Novos aumentos nos preços dos transportes e um plano estratégico
do governo PSD/CDS que só agrava os problemas do sector e dos portugueses
RESUMO DESTE ESTUDO
O "Plano Estratégico de Transportes"do governo PSD/CDS, com 93
págs., foi publicado no Diário da República
(Resolução do CM 45/2011). É um plano que não
resolve os problemas do sector, apenas os agrava. Os portugueses já
começaram a sentir as suas consequências, primeiro, através
de um aumento dos preços dos transportes em Set/2011 que atingiu, em
média, 15%, tendo alcançado em alguns títulos 25% e, a
partir de 1/2/2012, por meio de um nova subida, em média, de 5% que, no
caso do passe só de Metro (Lx) atinge 21% e, no de estudantes e pessoas
com mais de 65 anos, alcança os 50%. São aumentos brutais que
atingem mais quem menos tem.
Um dos problemas mais graves das empresas públicas de transportes em
Portugal, com efeitos graves na sua sustentabilidade financeira, e que o Plano
do governo PSD/CDS vai agravar, é a reduzida utilização do
transporte colectivo público, como consequência da politica dos
sucessivos governos de promoção do transporte individual
rodoviário (entre 1991 e 2011, o peso do transporte individual aumentou
de 24% para 44% na AML, e a situação actual é ainda mais
grave). Em média, apenas 23,3% da oferta de transportes de 7 empresas
publicas, que possuem uma oferta de 26.667 milhões lugares.km por ano
é utilizada o que acarreta também elevadíssimos custos
para o país, porque resulta da utilização intensa do
transporte individual rodoviário, que é um transporte altamente
poluente, caro, e gerador de forte dependência externa relativa a uma
fonte de energia cara e esgotável. Os aumentos brutais dos preços
dos transportes decididos por este governo, assim como o objectivo de que devem
cobrir a totalidade dos custos eliminando as indemnizações
compensatórias, a redução da oferta de transportes, bem
como a suspensão de todos investimentos em infra-estruturas e na
modernização do material circulante mostram que o objectivo do
governo não é promover a utilização do transporte
colectivo, mas desincentivá-lo.
O governo fala muito de uma divida incomportável das empresas
públicas de transporte que atingiu, em 2010, 16.700 milhões
. No entanto, "esquece-se" sistematicamente de informar que a
maior parte dessa divida resulta dos sucessivos governos, incluindo os do
PSD/CDS, com Manuela Ferreira Leite como ministra das Finanças, ter
sistematicamente violado a Lei de Bases do Sistema de Transportes Terrestres.
No próprio Plano Estratégico de Transportes o governo PSD/CDS
é obrigado a reconhecer esse facto assim:
"A divida histórica das empresas do SEE de transportes
públicos
terrestres resulta, em parte, da concretização de projectos de
investimento da responsabilidade do Estado"
(pág. 45). No entanto, com o objectivo de manipular a
opinião pública contra o sector público de transportes,
para mais facilmente o privatizar e entregar a grupos económicos, oculta
o facto de ser, na verdade, uma divida do Estado transferida para as empresas.
O governo PSD/CDS nos seus ataques aos trabalhadores das empresas
públicas de transportes responsabiliza-os também da
situação em que se encontram as empresas e afirma textualmente o
seguinte:
"Vamos acabar com as regalias. De forma transversal ao sector e aos
diferentes
níveis laborais"
(pág 93 do Plano Estratégico de Transportes). E para isso
pretende declarar as empresas em situação económica
difícil e suspender os contratos colectivos de trabalho. No entanto,
também aqui se esquece de dizer que o maior problema para estas empresas
não são as despesas com pessoal mas sim os incomportáveis
encargos financeiros que resultam precisamente do próprio governo violar
a lei (também o fez no OE-2012). No período 2006/2010, as
empresas públicas de transportes foram obrigadas a suportar encargos
financeiros no valor de 2.754 milhões devido ao facto do governo
não ter cumprido as obrigações que constam da
própria lei. Este valor é significativamente superior à
totalidade das despesas com pessoal destas empresas, no mesmo período,
as quais somaram 2.413 milhões , ou seja, menos 341 milhões
que o encargos financeiros deste período. E tenha-se presente que
nas despesas com pessoal estão incluídas também as
despesas com as administrações.
No Plano Estratégico de Transportes do governo PSD/CDS existem mais duas
lacunas graves que não são casuais. A primeira, são as PPP
que constituem um negócio ruinoso para o Estado, mas altamente lucrativo
para as concessionárias, porque têm sempre garantida uma receita
certa paga pelo Estado, mesmo quando as previsões de tráfego
não são alcançadas. E apesar do "Memorando do
FMI/BCE/CE"" referir, no ponto 3.18, que as PPP seriam avaliadas e,
eventualmente, renegociadas, o certo é que, com o consentimento da
própria "troika", isso tem sido sistematicamente adiado e o
governo já nem fala disso. A segunda, refere-se à necessidade de
serem assinados com as administrações destas empresas contratos
de prestação de serviço público, onde conste o
custo por lugar-km oferecido a ser atingido, o preço que os utentes
pagarão fixado pelo Estado, e a parcela que cabe ao Estado pagar
através de indemnizações compensatórias que
é uma forma de tornar o transporte mais acessível à
população, promovendo a sua utilização. Foi a
inexistência destes contratos de serviço público, criticada
pelo Tribunal de Contas, que tornou possível os actos de má
gestão que caracteriza a administração destas empresas
pelos
"boys partidários",
o que contribuiu para os elevados prejuízos apresentados.
|
Durante vários anos, e nomeadamente na legislatura 2005/2009 em que
participamos todos os anos, na Assembleia da República, no debate do
Orçamento do Estado, sempre nos opusemos e denunciamos a politica errada
de transportes do governo, a qual inevitavelmente acabaria por determinar
consequências graves para o país e para os portugueses como
está a acontecer. Essa política traduzia-se pela
promoção quer do transporte rodoviário em prejuízo
do transporte ferroviário e marítimo, quer do transporte
individual em prejuízo de transporte colectivo público. A face
mais visível e mais desastrosa dessa politica errada foi a
multiplicação da construção de auto-estradas (AE),
com elevados e seguros lucros para as grandes empresas de
construção civil, que transformou Portugal num dos países
da UE com maior número de quilómetros de AE/100.000 habitantes,
cujos custos insuportáveis os portugueses já estão a
sentir duramente. Esta política provocou uma profunda
distorção em todo o sistema de transportes nacional com custos
elevados em termos de dependência energética (mais de 40% da
energia primária importada é gasta no transporte
rodoviário), de poluição, e de custos para os
contribuintes e para os utilizadores dessas auto-estradas. O Plano
Estratégico de Transportes do governo PSD/CDS não resolve nenhum
desses graves problemas; até os agrava, com custos elevadíssimos
para o país e para os portugueses como a análise desse Plano
revela.
O PLANO DE TRANSPORTES DO PSD/CDS NÃO PROMOVE O TRANSPORTE COLECTIVO,
ATÉ O DESINCENTIVA, E VISA APENAS PREPARAR AS EMPRESAS PÚBLICAS
PARA A PRIVATIZAÇÃO
Um dos problemas mais graves que enfrentam as empresas públicas de
transportes, com efeitos na sua sustentabilidade financeira, é a
reduzida utilização do transporte colectivo público em
Portugal, como consequência da politica dos sucessivos governos de
promoção do transporte individual rodoviário. O quadro 1,
construído com dados do Plano Estratégico de Transportes (PET),
mostra a elevada subutilização da oferta de transporte das
diferentes empresas.
QUADRO 1 Oferta e procura de transportes das empresas públicas em
2010
|
EMPRESAS
|
Oferta Transporte
Milhões lugares.km
|
Procura Transporte
Milhões passageiros.km
|
DIFERENÇA entre Oferta e Procura
Milhões lugares.km não utilizados
|
Quota utilizada da oferta de transportes
|
|
Carris
|
3.276
|
795
|
2.481
|
24,3%
|
|
Metro Lisboa
|
4.673
|
866
|
3.807
|
18,5%
|
|
STCP (Porto)
|
2.607
|
389
|
2.218
|
14,9%
|
|
Metro Porto
|
1.464
|
267
|
1.197
|
18,2%
|
|
Transtejo/Soflusa
|
544
|
182
|
362
|
33,5%
|
|
CP
|
14.103
|
3.718
|
10.385
|
26,4%
|
|
SOMA
|
26.667
|
6.217
|
20.450
|
23,3%
|
Fonte: Plano Estratégico de Transportes -Setembro 2011
Ministério da Economia e do Emprego
Em média, apenas 23,3% da oferta de transportes das empresas Carris,
Metro de Lisboa e do Porto, STCP, Transtejo, Soflusa e CP é utilizada o
que, como é fácil de concluir, para além de criar
problemas graves em termos de sustentabilidade financeira a estas empresas
também acarreta elevadíssimos custos para o país, porque
está associado a utilização intensa do transporte
individual rodoviário, que é um transporte caro, altamente
poluente e gerador de forte dependência externa relativa a fontes de
energia esgotável. Perante uma situação com esta gravidade
seria de esperar que um Plano Estratégico de Transportes contivesse
medidas para inverter esta situação e mesmo para a resolver. Ora
o Plano Estratégico de Transportes do governo PSD/CDS ignora totalmente
este grave problema e as soluções nele contidas apontam na
direcção oposta, desincentivando mesmo a utilização
do transporte de passageiros público. Os sucessivos e
elevadíssimos aumentos dos preços dos transportes decididos por
este governo, a redução da oferta de transportes, assim como a
suspensão de todos investimentos na rede e na modernização
do material de transporte mostram que o objectivo do governo não
é promover a utilização intensa do transporte colectivo,
nomeadamente o público, mas sim tornar as empresas públicas
"apetecíveis" ao capital privado para depois a sua
gestão e exploração ser entregue a grupos
económicos privados. Mas as medidas com esse objectivo não se
limitam a estas.
O ABSURDO DE UMA POLITICA DE TRANSPORTES COLECTIVOS PÚBLICOS ASSENTE EM
TARIFÁRIOS QUE CUBRAM A TOTALIDADE DOS CUSTOS COMO PRETENDE O GOVERNO
PSD/CDS
No ponto 4.5 da Resolução do Conselho de Ministros que aprovou o
PET, em relação à política de preços pode-se
ler o seguinte:
"Tarifário: adequação dos tarifários ao custo
efectivo do serviço prestado e aos valores médios
equiparáveis europeus, ajustados pela paridade de poder de compra",
ou seja, os preços pagos pelos utentes devem suportar a
totalidade dos custos e ainda por cima devem ser equiparáveis aos
preços médios dos países da UE sem ter em conta os baixos
salários pagos em Portugal cuja diferença não é, na
sua totalidade, compensada pela paridade do poder de compra. É evidente
que este governo, cego pela ideologia neoliberal, não compreende o que
deve ser uma politica que, por um lado, promova o transporte colectivo de
passageiros e, por outro lado, torne este transporte acessível a todos
os portugueses, garantindo a todos idênticas condições de
mobilidade, em que as indemnizações compensatórias, na
medida que torna os transportes mais acessíveis para a
população, são um instrumento importante de
promoção do transporte público colectivo. O objectivo
é garantir, no futuro, lucros aos privados.
Para se poder compreender o carácter absurdo desta politica
tarifária interessa recordar a tendência que se tem verificado em
Portugal na utilização dos diferentes modos de transporte. E
embora ainda não estejam disponíveis os dados relativos a 2011,
no entanto é de prever que a situação actual ainda seja
mais grave do que a revelada pelos dados do quadro 2.
Quadro 2- Evolução do peso dos diferentes modos de transporte
utilizados pela população no seu movimento pendular diário
nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto entre 1991 e 2001
|
MODOS DE TRANSPORTE UTILIZADOS
|
AM LISBOA
|
AM PORTO
|
|
1991
|
2001
|
1991
|
2001
|
|
TRANSPORTE COLECTIVO
|
|
Autocarro, eléctrico, Metro
|
36,0%
|
25,0%
|
35,0%
|
23,0%
|
|
Comboio
|
10,0%
|
10,0%
|
2,0%
|
2,0%
|
|
Transporte colectivo empresa/escola
|
5,0%
|
2,0%
|
5,0%
|
3,0%
|
|
SUBTOTAL - Colectivo
|
51,0%
|
37,0%
|
42,0%
|
28,0%
|
|
TRANSPORTE INDIVIDUAL
|
|
Automóvel ligeiro como condutor
|
20,0%
|
39,0%
|
18,0%
|
42,0%
|
|
Automóvel ligeiro como passageiro
|
4,0%
|
5,0%
|
5,0%
|
7,0%
|
|
SUBTOTAL - Automóvel
|
24,0%
|
44,0%
|
23,0%
|
49,0%
|
|
Motociclo ou bicicleta
|
2,0%
|
1,0%
|
7,0%
|
3,0%
|
|
A pé
|
21,0%
|
16,0%
|
27,0%
|
19,0%
|
|
Outro
|
2,0%
|
2,0%
|
1,0%
|
1,0%
|
|
SUBTOTAL
|
25,0%
|
19,0%
|
35,0%
|
23,0%
|
|
TOTAL
|
100,0%
|
100,0%
|
100,0%
|
100,0%
|
Fonte: INE, Movimentos Pendulares AM Lisboa e AM Porto 2003
Os dados oficiais do INE revelam uma perda acentuada do peso do transporte
colectivo em benefício do transporte individual entre 1991 e 2001, com
custos sociais e económicos para o País extremamente elevados.
Assim, em 1991, em cada 100 pessoas que se deslocavam na AM de Lisboa, 51
utilizavam o transporte colectivo; e na AM do Porto 42. Em 2001, na AM de
Lisboa esse número já tinha baixado para 37 e na AM do Porto era
apenas 28 em cada 100. Em contrapartida, a importância do transporte
automóvel ligeiro aumentou significativamente. Assim, em 1991, em cada
100 pessoas que se deslocavam na AM de Lisboa, 24 utilizavam automóvel
ligeiro, e na AM do Porto 23 utilizavam também automóvel ligeiro.
Em 2001, na AM de Lisboa esse número já tinha aumentado para 44 e
na AM do Porto para 49 por cada 100.A perda de importância do transporte
colectivo em Portugal é grave, ainda mais num país com escassos
recursos e onde a qualidade de vida dos trabalhadores é a mais baixa dos
países da União Europeia dos 15 países.
É evidente que a politica tarifária que o governo PSD/CDS
já começou a por em prática com consequências graves
para os portugueses, com o objectivo de preparar estas empresas para uma
2ª fase, a implementar ainda em 2012, que é a
privatização da sua gestão e exploração
assegurando aos privados elevados lucros, só poderá afastar mais
portugueses do transporte colectivo público, promovendo assim o
transporte rodoviário individual com elevados custos para o país
e para os utentes. O único factor que contrabalança é o
aumento das dificuldades que enfrentam as famílias, o que dificultando a
utilização do transporte individual que é caro,
poderá também afastá-las do transporte publico devido ao
aumento incomportável dos preços.
O ENDIVIDAMENTO DAS EMPRESAS PÚBLICAS DE TRANSPORTES PROVOCADO PELO
GOVERNO POR AS TER UTILIZADO PARA REDUZIR O DÉFICE ORÇAMENTAL
Como o próprio governo PSD/CDS é obrigado a reconhecer,
"a divida histórica das empresas do SEE de transportes
públicos terrestres resulta, em parte, da concretização de
projectos de investimento da responsabilidade do Estado"
(pág. 45 do Plano Estratégico de Transportes) o que
obrigou as empresas, pelo facto do Estado se ter recusado a financiar como
constava da própria lei e por não possuírem meios
financeiros próprios, a endividarem-se fortemente como revela o
gráfico1.
Em 2010, a divida das empresas públicas de transportes atingia 16.700
milhões . Este elevado montante de divida resultava do facto de o
governo se recusar a cumprir a Lei de Bases do Sistema de Transportes
Terrestres que, como o próprio governo PSD/CDS referia, dispunha que
"O Investimento necessário à construção de
infra-estruturas, enquanto bens e activos do domínio público,
é uma responsabilidade do Estado"
(pág. 43 do Plano Estratégico de Transportes). Para isso o
Estado cobra todos os anos o Imposto sobre Veículos e sobre Produtos
Petrolíferos arrecadando um volume muito grande de receitas como revelam
os dados do quadro 3.
Quadro 3 Receitas do Imposto sobre Produtos Petrolíferos e sobre
Veículos no período 2009-2012
|
IMPOSTOS
|
2009
Milhões
|
2010
Milhões
|
2011
Milhões
|
2012
Milhões
|
TOTAL
Milhões
|
|
ISP
|
2.434
|
2.423
|
2.321
|
2.276
|
9.454
|
|
IA /ISV
|
693
|
797
|
692
|
744
|
2.926
|
|
SOMA
|
3.128
|
3.220
|
3.013
|
3.020
|
12.381
|
Fonte: Relatórios do Orçamento do Estado: 2009-2012 -
Ministério das Finanças
Só entre 2009 e 2012 o Estado arrecadará 12.381 milhões
de impostos que incidem sobre veículos e produtos
petrolíferos que, em princípio, deviam ser utilizados para
construir e fazer a manutenção das infra-estruturas de
transportes. E estes valores ainda não incluem o IVA cobrado sobre
veículos assim como o imposto de circulação que reverte
para as Autarquias. Outro aspecto importante que revela o gráfico 1, e
que desmente o actual governo PSD/CDS, é o facto do vertiginoso
endividamento destas empresas não se ter verificado apenas com governos
PS. No período 2002/2004, em que estiveram em funções
governos PSD/CDS, com Manuela Ferreira Leite em ministra das Finanças, o
endividamento das empresas públicas de transporte também aumentou
a um ritmo significativo. A memória do PSD/CDS parece ser curta.
OS ENCARGOS FINANCEIROS PAGOS PELAS EMPRESAS PÚBLICAS DE TRANSPORTES
SÃO MUITO SUPERIORES ÀS DESPESAS COM O PESSOAL
Contrariamente à mensagem que o governo e os seus defensores nos media
tem procurado fazer passar junto da opinião pública, visando
manipular esta, as graves dificuldades financeiras que enfrentam as empresas
públicas não têm como origem as despesas com pessoal, mas
fundamentalmente os encargos financeiros incomportáveis causados pelos
sucessivos governos com objectivo de transferir uma parcela importante dos
défices orçamentais para estas empresas, como prova o quadro 4
construído com dados constantes dos seus Relatórios e Contas.
Quadro 4 Encargos Financeiros e Despesas com Pessoal das empresas
públicas dos transportes no período 2006-2010
|
EMPRESAS
|
ENCARGOS FINANCEIROS
Milhões
|
DESPESAS COM PESSOAL
Milhões
|
|
2006
|
2007
|
2008
|
2009
|
2010
|
TOTAL
|
2006
|
2007
|
2008
|
2009
|
2010
|
TOTAL
|
|
REFER
|
195
|
228
|
262
|
174
|
183
|
1.042
|
93
|
86
|
92
|
99
|
95
|
465
|
|
CP
|
89
|
128
|
148
|
137
|
164
|
666
|
140
|
134
|
141
|
192
|
191
|
798
|
|
CARRIS
|
20
|
26
|
34
|
42
|
43
|
164
|
101
|
88
|
72
|
81
|
84
|
426
|
|
Metro do Porto
|
42
|
62
|
69
|
60
|
108
|
341
|
6
|
6
|
6
|
6
|
6
|
30
|
|
STCP
|
8
|
11
|
26
|
10
|
28
|
83
|
40
|
38
|
39
|
41
|
40
|
198
|
|
Transtejo/Softlusa
|
3
|
3
|
5
|
5
|
6
|
21
|
14
|
14
|
14
|
14
|
14
|
70
|
|
Metro de Lisboa
|
70
|
72
|
83
|
101
|
110
|
436
|
83
|
89
|
81
|
88
|
88
|
427
|
|
TOTAL
|
427
|
530
|
627
|
529
|
642
|
2.754
|
477
|
455
|
444
|
520
|
517
|
2.413
|
Fonte: Relatórios e Contas: 2006-2010
Só no período 2006/2010, as empresas públicas de
transportes foram obrigadas a suportar encargos financeiros no valor de 2.754
milhões devido ao facto de o governo não ter cumprido as
obrigações que constam da própria lei. Este valor é
bastante superior à totalidade das despesas com pessoal destas empresas
no mesmo período, que somaram 2.413 milhões , ou seja,
menos 341 milhões que o encargos financeiros deste
período. E tenha-se presente que nas despesas com pessoal estão
incluídas também as despesas com as administrações
destas empresas.
O PLANO ESTRATÉGICO DE TRANSPORTES DO GOVERNO PSD/CDS IGNORA A
NECESSIDADE DE REVER RAPIDAMENTE AS PPP QUE É ACTUALMENTE O CANCRO DO
SECTOR DOS TRANSPORTES
No Plano Estratégico de Transportes do governo PSD/CDS existem
também duas lacunas graves que não são casuais, e dizemos
que não casuais porque elas mexem com os interesses dos grupos
económicos e dos "boys" partidários. A primeira
refere-se à necessidade de rever os contratos das Parcerias
Públicas Privadas (PPP) que são um negócio altamente
lucrativo para os grupos económicos, mas ruinoso para o Estado. O
segundo, refere-se à necessidade de serem assinados com as
administrações destas empresas contratos de
prestação de serviço público, onde conste o custo
médio por lugar.km destas empresas, o preço que pagarão os
utentes, fixado pelo Estado, e qual a parcela que caberá ao Estado pagar
através de indemnizações compensatórias. Foi
precisamente a inexistência destes contratos de serviço
público, apontado várias vezes pelo Tribunal de Contas, que
tornou possível os inúmeros actos de má gestão que
tem caracterizado a gestão das administrações
partidárias nomeadas pelos sucessivos governos, contribuindo
também para os elevados prejuízos apresentados por estas empresas.
As PPP têm constituído um negócio ruinoso para o Estado,
mas altamente lucrativo para as concessionárias, sendo uma das mais
importantes a Mota-Engil, porque têm sempre garantida uma receita certa
mesmo que as previsões de tráfego não sejam
alcançadas ou quando se verifica uma quebra acentuada no tráfego,
como actualmente sucede. E isto porque existe um anexo que o governo PSD/CDS se
tem recusado a divulgar (é confidencial para proteger os interesses dos
grupos económicos), que contém as chamadas "Tarifas
diárias de disponibilidade" (o contrato e aditamentos estão
já disponíveis em
http://www.dgtf.pt/parcerias-publico-privadas/lista-ppp-e-concessoes
). E, embora não se conheça o conteúdo desse anexo, no
entanto a base deve ser a seguinte: se o tráfego diário previsto
(e é diário por beneficiar mais o concessionário)
não for atingido o Estado garante uma receita correspondente a esse
tráfego, assegurando assim um lucro certo ao concessionário. Na
maioria dos casos esse valor de tráfego previsto nunca é
alcançado. O próprio Plano Estratégico de Transportes
refere-se a dois casos, o do Metro Sul Tejo, em que a previsão de
procura era de 88 milhões de passageiros km por ano, e só
transportou 33% daquele valor; e o do Metro do Mondego, em que a
previsão era de 65.000 passageiros dia útil valor que não
foi alcançado. A mesma situação se verifica em
relação a esmagadora maioria das PPP rodoviárias, ou seja,
em relação às concessões feitas a grupos
económicos da exploração gestão das auto-estradas.
É evidente, que isto está a causar um elevado custo para os
contribuintes, pois o Estado continua a financiar os lucros desses grupos
económicos, facto este que o governo procura ocultar, ficando muito
menos para pagar as infra-estruturas e as indemnizações
compensatórias às empresas de públicas de transporte para
assim promover o transporte colectivo público, e contribuir para reduzir
o défice externo e o endividamento do país. Apesar do
"Memorando do FMI/BCE/CE" referir, no ponto 3.18, que as PPP seriam
avaliadas e, eventualmente, renegociadas, o certo é que, com o acordo da
própria "troika", isso tem sido sucessivamente adiado e o
governo já nem fala disso. Mais uma vez os lucros são protegidos
em prejuízo de quem trabalha.
27/Janeiro/2012
Economista,
[*]
edr2@netcabo.pt
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
.
|