Intervenção na Assembleia-geral (ordinária) do Montepio
Geral Associação Mutualista, em 30/3/2017
Estiveram presentes 1.418 associados (0,22% do total de 632 mil)
Associadas e associados
O Montepio enfrenta uma situação difícil. É
necessário haver serenidade mas é também muito
necessário falar com verdade aos associados. A cortina de mentiras que a
administração tem envolvido a gestão do Montepio tem que
ser afastada para se poder ficar a conhecer a verdadeira
situação, pois só assim é que poderemos, em
conjunto, resolver os problemas que enfrentamos.
Desde 2012, tenho alertado os associados para os atos de má
gestão. Muitos, na altura, não acreditaram nos meus alertas, mas
as consequências estão agora à vista para todos.
Tomás Correia tem procurado desvalorizar a importância das contas
consolidadas com o objetivo de assim ocultar aos associados as
consequências da sua gestão desastrosa
. Chegou mesmo a recusar cumprir a lei que o obrigava a publicá-las,
durante mais de um ano, perante a passividade do supervisor que nada fez. E as
contas consolidadas são fundamentais para os associados conhecerem a
verdadeira situação do Montepio. Num grupo, como é o
Montepio, com mais de 20 empresas, é fácil, tal como sucedeu, no
BES/GES, fazer aparecer lucros numa empresa à custa de prejuízos
em outras empresas. Só através da conta consolidada da
MG-Associação Mutualista, como entidade-mãe, é que
são anuladas estas transações entre as empresas do mesmo
grupo e então a verdadeira situação da
Associação Mutualista torna-se clara.
A SITUAÇÃO DA CAIXA ECONÓMICA-MONTEPIO GERAL DURANTE O
TEMPO DA ADMINISTRAÇÃO DE TOMÁS CORREIA SEGUNDO DADOS DOS
RELATÓRIOS E CONTAS
Uma das empresas mais importantes do grupo Montepio, onde está a maior
parcela dos fundos da Associação Mutualista (mais de 80%),
é a Caixa Económica por isso a sua recuperação
é fundamental para todos os associados, daí também o meu
grande empenhamento em defendê-la.
Em 2011, a Associação Mutualista lançou uma OPA sobre o
FINIBANCO tendo pago 341 milhões , montante esse que depois se
revelou ser bastante superior ao seu verdadeiro valor. Eu votei contra esta
aquisição. Em 2012, a Associação Mutualista
recapitalizou a Caixa Económica com 450 milhões , e esta
"comprou" depois o FINIBANCO à Associação
Mutualista.
Esta absorção do FINIBANCO pela Caixa Económica-Montepio,
associada à gestão desastrosa da administração de
Tomás Correia, querendo-a transformar num banco de empresas, e
nomeadamente de grandes empresas, e ainda por cima em período de crise
económica e de intervenção da "troika", foi
desastrosa para o Montepio.
Entre 2012 e 2015, com a administração de Tomás Correia
segundo os Relatórios e Contas
-
A Caixa Económica registou 1.253 milhões de imparidades
pelo mau credito concedido, sendo as imparidades totais atingido 1600
milhões se incluirmos os outros ativos;
-
A Caixa Económica abateu (teve de abater) ao ativo do seu
Balanço 1.074 milhões de credito por se ter
concluído que não seria recebido;
-
A Caixa Económica acumulou, neste período, 718 milhões
de prejuízos.
Para cobrir esta enorme destruição de valor, a
Associação Mutualista teve de recapitalizar a Caixa
Económica com 720 milhões , para além dos
450 milhões que teve também de entrar para a compra do
FINIBANCO.
No fim 2015, a administração de Tomás Correia
responsável por este ciclo de prejuízos foi afastada e
substituída por um novo conselho de administração, e por
um conselho de supervisão que fiscaliza efetivamente o conselho de
administração, o que não acontecia com o anterior onde a
maioria era submissa a Tomás Correia e não competente, daí
também a razão (não a única) dos elevados
prejuízos.
Com a entrada em funções de uma nova administração
e de um novo conselho de supervisão, a estratégia da Caixa
Económica-Montepio Geral foi alterada, voltando ao seu ADN original
(banco de credito à habitação, às famílias,
às PMEs e às instituições da área social, e
não às empresas e, nomeadamente, às grandes empresas como
pretendia a administração de Tomás Correia).
Em 2016, como consequência desta nova estratégia, os
prejuízos da Caixa Económica já foram cerca de 1/3 dos
verificados em 2015, último ano da administração de
Tomás Correia, e prevê-se que, em 2017, apresente já
resultados positivos, mas só no fim de ano é que se terá a
certeza pois a herança deixada pela anterior administração
ainda pesa muito e o ambiente económico para o negócio
bancário ainda é muito difícil e está ainda muito
deprimido.
Esta inversão na politica de gestão da Caixa Económica,
portanto para uma gestão mais cautelosa e prudente, associada à
segurança do Fundo de Garantia de Depósitos que, à
semelhança do que acontece com qualquer banco, também se aplica
à Caixa Económica, é que pode garantir segurança
aos associados e clientes,
A SITUAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO MUTUALISTA COM A
ADMINISTRAÇÃO DE TOMÁS CORREIA SEGUNDO DADOS DOS
RELATÓRIOS E CONTAS CONSOLIDADAS
Nos três últimos anos (2013-2015) em que já foram
divulgadas contas consolidadas
(faltam as de 2016),
a Associação Mutualista acumulou 754 milhões de
prejuízos.
Entre 2012 e 2015, os Capitais Próprios Totais, que é a
diferença entre o ATIVO e o PASSIVO, da Associação
Mutualista, diminuíram de 883,7 milhões para apenas 29,9
milhões , ou seja, perdeu-se 853,8 milhões , o que
é preocupante.
Se limitarmos a análise àquilo que apenas pertence à
Associação Mutualista, a redução dos Capitais
Próprios, no mesmo período, foi de 870,8 milhões
positivos para 107,5 milhões negativos como informou a KPMG, que
é a empresa auditora, o que é ainda mais preocupante
Contrariamente ao que afirmou alguma comunicação social a
Associação Mutualista não estava falida no fim de 2015,
pois nessa data o seu Ativo era ainda superior ao seu Passivo em 29,9
milhões , o que estava era consideravelmente debilitada,
Quem sofreu também com toda esta má gestão da
administração de Tomás Correia foram os trabalhadores do
Montepio que têm as suas remunerações congeladas desde 2010
e a sua idade de acesso à reforma foi aumentada, e os associados cujas
poupanças tiveram rentabilidades irrisórias ou nulas, e o
Montepio que viu a confiança que depositavam nele os portugueses
degradar-se. É importante que não se esqueçam disto, e
não se deixem seduzir pelas palavras de Tomás Correia que tenta
branquear e fazer esquecer tudo isto.
É PRECISO QUE A ADMINISTRAÇÃO DE TOMÁS CORREIA SEJA
AFASTADADO MONTEPIO
Muitos associados têm-me perguntado se é possível recuperar
a Associação Mutualista da enorme destruição de
valor que sofreu e que provamos anteriormente? A minha resposta é
afirmativa, mas não com a administração de Tomás
Correia.
O atual presidente, pela destruição de valor e de
confiança que já causou ao Montepio, pela sua cegueira e falta de
competência que já deu provas, e pelo facto de ser arguido em
vários processos, NÃO É A PESSOA CAPAZ E ADEQUADA PARA
INSPIRAR CONFIANÇA AOS ASSOCIADOS E PARA RECUPERAR O MONTEPIO.
Penso que seria um ato de dignidade da sua parte, ele próprio se
demitir, e afastar-se do Montepio para poupar a este um maior desgaste e
destruição de valor e confiança.
A QUESTÃO QUE COLOCO AOS ASSOCIADOS PARA REFLEXÃO É ESTA:
Deve continuar como presidente do Montepio Geral-Associação
Mutualista uma pessoa que tem já quatro processos levantados pelas
autoridades, sendo UM deles por não ter acautelado devidamente os
interesses da Caixa Económica e, consequentemente, dos associados,
concedendo um elevado empréstimo ao BES/GES quando já era
conhecida a sua situação e OUTRO, como os jornais noticiaram
novamente hoje, e transcrevendo o que foi escrito
"um processo em que é suspeito de receber indevidamente 1,5
milhões de euros do empresário da construção civil
José Guilherme?
CABE AOS ASSOCIADOS, AOS SUPERVISORES E AO GOVERNO DECIDIREM.
Mas o que é importante é que ninguém no futuro,
incluindo supervisores, possa dizer que não sabia e que não foi
alertado atempadamente.
[*]
Economista, candidato a presidente da Associação Mutualista pela
Lista C nas últimas eleições do Montepio
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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