A quebra dos salários e dos rendimentos das famílias e o agravamento das desigualdades com o governo PSD/CDS
por Eugénio Rosa
[*]
No nosso livro "Os Números da Desigualdade em Portugal",
publicado este ano, analisamos o problema das desigualdades em Portugal, nas
suas múltiplas dimensões, como um dos problemas mais graves que o
país enfrenta, não só em termos sociais como
económicos. E insisto em termos económicos, porque este aspeto do
problema das desigualdades é muitas vezes subestimado ou mesmo ignorado,
quando o agravamento na distribuição do rendimento, ao concentrar
a riqueza, de uma forma crescente, numa minoria cada vez mais reduzida,
é atualmente o mais importante obstáculo ao crescimento
económico e ao desenvolvimento porque reduz a procura agregada que
é o problema atual mais grave. E enquanto ele não for resolvido
de uma forma equilibrada e justa, a recuperação económica
e um desenvolvimento sustentado não será possível.
No período 2011-2014, verificou-se uma clara tendência de baixa
dos salários e dos ganhos médios ilíquidos dos
trabalhadores, mais acentuada na remuneração base média.
Esta variação negativa ainda se torna mais clara se se tiver
presente que, em simultâneo com uma elevada destruição de
empregos, se verificou uma substituição maciça de
trabalhadores com o ensino básico, que foram expulsos do mercado de
emprego pelos patrões, por trabalhadores com o ensino secundário
e superior. Segundo o INE, entre o 1ºTrim/2011 e o 2ªTrim/2012, a
destruição líquida de emprego em Portugal atingiu 285,2
mil postos de trabalho. No entanto, no mesmo período, o número de
trabalhadores com o ensino básico ou menos empregados diminuiu em 711,7
mil, enquanto o número de trabalhadores empregados com o ensino
secundário aumentou em 208,2 mil, e os com o ensino superior cresceu em
218,3 mil.
No período da "troika" e do governo PSD/CDS a quebra dos
rendimentos das famílias foi elevada em Portugal, muito superior
à média dos países da União Europeia, quando se
verificou pois não isso não sucedeu sempre. Entre 2010-2013, em
Portugal, o rendimento médio anual por pessoa equivalente
(o 1º adulto vale 1; o 2º 0,8 e as crianças 0,5)
diminuiu em 8,7% para os com o ensino básico
(na UE-27 diminuiu metade);
para os com o ensino secundário a quebra no rendimento foi de 11%
(na UE-27 aumentou 3%);
e para os com o ensino superior a redução atingiu 10,5% (na
UE-27 aumentou 1,6%). Portugal já era um país de baixos
rendimentos e eles tornaram-se ainda mais baixos.
Entre 2010-2014, o total das "Remunerações" diminuiu
10%., e o dos "Ordenados e salários" caiu 11,3% (este em 2
anos apenas), enquanto a parte do Excedente Bruto de Exploração
no PIB, que reverte para os patrões, aumentou 5% (passou de 41,3% para
43,3% do PIB).
10/Agosto/2015
[*]
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