A energia e as rendas excessivas
- Governo e troika protegem rendas e lucros excessivos
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| China Three Gorge (China) | 21,35% | Amorim Energia (55% Américo Amorim; 45% Angola) | 38,34% |
| OPPIDUM Capital SL (Espanha) | 7,19% | ENI (Itália) | 16,34% |
| IBERDROLA (Espanha) | 6,66% | Parpública (Portugal-Estado) | 7,00% |
| Jose de Mello, SGPS (Portugal) | 4,60% | ||
| IPIC (Abu Dhabi) | 4,06% | ||
| Grupo BCP (Portugal) | 2,63% | ||
| SONATRACH (Argélia) | 2,38% | ||
| Qatar Investiment Autority (QATAR) | 2,27% | ||
| Capital Income Builder (EUA) | 2,06% | ||
| Income Fund of America (EUA) | 2,01% | ||
| BLACKROCK (EUA) | 2,00% | ||
| SOMA (Participações qualificadas) | 57,21% | SOMA (Participações qualificadas) | 61,68% |
| Percentagem do Capital controlada por grupos económicos estrangeiros | 47,92% | Percentagem do Capital controlada por grupos económicos estrangeiros | 33,59% |
| Percentagem das "Participações qualificadas" controladas por grupos económicos estrangeiros | 83,76% | Percentagem das "Participações qualificadas" controladas por grupos económicos estrangeiros | 54,46% |
As participações qualificadas são aquelas que representam
pelo menos 2% do capital e são as que controlam, de facto, tanto a
gestão estratégica como operacional da empresa. E como mostram os
dados do quadro 1, 83,76% das participações qualificadas da EDP e
54,46% das participações qualificadas da GALP, portanto muito
mais de metade, já são controladas por grandes grupos
económicos estrangeiros, vários deles empresas de Estados
estrangeiros (China, Abu Dahi, Argélia, e Qatar). Mesmo a Amorim Energia
é uma empresa com sede na Holanda portanto já não
está sob alçada de tribunais portugueses nem da
Administração Fiscal portuguesa, e quase metade dela é
angolana. Por esta razão, pode-se com verdade dizer que a EDP e a GALP
são empresas mais estrangeiras que portuguesas de português
têm apenas os nomes e os clientes e trabalhadores que exploram
pois as suas estratégias e objetivos têm menos a ver com Portugal
mas muito mais com os objetivos e estratégias dos grupos que as
controlam.
PREÇOS DE ENERGIA EM PORTUGAL SUPERIORES AOS PREÇOS MÉDIOS
DA UE
Os dois gráficos que a seguir se apresentam, com os preços da
eletricidade e do gás natural para as famílias nos países
da União Europeia em 2013, mostram que apesar dos salários em
Portugal serem dos mais baixos da UE, (nos últimos três anos
perderam cerca de 10% do seu poder de compra), apesar disso Portugal é
um dos países da União Europeia onde o preço da
electricidade e do gás natural é mais elevado para as
famílias.
Como mostra o gráfico 3, divulgado pelo Eurostat, Portugal é o
7º país da União Europeia, entre os 28 países que a
constituem, onde o preço da eletricidade para as famílias
é mais elevado, sendo também o preço da eletricidade em
Portugal superior ao preço médio da UE (veja-se no gráfico
3 as colunas indicadas a vermelho que correspondem ao preço da
eletricidade em Portugal e ao preço médio da UE28).
Situação ainda mais grave se verifica em relação ao
preço do gás natural para as famílias. Como mostra o
gráfico 4, também divulgado pelo Eurostat, Portugal é o
4º país, entre os 28 países que constituem a União
Europeia, em que o preço do gás natural é mais elevado
para as famílias, sendo também o preço do gás no
nosso país significativamente superior ao preço médio
praticado na União Europeia (veja-se também o gráfico 4,
onde as colunas a vermelho correspondem ao preço do gás natural
em Portugal e ao preço médio na UE28).
PREÇOS DE ENERGIA EXCESSIVOS GERAM RENDAS E LUCROS EXCESSIVOS DE QUE SE
APROPRIAM OS GRUPOS ECONÓMICOS QUE DOMINAM O MERCADO
Preços excessivos e muito superiores aos que vigoram na maior parte dos
países da União Europeia pagos pelas famílias portuguesas
geram rendas excessivas e lucros elevados de que se apropriam os grupos
económicos, controlados por estrangeiros, que dominam os mercados da
eletricidade e do gás natural em Portugal. E tudo isto perante a
passividade do governo e da entidade reguladora (ERSE), pois estão
totalmente reféns desses grupos económicos. O quadro 5 mostra os
lucros líquidos acumulados pelos dois grupos económicos,
controlados por estrangeiros, que dominam o mercado da energia (a EDP e a GALP)
de acordo com os Relatórios e Contas que divulgaram, em plena crise e de
graves dificuldades para as famílias portuguesas.
Quadro 5 Lucros líquidos obtidos pela EDP e GALP em plena crise,
2008/1ºTrim. 2014
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Milhões |
| EDP - Lucros Líquidos -Milhões | 1.212 | 1.168 | 1.079 | 1.125 | 1.012 | 1.005 | 296 | 6.897 |
| GALP- Lucros Líquidos - Milhões | 117 | 347 | 452 | 433 | 343 | 364 | 47 | 2.103 |
| SOMA | 1.329 | 1.515 | 1.531 | 1.558 | 1.355 | 1.369 | 343 | 9.000 |
Entre 2008 e o 1º Trimestre de 2014, a soma dos lucros líquidos da
EDP atingiu 6.897 milhões , e os lucros líquidos da GALP
somaram 2.103 milhões . Portanto, só estes dois grupos
económicos (pois existem mais, que são filiais de grupos
estrangeiros, que detêm quotas de mercado mais reduzidas) tiveram, em
conjunto, 9.000 milhões de lucros líquidos. Pode-se dizer que a
crise não atingiu os grupos económicos que dominam o mercado da
energia em Portugal. E isto à custa das famílias portuguesas e
também da competitividade das empresas portuguesas, que tiveram de
suportar custos excessivos para alimentar os elevados lucros dos grupos
económicos da energia.
Este governo e esta "
troika
" que têm uma politica de dois pesos e duas medidas
(proteção dos interesses e dos lucros escandalosos dos grupos
económicos e cortes brutais nos rendimentos dos trabalhadores e
pensionistas) não tem qualquer moral para impor sacrifícios aos
portugueses, até porque tem utilizado como justificação um
objetivo que nunca cumpriu (contenção da divida pública).
Desde que entraram em funções (governo e "troika") a
divida publica portuguesa disparou aumentando, entre Dez.2010 e Março de
2014, de 185.844 milhões (107,5% do PIB) para 258.486
milhões (155% do PIB). Segundo o Boletim de Estatística do
Banco de Portugal de Maio de 2014, entre Dez.2013 e Mar.2014 a divida subiu de
252.914 milhões para 258.486 milhões , o que mostra
que mesmo este ano ela não parou de crescer sendo já
incomportável para o país e para os portugueses. A "
troika
" ao falar tanto dos custos excessivos da energia em Portugal os quais,
segundo ela própria, reduz a competitividade das empresas, e ao nada
fazer de concreto para alterar esta situação, mostra bem que
veio a Portugal apenas para defender os interesses dos "credores" e
dos grupos económicos que dominam a economia e a sociedade, revelando
também assim a sua verdadeira face de classe.