As eleições de 2/12/2015 para a Associação
Mutualista Montepio Geral
por Eugénio Rosa
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Votaram apenas 12% dos 440 mil associados com direito a voto.
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Entre 2012 e 2013, o número de votantes diminui em 31%.
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A lista de Tomás Correia perdeu 38,7% dos votos que havia obtido em
2012.
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A dispersão de votos por cinco listas e os cargos de inerência
permitem à
Lista A
obter 83% mandatos (19) com apenas 58,7% dos votos.
Entre 2012 e 2015, o número de associados que votaram sofreu uma quebra
significativa pois passou de 74.965 para apenas 51.629 (-31%). E isto apesar
de, entre 2012 e 2015, o numero de associados ter aumentado de 534 mil para 640
mil (+106 mil). Em 2015, apenas 12 associados em cada 100 com direito a voto
exercerem o seu direito a votar. Tal evolução mostra, por um
lado, os obstáculos que o atual conselho de administração
da Associação Mutualista, que concorreu novamente às
eleições como Lista A, criou à
informação/esclarecimento e mobilização dos
associados pelas listas concorrentes e ao exercício do direito a votar
e, por outro lado, a marginalização dos associados feita pela
atual administração assim como a gestão desastrosa que
levou muitos associados a perderem a confiança que tinham no Montepio
distanciando-se da atividade mutualista.
O TRATAMENTO DESIGUAL DAS DIFERENTES LISTAS E AS DIFICULDADES CRIADAS AOS
ASSOCIADOS EM RELAÇÃO AO EXERCÍCIO DO DIREITO AO VOTO
Esta quebra significativa na votação resulta, entre outras
razões, das dificuldades criadas às diferentes listas
à exceção da Lista A pela atual
administração e pela comissão eleitoral dominada por
membros da Lista A. Como o presidente atual da Associação
Mutualista era simultaneamente candidato a presidente do conselho de
administração pela Lista A, ele têve acesso à base
de dados dos associados que inclui, para além do numero e nome de
associado,
a morada, o telefone e o email
. Estes dados, com exceção do número e nome de associado,
não foram cedidos às outras listas. E a comissão eleitoral
dominada pelos elementos da Lista A
(a mesa da assembleia geral que dirigia a comissão eleitoral, era
constituída por pessoas que se candidatavam na Lista A)
não tomou qualquer medida para controlar a utilização da
base de dados da Associação Mutualista por parte da Lista A.
A juntar a tudo isto, a mesa da assembleia-geral, cujos membros eram candidatos
da Lista A, decidiu encurtar o período eleitoral numa semana. Em 2012,
as eleições tiveram lugar em 7 de Dezembro. Em 2015, em 2 de
Dezembro. Este facto, associado aos obstáculos criados às
diferentes listas com exceção da A ao
esclarecimento dos associados, e devido também ao mau funcionamento dos
correios como consequência da privatização dos CTT
(em muitos locais, a entrega do correio deixou de se fazer diariamente e passou
a ser feita apenas de 2 em 2 dias ou mais)
impediu que muitos associados votassem atempadamente
(apenas foram considerados validos os votos que chegaram ao Montepio, Rua do
Ouro em Lisboa, até às 18 horas do dia 2 de Dezembro).
Se acrescentarmos a tudo isto a gestão desastrosa de Tomás
Correia que fez muitos associados perderem a confiança no Montepio assim
como a marginalização dos associados levada a cabo pela
administração de Tomás Correia
(a maioria dos associados nem foi informado da realização das
assembleias que tiveram lugar neste período)
explica-se, a nosso ver, esta quebra significativa de votação
fruto da desmobilização deliberadamente criada.
A LISTA A DE TOMÁS CORREIA PERDEU 79% (-18.497 votos) DA
REDUÇÃO TOTAL DA VOTAÇÃO VERIFICADA ENTRE 2012 E
2015 (-23.336 votos)
O quadro mostra a votação para o conselho geral do Montepio em
2012 e em 2015.
Entre 2012 e 2015, a votação na Lista A de Tomás Correia
diminui de 63,7% para 56,7%. A Lista A perdeu 18.497 votos, que corresponde a
79,3% da redução de votos verificada entre 2012 e 2015. A Lista C
perdeu 9.204 votos, metade da quebra registada na Lista de Tomás
Correia, e a Lista de Luis Albuquerque (Lista B em 2012 e Lista E em 2015)
perdeu 8.760 votos tendo obtido este ano apenas 1.526 votos. A Lista B e E
não obtiveram qualquer mandato verificando-se que a sua
existência, ao causar uma elevada dispersão dos votos, favoreceu
objetivamente a Lista A de Tomás Correia que, apesar de ter sofrido uma
importante derrota traduzida numa significativa redução de
votos, manteve o mesmo número de mandatos que tinha obtido em 2012 (8
elementos eleitos).
A LISTA A DE TOMÁS CORREIA OBTEVE 56,7% DOS VOTOS MAS TEM 82,6% DOS
CARGOS EXISTENTES NOS ÓRGÃOS O QUE DISTORCE A VONTADE DOS
ASSOCIADOS
Outra conclusão que se tira dos dados da votação é
o seguinte: apesar da votação na Lista de Tomás Correia
ter diminuído de 63,7% para 56,7%, o número de membros da Lista A
no conselho geral é 19, o que corresponde a 82,6% dos membros deste
órgão. Tal situação resulta do facto de que 11
lugares do conselho geral serem ocupados, por inerência, pelos membros do
conselho de administração, da mesa da assembleia geral, e do
conselho fiscal. Assim, os membros da Lista A de Tomás Correia, que
obteve apenas 56,7% dos votos, tem 30 cargos (85,7%) do total de 35 cargos dos
órgãos sociais da Associação Mutualista. Para
além disto distorcer a expressão democrática da vontade
dos associados, cria situação anómala com efeitos
perversos. O conselho geral, embora tendo poderes muito reduzidos, é o
único órgão que nos intervalos das assembleias gerais pode
fiscalizar a atividade do conselho de administração. No entanto,
os membros do conselho de administração são, por
inerência, membros do conselho geral. A pergunta que se coloca é
esta: Como é que um órgão pode fiscalizar outro
órgão que está no seu próprio seio?. É por
esta razão que tínhamos tomado o compromisso, se
tivéssemos sido eleitos, de alterar os Estatutos para introduzir o
método proporcional de d´Hondt na eleição de todos os
órgãos do Montepio e para acabar com os cargos de
inerência. Tomas Correia não vai fazer isso, pois assim ele
sente-se
"Dono de Todo o Montepio".
A VOTAÇÃO PARA OS RESTANTES ÓRGÃOS DO MONTEPIO EM
2012 E EM 2015
O quadro seguinte mostra os resultados da votação para a mesa da
assembleia geral, para o conselho de administração e para o
conselho fiscal da Associação Mutualista
Portanto, para os restantes órgãos sociais da
Associação Mutualista também se verificou uma quebra
importante na votação, tendo sido a Lista A de Tomás
Coreia a que perdeu mais votos (25.066 votos). A dispersão de votos, e o
sistema de eleição não proporcional distorce aqui a
expressão da vontade democrática dos associados. É por
esta razão que nos tínhamos comprometido, se tivéssemos
sido eleitos, a apresentar aos associados uma proposta de
alteração dos Estatutos visando eliminar estas
distorções à democracia
VAMOS CONTINUAR NO MONTEPIO A DEFENDER O MUTUALISMO E AS POUPANÇAS DOS
ASSOCIADOS
Apesar de não termos sido eleitos para a Associação
Mutualista, como já havíamos sido eleitos para o conselho geral
de supervisão da Caixa Económica até 2018 (nº 4 do
artº 40º dos Estatutos), vamos continuar na Caixa Económica,
onde estão 92% dos 4.000 milhões de poupanças que
os associados têm na Associação Mutualista, a fiscalizar a
atividade do conselho de administração com o objetivo de garantir
a segurança das poupanças dos associados. E como qualquer outro
associado a intervir na vida do Montepio e a defender o mutualismo. Os
associados poderão continuar a contar comigo na defesa dos seus
direitos, dos seus interesses e das suas poupanças, mais
necessário que nunca devido à continuação de
Tomás Correia.
Um obrigado muito grande àqueles que confiaram e votaram na LISTA C.
04/Dezembro/2015
Este artigo encontra-se em
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