A situação do Grupo Montepio
O comunicado de Carlos Tavares e Pedro Leitão
Anúncio da "redução" de 600 a 900
trabalhadores e de 77 agências do Banco Montepio
Depois deste anuncio e das razões da redução tão
grande de trabalhadores e agências é já evidente para toda
a gente as consequências da gestão ruinosa das
administrações de Tomás Correia. Este deixou uma pesada
herança de destruição de valor e de créditos de
difícil cobrança que, durante anos. Muitos não acreditavam
nisso, apesar de alertamos associados, trabalhadores, supervisores e o governo
desde 2013 no entanto, nada fizeram para evitar. Para além disso
é também clara, a incapacidade da atual
administração para dar a volta à situação
herdada, assim como a passividade e falta de iniciativa do acionista
(a administração da Associação Mutualista)
para encontrar uma solução para a atual situação.
Ela parece estar à espera de um milagre que nunca chegará
QUANDO OS MEDIA DIZEM QUE O BCP SE OFERECEU PARA "ENGOLIR" O BANCO
MONTEPIO É NECESSÁRIO LEMBRAR AS RESPONSABILIDADES DOS
SUPERVISORES E DO GOVERNO NA SUA SITUAÇÃO ATUAL
Em primeiro lugar, pois a memória é muitas vezes curta, é
preciso ter a coragem de dizer (lembrar) que se a Caixa Económica
(CEMG), agora Banco Montepio, e a Associação Mutualista chegaram
à situação difícil em que se encontram isso
também se deve à ausência de intervenção dos
supervisores e do governo. Apesar de alertados, eles permitiram a Tomás
Correia fazer o que quisesse com as poupanças dos associados e
não só com elas.
Até 2014, o Banco de Portugal permitiu que existisse
no Montepio um claro conflito de interesses: o presidente do Conselho de
Administração da Associação Mutualista,
Tomás Correia, era simultaneamente também presidente da Caixa
Económica
(os restantes membros do conselho de administração da AMMG
também eram da CEMG)
o que permitiu que as poupanças dos associados fossem utilizadas para
recapitalizar a CEMG quando foi necessário devido a créditos
ruinosos concedidos pela administração de Tomás Correia
muitos deles sem qualquer análise rigorosa de risco
(parte significativa da pesada herança, ainda com consequências na
situação atual do Banco Montepio, resulta desse período,
que uma auditoria confirmaria).
Mesmo depois de Tomás Correia ser afastado pelo Banco de Portugal de
presidente da Caixa Economica, o Banco de Portugal, embora mais interventivo
permitiu, para minha surpresa e de muita gente, que Tomás Correia
alterasse profundamente a estrutura de governo do banco, passando de um
estrutura dualista para uma monista. Além disso, permitiu que
substituísse um conselho de administração o
presidido por Félix Morgado e um conselho geral de
supervisão que funcionavam efetiva e articuladamente, e que estavam a
recuperar, embora lentamente, a CEMG devido à pesada herança
deixada por Tomás Correia, por um novo conselho de
administração cuja atuação e consequências
estão à vista.
Para além disso, é preciso também lembrar que o
próprio governo permitiu que Tomás Correia violasse impune e
sistematicamente a lei das Associações Mutualistas. O nº 2
do artº 56º do Decreto-Lei 72/90, que transitou para a alínea
f) do nº1 do artº 67º do Decreto-Lei 59/2018, dispõe
que
"O conjunto das obrigações, das ações, dos
títulos de participação ou de outros títulos
negociáveis de dívida ou fundos consignados de uma única
empresa ou sociedade não podem, em caso algum, representar mais de 10%
do ativo de uma
associação mutualista".
Competia ao Ministério do Trabalho, da Solidariedade e da
Segurança que era e é a entidade que supervisiona a
Associação Mutualista fazer cumprir a lei. No entanto, fechou os
olhos e deixou que ela fosse sistematicamente violada pela
administração de Tomás Correia. Para concluir isso basta
ter presente o seguinte. O Ativo Total da Associação Mutualista
era, em 2019, de 3.455,6 milhões
(e este valor inclui 833 milhões de Ativos por impostos diferidos,
que são ativos fictícios)
mas a Associação Mutualista tem investido no Capital Social do
Banco Montepio 2.420 milhões , o que corresponde a 70% do seu
Ativo, ou seja, sete vezes mais do que o permitido por lei
(sem os Ativos por impostos diferidos aquela percentagem sobe para 92%).
Portanto o risco de tão elevada concentração numa
única empresa é enorme
(uma parcela importante daqueles 2.420 milhões aplicados pela
Associação Mutualista no Banco Montepio já desapareceram
devido a uma gestão ruinosa, pois os Capitais Próprios do Banco
no fim do 1º semestre de 2020 estavam reduzidos apenas a 1.359
milhões , ou seja mais de 1000 milhões tinham sido
delapidados fundamentalmente pela gestão ruinosa das
Administrações de Tomás Correia).
Mesmo depois de a ASF passar a ser também entidade supervisora a
Associação Mutualista investiu em divida subordinada do Banco
Montepio cerca de 180 milhões , para o recapitalizar, divida esta
que envolve também risco. É importante recordar tudo isto neste
momento, para que fique claro a responsabilidade dos supervisores e do governo
na situação atual do grupo Montepio, nomeadamente da
Associação Mutualista e do Banco Montepio, e que não sejam
os associados a pagar com as suas poupanças as consequências das
falhas de supervisão e do facto de o governo não ter feito
cumprir a lei. E também não devem ser os trabalhadores do Banco
Montepio a pagarem toda este descontrolo com a perda do seu emprego, agora
ameaçado pelo
"programa multi-dimensional e plurianual"
anunciado pelo atual conselho de administração.
O governo e os supervisores têm grandes responsabilidades na
situação atual do grupo Montepio (AMMG e BM), têm de
assumir as suas responsabilidades e têm, por isso, de contribuir para que
se encontre uma solução para resolver os graves problemas que
enfrenta atualmente o Montepio, e não podem, à semelhança
de Pilatos, lavar as mãos e deixar que sejam os associados e os
trabalhadores a suportar as consequências de uma situação
que resulta também aqui de uma falha grave de supervisão efetiva
e da falta de intervenção atempada do governo para fazer cumprir
a lei . E não podem dizer que não foram alertados para isso na
altura devida. Disso posso ser testemunha.
SOBRE O ANÚNCIO DA "REDUÇÃO" DE 600 A 900
TRABALHADORES E DE 77 AGÊNCIAS DO BANCO MONTEPIO FEITO NUM COMUNICADO AOS
TRABALHADORES POR CARLOS TAVARES E PEDRO LEITÃO
A situação das empresas do grupo Montepio
(é nelas que estão aplicadas a maior parte das poupanças
dos associados daí a sua importância)
e da Associação Mutualista não melhorou em 2020. Os
prejuízos apresentados pelo Banco Montepio no 1º semestre de .2020,
o mais importante ativo que garante as poupanças dos associados,
são um indicador claro que a situação não é
boa, mas os supervisores, governo e acionista mantêm-se passivos e cegos
e nada fazem. Toda esta situação tende-se a agravar mais com o
tempo devido à crise causada pelo COVID, o que tornará mais
difícil e cara a recuperação.
Recentemente assistiu-se a mais um insólito episódio no Banco
Montepio que desacreditou os seus autores, gerou desconfiança e afetou a
reputação do banco. A administração apresentou
às empresas de rating e ao supervisor um
"programa multi-dimensional e plurianual"
que, na prática, substitui o dispendioso "Plano de
transformação" da mesma administração, onde
prevê a redução entre 600 a 900 trabalhadores e o fecho 77
agências, mas escondeu essa intenção durante muito tempo,
negando mesmo aos trabalhadores e aos restantes associados, que só
souberam dela, em 1ª mão, pelos jornais. O faltar à verdade
é incompatível com a ética mutualista, assim como é
incompatível com os princípios mutualistas tomar decisões
desta natureza e com tais implicações nas costas dos associados e
dos trabalhadores que são também associados.
Os trabalhadores não poderão ser aqueles que têm de pagar
os erros, incompetências e incapacidades das
administrações. Sou frontalmente contra isso. Que fique clara a
minha posição.
Perante a incapacidade que a atual administração tem revelado
para aumentar o negócio bancário, até porque praticamente
toda ela não tem experiencia de banca comercial como é o Banco
Montepio
(mais uma herança de Tomas Correia a que o Banco de Portugal não
teve a coragem de se opor),
ela pensa que pela via da redução dos custos, ou seja,
diminuindo drasticamente o numero de trabalhadores e de agências,
conseguirão recuperar o banco já que são incapazes de
aumentar o negócio bancário através de uma gestão
capaz e eficiente.
É um caminho ilusório que pretendem seguir que só pode
levar a transformação do Banco Montepio numa "caixinha
económica" que rapidamente seria engolida por um grande banco
(o BCP já se disponibilizou para isso)
a preço de saldo com consequências graves para as poupanças
dos associados, cujos capitais depositados na Associação
Mutualista sofreriam grandes cortes e para muitos trabalhadores do Banco
Montepio que seriam certamente despedidos por redundantes.
SOBRE A SITUAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO MUTUALISTA MONTEPIO
GERAL
Em 2019, a Associação Mutualista teve um prejuízo de 408,8
milhões
(nossa "Informação 2/2020 aos associados").
E isto porque teve de constituir imparidades
(custos)
no montante de 377,5 milhões , impostas pelo novo auditor
a PwC- para compensar a destruição das poupanças dos
associados no Banco Montepio causada fundamentalmente pela gestão
ruinosa das administrações de Tomás Correia. O Banco
Montepio estava registado nas contas da Associação Mutualista
como valesse 1.877 milhões , quando os Capitais Próprios do
banco
(diferença entre o ATIVO e o PASSIVO)
eram, no fim de 2019, apenas de 1.452 milhões , ou seja, valia na
contabilidade do banco menos 425 milhões do que estava registado
nas contas da Associação Mutualista
(no fim do 1ºsem.2020 ainda valia menos).
Se deduzirmos ao "Ativo" da Associação Mutualista os
"ativos por impostos diferidos",
que não são ativos reais
(são ativos fictícios)
pois não servem nem para pagar dividas a credores nem para reembolsar
os associados das suas poupanças, conclui-se que
o Ativo da Associação Mutualista
(que inclui tudo que ela possui ou tem a receber)
é já inferior ao seu Passivo
(tudo aquilo que deve, incluindo as poupanças e rendimentos destas aos
associados)
em 453 milhões , o que não garante o reembolso da
totalidade dos 3.000 milhões de poupanças que os
associados têm aplicados na Associação.
E no 1º sem.2020, a Associação Mutualista melhorou um pouco
(teve um excedente de 8,5 milhões ),
o que é positivo, embora com pouco impacto para recuperar o que
perdeu com a administração ruinosa de Tomás Correia. O
grupo Montepio precisa de uma administração capaz, que não
tem, e do apoio do governo para gerar confiança e ter tempo para
recuperar o enorme valor que foi destruído pela gestão ruinosa
das administrações de Tomás Correia.
A Associação Mutualista necessita de uma
administração baseada numa unidade alargada dos associados para
salvar o Montepio, que não existe na atual, pois a atual ainda foi
escolhida por Tomás Correia.
E também precisa que se tomem medidas adequadas, e que não se
esperem por milagres que não existem. O que se verifica é que a
administração da AMMG é incapaz disso e de impor uma
gestão competente nas empresas do Montepio e de exigir responsabilidades
e tomar medidas face ao incumprimento sistemático do
"Funding and Capital Plan"
do Banco Montepio e dos planos de negócio do banco e do das
outras empresas do grupo Montepio.
O BANCO MONTEPIO, QUE É O PRINCIPAL ATIVO DA ASSOCIAÇÃO
MUTUALISTA PARA GARANTIR AS POUPANÇAS DOS ASSOCIADOS, TEVE UM PREJUIZO
DE 51,3 MILHÕES NO 1º SEM. 2020 COM PEDRO LEITÃO
O quadro 1, com dados da Demonstração de Resultados do Banco
Montepio, mostra os resultados obtidos pelo banco com as
administrações de Tomás Correia, de Félix Morgado,
de Carlos Tavares e de Pedro Leitão.
Os principais dados das Demonstrações de Resultados do Banco
Montepio referente ao período que vai de Dezembro de 2015
(administração de Tomás Correia)
a Junho de 2020
(já com Pedro Leitão como presidente da Comissão Executiva)
revelam que o banco não está a conseguir recuperar da grave
situação deixada pela gestão ruinosa das
administrações de Tomás Correia, tendo-se mesmo agravado a
situação no 1º sem.2020 com a gestão de Pedro
Leitão, de que é prova os elevados prejuízos verificados.
A
Margem financeira,
que resulta da atividade por excelência de um banco como é do
Banco Montepio, que é a intermediação
(captação de depósitos e concessão de
crédito),
não tem aumentado, pelo contrário até tem tendência
de estagnação ou mesmo diminuído. A Margem Financeira
desde 2017
(último ano da administração de Félix Morgado)
tem sempre diminuído
(em 2020, no 1º semestre foi apenas de 114,7 milhões , o que
extrapolando para o ano obtém-se 229,4 milhões , um valor
inferior ao de 2019 que foi 237 milhões ).
E estes valores só têm sido obtidos à custa dos
depositantes, cujas taxas de juros pagas pelos seus depósitos têm
sido reduzidas drasticamente para valores próximos de zero. No 1º
sem.2020, as receitas do Banco Montepio resultantes das comissões
cobradas atingiram 146 milhões , enquanto as taxas pagas aos
depositantes, apesar de ser com os seus depósitos que se concedeu a
maioria do crédito, somou apenas de 32 milhões , ou seja,
4,5 vezes menos. E para além disso tiveram de pagar uma parte
importantes das
comissões
(no Banco Montepio, as comissões líquidas, portanto depois de
deduzidas as pagas, atingiram 56,1 milhões no 1º sem.2020).
Todos os bancos, e não apenas o Banco Montepio, têm funcionado
à custa de uma sobre exploração dos depositantes. E isto
porque os juros irrisórios que estes recebem pelos seus depósitos
são insuficientes para cobrar as múltiplas comissões
criadas pela banca para arrecadar receitas.
O
Produto bancário,
que está para a banca como o Valor acrescentado está para as
empresas, que tinha aumentado significativamente em 2017 com a
administração de Félix Morgado (505M), diminuiu no
1º ano da administração de Carlos Tavares verificando-se, no
entanto, uma recuperação no 2º ano (2019). No entanto, os
dados do 1º semestre de 2020 indiciam uma quebra importante
(extrapolando para o ano obtém-se apenas 338 milhões o que
é muito preocupante, pois em 2019 foi de 429 milhões , ou
seja, a concretizar-se aquela estimativa registar-se-á em 2020 uma
quebra que atingirá 21,2%, o que confirmaria o agravamento da
situação do banco).
O
cost-to- income,
que se obtém dividindo os "Custos operacionais pelo Produto
bancário", que é um dos indicadores mais importantes
utilizados na banca para avaliar a qualidade da gestão e solidez do
banco, registou no fim do 1º semestre de 2020 um aumento extremamente
preocupante e insustentável
entre Março e Junho de 2020, subiu de 59,6% para 75,5%
o que reforça a ideia de que a atual administração
executiva do banco não consegue trilhar o caminho da
recuperação do banco. E esta percentagem de
cost-to-income
(75,5%) pode levá-la a pensar que a solução para o
banco está na redução brutal dos custos, fechando dezenas
de balcões e despedindo centenas de trabalhadores, que é a
solução fácil para os gestores, mas seria o
suicídio do banco que ficaria com falta de dimensão.
Um outro aspeto preocupante é o aumento significativo das
imparidades
no 2º Trimestre de 2020. Em 2020, até março tinham sido
constituídas 36,4 milhões , sendo 30,4 milhões
referentes a créditos concedidos. No fim de junho, o total de
imparidades constituídas subiu para 122,2 milhões
(3,3 vezes mais do que até março),
sendo 109,4 milhões imparidades de crédito. E isto
apesar na informação referente ao 1º semestre, de o Banco
Montepio informar ter concedido "34.000 moratórias
(no valor de 3.000 milhões )
20.500 das quais foram concedidas a 20.500 famílias 13.500
empresas". Portanto, quando a moratória terminar é de prever
que a constituição de imparidades disparará devido ao
incumprimento de famílias que perderam rendimentos ou de empresas que
faliram ou estão numa situação muito difícil.
Como consequência de tudo isto, e também sendo um indicador claro
da evolução da situação negativa do banco, os
RESULTADOS LIQUIDOS
passaram, entre março e junho de 2020, de +5,4 milhões
(positivos)
para -51,3 milhões
(negativos).
Contrariamente ao que afirma o presidente do conselho de
administração da Associação Mutualista, o que prova
que ele está enganado embora persista no erro, o Banco Montepio é
incapaz de criar capital interno pela via dos lucros para se recapitalizar;
pelo contrário o que se tem verificado é uma continua
destruição dos reduzidos e insuficientes Capitais próprios.
O CRÉDITO CONCEDIDO É INSUFICIENTE PARA RECUPERAR O BANCO
MONTEPIO, O RACIO DE TRANSFORMAÇÃO É BAIXO E INFERIOR A
100%, E A DESTRUIÇÃO DOS CAPITAIS PRÓPRIOS CONTINUA
O Balanço de um banco dá uma fotografia dele num determinado ano,
e se for de vários anos permite obter uma visão quantificada da
sua evolução ao longo dos anos. É precisamente esse o
objetivo do quadro 2 onde constam os dados mais importantes dos balanços
do Banco Montepio do período 2015/2020, e com base do qual se fica com a
ideia clara da sua evolução e do tipo de gestão e dos
resultados conseguidos pelos diferentes conselhos de
administração em funções ao longo dos anos.
Entre dez.2015 e jun.2020, as
aplicações em títulos aumentaram,
representando, em junho de 2020,
18,6% do Ativo
líquido total, certamente um dos rácios mais elevados em toda a
banca em Portugal. E isto quando tais aplicações envolvem risco
elevado
(risco de taxa de juro, de taxa de câmbio, etc)
e não se enquadrarem nas características e na atividade
core
do Banco Montepio, que não é um banco de investimento nem
de especulação. E tal situação torna-se ainda mais
insólita quando se constata que,
no 2º trim.2020, com Pedro Leitão, o crédito líquido
aumentou apenas 27 milhões , mas as aplicações em
títulos cresceram 193 milhões , ou seja, sete vezes mais.
É claro haver uma distorção na missão e nos
objetivos do Banco Montepio.
A segunda constatação que se tira da análise dos
balanços, é a
diminuição significativa da carteira de crédito e a perda
de quota de mercado, apenas interrompida em 2020, com uma ligeira e
insuficiente recuperação.
Entre Dez.2015 e Dez.2019, a carteira de credito liquido do Banco Montepio
diminuiu de 14.662 milhões para 11.465 milhões , ou
seja, sofreu uma redução de 3.197 milhões
(-21,8%),
tendo-se registado no 1º sem.2020 um ligeiro aumento de 99 milhões
(+0,7%).
E o Banco Montepio sem aumento do negócio bancário não
recupera, nem assim recupera mais de mil milhões de
poupanças dos associados destruídos fundamentalmente pela
gestão ruinosa das administrações de Tomás Correia,
nem cria capital interno para se poder auto-recapitalizar. Para agravar tudo
isto, e apesar dos elevados montantes de carteiras de créditos vendidas
a grupos financeiros que depois as recuperaram com um lucro que se estima entre
20% a 30%, o que significa que o BM perde isso, e do elevado credito abatido ao
ativo,
em jun.2020, o Banco Montepio ainda tinha 11,9% de NPE, o que corresponde a
1.497 milhões de créditos improdutivos. E pouco se tem
feito para o recuperar.
O
Rácio de transformação,
que se obtém dividindo o crédito líquido pelos
depósitos alcançou, em junho de 2020, o seu valor mais baixo,
apenas 93%, o que significa que, por cada 100 de depósitos que o
Banco capta apenas concede 93 de crédito, o que revela
ineficiência e incapacidade de gestão
Um aspeto positivo a valorizar é o
rácio de liquidez
(LCR), que resulta da estabilidade dos depósitos dos clientes no Banco
Montepio. Entre dez.2015 e jun.2020 diminuíram apenas em 547
milhões , verificando-se uma ligeira recuperação de
122 milhões no 2º trim.2020. Esta evolução na
liquidez determina que o rácio de liquidez
(LCR)
do banco
(179,9% em 31/12/2019)
seja muito superior ao exigido pelo Banco de Portugal
A destruição dos Capitais próprios do Banco Montepio
continua.
Entre dez.2019 e jun.2020, os Capitais próprios do banco
diminuíram de 1.452 milhões para 1.359 milhões
, ou seja, sofreram uma redução de 93 milhões .
O capital social do Banco Montepio é de 2.400 milhões
como consta do balanço, cerca de 99,9% são poupanças e
rendimentos dos associados que foram investidos no banco. Como em jun.2020 os
seus Capitais próprios eram 1.359 milhões , isto significa
que foram destruídos por uma gestão desastrosa 1.041
milhões . Esta é a realidade que é escondida aos
associados
Esta destruição enorme dos Capitais próprios do Banco
Montepio tem
duas consequências graves.
A primeira, é a redução dos rácios de capital
como vamos mostrar, o que reduz e limita drasticamente a capacidade do Banco
Montepio para conceder crédito. A segunda, é o seu efeito na
Associação Mutualista. Após a constituição
de 377,5 milhões de imparidades em 2019, o Banco Montepio
encontra-se valorizado nas contas da Associação Mutualista por
1.511 milhões . Mas de acordo com as contas do banco ele vale
apenas 1.359 milhões , ou seja, menos 152 milhões .
Para que o valor que está nas contas da Associação
Mutualista fosse igual ao que consta das contas do Banco Montepio tinha-se de
constituir mais 152 milhões de imparidades na
Associação Mutualista, o que determinaria o aumento dos
prejuízos desta (AMMG) nesse montante.
A REDUÇÃO DOS RACIOS DE CAPITAL, DE BALCÕES E DE
TRABALHADORES DO BANCO MONTEPIO EM 2015/2020
O quadro 1 mostra o que tem acontecido em áreas importantes no Banco
Montepio nos últimos anos
Como revela o quadro 1, os rácios de capital diminuem desde dez.2018
(CET1: de 13,5% para 11,5%; Rácio total de 14,1% para 13,5%),
o que é preocupante pois limita a concessão de crédito e
o negócio bancário. E a situação não
é ainda mais grave devido a flexibilização dos
rácios mínimos de capital permitida pelos supervisores devido ao
"coronavírus", pois se isso não fosse permitido o Banco
Montepio seria obrigado a recapitalizar-se novamente sem que a
Associação Mutualista o pudesse fazer. O aspeto positivo,
é o elevado rácio de liquidez (179,9% em dez.2019) muito superior
ao exigido pelo Banco de Portugal (110%).
O banco tem liquidez, mas não tem capital para poder conceder mais
crédito.
A agravar tudo isto, em jun.2020, o Banco Montepio ainda tinha
créditos improdutivos (NPE) no montante de 1.497 milhões .
A redução, entre 2015 e 2020, do número de trabalhadores
(286) e de balcões (123) mostra que não é pela
redução de trabalhadores e balcões que o BM
conseguirá recuperar a enorme destruição que sofreu com a
gestão de Tomás Correia.
É uma "receita" que já mostrou a sua ineficácia.
A FALSA SOLUÇÃO DE RESOLVER A INSUFICIÊNCIA DE CAPITAIS
PELA REDUÇÃO DRÁSTICA DOS CUSTOS, FECHANDO BALCÕES
E DESPEDINDO TRABALHADORES, E A INCAPACIDADE DA GESTÃO
Desde 2013, que
CEMG/Banco Montepio (BM)
não transfere um cêntimo de dividendos para
Associação Mutualista, apesar desta ter aplicado no banco 2.375
milhões que não tem rendido nada; pelo contrário,
uma parte desse capital dos associados foi delapidado, e desapareceu, por uma
gestão ruinosa. E em 2020 está a acontecer o mesmo, como os
resultados do 1º semestre revelam.
A rentabilização das poupanças dos associados aplicadas no
banco tem sido nula, e mesmo o seu capital tem sido delapidado
(mais 1.000 milhões desapareceram).
Mas não é só o Banco Montepio que não tem gerado
rendimentos para Associação Mutualista. As empresas de seguros,
que depois da banca é o setor em que a Associação
Mutualista investiu mais
(desde 2014, mais de 200 milhões ),
os resultados líquidos na
Lusitânia SA (não vida)
foram mais uma vez desanimadores em 2019 (6,2 milhões de
prejuízos em 2019). Apenas se tem salvado a
Lusitânia Vida , que continuou a apresentar lucros (
+5,1M em 2019) mas não suficientes para compensaram a
Associação Mutualista dos prejuízos da outra da
Lusitânia SA. Se não fosse a Lusitânia vida a
situação seria mais grave.
Nos últimos anos, os resultados dos investimentos da
Associação Mutualista têm sido ruinosos para os associados,
pois a rentabilidade tem sido praticamente nula e uma parcela das
poupanças desapareceram.
É face a esta incapacidade para inverter a situação que
surge o chamado "
programa multi-dimensional e plurianual
" do Banco Montepio que visa o despedimento de cerca de 900 trabalhadores
e o fecho de 77 agências, o que, a concretizar-se, reduziria o banco
à irrelevância, pois perderia a dimensão mínima para
sobreviver e seria facilmente engolido por um banco de maior a preço de
saldo.
A necessidade de obter o apoio do governo para gerar confiança e de
encontrar um parceiro da mesma área que o recapitalize para sair do anel
de ferro que o está a estrangular é uma necessidade urgente.
Infelizmente o acionista ainda não acordou e está num estado de
negação. O aumento do capital do Banco Montepio é vital
para que possa conceder crédito, aumentar a carteira de crédito,
sobreviver e recuperar. A criação orgânica de capital pela
via da redução drástica dos custos como a atual
administração pretende fazer é uma ilusão que
só pode levar à fragilização e
destruição do banco, e ao agravamento da situação.
O Banco Montepio precisa de mais capital para funcionar e sobreviver, e
não é capaz de criar internamente esse capital nem a
Associação Mutualista poderá recapitalizá-lo porque
não possui meios para isso e também porque não pode
aumentar o risco concentrando a aplicando mais poupanças dos associados
no banco, que já ultrapassa largamente a permitida pela lei
(esta permite 10% do valor do seu ativo, e ela já tem mais de 50%).
O Banco Montepio também precisa de uma administração
mais capaz com experiência de banca comercial que não tem.
É preciso acordar para a realidade e tomar decisões
rápidas se se quiser salvar o banco. E não é pela via da
redução drástica dos custos, como a atual
administração quer fazer, que se salva o Banco Montepio mas sim
com mais negócio bancário o que exige uma
administração com experiencia de banca comercial que esta
não tem.
Chega-se ao absurdo de querer despedir centenas de trabalhadores ao mesmo tempo
que se contratam trabalhadores com salários muito elevados,
situação essa que é fortemente comentada e criticada
internamente.
Não é assim que se resolvem os problemas do Banco Montepio.
É urgente por cobro ao desnorte reinante e à falta de
governabilidade no banco. E o atual conselho de administração do
acionista, ou seja, da Associação Mutualista já deu provas
de que é incapaz disso.
É URGENTE QUE OS ASSOCIADOS EXIJAM E PARTICIPEM NUMA MUDANÇA NO
MONTEPIO SE O QUISEREM SALVAR E DEFENDER TAMBÉM AS SUAS
POUPANÇAS. É URGENTE ELEIÇÕES PARA RENOVAR O
CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO E OS ORGÃOS SOCIAIS DA
ASSOCIAÇÃO MUTUALISTA PARA OBTER O APOIO E A CONFIANÇA DO
ASSOCIADOS E ESTABELECER RAPIDAMENTE UM DIÁLOGO CONSTRUTIVO COM O
GOVERNO, QUE O ATUAL CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA AMMG SE MOSTRA
INCAPAZ DE O FAZER.
Espero que mais uma vez os supervisores (governo; ASF e Banco de Portugal)
NÃO ADIEM DECISÕES pois já estão suficientemente
alertados e não venham depois dizer que "não sabiam". E
não se deixem enganar por todos aqueles que dizem que "tudo
está bem" e que o Montepio não necessita do apoio do governo
e de um acionista da mesma área social para o recapitalizar porque
quanto mais tempo mais difícil e cara será a
solução.
26/Setembro/2020
[*]
edr2@netcabo.pt
Este artigo encontra-se em
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.
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