por PCPE
A assunção sem mais delongas e imediata pelo governo espanhol das
imprevisíveis consequências da anulação do
auto-governo da Catalunha mediante a intervenção da
Generalitat
e a dissolução do
Parlament
no dia em que este declarou a República Catalã demonstra
claramente que
é uma decisão absolutamente consciente e premeditada de resolver
pela força a profunda crise estrutural que padece o estado burguês.
Equivocar-se-á quem atribuir esta posição unicamente ao
seu carácter franquista ou à incapacidade de Mariano Rajoy, ou
outro qualquer presidente do governo da burguesia, para resolver conflitos. Em
absoluto estamos perante uma reacção motivada exclusivamente por
tiques do passado ou condicionada pela personalidade de tal ou qual
político. Simplesmente estamos frente a uma demonstração
de como a grande burguesia espanhola, na sua incapacidade histórica de
resolver a questão nacional, resolver as dificuldades gerando imensos
problema através da aplicação de medidas do mais alto
carácter repressivo.
Sempre foi assim, como ficou demonstrado a sangue e fogo durante o ano de 1936
com o golpe de estado fascista contra o governo legítimo da Frente
Popular. E ainda muito mais o será agora que o sistema capitalista, na
sua fase superior de desenvolvimento, está imerso numa profunda crise
geral que converte a burguesia numa classe decadente cuja única
saída, para manter a hegemonia que recuperou com Franco e manteve
intacta na chamada Transição, é aumentar a
exploração da classe operária e o saqueio em exclusividade
do que considera o seu mercado "nacional".
A aliança entre a oligarquia centralista e as burguesias
periféricas que forjaram no pacto constitucional de 1978 hoje
está quebrada definitivamente. A disputa inter-burguesa pela
gestão em exclusivo dos seus mercados e o diálogo com a UE e a
NATO entrou numa espiral de confrontação na qual, à
partida, a única coisa que fica claro é que:
-
O direito democrático dos povos a escolher o seu futuro mediante o
exercício prático do direito à
Auto-determinação não é possível na forma
actual da ditadura de classe burguesa "de formalidade
democrática".
-
Entramos num processo no qual, em nome das leis repressivas que foram
preparando ao longo destes anos de crise, entram numa fase de
liquidação acelerada todas e cada uma das conquistas sociais,
laborais e política alcançadas ao longo de década de
árdua luta operária e popular.
Só há uma saída: A UNIDADE E A LUTA da classe
operária e dos sectores populares contra o auto-golpe.
Não é possível dar nem um passo atrás sem
organizar nossas forças para que a crise estrutural do sistema se
converta numa oportunidade para avançar na criação das
condições para convertê-la em crise revolucionária.
A partir da absoluta independência de classe, os e as comunistas do PCPE
estão comprometidos com a necessidade de situar uma proposta que,
rompendo como os interesses finais de qualquer das burguesias em disputa, trace
uma táctica e uma estratégia que, com uma correcta
política de alianças baseada na organização e
mobilização das mais amplas massas, tanto na Catalunha como no
resto de Estado, não só ponha nosso inimigo de classe e contra as
cordas como também que faça
amadurecer entre os sectores mais avançados da classe operária e
do povo que a única saída verdadeiramente favorável para
seus interesses é a REPÚBLICA SOCIALISTA, base do poder
operário e popular fora do âmbito do pólo imperialista que
é a UE e a NATO.
Pelo direito à auto-determinação dos povos
Pela República Socialista de carácter Confederal
Secretariado Político do Comité Central do PCPE, 27/Outubro/2017
O original encontra-se em
www.pcpe.es/...
Esta declaração encontra-se em
http://resistir.info/
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