Não é oficial mas é verdadeiro:
A Espanha é o 4º estado membro caído da Eurozona
por Yanis Varoufakis
Quando o primeiro-ministro espanhol declarou que o estado espanhol salvaria o
Bankia enquanto, ao mesmo tempo, admitia que a Espanha não podia obter o
cash para fazê-lo, havia duas explicações plausíveis
sobre como este feito poderia ser alcançado.
Uma era que a Espanha se tornaria oficialmente o quarto estado membro da
Eurozona a ter caído fora dos mercados, assegurando um salvamento do
resto da Europa.
A segunda explicação era que a Espanha se tornaria o quarto
estado membro da Eurozona a ter caído fora dos mercados, assegurando um
salvamento do resto da Europa, sem admitir que isto fosse o caso
não oficialmente.
Imagine qual das duas opções a Europa escolheu: A segunda,
naturalmente! Na verdade, por que confessar tudo quando a opção
do subterfúgio está disponível?
Assim, foi isto que eles fizeram: A Europa permitiu à Espanha emitir
nova dívida pública que é transmitida a bancos
espanhóis (ao invés de dinheiro) em troca de
acções. Então, os bancos enviarão esta nova
dívida pública ao BCE como colateral em troca de cash que
manterá em funcionamento as caixas multibanco dos bancos
espanhóis. O resultado final será, naturalmente, que a
dívida espanhola aumentará e os bancos permanecerão num
estado zumbificado.
Compare-se e contraste-se isto com o que está a acontecer (a) na
Grécia e Irlanda (países que estão oficialmente
"caídos") e (b) no caso de bancos italianos tais como o
Unicredit.
No caso da Grécia e da Irlanda, o estado toma emprestado do EFSF tanto
na forma de cash como de títulos EFSF. Os últimos são
dados aos bancos e são contados como parte dos empréstimos de
salvamento do país. No caso de bancos como o Unicredit, o banco emitiria
nova dívida privada (seus próprios títulos), tem o estado
a garanti-lo e então envia estes títulos privados (mas
publicamente garantidos) ao BCE em troca de cash LTRO
[1]
. O que é que eles
têm em comum? Que a dívida pública aumenta em
consequência da tomada de empréstimos ou directamente junto ao
EFSF (Grécia e Irlanda) ou indirectamente junto ao BCE (Espanha e
Itália). A única outra diferença é que
países que estão oficialmente "caídos"
(Grécia, Irlanda e Portugal) pagam taxas de juro mais altas ao EFSF do
que os não oficialmente "caídos" pagam ao BCE.
Oh que confusas teias eles tecem, quando praticam a arte do engano (dos
cidadãos e igualmente dos mercados)!
29/Maio/2012
[1]
Long-Term Refinancing Operation, do BCE
Ver também:
Sim, há a Grécia... Mas e a Espanha?
, do mesmo autor
A traição, Juan Torres López
O original encontra-se em
yanisvaroufakis.eu/...
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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