É a guerra total contra o planeta. Reina o caos (o capitalismo)!
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"A tendência dominante que molda a actual situação
é o advento do 'neoliberalismo' uma concertada ofensiva
capitalista que pretende destruir as vitórias obtidas pelos
trabalhadores durante o último século e aprofundar a
subjugação dos países do Terceiro Mundo.
'Cuban Communist Makes the Case for International Revolution'
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Tenho de admitir o sentimento de estar totalmente arrasado pelo estado do nosso
planeta, apesar de eu saber que o caos que ameaça afogar-nos a todos
é o resultado directo de um sistema económico o
capitalismo sendo nada mais do que um vício anárquico pela
acumulação de capital, transformado agora numa balbúrdia
(os lucros que estão a ser obtidos são obscenos e o sofrimento
das vítimas, que se contam aos milhões, é
indescritível). Isto desde os anos 1970 e o advento do chamado
neoliberalismo, tem sido um desenfreado vale-tudo contra as pessoas e o planeta.
E se estão com a impressão de que aqueles que dizem ter o
controlo não fazem a mínima ideia e são incapazes de fazer
o que quer que seja sobre isto, então estão certos. À
medida que saltam de crise (auto-induzida) em crise, invocando como causa todo
o tipo de 'forças do mal', eles cavam um buraco ainda mais profundo para
todos nós. Eles podem dominar as nossas vidas com base na força e
no controlo exercido pelas classes políticas dominantes, mas
também eles são abalados por forças que apenas palidamente
entendem (se é que).
De facto, pode-se dizer que neste ponto da nossa evolução social,
as elites dominantes são as mais burras, mais estúpidas, e com
menos visão, que já tivemos. Para nos enganarem eles têm
primeiro de se enganarem a eles próprios e infelizmente há
milhões de 'gestores' com grande vontade de fazer o engano por eles.
Mas a realidade é que tem sido assim durante séculos,
literalmente, até chegarmos ao século XX, onde pela primeira vez
na nossa história nós vimos uma oportunidade de avançarmos
para uma nova era, na qual em vez de estarmos à mercê de
forças sobre as quais não tínhamos nenhum controlo, era
possível enveredar por uma sociedade que se preocupava mais com o bem
comum do que com a ganância de uma minoria. O que mudou foi que a crise
do capital é agora severa e com tantas ramificações que
só um auto-enganado consegue evitar a verdade.
Alguns entendem que o período para o qual estes gangsters idiotas nos
conduziram é comparável aos anos 1930 crise
económica, o crescimento do fascismo e a guerra mundial mas eu
entendo que hoje a situação é bem pior, pois pelo menos
nessa altura havia uma verdadeira oposição de esquerda e algum
sentimento de que o futuro podia ser nosso (se tivéssemos jogado as
cartas certas, o que obviamente não fizemos, mas é assim que se
espera que se aprenda com os erros e crimes do passado).
E para acrescentar ao nosso infortúnio, apercebemo-nos finalmente que
dois séculos de capitalismo industrial ameaçam todo o planeta.
Incrivelmente, foram precisos quatro mil milhões de anos para a Natureza
criar um ambiente homeostático (em equilíbrio) onde todo o tipo
de vida possa coexistir e num piscar de olhos vem tudo abaixo.
Por esta altura, eu suponho que possa ser perdoado por atirar a toalha ao
chão, depois de três gerações da minha
família (bem como milhões de outros progressistas do
século passado) terem lutado para construir um mundo melhor, e agora ver
todo o projecto cair por terra.
Mas antes de metaforicamente eu ir para as montanhas, vale a pena sublinhar que
mesmo agora não está tudo perdido e, por coincidência,
surge um livro do comunista cubano Roberto Regalado 'Latin America at the
Crossroads' [o título original em espanhol é 'América
Latina entre Siglos', ou seja, a América Latina entre
Séculos/Épocas, ou como indica a tradução para
inglês, 'América Latina na Encruzilhada'.], que sucintamente
explica os termos
Capitalismo,
"Depois de se ter apostado tudo no estado providência",
"a falência dessa construção ideológica coloca
hoje [a social democracia] no ridículo público". Se
não se considerar uma perspectiva de suplantar o capitalismo, o
único caminho é a rendição total.
Como resultado, da grande experiência reformista nos países
imperialistas é que "não foi a social democracia que
reformou a capitalismo, mas sim o capitalismo que reformou a social
democracia".
Aquilo a que agora chamamos neoliberalismo. Aqueles de nós que vivem nos
chamados países avançados estão seguramente conscientes
disto, pois no fundo nós vimos o desmantelamento sistemático,
isto é, a privatização do sector público, da
saúde, educação, habitação, transportes e
comunicações, o sistema penal, a segurança social, etc.,
tudo em nome do 'mercado', essa terra da fantasia que apenas existe nos
gabinetes editoriais da BBC e dos meios de comunicação
corporativos e, claro, os leais subordinados, que venderam as suas almas ao
sistema e que o fazem (ou tentam fazer) funcionar.
E claro que os pobres do planeta viram os seus países arrasados pela
base, foram chacinados aos milhões, retirados de suas casas e postos
à fome, tudo em nome da 'defesa do mercado livre'. Os acontecimentos no
Paquistão e agora no Quénia são o resultado directo dos
últimos trinta anos de neoliberalismo, bem como os desastres que
são o Iraque, Afeganistão, Jugoslávia, Palestina,
Líbano e Haiti. E agora com o petróleo a 100 dólares, os
países mais pobres ficarão ainda mais empobrecidos do que
já estão.
E a não ser que tomemos agora medidas drásticas, nós vamos
ver muitos mais paquistaneses e quenianos a borrarem a pintura, à medida
que os cartéis do petróleo e os bandidos do Bush aumentam as
contradições que têm impacto primeiramente nos pobres.
Previsivelmente, os grandes meios de comunicação enchem as
parangonas com 'conflitos tribais', 'limpeza étnica', 'estados falhados'
e coisas assim, como sempre fizeram, mas o que se passa no Quénia, tal
como no Paquistão, é o resultado do domínio colonial,
afinal quem é que apoiou Daniel Arap Moi, do Quénia, durante
décadas? O Ocidente, especialmente o Reino Unido e os Estados Unidos da
América.
Entretanto, aqui na barriga do monstro, podemos observar os efeitos do
capitalismo tentando 'reformar' a social democracia.
De forma irónica, as nossas elites dominantes, na sua tentativa de
construir um estado securitário corporativo apoiado em bases de dados,
mostraram não apenas as suas verdadeiras intenções e,
agradecemos, a sua incompetência total (não que isso os torne
menos perigosos, mas pelo menos expõe o grupo de bandidos incompetentes
que eles são). Dão-nos saudades dos ganguesteres doutrora, como
Churchill, pelo menos eles tinham um plano e uma burocracia funcionante e algum
sentido do seu lugar no esquema das coisas.
E não é difícil entrar nas mentes destes 'génios'
corporativos (já lá estive). Obcecados com a alegada
omnipotência da tecnologia e com a tentação do dinheiro
fácil (o nosso), eles instalam-se em luxuosos gabinetes, admirando
apresentações de Powerpoint, gráficos, e coisas do
género, fazendo parecer que tudo é como um passeio no jardim. E
se fizerem asneira (o que acontece a toda a hora), eles pegam nos seus
bónus e simplesmente lavam daí as suas mãos, deixando que
um outro grupo de aldrabões venha tentar compor as coisas (e ganhar mais
uns milhões). E estamos a falar de biliões de
libras/dólares/euros de dinheiro público deitado pela sanita
abaixo. As nossas classes dominantes são um verdadeiro desastre de
proporções globais.
Mas estes burlões tecnológicos são mal educados (no
sentido tradicional do termo), tal como a maioria das pessoas para quem eles
trabalham. Somos governados por um bando de bárbaros sem
educação, que, se viermos a ter algum tipo de futuro que valha a
pena, têm de ser varridos do gabinete antes que seja tarde demais.
O apelo de Regalado a uma revolução mundial parece
impraticável mas que escolha temos nós, dadas as
circunstâncias? Regalado advoga
"Um sistema politico baseado nos mecanismo de representação
e participação populares, capaz de estabelecer um consenso que
garanta a unidade de pensamento e de acção nos pontos-chave da
construção socialista e o reforço mutuo desta unidade
através do fluxo livre e construtivo de ideias e propostas que reflictam
os diversos interesses dos sectores da sociedade, os quais beneficiam deste
esforço a ser feito.
E isto, especifica Regalado, requer nada mais do que 'a tomada do poder
político' em condições onde 'aqueles que detenham o poder
no mundo se agarrem a ele até ao final'."
E esta é a parte que assusta, que aqueles que têm o poder possam
ver o planeta destruído em vez de largarem o seu poder e
privilégio.
Nota: Todas as citações são da excelente revisão de
John
Riddell do livro "Latin America at the Crossroads' de Roberto Regalado.
Tradução de Peter Gellert. Ocean Press
www.oceanbooks.com.au
2007, US$17.95; America latina entre siglos. Ocean Press, 2007, US$17.95. John
Riddell é co-editor da Socialist Voice
www.socialistvoice.ca
.
O original encontra-se em
http://www.creative-i.info/?p=183
, a versão em português em
http://www.tlaxcala.es/pp.asp?reference=4477&lg=po
. Tradução de Alexandre Leite, editor de
http://investigandoonovoimperialismo.blogs.sapo.pt
e membro de Tlaxcala, a
rede de tradutores pela diversidade lingüística. Esta
tradução pode ser reproduzida livremente na
condição de que sua integridade seja respeitada, bem como a
menção ao autor, aos tradutores, aos revisores e à fonte.
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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