Programas eleitorais do PSD/CDS e PS
Congelamento de pensões e de carreiras dos TFPs
Apesar das perdas de rendimentos já sofridas com a troika e
governo PSD/CDS
Tanto o PSD e o CDS como o PS já apresentaram os seus programas
eleitorais para as eleições que se realizarão no fim deste
ano. A leitura desses programas permite ficar a conhecer o que estes partidos
pretendem fazer, no caso de serem governo, em relação às
remunerações dos trabalhadores da Função
Pública e às pensões dos reformados da Segurança
Social e dos aposentados da CGA. É isso o que vamos procurar tornar
claro neste estudo. Mas antes, utilizando dados oficiais (da DGO e da DGAEP do
Ministério das Finanças e da Segurança Social e CGA),
vamos procurar quantificar a perda de rendimentos que sofreram os trabalhadores
da Função Pública e os pensionistas (da Segurança
Social e da CGA) durante o período da "
troika
" e do governo PSD/CDS.
A PERDA DE RENDIMENTOS PELOS TRABALHADORES DA FUNÇÃO
PÚBLICA DURANTE O PERÍODO DA TROIKA E DO GOVERNO PSD/CDS E O QUE
CONSTA NOS PROGRAMAS ELEITORAIS DO PSD/CDS E DO PS
O último aumento de remunerações que tiveram os
trabalhadores da Função Pública foi em 2009. Após
essa data, as remunerações e carreiras foram congeladas e os seus
ganhos sofreram cortes, o que causou uma redução significativa no
seu nível de vida. O quadro 1, mostra de uma forma quantificada, os
efeitos (cortes) da politica imposta pela
"troika
" e pelo governo PSD/CDS, este na sua intenção de "ir
para além da troika", nos rendimentos dos trabalhadores da
Função Pública.
Os dados do quadro 1 são claros. Se as remunerações base
dos trabalhadores da Função Pública tivessem sido
atualizadas apenas para fazer face ao aumento de preços verificado no
período 2010-2015, portanto apenas para manter o seu poder de compra e
não para o melhorar, os trabalhadores da Função
Pública (os que se mantiveram no ativo), teriam recebido mais 8.874,2
milhões de remunerações base. O congelamento e o
corte das remunerações, e o confisco de subsídios causaram
um corte nos seus rendimentos igual a 60% das remunerações base
de todos os trabalhadores da Função Pública durante um
ano. E isto nas remunerações base. Se o cálculo for feito
com base no ganho médio, que inclui os suplementos, as horas
extraordinárias, etc, o corte nos rendimentos ilíquidos dos
trabalhadores da Função Pública, durante a "
troika
" e o governo PSD/CDS deve ser superior a 10.200 milhões .
Em relação às remunerações dos trabalhadores
da Função Pública, a única medida que se encontra
no programa de estabilidade 2015-2019 do governo PSD/CDS é a
reversão anual de 20% do corte a que ainda estão sujeitas as
remunerações da Função Públic
a (são ainda necessários quatro anos para eliminar o corte)
, o que significa um aumento médio na remuneração base de
17 por mês, mas se se considerar o ganho médio, o aumento
é menor, pois é apenas de cerca 13. Recorde-se que os
trabalhadores com ganhos médios inferiores a 1500, por não
terem sofrido qualquer corte, não terão até 2019 qualquer
aumento. E segundo a DGAEP do Ministério das Finanças, em
Março de 2015, eram
249.000, ou seja, 37,9% do total de trabalhadores da Função
Pública. Por esta razão a reversão de 20% no corte
representa em média, para os trabalhadores atingidos por ele, cerca de
21 por mês.
Em relação ao programa eleitoral do PS, e relativamente às
remunerações dos trabalhadores da Função
Pública encontram-se na pág. 35 o seguinte: "
A eliminação da redução salarial dos
funcionários públicos em vigor desde o OE2011, em dois anos
através da supressão dos cortes salariais em 40% em 2016 e a
parte remanescente em 2017
", portanto serão dois anos para eliminar o corte. E "
Iniciar em 2018, o processo de descongelamento das carreiras e de
limitação das perdas reais de remuneração que
deverão ser avaliadas tendo em conta o impacto transversal de algumas em
vários programas orçamentais
". Até 2018 não haverá aumentos salariais para
compensar a subida de preços, apenas serão revertidos os cortes
nas remunerações ainda existentes. Os trabalhadores com
remunerações totais (ganhos) inferiores a 1500 em 2015
(assistentes operacionais, assistentes técnicos, técnicos de
diagnóstico e terapêutica, etc),
que desde de 2010 não tiveram qualquer aumento, e que são mais
de 249.000, continuarão sem terem aumentos; os restantes apenas
receberão em dois anos o que lhes cortaram.
É isto o que PSD, CDS e PS têm nos seus programas eleitorais sobre
esta matéria tão importante para 665.000 trabalhadores
portugueses e suas famílias. Se se incluir os trabalhadores das empresas
públicas, o seu número é muito maior.
A PERDA DE RENDIMENTOS PELOS PENSIONISTAS DURANTE O PERÍODO DA
"TROIKA" E DO GOVERNO PSD/CDS E O QUE CONSTA NOS PROGRAMAS ELEITORAIS
DO PSD/CDS E PS
Contrariamente à propaganda do governo que procurou convencer a
opinião pública que as pensões mínimas eram
aumentadas, a verdade é que apenas um ou dois escalões os
mais baixos das pensões mínimas (e são 5
escalões) tiveram aumentos irrisórios no período da "
troika
" e do governo PSD/CDS, como mostra o quadro 2.
Durante a
"troika
" e o governo PSD/CDS apenas os dois escalões mais baixos (por
vezes, apenas um) das pensões mínimas as com valor
inferior a 250 em 2010 foram aumentados e em valores
irrisórios (o aumento variou entre 4 cêntimos e 25 cêntimos
por dia). O número de pensionistas de velhice e de invalidez da
Segurança Social abrangidos por estes aumentos ronda os 250.000 e os da
CGA somente 70.000. Portanto, a esmagadora maioria dos reformados e aposentados
têm as suas pensões congeladas desde de 2010. Tal facto, associado
ao confisco dos subsídios de férias e Natal em 2012, e à
aplicação da CES, um imposto que incidia apenas sobre os
pensionistas e que deixou de se aplicar somente quando o Tribunal
Constitucional declarou tal medida inconstitucional, determinou uma
redução muito significativa dos rendimentos dos pensionistas
tanto da Segurança Social como da CGA, como revela o quadro 3, agravando
imenso as condições de vida desta camada da
população atirando muitos deles para a miséria, mais grave
porque tiveram de apoiar os filhos desempregados.
No período 2011-2015, se as pensões dos reformados da
Segurança Social e dos aposentados da CGA que foram congeladas tivessem
sido atualizadas com base no aumento verificado no IPC (Índice de
Preços no Consumidor) para apenas manterem o seu poder de compra
(não para aumentar), e se o subsidio de férias e de Natal
não tivesse sido confiscado em 2012, os pensionistas teriam recebido
mais 6.938 milhões . A este corte nos seus baixos rendimentos
há ainda a acrescentar a CES (Contribuição
Extraordinária de Solidariedade) que determinou, em 2013, mais um corte
no rendimento dos aposentados da CGA de 300 milhões , e no
rendimento dos reformados da Segurança Social de 121 milhões
, como consta da pág. 51 do Relatório do OE-2013.
O QUE CONSTA DOS PROGRAMAS ELEITORAIS DO PSD/CDS E DO PS
O PSD/CDS no programa de estabilidade 2015-2019 que elaborou e aprovou
prevê mais um corte de 600 milhões nas pensões
(pág. 39), como os cortes feitos já não fossem
suficientes. A ministra das Finanças numa reunião pública
das "jotas" afirmou que esse corte tinha também de ser feito
nas pensões que já estão a ser pagas. Perante a
reação da opinião pública que tal
declaração provocou, Passos Coelho veio dizer que, afinal,
não defendia o corte nas pensões. Mas esta
declaração tem apenas objetivos eleitoralistas, sendo de prever
que, se o PSD e CDS forem governo, procurem impor tal medida.
Em relação ao PS, o seu programa eleitoral é omisso sobre
esta matéria tão importante para milhões de portugueses.
As páginas 78-80 tratam da Segurança Social. Incluem-se medidas
que, se afirma, visam garantir a sustentabilidade da Segurança Social
promover estudos transparentes, retrospetivos e prospetivos; aumentar a TSU das
empresas com elevados índices de precariedade
(na pág., 11, e a pretexto de aumentar o rendimento disponível
dos trabalhadores pretende-se reduzir a TSU que incide sobre os trabalhadores
em 4 p.p., para logo a seguir reverter);
consignar à Segurança Social o imposto sobre heranças
superiores a um milhão de euros; alargar aos lucros das empresas a base
de incidência da contribuição dos empregadores; repor com
prioridade o combate à evasão á fraude e evasão;
fazer a convergência total entre a CGA e o RG da Segurança
Social, mesmo antes de fazer um estudo do impacto de tal medida; etc,
etc. mas não há uma palavra sobre as pensões dos
reformados e aposentados e, nomeadamente, sobre o congelamento a que
estão sujeitas desde 2010. E certamente não será nem por
esquecimento nem por acaso. Deixamos isso para a reflexão do leitor.
O descongelamento das remunerações dos trabalhadores da
Função Pública e das pensões é que
constituiria certamente um meio importante de aumentar o rendimento
disponível da população e de incentivar a
recuperação económica.
11/Junho/2015
[*]
edr2@netcabo.pt
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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