Manifesto pelo Equador e pela constituição de uma rede mundial
contra a dívida externa
A América Latina e o Caribe continuam a pagar tributos coloniais. As
dívidas externas, contraídas em condições
ilegítimas, enganosas, ilegais ou corruptas minam a soberania dos povos
e obrigam-nos a entregar todas as suas riquezas. Dívidas odiosas
contraídas pelas ditaduras, feitas para subjugar e reprimir, combinam-se
com dívidas expansivas que paradoxalmente quanto mais se pagam mais
crescem. As dívidas não foram contraídas pelos povos e
sim contra eles.
Os navios canhoneiros dos poderosos que impunham os empréstimos,
ansiosos por converterem-se em credores para poderem manter
condições de controle e saqueio sobre os territórios da
América Latina e do Caribe, após as guerras de
Independência, reaparecem hoje sob as figuras da IV Frota, do Plano
Colômbia, da Iniciativa Mérida e dos Comandos Sul e Norte, mas
encobertas por trás de subtis mecanismos financeiros.
Dívidas contraídas desta maneira são ilegítimas e
já foram pagas várias vezes. Obrigam a privilegiar a
obtenção de divisas e a adiar eternamente a busca do bem estar
dos povos. Justificam e propiciam a impunidade e a corrupção.
Em 20 de Novembro de 2008 o Equador, depois de realizar uma exaustiva auditoria
do caso, desconheceu o seu compromisso com uma avultada e lesiva dívida
ilegítima. Exercendo a sua soberania e o seu direito a
auto-governar-se, num acto da maior transcendência, propôs-se
julgar os responsáveis por contrair-la e usá-la em nome do povo.
Perante a crise financeira e a recessão económica provocada pela
voracidade das corporações transnacionais, que agora querem
fazê-la pagar aos nossos povos, é indispensável estender a
nível mundial a recusa definitiva do pagamento da dívida externa.
Nós intelectuais, artistas e lutadores sociais, comprometidos com a
democracia, a liberdade e os processos de emancipação dos povos
do mundo, apoiamos a decisão do governo equatoriano de não se
responsabilizar por uma dívida que não lhe cabe e nos tornamos
promotores da criação de uma rede mundial contra a dívida
externa, ilegítima e os tributos coloniais, em coordenação
com todas as iniciativas existentes contra o pagamento da dívida.
Basta de tributos coloniais. Queremos e lutaremos por um Equador e uma
América Latina livres e soberanos.
Pablo González Casanova, José Luis Ceceña, José
Francisco Gallardo, Raúl Álvarez Garín, Felix
Hernández Gamundi, Carlos Walter Porto Gonçalves, Ana Esther
Ceceña, Gilberto López y Rivas, Carlos Fazio, Héctor
Díaz Polanco, Magdalena Gómez, Jorge Turner, Federico Alvarez,
Angel Guerra, Maricarmen Montes, Enrique Rajchenberg, Darío Salinas,
Beatriz Stolowicz, Edur Velasco, María Guerra, Daniel Inclán,
Nayar López, Rebeca Peralta, Walter Martínez, Amarela Varela,
David Barrios, Rodrigo Yedra, Carolina Oropeza
Enviar adesões a:
Ana Esther Ceceña,
anacecena@gmail.com
Instituto de Investigaciones Económicas, UNAM
Observatorio Latinoamericano de Geopolítica
(52 55) 5623 0100 extensión 42418
www.geopolitica.ws
O original encontra-se em
http://www.geopolitica.ws/leer.php/145
Este manifesto encontra-se em
http://resistir.info/
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