O agravamento da crise económica, financeira e de governo no Grupo
Montepio, o risco de despedimentos e a passividade dos supervisores que assim
se tornam coniventes
A crise da Associação Mutualista agrava-se perante a
passividade da ASF e do Ministério do Trabalho que andam há um
ano para decidir mas não decidem nada
O grupo Montepio é constituído por 48 empresas, em que a entidade
mãe, ou seja, aquela que financia todas as empresas, e cujos resultados
consolida (lucros e prejuízos) é a Associação
Mutualista Montepio Geral. Embora o numero de associados esteja a diminuir
todos os meses, em Agosto de 2019, ainda tinha 606 mil associados, cujas
poupanças cerca de 3.000 milhões têm
financiado todas aquelas empresas e suportado os elevados prejuízos que
elas têm acumulado ao longo de mais de 15 anos da gestão ruinosa
da administração Tomás Correia que, à
semelhança de Ricardo Salgado, se sente
"Dono de Todo o Montepio"
(DTM), impondo de uma forma prepotente, quer à
Associação Mutualista quer nas empresas do grupo, a sua vontade
(os que se atrevem a opor são marginalizados, cultivando a cultura da
submissão)
, muitas vezes em clara violação da lei
(segundo o Código das Associações mutualistas as
aplicações numa "única empresa ou sociedade
não podem, em caso algum, representar mais de 10 % do ativo de uma
associação mutualista", mas no fim de 2018 estavam
investidos no Banco Montepio 2.420 milhões , o que corresponde a
63,42% do Ativo da Associação Mutualista e a 80,7% das
poupanças que os associados têm nela e, em 2019, foram aplicados
mais 150 milhões em divida subordinada do Banco Montepio,
conforme pág.156 Relatório e Contas)
perante a passividade dos supervisores
(Ministério do Trabalho e ASF)
que nada fizeram para impedir a violação da lei.
No fim de 2018, Tomás Correia apresentou um Programa de Atividades e
Orçamento de 2019 para Associação Mutualista fantasioso,
que à semelhança dos anos anteriores, nunca é cumprido e
apenas serve para iludir quem quer ser mais uma vez enganado. Previa que o
número de associados aumentasse, entre 2018 e 2019, de 612.000 para
636.000, mas o que tem acontecido é uma diminuição de
quase 1000 associados por mês; previa também que a Margem
associativa
(diferença entre entradas e saídas de poupanças)
fosse positiva no montante de 121,3 milhões , mas nos oito
primeiros meses de 2019 a Margem associativa foi nula. A nível de
liquidez imediata, ou seja, de meios financeiros que podem ser utilizados de
imediato para reembolsar os associados, o Orçamento para 2019 previa em
"Caixa e Bancos" existirem 236,6 milhões , e a realidade
é que na data referida existiam apenas 150 milhões . E em
obrigações, que podem ser rapidamente convertidas em dinheiro,
previa 465 milhões e existiam pouco mais de 360 milhões
, estando cerca de 150 milhões aplicados em divida
subordinada do Banco Montepio não podendo ser transformados
imediatamente em dinheiro porque, se fossem resgatados iriam afetar os
rácios de capital, o que não é permitido pelo Banco de
Portugal. Assim se um número elevado de associados, como aconteceu
já no passado, quiser levantar as suas poupanças dificilmente o
conseguirá. E se retiramos ao Ativo da Associação
Mutualista os chamados "Ativos por impostos diferidos" 816
milhões que é um "ativo fictício",
o
valor do Ativo total
(aquilo que possui ou tem a receber)
da Associação Mutualista é já inferior ao seu
Passivo total, ou seja, aquilo que deve e tem de pagar. Portanto, o risco que
correm as poupanças é grande.
A juntar a tudo isto há ainda as coimas aplicadas pelo Banco de Portugal
(3,5 milhões ao Banco Montepio e 1,25 milhões
à administração de Tomás Correia)
por atos inaceitáveis serem praticados num grupo mutualista que se
devia orientar pelos princípios da transparência, de cumprimento
da lei, e de uma gestão rigorosa que defenda a reputação
do Montepio e os interesses dos associados, o que não aconteceu; e ainda
a coima de 13 milhões aplicada à Lusitânia SA
(não vida), pela Autoridade da Concorrência, por
cartelização praticada por uma administração
escolhida e da confiança de Tomás Correia. E estas coimas assim
como os custos da defesa dos administradores condenados pelo Banco de Portugal
e pela Autoridade da Concorrência, estão a ser pagos pelo Montepio
ou seja, pelos associados. Tudo isto custa dezenas de milhões ao
Montepio e aos associados e afeta a reputação do Montepio.
Tomás Correia não é digno para continuar à frente
da AMMG mas continua perante a passividade da ASF e do Ministério do
Trabalho que andam há um ano para decidir sobre a idoneidade mas
não decidem nada, e quando decidirem é já tarde.
AS POUPANÇAS DOS ASSOCIADOS APLICADOS NAS EMPRESAS DO GRUPO MONTEPIO
NÃO ESTÃO A RENDER NADA OU QUASE NADA, O QUE NÃO PERMITE
PAGAR AOS ASSOCIADOS OS RENDIMENTOS PROMETIDOS E MUITO MENOS DISTRIBUIR
BENEFICIOS
Dos 3.000 milhões (poupanças) que os associados têm
aplicado na Associação Mutualista, cerca de 2.100 milhões
, deduzindo as imparidades, estão aplicadas em empresas do grupo
Montepio. E o dramático é que essas empresas têm tido
sistematicamente prejuízos ou resultados próximos de zero, o que
não permite à Associação Mutualista remunerar os
associados pelas poupanças que têm investido na
Associação Mutualista. Uma parte dessas poupanças
já desapareceu (pelo menos as cobertas por imparidades) devido aos
prejuízos acumulados por essas empresas
(na Caixa Económica, atual Banco Montepio, a Associação
Mutualista já investiu 2.420 milhões e os Capitais
Próprios do Banco, em Jun.2019, somavam apenas 1.508,6 milhões
, o que significa que desapareceram 911,4 milhões devido
aos prejuízos acumulados; uma situação semelhante
verifica-se na Lusitânia SA (não vida) que acumulou nos
últimos sete anos 2012-2018 155,8 milhões de
prejuízos e onde a Associação Mutualista já
investiu 141 milhões a juntar aos lucros obtidos pela
Lusitânia vida que têm sido desviados para aquela empresa).
Por isso, vamos analisar de uma forma mais detalhada a
situação atual do Banco Montepio (Caixa Económica) para
mostrar o risco existente, pois ele é o ativo mais importante da
Associação Mutualista, e aquele que é a principal garantia
das poupanças e dos rendimentos dos associados.
O BANCO MONTEPIO E A QUEDA CONTINUADA DO CRÉDITO APESAR DA ELEVADA
LIQUIDEZ, A INDEFINIÇÃO A NIVEL DE GOVERNO, E O BANCO CONTINUA A
NÃO GERAR RENDIMENTOS PARA ASSOCIAÇÃO MUTUALISTA APESAR
DESTA TER INVESTIDO NELE 2.420 MILHÕES
O quadro 1 foi construído com base nas contas apresentadas pelas
administrações de Tomás Correia (2015), de José
Félix Morgado (2016 e 2017) e de Carlos Tavares (2018 e 2019)
Comecemos pela análise da
Margem Financeira
que resulta da atividade
"core"
do banco de intermediação financeira. A primeira
conclusão que se tira dos dados do quadro 1 é que ela tem
diminuído de uma forma continuada desde 2017. Entre o 1º sem.2018 e
o 1º sem.2019, diminuiu novamente pois passou de 134 milhões
para 120 milhões (-10,4%), enquanto que em 2015 e 2017, a Margem
Financeira tinha aumentado em todos os anos (+25M e +18M)
E isto apesar de se ter pago aos depositantes, pelos seus depósitos,
neste período (2015/2019), menos 300 milhões .
E mesmo se entrarmos em conta com os rendimentos de capital
(juros das elevadas aplicações em divida publica como se
mostrará mais à frente),
mesmo assim a situação não se alterou em 2019.
Portanto, o grande problema que continua a enfrentar o Banco Montepio, que
não se limita apenas ao 1º sem.2019, pois também se
verificou em anos anteriores, mas se mantém é a incapacidade para
aumentar o crédito numa conjuntura difícil, o que exigia por
parte de quem é responsável da administração pela
rede comercial uma grande experiencia, competência, e uma capacidade para
envolver e dinamizar os trabalhadores, fixando objetivos claros e utilizando
incentivos adequados, o que ainda não se verificou no Banco Montepio. Em
estudo anterior mostramos que o banco está a perder quota de mercado,
uma situação muito grave que a continuar mostra que não
está a ser capaz de aguentar a concorrência dos outros bancos o
que, a persistir, corre o risco de ser reduzido à insignificância
ou absorvido por outro banco.
O segundo proveito (rédito) que decorre da atividade "core" do
Banco são as comissões. E as
"Comissões líquidas",
entre o 1º sem.2018 e o 1º sem.2019, praticamente estagnaram.
A explicação está também no
"efeito dos menores proveitos com comissões de crédito".
Portanto, resulta do grave problema que continua a enfrentar o Banco
Montepio, e que continua por resolver, que é a incapacidade para
aumentar o crédito às famílias e à economia e que o
Banco de Empresas Montepio
não está a conseguir resolver, como iremos mostrar mais à
frente.
Como consequência da evolução negativa quer da Margem
Financeira quer das Comissões líquidas, o
"Produto bancário core",
que é a soma das duas e resulta da atividade "core" do
banco, diminuiu em 16 milhões entre o 1º sem.2018 e 1º
sem.2019
Também o
"Produto bancário",
que é um dos indicadores mais utilizados para avaliar os
resultados da atividade no setor bancário e para avaliar a sua
gestão, sofreu no Banco Montepio uma redução pois, entre
1º sem.2018 e 1º sem.2019, diminuiu de 142 milhões
para 126 milhões (-11,3%).
Os
Custos operacionais
entre o 1º sem.2018 e o 1º sem.2019, reduziram-se em 7
milhões , mas
6 milhões à custa da redução em despesas
com pessoal
, mas o que banco necessita é de mais negócio.
Como consequência, o
"Cost-To-income",
o rácio mais utilizado na banca para avaliar a eficiência
da gestão, teve, entre o 1º sem.2018 e o 1º sem.2019, uma
evolução também negativa. Calculado com base na
divisão dos Custos operacionais pelo Produto bancário, este
rácio aumentou, entre o 1º sem.2018 e o 1º sem.2019, de 66,1%
para 68,8%. E o calculado com base no "Produto bancário core"
teve um aumento semelhante (de 66,4% para 68,2%) o que é
consequência da falta de negócio.
Entre o 1º sem.2018 e o 1º sem.2019, as
imparidades totais
registam uma quebra de 12 milhões , pois passaram de 60
milhões para 47 milhões , mas a
redução nas imparidades de crédito foi muito menor (apenas
-4 milhões ).
E mesmo assim é preciso estar atento devido ao elevado montante de
créditos não produtivos (taxa NPL: 14,7%, o que corresponde a
1.849 milhões ).
Como consequência, os
Resultados operacionais
foram, no 1º sem.2019 praticamente iguais aos do 1º sem.2018, mas o
Resultado liquido
do 1º sem.2019
(4,8 milhões e não inclui a coima de 3,5M)
foi muito inferior ao do 1º sem.2018
(18,1 milhões )
em -73,5%, um indicador de que em 2019 não haverá, mais uma vez,
transferência de lucros para a Associação Mutualista, o
que significa que os associados não obterão qualquer rendimento
de cerca de 1.509 milhões que ainda existem no banco das suas
poupanças, a não ser que se utilize uma parte dinheiro de
poupanças para os pagar rendimentos.
A nível de
rácios
, interessa referir os
rácios de capital
(CET 1 e Tier 1) que, entre o 1º sem.2018 e o 1º sem.2019,
aumentaram apenas 0,5 pontos percentuais fundamentalmente à custa da
diminuição do Ativo ponderado pelo risco (RWA) que, entre
Dez.2017 e o 1º sem.2019, diminuiu de 11.875 milhões para
10.429 milhões através da venda de carteiras de
crédito muitas vezes com prejuízo, de
"write-off" (créditos abatidos ao Ativo por se consideraram
perdidos) e do
elevado montante aplicado em divida pública que, de acordo com
instruções do supervisor, é considerado um ativo sem
risco. O rácio de Capital Total aumentou, entre o 1º sem.2018 e o
1º sem.2019, de 13,6% para 15,2
%, não só pelas razões anteriores, mas também
devido à
emissão de divida subordinada a uma taxa de 10,5% no montante de 150
milhões adquirida pela Associação Mutualista com as
poupanças dos associados.
Um aspeto positivo a realçar é o
rácio de liquidez (LCR)
que, entre o 1º sem.2018 e o 1º semestre de 2019, aumentou de 160,5%
para 196,8%, um valor muito acima do exigido pelo supervisor que é 100%,
o que dá estabilidade ao banco e gera confiança, mas é
também um indicador de falta de eficiência a nível de
gestão
(existe elevada liquidez que não é aproveitada para conceder
crédito).
A CONTINUAÇÃO DA QUEDA DO CRÉDITO CONCEDIDO NO 1º
SEMESTRE DE 2019 E A INDEFINIÇÃO EXISTENTE A NIVEL DE GOVERNO E O
RISCO DE DESPEDIMENTOS NO BANCO MONTEPIO
Os dados do quadro 2, oficiais porque são dos Relatórios
publicados pela Caixa Económica Montepio Geral, agora Banco Montepio,
permitem fazer a análise do Balanço do Banco Montepio de
vários anos completando a análise anterior.
E uma das conclusões importantes que dele se tira é a continuada
e significativa queda do crédito concedido pelo banco, o que prova que o
crédito novo continua a ser insuficiente para compensar o credito
amortizado, o liquidado, o abatido e o vendido
.
A continuar poderá pôr em risco o próprio emprego dos
trabalhadores. É preciso que não se esqueça disso.
Um primeiro aspeto importante dos dados quadro 2 é a
manutenção de
elevadas aplicações no BCE e em outras instituições
de crédito,
o que revela que o Banco Montepio tem capacidade para conceder mais
crédito do que atualmente concede
(se o não faz, é porque não consegue ter a dinâmica
necessária).
Essa conclusão é reforçada pelas
enormes aplicações em títulos
3.246 milhões no 1º sem.2019 que corresponde
a 17,4% do Ativo líquido total, mais 5,6 pontos percentuais que em
dezembro-2018. É uma área que não faz parte do seu
"core business",
e que incorpora o risco da taxa de juro, visando a obtenção de
mais-valias (57 milhões foram diretamente registadas na Conta de
Capital compensando os 68,8 milhões resultantes dos
alteração dos pressupostos do Fundo de Fundo de Pensões,
em que baixou a taxa de descontos de 2,25% para 1,6%), o que está
associado a atividade especulativa de risco o que confirma também a
existência de elevados meios financeiros disponíveis não
aplicados na concessão de crédito.
Mas o que é preocupante é a
continuação da queda do crédito
concedido também no 1º sem.2019, já que o crédito
bruto, em apenas seis meses, sofreu uma redução de 500
milhões . Se consideramos o período de tempo da atual
administração (um ano e meio), já atinge 1.485
milhões (80M/mês). E redução do
crédito verifica-se em todos os segmentos como revela o quadro da
pág. 56 do Relatório do 1º sem.2019
(entre Dez.2018 e Jun.2019, a redução foi de 207 milhões
a nível de particulares, sendo -172 milhões no
crédito a habitação, e a diminuição atingiu
282 milhões no credito a empresas).
A este ritmo de queda de credito não há
instituição financeira, com a dimensão do Banco Montepio,
que resista durante muito tempo
o que põe também em risco o emprego de muitos trabalhadores. E a
situação torna-se mais incompreensível para associados e
trabalhadores quando se assiste a novas contratações de
trabalhadores no lugar de aproveitar os trabalhadores já existentes no
Banco.
O BANCO DE EMPRESAS MONTEPIO (BEM), apresentado como a solução
para esta situação grave de falta de crédito, ainda
não provou que assim o seja, pois segundo dados constantes do quadro que
se encontra na pág. 39 do mesmo relatório a
evolução do credito real liquido total do BEM não tem
atingido os objetivos esperados, sendo a seguinte: Junho de 2018: 32,8
milhões ; Dez.2018: 27,4 milhões ; Junho de 2019:
24,7 milhões , portanto reduzidos e em queda.
Um aspeto positivo são os depósitos de clientes que não
têm diminuído. Entre dez.2018 e junho de 2019 até
aumentaram de 12.566 milhões para 12.688 milhões
(+114 milhões ). No entanto, se somarmos os depósitos de
clientes às "Responsabilidades representadas por
títulos", que também são recursos de clientes com os
quais o banco
financia o seu ativo, então conclui-se que se verificou, entre dez. 2018
e jun.2019, uma diminuição pois passou de 13.660 milhões
para 13.641 milhões .
O
"rácio de transformação",
que é outro indicador da eficiência da dinâmica
comercial, e que se obtém dividindo o crédito líquido
pelos recursos de clientes, que pode servir para avaliar a eficiência de
uma administração (quanto mais baixo pior), tem diminuído
com a atual administração como revela o quadro 2. Entre Dez.2018
e Jun.2019, baixou de 96,4% para 92%. Isto significa que por cada 100 de
depósitos que o Banco Montepio obteve dos clientes, em dezembro de 2018,
concedia crédito apenas no montante de 96,4 e, em Junho de 2019,
já tinha descido a concessão de crédito para apenas
92 por cada 100 de depósitos. E se este rácio for
calculado com base nos recursos totais obtidos dos clientes
(depósitos+ títulos),
a situação ainda se revela mais grave: em dez.2018 por cada
100 de recursos totais obtidos o credito concedido foi 88,7 e, em
jun.2019, apenas 85,5. Uma parcela importante de recursos obtidos
não são rentabilizados pelo Banco Montepio através da
concessão de crédito o que revela elevada apatia e
ineficiência.
É mais uma razão para os trabalhadores estarem apreensivos e os
seus postos de trabalho em risco
Um aspeto positivo a salientar é a redução dos Ativos
ponderados pelo risco (RWA)
que são o denominador da fração utilizada para calcular
os rácios de capital. Devido às dificuldades existentes na
recapitalização do Banco Montepio face às crescentes
exigências do supervisor, a administração do banco
desenvolveu esforços para reduzir o valor dos RWA. Entre 2017 e 2018, os
Ativos ponderados pelo risco (RWA) diminuíram em 1.106 milhões
, pois passaram de 11.875 milhões para 10.769
milhões , e no 1º sem.2019 diminuíram mais 340
milhões pois passaram para 10.429 milhões - Esta
evolução é positiva pois reduz as necessidades de capital.
No entanto, isto tem também um lado negativo, já que é
também uma consequência da redução significativa da
carteira de crédito e do aumento enorme de aplicações em
títulos da divida pública que incorpora no banco o risco de
mercado e de taxa de juro, e que é associado normalmente a atividade
especulativa
(obtenção de mais valias para compensar a redução
da Margem financeira causada pela incapacidade de aumentar o credito concedido).
No período 2011/2018, como consequência da perdas a nível
do credito concedido na maioria pela administração de
Tomás Correia, praticamente sem análise de risco, e dos enormes
prejuízos causados, a Associação Mutualista foi obrigada a
recapitalizar o agora Banco Montepio, com 1.620 milhões de
poupanças dos associados (Tomás Correia ainda teve a
desfaçatez de se gabar na assembleia geral da AMMG de 28/3/2019 que
não teve de recorrer ao Estado como aconteceu com outros bancos, mas
só isso sucedeu porque utilizou as poupanças dos 607 mil
associados para cobrir as enormes perdas causadas pela sua
administração), a que se junta, em 2019, mais 76 milhões
, que praticamente não tem rendido nada nos últimos anos
à AMMG, portanto aos associados, devido aos baixíssimos
resultados obtidos pelo Banco Montepio como se verificou também em 2018
e agora em 2019. E mais recentemente teve conceder um empréstimo
subordinado face ao fracasso da emissão pública, para que o banco
pudesse cumprir o Rácio de Capital total exigido pelo supervisor.
Um aspeto preocupante revelado pelos dados do quadro 2, é a
redução do Capitais Próprios que, embora reduzida no
1º sem.2019 (-12,7 milhões ), revela a
continuação de uma tendência que se tem verificado nos
últimos anos, que mostra a incapacidade do Banco Montepio de aumentar os
seus Capitais pela via orgânica interna (lucros), o que tem obrigado a
Associação Mutualista a sucessivas recapitalizações
com as poupanças dos associados. É uma situação
insustentável, e que não pode continuar, e que resulta
também da
situação criada e agravada pela indefinição e
instabilidade que existe a nível de governo do Banco
Montepio cuja responsabilidade é de Tomás Correia e do Banco de
Portugal, de que é prova recente a demissão do presidente da
Comissão de Auditoria um dos membros mais competentes da atual
administração do banco que se recusou a ser conivente com a atual
situação.
O GOLPE DE TOMÁS CORREIA PARA SE MANTER NA AMMG ATÉ 2021 QUE
SÓ É POSSIVEL COM A CONIVENCIA E A PASSIVIDADE DOS SUPERVISORES
QUE NÃO TOMAM DECISÕES TORNANDO MAIS DIFICIL A
RECUPERAÇÃO DO MONTEPIO. A NECESSIDADE DE UMA UNIDADE ALARGADA
PARA SALVAR O MONTEPIO
Segundo o nº1 do artº 5º do novo Código das
Associações Mutualistas (DL 59/2018) de 2 de agosto de 2018
"As associações mutualistas existentes à data da
entrada em
vigor do presente decreto-lei dispõem do prazo de um ano, a contar dessa
data, para procederem às alterações dos estatutos
necessárias à sua conformidade com as normas do
Código".
E de acordo com mesmo decreto ele entra em vigor 30 dias após a sua
publicação. Portanto, em setembro de 2019 deve entrar em vigor o
novo Estatutos da Associação Mutualista. E o que fez Tomás
Correia para continuar a controlar o Montepio? Escolheu uma Comissão (a
sua) para a elaboração dos novos Estatutos a apresentar na
Assembleia de associados convocada, através do seu amigo padre
Melícias, para 4 de Novembro no Coliseu, que elaborou um projeto de
Estatutos, acredite-se ou não, que no seu nº2 do artº 56 diz o
seguinte:
"Os mandatos dos titulares da Mesa da Assembleia Geral, do Conselho de
Administração e do Conselho Fiscal, eleitos em 7 de Dezembro de
2018, mantêm-se em vigor até ao seu termo em 31 de Dezembro de
2021, não sendo alterada a composição destes
Órgãos até à mesma data".
A desfaçatez e a impunidade com que se sente o "Dono de todo o
Montepio" é enorme ao impor nos novos estatutos a
perpetuação à frente do Montepio dele e dos seus amigos.
Ele tem medo de novas eleições. É urgente uma unidade
ampla de todos aqueles que estão interessados em salvar as
poupanças dos associados, o emprego dos trabalhadores e o Montepio para
correr com Tomás Correia que tanta destruição causou ao
Montepio.
10/Outubro/2019
[*]
edr2@netcabo.pt
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.
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