Bear Stearns, uma empresa de Wall Street que estava à beira da falência devido a prejuízos no mercado de hipotecas imobiliárias.

[8] Kevin Phillips (1940) – Escritor americano e comentador de política, economia e história.

[9] Gary Wills (1934) – Escritor e historiador americano

[10] Distopia – Lugar imaginário onde tudo é mau; o contrário de utopia

[11] A H.C. Frick & Company e a Carnegie Steel Company formaram uma parceria, percursora da United States Steel. Esta parceria assegurava que a siderurgia de Carnegie teria sempre o abastecimento necessário de carvão.

[12] Do mesmo autor de 'A Cabana do Pai Tomás', Looking Backward conta a história de um homem da classe alta de 1887 que acorda no ano 2000, depois de um transe hipnótico, e se encontra numa utopia socialista.

[13] Ignacius Loyola Donnely (1831-1901) – Congressista americano, populista e escritor

[14] George Mortimer Pullman (1831-1897) – Industrial americano; ficou conhecido pela sua repressão violenta sobre os grevistas na cidade que fundou

[15] William Jennings Bryan (1860-1925) – Político americano, orador e advogado, forte defensor da democracia popular, crítico feroz dos bancos e empresas de caminho-de-ferro, figura destacada do Partido Democrata.

[16] FIRE (fogo) como abreviatura do grupo Finance, Insurance, Real Estate, ironiza quanto ao risco de uma economia dominada por estes três sectores

[17] Edward Michael Harrington (1928-1989) – Escritor americano social-democrata e activista político. O seu livro The Other America: Poverty in the United States teve grande impacto na administração Kennedy e na subsequente Guerra à Pobreza de Lyndon B. Johnson.

[18] Michael Robert Milken (1946) – Financeiro e filantropo, criou praticamente sozinho, o mercado de acções de alto rendimento nos anos 70 e 80. Foi classificado pela Forbes como a 458ª pessoa mais rica do mundo.

[19] Carl Celian Ichan (1936) – Proveniente de uma família da classe média, é um financeiro americano multi-milionário, classificado como o 46º homem mais rico do mundo em 2008.

[20] Ivan Frederick Boesky (1937) – Ficou conhecido pelo seu papel predominante num escândalo de Wall Street nos meados dos anos 80, pela utilização de informações confidenciais para especulação financeira, uma fraude que mereceu aparecer no Guiness.

[21] Russel Sage (1816-1916) – Financeiro, ligado ao sector ferroviário, presidente e gestor de diversas empresa, director da Union Pacific Railroad, deixou uma fortuna de cerca de 70 milhões de dólares em 1916.

[22] Jay Gould (1836-1892) – Financeiro e construtor de caminhos-de-ferro, fez uma grande fortuna controlando o preço das acções que comprava assim como do próprio mercado.

[23] Horace Greeley (1811-1872) – Fundador do Partido Republicano Liberal, reformador e político, considerado o maior editor jornalístico da época.

[24] Wal-Mart – A maior empresa do mundo que dirige uma cadeia de armazéns a preços baixos; a maior empregadora privada do mundo; a maior cadeia retalhista de mercearias e brinquedos dos Estados Unidos; segundo uma comissão de ética norueguesa de 2005, viola de forma sistemática os direitos humanos e dos trabalhadores, emprega de forma sistemática menores de idade, em condições de trabalho perigosas, discrimina as mulheres e não paga horas extra aos empregados.

[25] Os Três Grandes fabricantes de automóveis dos EUA: General Motors, Ford e Chrysler


[*] Trabalha agora num livro sobre as duas Idades de Ouro. É autor, entre outras obras, do recém-publicado Wall Street: America's Dream Palace e de Ruling America: A History Of Wealth And Power In A Democracy .

O original encontra-se em http://www.atimes.com/atimes/Global_Economy/JD25Dj03.html
Tradução de Margarida Ferreira.


Este ensaio encontra-se em http://resistir.info/ .
02/Mai/08