As contas de 2019 do Banco Montepio
A recuperação ainda não se verificou
Agora ainda mais difícil devido à grave crise causada pelo
"Covid 19"
Em 2019, o Ativo líquido, a carteira de crédito, os
Capitais Próprios e os Rácios de capital desceram
O Banco Montepio continua a não transferir lucros para a
Associação Mutualista para esta poder remunerar as
poupanças dos associados aplicadas no banco
Depois de vários meses de espera o que só serviu para
gerar preocupações nos associados, e também porque a
Associação Mutualista continua a não divulgar as suas
contas de 2019, uma opacidade que não se compreende num grupo mutualista
que devia ser um exemplo de transparência o Banco Montepio
divulgou em 5 de Maio as Contas de 2019. É com base apenas na
informação pública disponibilizada pela respetiva
administração que vamos fazer uma análise objetiva da
situação do Banco Montepio para que os associados fiquem a
conhecer não só qual é a situação real do
banco mas também os resultados dos esforços feitos para a sua
recuperação
(é preciso não esquecer que o Banco Montepio tem mais de 70% das
poupanças dos associados e é a principal garantia dessa
poupanças).
Mas, em 2019, as reclamações dos clientes aumentaram em 41,1%
atingindo 5.685
(pág. 29 do RC-2019),
o que mostra que alguma coisa vai mal no funcionamento do Banco Montepio e
não são apenas as contas e os resultados apresentados que vamos
analisar.
A REDUÇÃO DO ATIVO LÍQUIDO, DA CARTEIRA DE CRÉDITO
E DOS CAPITAIS PRÓPRIOS CONTINUOU EM 2019, E AUMENTOU A
INEFICÊNCIA NA UTILIZAÇÃO DAS DISPONIBILIDADES E O RISCO
O quadro 1, com dados dos Balanços, dá uma fotografia do Banco
Montepio no fim de cada ano do período considerado (2015/2019),
permitindo que se fique a saber se está ou a não a verificar a
recuperação do Banco Montepio, após a gestão
ruinosa da administração de Tomás Correia, que destruiu
enorme valor, deixando uma pesada herança difícil e de demorada
recuperação
NOTA: Em 2019, fazem "reexpresso" (abrem) das contas de 2018, e
nestas reduzem o Ativo em cerca de 20M; através
redução da carteira de crédito, e também os
Capitais Próprios de 1536M para 1516M e o Rácio
Capital Total de 14,1% para 13,9%
A primeira conclusão importante que se tira dos dados do quadro anterior
é a redução, todos os anos, do valor do
Ativo líquido do Banco Montepio,
ou seja, daquilo que ele possui e tem a haver, o que significa uma
redução continuada da sua importância e peso no contexto da
banca a operar em Portugal. Em 4 anos, o Ativo líquido do Banco Montepio
reduziu-se em 16,1%
(-3.405 milhões ).
Um aspeto ainda mais preocupante é a redução do
negócio bancário traduzida na redução, todos os
anos, da sua carteira de crédito. Em quatro anos (2015/2019) a quebra na
carteira de crédito líquido atingiu 21,8% (- 3.198 milhões
). Só em 2019, a redução foi de 526 milhões
. Se deduzirmos a carteira vendida neste ano (321 milhões )
os
"write-off"
(90 milhões , crédito abatido ao ativo por ser considerado
totalmente pedido),
o que soma 411 milhões , e a redução foi de 526
milhões . Isto significa
(a diferença)
que o novo crédito concedido não está a ser suficiente
para compensar o crédito liquidado e o crédito amortizado, o que
é dramático em termos de futuro para o Banco Montepio. O banco
está a perder quota de mercado, a favor de outros e, a continuar, o
banco perderá valor garantindo cada vez menos as poupanças dos
associados que estão investidos nele cerca de 2.500
milhões e não gerará lucros que possam ser
transferidos para Associação Mutualista para remunerar as
poupanças dos associados investidas no banco. Há mais de cinco
anos que a Associação Mutualista não recebe qualquer
rendimento do banco por essas poupanças, com consequências graves
não só para a AMMG mas também para os associados, e se se
mantiver o tipo de gestão é de prever que isso possa acontecer
por mais anos.
A confirmar uma gestão que não tem conseguido rentabilizar os
meios financeiros que dispõe estão mais dois indicadores
importantes (quadro 1). O primeiro, é o
Rácio de transformação,
que se obtém dividindo o crédito líquido pelos
depósitos, e que dá quantos euros de crédito o banco
concede por cada 100 de depósitos que obtém.
Entre 2016 e 2019, o
"Rácio de transformação"
diminuiu de 111% para 91,5%. Isto significa que, em 2016, por cada
100 de depósitos a Caixa Economica emprestou às
famílias e empresas 111 e, em 2019, por cada 100 de
depósitos o crédito concedido foi apenas de 91,5.
Há uma a parcela de depósitos que ficam
"improdutivos" por falta de capacidade em conceder crédito
(num contexto difícil, a desmotivação da rede comercial
é grave).
Outro dado que confirma esta incapacidade de gestão são os
elevados montantes imobilizados em "Caixa e Bancos Centrais+
aplicações em outras instituições de crédito
+ aplicações em títulos"
que somavam, no fim de 2019, 6.459 milhões .
Deste total, e isso é extremamente preocupante, pelo
elevado risco
que determina para o Banco Montepio, interessa referir as
aplicações em
"Títulos e outros instrumentos"
que, em Dez. 2019, totalizavam
3.179 milhões , o que correspondia 17,9% do Ativo liquido total o
que determina riscos enormes
para o Banco Montepio
(de taxa de juro e mesmo cambiais, para não falar de outros riscos que,
se evoluírem negativamente, podem determinar importantes menos-valias,
causando prejuízos significativos ao banco).
Outro dado importante, para o qual é necessário chamar a
atenção pelo que significa
é a redução dos Capitais Próprios
(diferença entre Ativo e Passivo) do Banco Montepio.
Entre 2017 e 2019, os Capitais Próprios reduziram-se de 1.730
milhões para apenas 1.452 milhões , ou seja,
"desapareceram" 278 milhões ,
devido a imparidades e menos-valias que foram contabilizadas diretamente na
conta de Capital indo diretamente para "Reservas" que, no fim de
2019, eram negativas atingindo o enorme montante de -920 milhões .
O Capital Social do Banco Montepio,
que é o investimento feito pela Associação Mutualista no
banco (há ainda mais 150 milhões em divida subordinada),
fundamentalmente com as poupanças dos associados somava, em 2019, 2.420
milhões , mas o valor de Capitais atribuídos ao acionista
era apenas de 1.452 milhões , ou seja, menos 968 milhões
, e são a maior parte poupanças dos associados que
"desapareceram". Esta redução dos Capitais
Próprios do Banco Montepio levanta um problema com consequências
graves para AMMG.
O Banco Montepio está valorizado nas contas da Associação
Mutualista por 1.877 milhões mas, de acordo com as contas do
próprio banco, o seu valor é apenas de 1.452 milhões
, ou seja, está sobreavaliado nas contas da
Associação Mutualista em 425 milhões .
Se esta diferença for contabilizada como imparidades nas contas da
AMMG, como devia ser pois corresponde à situação real,
esta apresentará em 2019 prejuízos de cerca de 400 milhões
. E se deduzirmos ao Ativo os "impostos diferidos ativos
(808M em 2018, que não são ativos verdadeiros nem reais),
a AMMG apresentaria uma Situação líquida negativa
enorme. Daí a razão do atraso na apresentação das
contas de 2019.
Este é um problema grave que levantei na última assembleia geral
de associados e que o presidente me procurou responder alegando que ele tinha
como base um plano de negócios do banco que permitiria recuperar esse
valor. O mesmo argumento foi utilizado pela KPMG para dar cobertura à
gestão de Tomás Correia. Mas nem a Associação
Mutualista nem o Banco Montepio cumpriram alguma vez o plano de negócios
e é de prever que aconteça o mesmo no futuro.
Esperemos o que a PcW, que é o novo auditor do banco e da
Associação, fará. Estamos aqui para ver. Já
conhecemos a atuação da KPMG e os seus resultados.
O BANCO MONTEPIO ESTÁ A SE MANTER À CUSTA DOS DEPOSITANTES, QUE
SÃO NA MAIORIA ASSOCIADOS, E NÃO DE RENDIMENTOS OBTIDO COM A
CONCESSÃO DE CRÉDITO, E OS LUCROS REDUZIDOS TÊM COMO FONTE
MAIS-VALIAS E NÃO A ATIVIDADE "CORE" DO BANCO
O quadro 2, com dados da Demostrações de Resultados consolidados
do Banco Montepio do período 2015/2019, permitir conhecer as origens dos
valores constantes dos Balanços (quadro 1)
A
Margem Financeira
, que tem como fonte a atividade "core" (por excelência) de um
banco como é o Banco Montepio tem diminuído todos os desde 2017.
E a redução não tem sido maior devido a
redução enorme dos juros pagos aos depositantes, superior
à queda dos juros recebidos em operações ativas
(crédito). Entre 2015 e 2019, os juros de operações ativas
registaram uma redução de 327 milhões (
só entre 2918 e 2019, os juros de crédito caíram de 313,7
milhões para 279,6 milhões ),
enquanto os juros de operações passivas
(principalmente de depósitos)
registaram uma diminuição de 336 milhões
(entre 2018 e 2019, a taxa de juro média paga pelos depósitos
diminuiu de 0,45% para apenas 0,28%, e juros pagos pelo banco aos depositantes
diminuíram de 56,9M para 34,7M).
Foram principalmente os depositantes
(a maioria associados do Montepio),
que suportaram os efeitos da falta de negócio bancário
(diminuição do crédito)
e da incapacidade para o aumentar, embora fazendo uma análise rigorosa
do risco o que, durante a administração de Tomás Correia,
não foi feito com consequências ruinosas para todo o grupo
Montepio e, em particular, para os associados cujas poupanças tiveram de
suportar os prejuízos. Para compensar a quebra nas receitas resultante
da redução na concessão de crédito, o Banco
Montepio, à semelhança de outros bancos, aumentou
as comissões
muitas delas sobre os depositantes.
Em 2019, as receitas brutas de comissões atingiram 148 milhões
, sendo 102,6 milhões de "serviços
bancários" e as Comissões líquidas, após a
dedução dos encargos, foi de 122 milhões , superior
à de 2018 em 4 milhões (+ 3,4%).
O
"Produto bancário core",
que é aquele que constitui a atividade principal de um banco
comercial, como é o Banco Montepio, e que resulta da soma da Margem
financeira com a receita das Comissões liquidas, a partir de 2017 tem
diminuído, incluindo 2019 (menos 8 M do que 2018).O aumento do
Produto bancário
verificado em 2019 (+ 52 milhões do que 2018) resultou
não da atividade "core" do banco, mas fundamentalmente de
mais-valias obtidas em "Ativos financeiros
"(os resultados das operações financeiras fixaram-se em 49,9
milhões , valor que compara com 10,9 milhões
contabilizados em 2018",
como consta
pág.88 do RC-2019),
portanto uma atividade essencialmente especulativa, pois nuns anos dá
lucro
(mais-valias)
enquanto em outros dá prejuízos
(menos-valias)
que podem por em perigo a estabilidade do próprio banco, tendo em conta
que os "ativos financeiros" têm um peso enorme no Banco
Montepio. É fácil de concluir só foi possível
apresentar um resultado líquido positivo de 24,2 milhões
devido aos 49,9 milhões obtidos com operações
financeiras resultantes de mais valias obtidas com os títulos até
porque foi necessário reforçar o Fundo de Pensões devido a
alteração dos pressupostos atuariais
(entrega adicional de 22M).
EM 2019, OS CUSTOS OPERACIONAIS BAIXARAM DIMINUIRAM 3%, MAS OS CUSTOS COM
PESSOAL AUMENTRAM 1% DEVIDO À SUBIDA DOS CUSTOS COM
ADMINISTRAÇÕES ENTRE 74% E 87%
No Banco Montepio (quadro 2) verificou-se uma forte diminuição
dos custos operacionais. Entre 2015 e 2019, a redução nestes
custos foi de 105 milhões (-29,2%), que foi conseguida
fundamentalmente nos "custos com pessoal"
(-46 milhões )
e nos "gastos gerais administrativos
" (-63 milhões ).
Esta diminuição resultou da redução de 308
trabalhadores só em Portugal e do fecho de 89 balcões. Mas, em
2019 registou-se um enorme aumento de custos com as
administrações (quadro 3).
Os dados do quadro 3 não necessitam de comentários, mas merecem
uma reflexão quer pelos associados do Montepio, quer pela própria
administração, até pelos fracos resultados obtidos pelo
Banco Montepio.
Note-se que o quadro 3 refere apenas
os custos das administrações que constam do RC-2019
(pag.200/201)
e não inclui os custos de outros órgãos sociais que
estão incluídos nos da 1ª linha do quadro.
As remunerações de cada um dos 16 membros do conselho de
administração atual
(o Conselho Geral de Supervisão que existia antes foi substituído
por um conselho de administração com mais 9 membros, que ficou
mais caro para o banco, e com menos capacidade de gestão e de
fiscalização, pois são menos independentes e têm
menos experiencia de banca),
com o mesmo nº de membros que a CGD, um banco 5 vezes maior estão
na pág.622 do RC-2019 para quem estiver interessado.
Os administradores executivos têm remunerações que variam
entre 18.173 e 28.673/mês, e os não executivos (7)
recebem 9.000/mês. Como vários administradores são
também administradores nas subsidiárias interessava saber se
algum recebe remuneração por isso, e porquê, mas o
relatório não tem essa informação mas era
importante que tivesse por uma questão de transparência e porque
é uma matéria sensível para os associados até
devido ao aumento excessivo dos custos com as administrações.
AUMENTO 45,3% NAS IMPARIDADES EM 2019, E RESULTADOS LIQUIDOS REDUZIDOS
Apesar da venda de carteiras de crédito não produtivo
(em 2018 e 2019, 560 milhões ), de imobiliário
(198,5M em 2019)
e de enormes "
write-offs" (só em 2019 foram abatidos ao Ativo 90 milhões
de crédito por terem sido considerados totalmente perdidos),
apesar de toda esta "limpeza" mesmo assim o
Banco Montepio teve de constituir, em 2019, mais 141 milhões de
imparidades
(+45,3% do que em 2018), que resultou principalmente da aplicação
de modelos de
cálculo de imparidades mais rigorosos segundo o BM. Como
consequência o custo de risco de crédito duplicou ente 2018 e 2019
(subiu de 0,5% para 1%). E isto apesar da redução dos NPE
(créditos
improdutivos) para 12,2%, embora continue a ser um valor ainda elevado
(muito superior ao de outros bancos)
e
de pior qualidade
(o melhor foi vendido), só conseguido à custa da venda de
carteiras de crédito e
de
"write-off".
Como consequência, o Resultado líquido em 2019 foi apenas de 24,2
milhões , só possível com mais-valias de 49
milhões obtidos operações com ativos financeiros.
Mais um ano, a juntar a muitos, que o Banco Montepio não faz qualquer
transferência para AMMG para esta poder remunerar as poupanças dos
associados aplicados no Banco Montepio
(cerca de 2500 milhões ).
A QUEDA DE TODOS OS RACIOS DE CAPITAL EM 2019, QUANDO NO SETOR SOBEM, QUE
ESTÃO NOS MINIMOS EXIGIDOS PELO SUPERVISOR E O RISCO DE NOVA
RECAPITALIZAÇÃO DO BANCO MONTEPIO
Um aspeto preocupante é a queda de todos os rácios de capital em
2019
(entre 2018/2019, CET 1 e o Tier 1 passaram de 13,5% para 12,4%; e o
Rácio Total de 14,1%, valor não "reexpresso", para
13,9%,
muito próximo dos 13,875% mínimo exigido pelo Banco de Portugal,
quadro 2), o que limita a capacidade do banco para conceder crédito
. Mesmo este baixo Rácio total só foi conseguido à custa
da injeção, pela Associação Mutualista, de 100
milhões em 2019. A criação orgânica interna
de capital por meio de lucros tem sido muito reduzida no BM como mostram os
Resultados líquidos dos últimos anos. O Banco Montepio tem
contabilizado enormes imparidades e menos-valias que, embora não
passando por "Resultados"
(vai diretamente a Capital),
por isso não tem sido visível para a opinião publica e
associados
(em "Reservas" estão 990 milhões de
"prejuízos")
mas que, no entanto, têm destruído o capital do Banco Montepio.
Os Capitais Próprios do Banco Montepio diminuíram, entre 2017 e
2019, em 311 milhões
(passaram de 1763 milhões para apenas 1452 milhões
),
o que tem criado graves dificuldades ao banco para cumprir os rácios de
capital mínimos exigidos pelo Banco Portugal. A redução do
Ativo ponderado pelo risco (RWA) por meio da venda de carteiras de
crédito e outros ativos, e de aplicações em divida
publica, considerada pelo supervisor de risco zero, tem sido o meio utilizado.
Mesmo assim os rácios de capital estão nos mínimos
exigidos pelo Banco de Portugal e se não fosse a flexibilidade dos
supervisores motivada pela crise do COVID 19 conforme consta da pág. 65
do RC-2019
("No que respeita às componentes de capital e liquidez, em linha com
a decisão tomada pelo BCE para as instituições
significativas, o Banco de Portugal autorizou que as instituições
de crédito menos significativas sujeitas à sua supervisão,
onde se inclui o Banco Montepio, operem, de forma temporária, com um
nível inferior à da recomendação de fundos
próprios - Pillar 2 Guidance - e da reserva combinada de fundos
próprios, e com níveis de liquidez inferiores ao requisito do
rácio LCR")
certamente haveria necessidades de nova recapitalização do
Banco este ano o que criaria graves dificuldades à
Associação Mutualista.
O rácio em que o Banco Montepio continua com uma situação
confortável é o de liquidez LCR
que, no fim de 2019, apresentava o valor de 179,9%,
acima do mínimo exigido pelo Banco de Portugal que é
100%/110%
(embora muito dependente dos depósitos dos "institucionais"
que envolvem elevado risco, pois o seu levantamento é rápido e os
efeitos são enormes),
o que simultaneamente dá confiança aos clientes e é um
sinal que estes continuam a confiar no BM, o que é positivo, no entanto
tal valor de rácio também é um indicador de
ineficiência pois revela que há liquidez em excesso que não
é aproveitada para conceder credito também devido aos reduzidos
rácios de capital.
UM PLANO DE TRANSFORMAÇÃO CUJOS RESULTADOS AINDA NÃO
SÃO VISIVEIS
Um dos principais objetivos da atual administração era a
implementação do
"Plano de transformação",
mandado fazer a uma consultora externa, com um custo muito elevado, que iria
permitir uma rápida recuperação do banco. Um dos pilares
mais importante desse plano foi a transformação do Montepio
Investimentos no Banco de Empresas Montepio. Com a sua criação
pretendia-se entrar num nicho de mercado, dizia-se não explorado pelos
outros bancos, com grande capacidade de crescimento. Mas os resultados obtidos
até data foram reduzidos, estando aquém das expectativas que
tinham os seus defensores, como revela o quadro seguinte
(pág. 58 do RC-2019).
O Banco de Empresas Montepio (BEM) em 2019 registou um aumento de
crédito de apenas 48,3 milhões , um Produto bancário
apenas de 2,5 milhões , portanto inferior ao 2018 que foi de 2,7
milhões , e Resultados operacionais negativos de -0,5
milhões. E embora não seja claro porque essa
informação não consta do relatório deve incluir
já imparidades e menos-valias. O Montepio Investimentos, que foi a
empresa donde surgiu o Banco de Empresas Montepio, apresentou nos
últimos anos sempre resultados positivos como revelam os dados quadro.
É importante chamar a atenção para o aumento dos custos
operacionais que, entre 2018 e 2019, mais que duplicaram. É uma
situação, a do BEM, que exige um acompanhamento muito grande para
saber se ele cumpre os objetivos ou então é necessário
parar com tais custos. No entanto, como vai ser publicado brevemente um
relatório do BEM então com base nele farei uma análise
mais fundamentada dos seus resultados, ficando esta nota apenas como alerta
para um problema que preocupa os associados
UM BANCO QUE NÃO REMUNERA AS POUPANÇAS DOS ASSOCIADOS E
SUPERVISORES
(BdP e MTSSS)
QUE NÃO ATUAM PERMITINDO O AGRAVAMENTO DA SITUAÇÃO NO
MONTEPIO, E A URGÊNCIA DE RENOVAÇÃO
Embora em clara violação da lei, que não permite que uma
Associação Mutualista tenha aplicado numa única empresa
mais de 10% do valor do seu Ativo, mas o Banco Montepio (BM), antes CEMG, tem
mais de 66% do valor do Ativo da AMMG, e há anos que não
transfere quaisquer lucros para a Associação Mutualista para esta
remunerar as poupanças dos associados
(72% estão investidos no banco)
. Em 2019, isso aconteceu novamente e é de prever que se não
verificar uma alteração no BM aconteça por mais anos,
já que o contexto para a banca, e ainda mais para o Banco Montepio, por
ser um banco mais pequeno, se agravou imenso com a crise do
"coronavírus" tornando os planos de negócios do BM, que
ignoram os efeitos desta crise
(ver ponto
i
da pág. 236 do RC-2019)
meros desejos de difícil concretização. Os resultados
alcançados pela atual administração nos dois
últimos anos reforçam essa preocupação.
As alterações profundas no grupo Montepio e uma gestão
renovada necessárias e urgentes só são possíveis
com uma nova administração da AMMG, baseada numa unidade
abrangente que tenha a confiança dos associados, pois a atual é
passiva e está sem iniciativa, força e ideias. Apesar dos
problemas que se acumulam no Banco Montepio, o Banco de Portugal nada fez e
faz, e o Ministério do Trabalho, tem em seu poder um projeto de
Estatutos há quase um ano para se pronunciar, o que ainda não
fez, permitindo o agravamento da situação na
Associação Mutualista. Ambos são responsáveis pelo
que acontecer no Montepio.
09/Maio/2020
[*]
Economista e associado do Montepio, edr2@netcabo.pt
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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