Lucros privados, financiamento público
No período 2001/2016, o Orçamento do Estado financiou o
ensino privado com 4.406 milhões de euros
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Milhões |
| 2001 | 223,6 |
| 2002 | 230,2 |
| 2003 (E) | 250,0 |
| 2004 (E) | 275,0 |
| 2005 | 306,0 |
| 2006 | 322,7 |
| 2007 | 313,6 |
| 2008 | 334,1 |
| 2009 | 353,1 |
| 2010 | 362,0 |
| 2011 | 268,9 |
| 2012 | 253,0 |
| 2013 | 238,0 |
| 2014 | 240,0 |
| 2015 | 239,9 |
| 2016 | 254,3 |
| SOMA | 4.464,4 |
No período 2001- 2016, o Orçamento do Estado financiou o ensino
básico e secundário privado lucrativo com 4.464,4 milhões
, o que serviu para corroer a escola pública por duas
razões. Em primeiro lugar, porque centenas de milhões
foram retirados ao Orçamento do Estado destinados à
Educação ficando menos para as escolas públicas, onde
estão mais de 1,2 milhões de crianças portuguesas; em
segundo lugar, porque, para que as escolas privadas tivessem alunos, ficaram
escolas públicas sem alunos muitas delas a curta distância das
privadas financiadas com dinheiros públicos, tendo o orçamento do
Estado de continuar a suportar os seus custos fixos (por ex., salas não
utilizadas). Para o Estado e para os contribuintes significa a
duplicação de custos.
Apesar de toda a campanha de manipulação em curso, em 2016, com o
atual governo PS, o financiamento público das escolas privadas
até aumentou (entre 2015 e 2016, passou de 239,9 milhões
para 254,3 milhões ), mas apesar disso as exigências dos
grupos privados da educação não diminuíram. O que
os preocupa é manter indefinidamente um negócio altamente
lucrativo financiado com o dinheiro dos impostos dos portugueses.
O CUSTO POR ALUNO NO ENSINO PRIVADO FINANCIADO PELO ESTADO É SUPERIOR AO
CUSTO POR ALUNO NO ENSINO PÚBLICO
Em 2012, o Tribunal de Contas realizou uma auditoria ao ensino básico e
secundário com o objetivo de apurar o custo por aluno. Do
relatório de auditoria (Relatório 31/2012), retiramos três
quadros para reflexão do leitor Comecemos pelo custo por aluno pago pelo
Estado no ensino privado (básico e secundário) que tem como base
os chamados contratos de associação, agora tão referidos
nos principais media que têm feito uma campanha de
manipulação da opinião pública em defesa do ensino
privado financiado pelo Estado com os impostos pagos pelos portugueses
(basta ver a cobertura que dão às suas ações, a
ausência de contraditório nas suas peças
jornalísticas, e o "esquecimento" que a liberdade de escolha
não deve ser feita/paga com dinheiro dos contribuintes).
No quadro seguintes constam os pagamentos feitos a escolas do
ensino básico e secundário privado
em 2009/2010
Embora seja de leitura difícil, o quadro que consta do relatório
de auditoria do Tribunal de Contas (ver pág. 47) revela que, no ano
letivo 2009/2010,
o Estado despendeu com o
financiamento do ensino básico e secundário privado 239.156.793
euros, e que significou um custo por aluno de 4.522
. Portanto,
52.887 alunos tiveram acesso a escolas privadas pagas pelo Estado
, ou seja, com os impostos pagos pelos portugueses.
Observemos agora o quadro seguinte também constante do Relatório
de Auditoria do Tribunal de Contas, mas referente ao
ensino básico e secundário público 2009/2010
Nas escolas públicas do ensino básico e secundário estavam
, no ano letivo 2009/2010,
1.289.599 alunos
, o que significava que os alunos em escolas privadas, mas financiados com
dinheiros públicos, correspondiam apenas a 4,1% dos alunos das escolas
públicas, e não a percentagem que o grupos privados pretendem
fazer crer. E
o custo por aluno era de 3.890. Mesmo adicionado o "
acréscimo dos custos do EAE, do pessoal não docente financiado
através dos contratos execução do FSM e da exclusão
do desporto escolar"
que consta da 59 do Relatório, e que é de 524,76 por aluno
para o ensino básico e secundário, o custo final que se
obtém 4.415,45 - era um valor inferior ao custo
médio por aluno que o Estado estava a pagar no ensino básico e
secundário privado
como confirma também o quadro seguinte também constante do
Relatório de Auditoria 31/2012 do Tribunal de Contas
Estes dados do Tribunal de Contas são suficientes para que o leitor
possa ficar a saber por que razão os privados querem o financiamento
público pago pelos portugueses pois é um negócio altamente
lucrativo:
ao certo pago pelo Estado podem ainda juntar o que os pais eventualmente pagarem
.