por ASPO
Os ministros do G-8, que se reuniram em Moscovo dias 15-16 de Março,
consideraram um Plano de Segurança Energética no montante de 17
milhões de milhões
(trillions)
de dólares. Ele é concebido para assegurar os abastecimentos
mundiais de energia nos próximos 25 anos e é construído
com base em cinco propostas:
1- Descobrir novas reservas de petróleo e gás a uma taxa mais
rápida do que a do esgotamento das reservas existentes.
2- Aumentar a produção de petróleo e gás
através, entre outras coisas, de mais furagens na plataforma continental.
3- Expandir a capacidade de produção em refinados de
petróleo, petroquímica e indústrias processadoras de
gás.
4- Desenvolver novas centrais eléctricas, com ênfase no nuclear e
nas hidroeléctricas;
5- Introduzir tecnologias de carvão limpo.
As primeiras duas estratégias estão condenadas porque não
há bastante para descobrir na Natureza, mesmo que todas as barreiras
administrativas e políticas fossem removidas. Trata-se, além
disso, de um plano profundamente enviezado pois, se por algum milagre, a
produção viesse a ser acelerada ao longo dos próximos 25
anos, através por exemplo da subjugação do Médio
Oriente, o declínio subsequente seria muito mais agudo, tornando uma
situação já má ainda pior.
A terceira estratégia é redundante porque no mundo real
haverá haverá cada vez menos deixado para refinar e processar, o
que presumivelmente explica porque a indústria não tem investido
em mais capacidade de refinação.
A quarta pode fazer algum sendio, desde que a energia nuclear possa ser tornada
segura e benígna, apesar de barragens hidroeléctricas muito
grandes habitualmente destruírem muita terra agrícola.
A quinta tem muito bom senso pois o mundo está cheio de carvão.
Assim, a contagem favorável é de uma em cinco estratégias.
Fala-se em confiar o projecto ao Banco Mundial, sublinhando a
ligação entre petróleo e finanças. Durante a
"Primeira metade da era do petróleo" os bancos emprestaram
mais do que tinham em depósito, com a garantia colateral sendo
proporcionada pelo crescimento económico resultante o qual, em
grande medida era indirectamente baseado no petróleo barato. A
"Segunda metade" principia agora e verá o declínio do
petróleo e de tudo o que dele depende, incluindo a garantia colateral da
dívida.
Assim, a noção de ser o Banco Mundial a criar outros 17
milhões de milhões de dólares a partir do ar é
tão vesga quanto os projectos subjacentes. Tendo empobrecido com
êxito o Terceiro Mundo, através do fardo da dívida externa,
com aqueles países a serem forçados a exportar recursos, produtos
e lucros, o Banco começa a ver a nova realidade quando tenta ganhar
auréolas por esquecer dívidas, embora impagáveis. Isto
pode ser um meio diplomático de cumprir sua desesperadora necessidade de
destruir a montanha de "capital" cuja garantia colateral
deverá definhar em paralelo com o abastecimento de petróleo. O
sr. Wolfowitz, presidente do Banco Mundial, foi um dos arquitectos da
invasão do Iraque, e pode aprender com aquela experiência ao
planear esta aventura.
O Plano pode ser visto em
www.priceofoil.org
O original encontra-se no nº 64 da
ASPO Newsletter
, Abril/2006.
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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