Resposta a Tomás Correia
Em entrevista à revista
Sábado
o ex-presidente do Montepio Geral ataca o economista Eugénio Rosa
A referida entrevista está apenas na edição em
papel,
pgs. 30 a 37
Na longa entrevista que Tomás Correia deu à revista
Sábado
de 19/1/2017, para além do ataque pessoal que me fez, ficou claro que,
na sua cabeça, o Montepio confunde-se com ele. No BES tivemos o DTI
(Dono de Tudo Isto),
no Montepio temos o DTM
(Dono de Todo o Montepio).
Tal como o "rei Sol" em França antes da revolução
francesa que afirmava que
"L´Etat c´est moi"
("O Estado sou eu"), para Tomas Correia
"o Montepio sou eu e quem me ataca por má gestão,
ataca o Montepio".
Isto é a "lógica" de um homem que já perdeu o
senso da realidade.
Contrariamente ao que Tomás Correia afirma e é incapaz de
compreender e admitir, a minha oposição e denúncia sempre
foi e é à sua gestão desastrosa e megalómana que
levou o Montepio à situação atual. E faço isso com
base em factos e dados que ele não consegue refutar porque é
incapaz de o fazer. E os factos são os seguintes.
A administração de Tomás Correia enquanto esteve na Caixa
Económica até ser afastada em 2015 praticou, num contexto de
crise económica o que agravou as consequências, uma politica de
concessão de credito a empresas de alto risco que não acautelou
os interesses da Associação Mutualista
o que, entre 2011 e 2015, determinou grandes perdas de crédito que
obrigou a constituição de 1.400 milhões de
imparidades, a que se somaram mais 371 milhões de perdas em maus
investimentos, tendo acumulado 673 milhões de prejuízos
(resultados líquidos negativos).
Mesmo depois de ter sido afastado da administração da Caixa
Económica o mau credito e os maus investimentos que deixou na Caixa
Económica ainda produziram em 2016 mais 130 milhões de
imparidades (perdas) que determinaram que a Caixa Económica apresentasse
mais 67 milhões de prejuízos.
Para fazer face a esta elevada destruição de valor e à OPA
sobre o grupo FINIBANCO, adquirido por um valor que se revelou depois estar
claramente sobreavaliado e que fragilizou o Montepio, a
Associação Mutualista teve de recapitalizar, desde 2011, a Caixa
Económica cinco vezes com poupanças dos associados, num total de
1.170 milhões . E os associados e os clientes do Montepio foram
iludidos, em 2013, a aplicar mais 200 milhões em Unidades de
Participação que agora valem 41% do que pagaram. No fim de 2010,
os Capitais Próprios da Caixa Económica eram 995,5 milhões
. Se somarmos as recapitalizações 1.370
milhões dá 2.365,5 milhões que
são os Capitais Próprios que deviam existir. Mas a Caixa
Económica tem neste momento 1.545,4 milhões de Capitais
Próprios, o que significa que a administração de
Tomás Correia destruiu 820,1 milhões de Capitais
Próprios que pertenciam à Associação Mutualista, ou
seja, aos associados. Se Tomás Correia não tivesse sido afastado
da Caixa Económica em 2015, esta dificilmente aguentaria mais tempo a
continuação da sua gestão desastrosa ainda por cima num
contexto de crise económica e de crescimento anémico que agrava
os seus efeitos. Com o seu afastamento, e com a entrada de uma nova
administração, a estratégia foi invertida, voltando a
Caixa Económica ao seu ADN original, e apesar dos maus créditos
deixados por Tomás Correia, já no 3º Trim.2016 a Caixa
Económica não teve prejuízos e prevê-se que termine
2016 com o mesmo montante de prejuízos que teve no 1º semestre de
2016.
Não deixa de ser descaramento e grave irresponsabilidade que
Tomás Correia procure na entrevista afetar a
reputação do Montepio ao lançar a dúvida sobre a
recuperação da Caixa Económica e sobre a nova
administração que interrompeu o ciclo de prejuízos que a
Caixa teve enquanto ele foi presidente e que está a procurar resolver a
pesada herança deixada pela sua administração
Na Associação Mutualista, onde Tomás Correia continua como
presidente, a situação é difícil.
As contas consolidadas, que são aquelas que dão a verdadeira
situação da Associação pois integram os resultados
das 16 empresas em que é acionista única ou tem uma
posição dominante, apresentaram, em 2013, prejuízos de 319
milhões ; em 2014, novamente prejuízos no montante de 182
milhões e, em 2015, estima-se que os prejuízos tenham
atingido 243 milhões . Em três anos, a
administração presidida por Tomás Correia acumulou 744
milhões de prejuízos na Associação
Mutualista, o que determinou a delapidação dos seus Capitais
Próprios
(diferença entre o ATIVO e o PASSIVO)
que, entre 2012 e 2015, passaram de 883 milhões para apenas
cerca de 30 milhões , portanto desapareceram 853 milhões
. É certamente por esta razão que Tomás Correia e a
sua administração se recusam em divulgar as contas consolidadas
de 2015 em clara violação da lei
(Decreto-Lei 159/2009 e Decreto-Lei 36-A/2011).
E em 2016, é de prever mais prejuízos. Infelizmente, apesar dos
inúmeros alertas que tenho feito, continua sem que sejam tomadas medidas
adequadas para inverter o ciclo de prejuízos que se tem verificado na
Lusitânia SA, que é a companhia de seguros não vida, o que
tem obrigado a Associação Mutualista a fazer sucessivas
recapitalizações para garantir os rácios de
solvência.
É a esta gestão desastrosa da administração
presidida por Tomás Correia que levou o Montepio à
situação em que se encontra, que destruiu valor de centenas de
milhões e delapidou uma parte do património de
confiança que o Montepio tinha na sociedade portuguesa que me tenho
oposto e denunciado. Tomás Correia tem o desplante de afirmar que nunca
me ameaçou. Para Tomás Correia não há
diferença entre a verdade e a mentira.
Foi-me entregue oficialmente, a mim e aos outros membros, um parecer pedido e
pago pelo Montepio a um conhecido escritório de advogados com o objetivo
de me pôr um processo em tribunal. O objetivo era
"quebrar-me"
como ele me chegou a dizer. Em várias reuniões do conselho ele e
os seus apoiantes incluíam um ponto
"O Montepio e os órgãos de comunicação"
que servia para me atacarem.
E tudo isto apenas por eu informar os associados que as poupanças que
tinham na Associação Mutualista não estavam garantidas por
um Fundo de garantia de depósitos como acontecia nos bancos e
também na Caixa Económica; que a administração de
Tomás Correia estava a utilizar as suas poupanças para cobrir os
enormes prejuízos que a sua gestão estava a causar nas empresas;
que mais de 80% das suas poupanças estavam aplicadas numa única
entidade, o que era um risco elevado, e contrariava as boas práticas de
gestão; e que as aplicações em Unidades de
Participação não eram um investimento seguro, pois nem o
capital nem o rendimento eram garantidos como a experiencia amargamente provou.
Tomás Correia na entrevista que deu ataca tudo e todos, e refere-se
à incompetência de alguns candidatos das listas que se lhe
opuseram nas últimas eleições. Critica um dos elementos da
lista adversária (não a minha) por ter sido administrativo no
Montepio, quando ele próprio também foi administrativo na CGD e
não tem qualquer formação académica superior na
área de gestão e finanças. A sua incompetência nesta
área ficou clara ao afirmar que
"imparidades são reservas ocultas"
como o fez numa entrevista à TVI e em assembleias do Montepio
(talvez daí a sua incapacidade para compreender que elas determinam
prejuízos)
bem como pelos maus resultados da sua má gestão.
A administração de Tomás Correia vai ficar na
história do Montepio como a pior de sempre,
pois foi aquela que causou maior destruição de valor no
Montepio, e destruiu parte do património de confiança que o
Montepio gozava na sociedade portuguesa e também aquela que, devido a
uma gestão desastrosa e megalómana, obrigou a Caixa
Económica a transformar-se numa Sociedade Anónima, abrindo assim
a porta à sua futura privatização. Tomas Correia é
um problema para o Montepio, é um problema para a segurança dos
associados, é certamente o maior problema atual do Montepio, até
porque agora anda na
"boca do mundo"
pelas piores razões, afetando a reputação do Montepio.
Será que está tão cego e que ainda não percebeu
isso? É altura de se afastar para a bem do Montepio e da
segurança das poupanças dos associados. É
necessário que o supervisor e os associados exijam a
publicação das contas consolidadas de 2015 da
Associação Mutualista, para se conhecer a verdadeira
situação da Associação e, se existirem
razões, sejam pedidas responsabilidades nos termos do 64º do
Código das Sociedades Comerciais.
24/Janeiro/2017
Ver também:
Eugénio Rosa: "É altura de Tomás Correia se afastar do Montepio"
Ex-presidente do Montepio suspeito de receber 1,5 milhões de euros do amigo de Salgado
[*]
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