O preço da gasolina 95 e do gasóleo sem impostos em Portugal
continua a ser superior ao da União Europeia, enquanto a carga fiscal
sobre os combustíveis em Portugal é inferior à da UE
Em relação aos rendimentos dos trabalhadores e pensionistas, o
governo não hesita em congelar salários (ex. salário
mínimo nacional), em fazer cortes nas remunerações (ex.
Função Pública), em confiscar subsidio de férias e
Natal aos pensionistas e trabalhadores da Função Pública,
mesmo violando a Constituição da Repúblicas, mas em
relação às "rendas excessivas" (lucros
especulativos) dos grupos económicos, o governo e "troika"
nada fazem. O que acontece em Portugal com os preços dos
combustíveis é um exemplo concreto de uma politica de "dois
pesos e duas medidas".
O quadro 1, elaborado com os dados divulgados pela Direção Geral
de Energia e Geologia do Ministério da Economia e Emprego, mostra que os
preços médios sem impostos e taxas, ou seja, aqueles que revertem
na totalidade para as empresas, da gasolina 95 e do gasóleo continuam a
ser, em Portugal, em Janeiro de 2013 superiores à média dos
países da União Europeia, enquanto a carga fiscal, contrariamente
ao que as petrolíferas e seus defensores nos media têm procurado
fazer crer, enganando a opinião pública, é, em Portugal,
inferior à média dos países da UE.
Quadro 1- Preços de gasolina 95 e do gasóleo nos países da
UE e carga fiscal- Janeiro 2013
|
PAÍS
|
PREÇO GASOLINA 95 Janeiro de 2013
Euros / Litro
|
PREÇO GASOLEO Janeiro de 2013
Euros / Litro
|
Preço sem taxas e impostos em Portugal em relação aos
outros países da UE
|
|
Preço de venda sem taxas e impostos
|
Preço de venda ao Público (inclui taxas e impostos)
|
% das taxas e impostos no preço de venda ao público
|
Preço de venda sem taxas e impostos
|
Preço de venda ao Público (inclui taxas e impostos)
|
% das taxas e impostos no preço de venda ao público
|
Gasolina 95
|
Gasóleo
|
|
Alemanha
|
0,689
|
1,599
|
57%
|
0,755
|
1,458
|
48%
|
+2,7%
|
+4,6%
|
|
Áustria
|
0,640
|
1,399
|
54%
|
0,709
|
1,375
|
48%
|
+10,5%
|
+11,4%
|
|
Bélgica
|
0,705
|
1,596
|
56%
|
0,756
|
1,433
|
47%
|
+0,3%
|
+4,4%
|
|
Bulgária
|
0,706
|
1,283
|
45%
|
0,757
|
1,304
|
42%
|
+0,1%
|
+4,4%
|
|
Chipre
|
0,722
|
1,367
|
47%
|
0,798
|
1,422
|
44%
|
-2,0%
|
-1,0%
|
|
Dinamarca
|
0,756
|
1,684
|
55%
|
0,769
|
1,467
|
48%
|
-6,5%
|
+2,6%
|
|
Eslovénia
|
0,668
|
1,501
|
56%
|
0,709
|
1,396
|
49%
|
+5,9%
|
+11,4%
|
|
Espanha
|
0,704
|
1,413
|
50%
|
0,762
|
1,368
|
44%
|
+0,4%
|
+3,6%
|
|
Estónia
|
0,678
|
1,321
|
49%
|
0,744
|
1,364
|
45%
|
+4,3%
|
+6,1%
|
|
Finlândia
|
0,698
|
1,625
|
57%
|
0,794
|
1,546
|
49%
|
+1,4%
|
-0,6%
|
|
França
|
0,687
|
1,550
|
56%
|
0,716
|
1,378
|
48%
|
+3,0%
|
+10,3%
|
|
Grécia
|
0,698
|
1,700
|
59%
|
0,808
|
1,417
|
43%
|
+1,4%
|
-2,3%
|
|
Holanda
|
0,688
|
1,743
|
61%
|
0,754
|
1,452
|
48%
|
+2,8%
|
+4,7%
|
|
Hungria
|
0,703
|
1,425
|
51%
|
0,761
|
1,457
|
48%
|
+0,6%
|
+3,8%
|
|
Irlanda
|
0,699
|
1,607
|
57%
|
0,764
|
1,554
|
51%
|
+1,2%
|
+3,3%
|
|
Itália
|
0,717
|
1,748
|
59%
|
0,780
|
1,691
|
54%
|
-1,3%
|
+1,2%
|
|
Letónia
|
0,704
|
1,377
|
49%
|
0,773
|
1,364
|
43%
|
+0,5%
|
+2,2%
|
|
Lituânia
|
0,703
|
1,377
|
49%
|
0,779
|
1,342
|
42%
|
+0,6%
|
+1,3%
|
|
Luxemburgo
|
0,696
|
1,332
|
48%
|
0,743
|
1,240
|
40%
|
+1,7%
|
+6,3%
|
|
Malta
|
0,776
|
1,470
|
47%
|
0,787
|
1,380
|
43%
|
-8,9%
|
+0,3%
|
|
Polónia
|
0,650
|
1,293
|
50%
|
0,714
|
1,308
|
45%
|
+8,8%
|
+10,6%
|
|
Portugal
|
0,707
|
1,589
|
55%
|
0,790
|
1,422
|
44%
|
0,0%
|
0,0%
|
|
Reino Unido
|
0,627
|
1,585
|
60%
|
0,705
|
1,679
|
58%
|
+12,8%
|
+12,0%
|
|
Rep. Checa
|
0,640
|
1,381
|
54%
|
0,729
|
1,399
|
48%
|
+10,6%
|
+8,3%
|
|
Eslováquia
|
0,680
|
1,500
|
55%
|
0,783
|
1,427
|
45%
|
+4,0%
|
+0,8%
|
|
Roménia
|
0,666
|
1,284
|
48%
|
0,747
|
1,347
|
45%
|
+6,3%
|
+5,8%
|
|
Suécia
|
0,687
|
1,675
|
59%
|
0,769
|
1,666
|
54%
|
+3,0%
|
+2,6%
|
|
UE
|
0,681
|
1,575
|
57%
|
0,745
|
1,471
|
49%
|
+3,9%
|
+5,9%
|
|
Zona Euro
|
0,695
|
1,609
|
57%
|
0,752
|
1,459
|
48%
|
+1,8%
|
+5,0%
|
Fonte: Direção Geral de Energia e Geologia, Ministério da
Economia e do Emprego
Segundo a Direção Geral de Energia do Ministério da
Economia, em Janeiro de 2013, o preço médio sem taxas e impostos,
portanto aquele que reverte na sua totalidade para as empresas, em Portugal era
superior à media dos preços dos países da União
Europeia, em relação à gasolina 95 em mais 3,9% e, em
relação ao gasóleo, em mais 5,9%. Se a analise for feita
por países, com conclui-se que, em Janeiro de 2013, o preço
médio da gasolina 95 em Portugal era superior ao 23 países da UE
(os que estão a vermelho na penúltima coluna da direita do quadro
1), e era inferior ao preço de apenas três países (os que
estão a verde); em relação ao gasóleo, o
preço médio sem taxas e impostos em Portugal era também
superior ao de 23 países (os que estão a vermelho na
última coluna à direita do quadro 1), e era inferior somente ao
de três (os que estão a verde na mesma coluna). A
"troika" fala de "rendas excessivas" (aqui "lucros
excessivos"), mas nem ela, nem o governo, nem a Autoridade da
Concorrência fazem alguma coisa para acabar com este escândalo que
penaliza, ainda mais do que acontece nos outros países da União
Europeia os consumidores portugueses, mas que permite às
petrolíferas embolsarem elevados lucros extraordinários.
Outro aspecto importante que os dados da Direção Geral de Energia
do Ministério da Economia constantes do quadro 1 esclarecem
é que, contrariamente ao que pretendem fazer crer as
petrolíferas, e os seus serventuários nos media, enganando a
opinião publica, para assim ocultarem a politica danosa de preços
das petrolíferas para os portugueses, a carga fiscal sobre os
combustíveis em Portugal não é superior à da
generalidade dos países da União da Europeia. Como revelam os
dados da Direcção Geral de Energia, as taxas e impostos em
Portugal representam, na gasolina 95, cerca de 55% do preço de venda ao
público, enquanto a média na União Europeia é 57%;
em relação ao gasóleo, a carga fiscal representa em
Portugal 44% do preço de venda enquanto a média na UE é
49%. Não é apenas devido à carga fiscal que os
preços dos combustíveis em Portugal são
inaceitáveis, como pretendem fazer crer a opinião pública.
Mais uma mentira dos grupos económicos que operam em Portugal que
é importante desmascarar.
LUCRO LIQUIDO DA GALP AUMENTOU 43% EM 2012 E PARA 2013 ESTIMAMOS QUE O LUCRO
EXTRADIONÁRIO RESULTANTE DA DIFERENÇA DE PREÇOS
PORTUGAL/UE ATINGIRÁ 259 MILHÕES
De acordo com os resultados de 2012 que o grupo GALP acabou de divulgar, os
resultados operacionais do grupo, ou seja, o EBITDA, que são os
resultados antes de terem sido deduzidos os juros, os impostos, as
amortizações e as provisões, aumentaram, entre 2011 e
2012, de 797 milhões para 1.015 milhões , registando
assim um aumento de 218 milhões em 2012. E os resultados
líquidos que se obtêm depois de terem assim deduzidos todos
aqueles encargos juros, amortizações e provisões
subiram, entre 2011 e 2012, de 261 milhões para 412 , um
aumento 57,8%. Retirando os chamados "Interesses minoritários"
(a parte dos resultados líquidos e dos activos líquidos de uma
subsidiária que não é atribuível à
empresa-mãe sua detentora, quer directa quer indirectamente
através de outras subsidiárias), mesmo assim, os lucros
líquidos da GALP aumentaram, entre 2011 e 2012, de 251 milhões
para 359 milhões , portanto registaram uma subida de 43% em
2012. Muito poucos portugueses tiveram no ano um aumento de 43% nos seus
rendimentos. A crise não atingiu certamente os acionistas da GALP. E
quem são os principais acionistas? Amorim Energia, com sede na Holanda,
que pertence ao grupo Amorim e ao grupo angolano de Isabel dos Santos, com
38,34% do capital, e a ENI , grupo italiano, que detém 24,34% do capital
da GALP. Isto significa que 62,68% dos lucros que a GALP distribua não
pagarão imposto sobre dividendos porque estes acionistas têm
residências no estrangeiro.
Mas não se pense que os preços dos combustíveis em
Portugal sistematicamente superiores à média da União
Europeia apenas inflacionam os lucros da GALP, beneficiando aqueles dois
acionistas. A GALP não detém a totalidade do mercado de
combustíveis em Portugal. A parte detida por este grupo apenas
representa 50% do mercado, portanto os lucros são apenas uma parcela do
total. A GALP apenas controla cerca de metade do segmento de mercado de
combustíveis em Portugal. A outra metade do mercado é controlada
pela BP, REPSOL. CEPSA/TOTAL, ESSO e AGIP, portanto empresas estrangeiras que
se apropriam da restante parcela de lucros gerados por preços excessivos
pagos pelos portugueses sistematicamente superiores aos preços
médios da União Europeia.
Para que o leitor possa ficar com uma ideia da dimensão do lucro
extraordinário obtido pelas petrolíferas devido apenas à
diferença de preços praticados em Portugal e na União
Europeia basta referir o seguinte. Em 2012, o consumo de gasolina 95 rondou
1.395 milhões litros, e o de gasóleo 5.000 milhões de
litros. Se em 2013, o consumo de combustíveis se mantiver a este
nível ou muito próximo, se se mantiver a mesma diferença
de preços entre Portugal e a União Europeia registada em Janeiro
de 2013, as petrolíferas terão um lucro extraordinário
apenas por esta razão que estimamos em 259 milhões .
È um lucro mais que excessivo pago pelos portugueses que já
enfrentam grandes dificuldades para sobreviver mas que nem a
"troika", nem o governo PSD/CDS, nem a Autoridade de
Concorrência fazem alguma coisa para por cobro.
28/Març2013
[*]
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