Estado espanhol censura Internet
por Edgar Rubio
O governo de Pedro Sánchez aprovou recentemente um Decreto-lei de
urgência para permitir o encerramento e o bloqueio de páginas web
e meios de comunicação digitais, por iniciativa própria do
governo, sem a necessidade de intervenção judicial. Os
pressupostos para que o governo seja capaz de exercer censura
"Ordem pública, segurança pública e segurança
nacional" são tão abstractos que lhe
permitirão fechar virtualmente qualquer coisa sem nenhum tipo de
garantia legal.
A aprovação deste decreto com carácter de urgência
responde particularmente à necessidade do governo de lutar contra o
processo que hoje se vive na Catalunha. Amparando-se na "segurança
cidadã" o governo concebeu uma lei
ad hoc
para censurar e amordaçar qualquer iniciativa de protesto contra a
perseguição política e pela liberdade de expressão.
Mas seríamos muito cândidos se pensássemos que esta lei foi
concebida
só
contra o processo na Catalunha.
O governo de Pedro Sánchez aproveitou a conjuntura de protesto para
aprovar uma lei será muito adequada (ao seu governo ou a qualquer outro
que venha depois) para aperfeiçoar o controle da
comunicação de massa e censurar qualquer coisa que denuncie o
enorme grau de decomposição do Estado espanhol ou que questione
todo o sistema de dominação de classe. Hoje é a Catalunha,
mas amanhã serão as lutas operárias decorrentes das
enormes crises de superprodução que têm de acontecer.
Não é tão pouco a primeira vez que um governo do Estado
espanhol cria uma lei
ad hoc
contra um movimento político. A Lei de Partidos foi criada
exclusivamente para liquidar partidos, associações e meios de
expressão em Euskal Herria, exactamente no seu momento mais
gélido. Se alguém ler a lei com atenção, partidos
fascistas como o Vox já deveriam estar ilegalizados e seus membros em
prisão preventiva por iniciativa da Audiência Nacional, tal como
muitos companheiros e companheiras do Euskal Herria sofreram e continuam a
sofrer na actualidade.
Em nome da "segurança", em abstracto, os governos capitalistas
fecham o cerco sobre as liberdades e aperfeiçoa-se o controle dos media.
Como comunistas, devemos denunciar e recusar todas as formas de leis
mordaça, não só as que se verificam na rua como
também aquelas que apontam aos media livres da Internet, pois as lutas
de emancipação operária e dos povos que formam o Estado
espanhol não vão ser transmitidas na televisão.
02/Dezembro/2019
O original encontra-se em
diario-octubre.com/2019/12/02/sobre-el-155-digital/
Este artigo encontra-se em
https://resistir.info/
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