Porque a Galp tem lucros tão elevados?
Os portugueses tiveram de pagar em 2008 mais 125,7 milhões
só pelo facto de os preços dos combustíveis em Portugal
serem superiores aos preços médios da UE15
RESUMO DESTE ESTUDO
A Autoridade da Concorrência apresentou recentemente na Assembleia da
República um extenso relatório com mais de 500 páginas e,
como era previsível, refém das petrolíferas, concluiu que
tudo está bem no mercado dos combustíveis em Portugal e que nada
há a fazer. Mas uma análise objectiva utilizando apenas dados
oficiais revela que a situação é bem diferente.
De acordo com dados divulgados pela Direcção Geral de Energia do
Ministério da Economia, entre Janeiro de 2008 e Fevereiro de 2009,
exceptuando o mês de Janeiro de 2009, em todos os restantes 13 meses o
preço em Portugal da gasolina 95, sem impostos, que reverte na sua
totalidade para as empresas, foi sempre superior ao preço médio
da União Europeia, variando essa diferença entre +0,3% (Junho de
2008 ) e +9,3 (Novembro de 2008). Em Fevereiro de 2009, último mês
de que se dispõe de dados, o preço da gasolina 95 em Portugal foi
superior ao preço médio da UE em 5,4%. (Quadro I). E em
relação ao preço do gasóleo, no mesmo
período, em todos os meses, o preço sem impostos em Portugal da
gasóleo foi sempre superior ao preço médio da UE15,
variando essa diferença entre +0,1% (Fevereiro de 2008) e +8,2%
(Dezembro de 2008). Em Fevereiro de 2009, o preço do gasóleo em
Portugal era superior ao preço médio da UE em 5,1% (Quadro II).
Como consequência, os consumidores portugueses tiveram de pagar, em 2008,
pela gasolina 95 e pelo gasóleo que adquiriram mais 125,7 milhões
de euros do que pagariam se tivessem pago aos preços médios da
UE15 (Quadro III). Em 2009, e só relativamente aos dois primeiros meses,
os portugueses já pagaram a mais 27,4 milhões de euros. Apesar de
ser um sobrelucro das empresas conseguido à custa da
imposição aos consumidores portugueses de preços
superiores aos preços médios da UE15, a Autoridade da
Concorrência acha que tudo está bem no mercado dos
combustíveis em Portugal e que nada há a fazer.
Uma das mensagens que as petrolíferas e os seus defensores têm
procurado sistematicamente fazer passar, muitas vezes com a conivência de
alguns dos media importantes, para confundir a opinião pública,
é que os preços de venda ao publico dos combustíveis em
Portugal são superiores aos preços médios da UE porque os
impostos são mais elevados em Portugal do que a média na UE. Isso
não é verdade. De acordo com dados divulgados pela
Direcção Geral de Energia, os impostos que incidem sobre o
gasóleo em Portugal representam 50,9% do preço final de venda ao
público, enquanto a média nos restantes países da UE15
é 53,3%, portanto ainda superior ao peso em Portugal. Em
relação à gasolina, o peso dos impostos em Portugal
representa 67,5% do preço de venda ao público, enquanto a
média na UE15 é de 67,3% do preço de venda ao publico,
portanto uma percentagem praticamente igual à média da UE15
(Quadro IV). É um facto que os impostos são muito elevados em
Portugal, mas essa não é a razão para os preços em
Portugal serem superiores aos preços da UE15. A causa dessa
situação é que os preços sem impostos, ou seja, os
que revertem na sua totalidade para as empresas e são fixados por estas,
são, em Portugal, superiores aos preços médios da UE15.
É isto o que as petrolíferas procuram esconder. A confirmar
está o facto de que, segundo os dados da GALP e da
Direcção Geral de Energia, entre o 1º Trimestre de 2008 e o
1º Trimestre de 2009, o preço do barril de petróleo desceu
no mercado internacional 47,1% mas, em Portugal, o preço da gasolina 95
sem impostos baixou apenas 38,4%, e o preço do gasóleo diminuiu
somente 30,4% (Quadro V). Se a análise for feita por meses
(Gráfico) as conclusões não são menos graves. Por
exemplo, em Outubro de 2008, o preço do petróleo teve uma
variação negativa de -40%, enquanto o preço sem impostos
da gasolina95 e do gasóleo tiveram uma variação negativa
de apenas -10%.
Este comportamento sistemático das empresas é reconhecido pela
própria Autoridade da Concorrência Assim, segundo o
relatório que apresentou (pág. 383), o PMAI (Preço
Médio Antes dos Impostos) do gasóleo leva três semanas a
se ajustar à subida da cotação do "Brent"
(petróleo) mas o dobro (seis semanas) à descida do
"Brent" (a nível da UE a média nas descidas é
metade, ou seja, três semanas); em relação à
gasolina 95 o período de ajustamento em Portugal é de quatro
semanas, quando a média na UE é de três semanas para as
subidas e de apenas duas semanas em relação às descidas
(em Portugal é o dobro). Para além disso, a
duração do chamado fenómeno de "overshooting",
isto é, de um aumento dos preços dos combustíveis
superior ao aumento da cotação do petróleo por um certo
período de tempo, em Portugal é, em relação ao
gasóleo, de cinco a 11 semanas após o choque inicial quando a
média na UE é de três a nove semanas. Apesar de tudo isto,
confirmada por ela própria Autoridade da Concorrência, esta diz
que tudo está bem no mercado dos combustíveis em Portugal e que
nada há a fazer. Os comentários são inúteis e os
interesses que a Autoridade da Concorrência defende ficam também
claros.
|
A Autoridade da Concorrência apresentou recentemente na Assembleia da
República um extenso relatório com mais de 500 páginas,
disponível em
http://www.concorrencia.pt/Publicacoes/Autoridade.asp
. E como era previsível, pois está refém das
petrolíferas, concluiu que tudo está bem em Portugal no mercado
dos combustíveis ou, para utilizar as suas próprias palavras, que
"não é possível extrair um ilícito
concorrencial" (pág. 12); que "não se indicia uma
prática concertada de fixação horizontal de
preços"; que "em Portugal, os preços nacionais de venda
ao público, antes e depois de imposto, nunca se afastam muito da
média da UE27, nem nunca são preços extremos acima ou
abaixo dessa média" (pág. 13).
Analisemos então aquilo que a Autoridade da Concorrência
não viu ou não quis ver. Para isso vamos utilizar apenas dados
oficiais e também do próprio relatório da Autoridade da
Concorrência.
OS PREÇOS EM PORTUGAL DA GASOLINA 95 E DO GASÓLEO SÃO
SISTEMATICAMENTE SUPERIORES AOS PREÇOS MÉDIOS DA UNIÃO
EUROPEIA
Contrariamente àquilo que a Autoridade da Concorrência afirma os
preços dos combustíveis em Portugal são sistematicamente
superiores aos preços médios da União Europeia. Os dois
quadros que se apresentam seguidamente, um relativo à gasolina 95 e o
outro ao gasóleo, referentes ao período Janeiro de 2008 a
Fevereiro de 2009 mostra aquilo que a Autoridade da Concorrência
não quis ver. E utilizam-se dados oficiais relativos a preços sem
impostos pois são estes que revertem na sua totalidade para as empresas
QUADRO I Preços da gasolina 95 sem impostos praticados em
Portugal e outros países da UE no período Janeiro 2008 a
Fevereiro de 2009 Euros por litro
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País
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Jan-2008
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Fev-2008
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Mar-2008
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Abr-2008
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Mai-2008
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Jun-2008
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Jul-2008
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Ago-2008
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Set-2008
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Out-2008
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Nov-2008
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Dez-2008
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Jan-2009
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Fev-2009
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PST
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PST
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PST
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PST
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PST
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PST
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PST
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PST
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PST
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PST
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PST
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PST
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PST
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|
Alemanha
|
0,496
|
0,500
|
0,533
|
0,534
|
0,577
|
0,618
|
0,611
|
0,571
|
0,556
|
0,490
|
0,357
|
0,289
|
0,302
|
0,328
|
|
Áustria
|
0,509
|
0,518
|
0,542
|
0,546
|
0,597
|
0,627
|
0,606
|
0,581
|
0,560
|
0,533
|
0,392
|
0,300
|
0,287
|
0,310
|
|
Bélgica
|
0,538
|
0,546
|
0,559
|
0,568
|
0,628
|
0,676
|
0,689
|
0,625
|
0,607
|
0,498
|
0,417
|
0,379
|
0,321
|
0,370
|
|
Dinamarca
|
0,538
|
0,547
|
0,556
|
0,578
|
0,622
|
0,669
|
0,656
|
0,625
|
0,604
|
0,517
|
0,385
|
0,351
|
0,340
|
0,391
|
|
Espanha
|
0,545
|
0,548
|
0,563
|
0,576
|
0,626
|
0,668
|
0,680
|
0,625
|
0,604
|
0,515
|
0,414
|
0,355
|
0,339
|
0,377
|
|
Finlândia
|
0,529
|
0,565
|
0,541
|
0,558
|
0,594
|
0,640
|
0,679
|
0,652
|
0,630
|
0,581
|
0,473
|
0,356
|
0,337
|
0,345
|
|
França
|
0,526
|
0,520
|
0,539
|
0,551
|
0,593
|
0,636
|
0,627
|
0,580
|
0,576
|
0,490
|
0,387
|
0,317
|
0,309
|
0,344
|
|
Grécia
|
0,564
|
0,556
|
0,580
|
0,588
|
0,647
|
0,693
|
0,701
|
0,645
|
0,633
|
0,529
|
0,442
|
0,364
|
0,346
|
0,377
|
|
Holanda
|
0,603
|
0,617
|
0,626
|
0,655
|
0,700
|
0,745
|
0,758
|
0,685
|
0,662
|
0,525
|
0,418
|
0,367
|
0,381
|
0,389
|
|
Irlanda
|
0,542
|
0,539
|
0,526
|
0,547
|
0,554
|
0,585
|
0,630
|
0,656
|
0,647
|
0,571
|
0,510
|
0,447
|
0,328
|
0,305
|
|
Itália
|
0,573
|
0,573
|
0,591
|
0,603
|
0,657
|
0,698
|
0,702
|
0,648
|
0,630
|
0,538
|
0,443
|
0,377
|
0,366
|
0,387
|
|
Luxemburgo
|
0,555
|
0,554
|
0,572
|
0,589
|
0,638
|
0,681
|
0,668
|
0,621
|
0,618
|
0,529
|
0,403
|
0,354
|
0,330
|
0,372
|
|
Portugal
|
0,563
|
0,544
|
0,570
|
0,575
|
0,617
|
0,657
|
0,680
|
0,636
|
0,623
|
0,546
|
0,451
|
0,373
|
0,319
|
0,370
|
|
Reino Unido
|
0,509
|
0,509
|
0,515
|
0,526
|
0,566
|
0,628
|
0,638
|
0,584
|
0,557
|
0,498
|
0,371
|
0,301
|
0,247
|
0,287
|
|
Suécia
|
0,468
|
0,488
|
0,489
|
0,513
|
0,565
|
0,604
|
0,589
|
0,552
|
0,547
|
0,466
|
0,327
|
0,276
|
0,268
|
0,313
|
|
Média UE-15
|
0,537
|
0,542
|
0,553
|
0,567
|
0,612
|
0,655
|
0,661
|
0,619
|
0,604
|
0,522
|
0,413
|
0,347
|
0,321
|
0,351
|
|
%PT/Media
|
4,9%
|
0,4%
|
3,0%
|
1,4%
|
0,8%
|
0,3%
|
2,9%
|
2,8%
|
3,2%
|
4,7%
|
9,3%
|
7,5%
|
-0,8%
|
5,4%
|
Fonte: Direcção Geral de Energia Ministério da
Economia; PST: preço sem impostos
De acordo com dados divulgados pela Direcção Geral de Energia do
Ministério da Economia, entre Janeiro de 2008 e Fevereiro de 2009,
exceptuando o mês de Janeiro de 2009, em todos os restantes 13 meses o
preço em Portugal da gasolina 95, sem impostos, ou seja, os que revertem
para as empresas, foi sempre superior ao preço médio da
União Europeia, variando esse diferença entre +0,3% (Junho de
2008 ) e +9,3 (Novembro de 2008). Em Fevereiro de 2009, último mês
de que se dispõe de dados, o preço da gasolina 95 em Portugal foi
superior ao preço médio da UE em 5,4%
Situação semelhante verificou-se a nível do preço
do gasóleo com mostram os dados oficiais constantes do quadro seguinte.
QUADRO II Preços do gasóleo sem impostos nos países
da UE no período de Janeiro 2008 a Fevereiro de 2009 Euros por
litro
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País
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Jan. 2008
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Fev-2008
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Mar-2008
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Abr-2008
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Mai-2008
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Jun-2008
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Jul 2008
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Ago-2008
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Set-2008
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Out-2008
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Nov-2008
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Dez-2008
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Jan-2009
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Fev-2009
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PST
|
PST
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PST
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PST
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PST
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PST
|
PST
|
PST
|
PST
|
PST
|
PST
|
PST
|
PST
|
PST
|
|
Alemanha
|
0,582
|
0,592
|
0,641
|
0,648
|
0,729
|
0,778
|
0,768
|
0,698
|
0,659
|
0,619
|
0,527
|
0,434
|
0,414
|
0,395
|
|
Áustria
|
0,587
|
0,593
|
0,631
|
0,653
|
0,727
|
0,781
|
0,787
|
0,714
|
0,675
|
0,642
|
0,542
|
0,446
|
0,402
|
0,402
|
|
Bélgica
|
0,585
|
0,605
|
0,662
|
0,684
|
0,762
|
0,817
|
0,825
|
0,735
|
0,689
|
0,631
|
0,563
|
0,509
|
0,420
|
0,422
|
|
Dinamarca
|
0,586
|
0,603
|
0,664
|
0,691
|
0,771
|
0,792
|
0,793
|
0,710
|
0,682
|
0,620
|
0,515
|
0,452
|
0,412
|
0,414
|
|
Espanha
|
0,605
|
0,616
|
0,663
|
0,688
|
0,765
|
0,808
|
0,822
|
0,740
|
0,704
|
0,627
|
0,549
|
0,481
|
0,436
|
0,435
|
|
Finlândia
|
0,644
|
0,680
|
0,673
|
0,666
|
0,718
|
0,765
|
0,795
|
0,790
|
0,773
|
0,710
|
0,624
|
0,512
|
0,495
|
0,463
|
|
França
|
0,576
|
0,576
|
0,624
|
0,651
|
0,728
|
0,777
|
0,767
|
0,692
|
0,667
|
0,596
|
0,519
|
0,434
|
0,394
|
0,386
|
|
Grécia
|
0,637
|
0,622
|
0,670
|
0,710
|
0,796
|
0,856
|
0,852
|
0,795
|
0,767
|
0,671
|
0,629
|
0,556
|
0,499
|
0,484
|
|
Holanda
|
0,615
|
0,639
|
0,694
|
0,720
|
0,810
|
0,836
|
0,853
|
0,767
|
0,722
|
0,625
|
0,554
|
0,474
|
0,447
|
0,416
|
|
Irlanda
|
0,615
|
0,618
|
0,609
|
0,646
|
0,663
|
0,718
|
0,788
|
0,813
|
0,802
|
0,732
|
0,692
|
0,603
|
0,472
|
0,439
|
|
Itália
|
0,639
|
0,641
|
0,688
|
0,722
|
0,789
|
0,835
|
0,839
|
0,770
|
0,728
|
0,646
|
0,570
|
0,503
|
0,453
|
0,457
|
|
Luxemburgo
|
0,593
|
0,603
|
0,661
|
0,676
|
0,772
|
0,796
|
0,806
|
0,707
|
0,691
|
0,637
|
0,550
|
0,461
|
0,410
|
0,404
|
|
Portugal
|
0,624
|
0,610
|
0,660
|
0,681
|
0,749
|
0,806
|
0,818
|
0,758
|
0,718
|
0,656
|
0,588
|
0,524
|
0,434
|
0,445
|
|
Reino Unido
|
0,565
|
0,568
|
0,587
|
0,624
|
0,683
|
0,767
|
0,782
|
0,716
|
0,682
|
0,621
|
0,511
|
0,442
|
0,362
|
0,395
|
|
Suécia
|
0,554
|
0,585
|
0,638
|
0,652
|
0,741
|
0,757
|
0,757
|
0,672
|
0,671
|
0,599
|
0,507
|
0,428
|
0,393
|
0,391
|
|
Média UE-15
|
0,600
|
0,610
|
0,651
|
0,674
|
0,747
|
0,793
|
0,804
|
0,739
|
0,709
|
0,642
|
0,563
|
0,484
|
0,430
|
0,423
|
|
%PT/MediaUE15
|
4,0%
|
0,1%
|
1,4%
|
1,0%
|
0,4%
|
1,7%
|
1,9%
|
2,6%
|
1,3%
|
2,2%
|
4,5%
|
8,2%
|
1,1%
|
5,1%
|
Fonte: Direcção Geral de Energia Ministério da
Economia; PST Preço sem impostos
De acordo com dados também divulgados pela Direcção Geral
de Energia do Ministério da Economia, entre Janeiro de 2008 e Fevereiro
de 2009, em todos os meses, o preço sem impostos em Portugal da
gasóleo foi sempre superior ao preço médio da União
Europeia, variando essa diferença entre +0,1% (Fevereiro de 2008 ) e
+8,2% (Dezembro de 2008). Em Fevereiro de 2009, último mês de que
dispõe de dados, o preço do gasóleo em Portugal era
superior ao preço médio da UE em 5,1%
PREÇOS EM PORTUGAL DOS COMBUSTIVEIS SUPERIORES AOS PREÇOS
MÉDIOS DA UE OBRIGARAM OS PORTUGUESES A PAGAR MAIS 125,7 MILHÕES
EM 2008
Esta diferença sistemática para mais dos preços em
Portugal relativamente aos preços médios da UE não
é desprezível, como pretende fazer crer a Autoridade da
Concorrência, pois multiplicada por mais de 8.149 milhões de
litros de gasolina 95 e gasóleo vendidos em 2008, permitiu que as
petrolíferas embolsassem um lucro extra de muito milhões de euros,
, como revelam os dados constantes do quadro seguinte.
QUADRO III Lucro extra das petrolíferas por terem vendido os
combustíveis aos consumidores portugueses a um preço superior ao
preço médio da UE
|
COMBUSTIVEL
|
CONSUMO EM 2008
Litros
|
Pago a mais por litro
Média do ano
Euros
|
TOTAL PAGO A MAIS PELOS
CONSUMIDORES PORTUGUESES
Euros
|
|
GASOLINA sem chumbo 95
|
1.758.765.532
|
0,017
|
29.899.014
|
|
GASÓLEO
|
6.390.561.960
|
0,015
|
95.858.429
|
|
SOMA
|
8.149.327.492
|
|
125.757.443
|
Fonte: Direcção Geral de Energia do Ministério da Economia
Segundo a Direcção Geral da Energia do Ministério da
Economia, em 2008, a gasolina 95 vendida aos consumidores portugueses atingiu
1.758, 7 milhões de litros, e o gasóleo 6.390,5 milhões de
litros. Se multiplicarmos estes 8.149,3 milhões de litros pela
diferença de preços (em média mais 0,017 na gasolina
e mais 0,015 no gasóleo), conclui-se que os consumidores
portugueses pagaram a mais 125,7 milhões de euros às empresas
apenas pelo facto dos preços da gasolina 95 e do gasóleo serem em
Portugal sistematicamente superiores aos preços médios da
União Europeia. O comportamento da Autoridade da Concorrência, ao
desprezar a diferença sistemática para mais dos preços dos
combustíveis em Portugal relativamente aos preços médios
da UE15 indicia claramente que ela está refém dos interesses das
empresas, nomeadamente das petrolíferas, esquecendo os interesses dos
consumidores portugueses.
UMA OUTRA GRANDE MENTIRA: os preços de venda ao público de
combustíveis em Portugal são superiores aos preços
médios da UE devido fundamentalmente a impostos mais elevados
Uma das mensagens que as petrolíferas têm procurado fazer passar,
muitas vezes com a conivência de alguns dos media importantes, é
que os preços de venda ao publico dos combustíveis em Portugal
são superiores aos preços médios da UE porque os impostos
em Portugal são mais elevados do que na UE É verdade que os
preços dos combustíveis em Portugal são exageradamente
elevados, nomeadamente se se tiver em conta o nível dos salários
em Portugal (menos de metade do salário médio da UE15), mas eles
são superiores aos preços médios da UE15 não
é porque em Portugal o peso dos impostos sejam superiores aos dos
restantes países. O quadro seguinte construído com dados oficiais
divulgados pela Direcção Geral de Energia mostra que essa
mensagem das petrolíferas e dos seus defensores não é
verdadeira.
QUADRO IV Percentagem que representam os impostos no preço de
venda ao público dos combustíveis em Portugal e em outros
países da
UE15 em Dez2008
|
PAÍS
|
Gasóleo
|
Gasolina
|
|
Alemanha
|
59,7%
|
74,3%
|
|
Áustria
|
55,4%
|
68,2%
|
|
Bélgica
|
49,1%
|
67,5%
|
|
Dinamarca
|
55,9%
|
68,8%
|
|
Espanha
|
46,6%
|
59,9%
|
|
Finlândia
|
50,2%
|
69,8%
|
|
França
|
57,9%
|
71,3%
|
|
Grécia
|
44,7%
|
56,8%
|
|
Holanda
|
55,0%
|
71,0%
|
|
Irlanda
|
48,7%
|
61,4%
|
|
Itália
|
54,7%
|
66,6%
|
|
Luxemburgo
|
47,4%
|
62,3%
|
|
PORTUGAL
|
50,9%
|
67,5%
|
|
Reino Unido
|
63,3%
|
70,9%
|
|
Suécia
|
57,2%
|
70,1%
|
|
MÉDIA UE-15
|
53,3%
|
67,3%
|
Fonte: Direcção Geral da Energia
Ministério da Economia
Como revelam os dados da Direcção Geral da Energia do
Ministério da Economia, os impostos que incidem sobre o gasóleo
em Portugal representam 50,9% do preço final de venda ao público,
enquanto a média nos restantes países da U.E15 é 53,3%,
portanto ainda superior ao peso em Portugal. Em relação à
gasolina, o peso dos impostos em Portugal representa 67,5% do preço de
venda ao público, enquanto a média na UE15 é de 67,3% do
preço de venda ao publico, portanto uma percentagem praticamente igual
à media da UE15.
Idêntica conclusão se tira se se analisar o peso (%) dos impostos
no preço final de venda ao público dos combustíveis em
Portugal e nos restantes países da UE15. O quadro seguinte,
construído com dados oficiais, permite fazer essa análise.
AS PETROLIFERAS EM PORTUGAL AUMENTAM MAIS DEPRESSA OS PREÇOS DOS
COMBUSTIVEIS QUANDO O PREÇO DO PETRÓLEO SOBE, E NÃO
TÊM A MESMA CELERIDADE QUANDO DESCE
Uma das formas que as petrolíferas utilizam para aumentar os lucros
é subir rapidamente os preços dos combustíveis quando o
preço do petróleo sobe, mas demorar muito mais tempo para descer
os preços dos combustíveis quando o preço do
petróleo desce. Isso tem determinado que a descida no preço dos
combustíveis acabe por ser inferior à verificada no preço
do petróleo, como revelam os dados oficiais constantes do quadro
seguinte.
QUADRO V Variação dos preços da gasolina 95, do
gasóleo e do petróleo entre o 1º Trimestre de 2008 e o
1º Trimestre de 2009
|
DATA
|
PREÇO MEDIO Euros
|
|
|
Litro gasolina95 sem impostos
|
Litro gasóleo sem impostos
|
Barril petróleo
|
|
1ºTrimestre 2008
|
0,559
|
0,632
|
64,60
|
|
1ºTrimestre 2009
|
0,344
|
0,440
|
34,15
|
|
VARIAÇÃO 1ºTrim.2008/1ºTrim.2009
|
-38,4%
|
-30,4%
|
-47,1%
|
Fonte: Preços dos combustíveis: Direcção Geral de
Energia; Preço do petróleo: GALP
De acordo com os dados da GALP e Direcção Geral de Energia, entre
o 1º Trimestre de 2008 e o 1º Trimestre de 2009, o preço do
barril de petróleo desceu 47,1%, enquanto o preço da gasolina 95
sem impostos em Portugal desceu apenas 38,4%, e o preço do
gasóleo baixou somente 30,4%; portanto descidas significativamente
inferiores à baixa verificada no preço do petróleo. O
gráfico seguinte, completa de uma forma mais pormenorizada o que se
acabou de referir.
Se analisar mensalmente, durante o período Janeiro/Dezembro de 2008,a
variação percentual do preço do barril do petróleo
e a variação percentual do preço da gasolina 95 e do
gasóleo, conclui-se imediatamente que as descidas no preço do
petróleo são, na maioria dos casos, muito maiores que as
verificadas nos preço da gasolina e do gasóleo. Por exemplo, em
Outubro de 2008, o preço do petróleo teve uma
variação negativa de -40%, enquanto o preço sem impostos
da gasolina95 e do gasóleo tiveram uma variação negativa
de apenas -10%.
Este comportamento sistemático das empresas é reconhecido pela
própria Autoridade da Concorrência, mas daí não tira
qualquer consequência para alterar a situação que
está a obrigar os portugueses a pagar mais pelos combustíveis.
Assim, segundo o relatório que apresentou (pág. 383), o PMAI
(Preço Médio Antes dos Impostos) do gasóleo leva 3
semanas a se ajustar à subida da cotação do
"Brent" (petróleo) mas o dobro (6 semanas) à descida do
"Brent" ( a nível da UE a média nas descidas é
metade, ou seja, 3 semanas); em relação à gasolina 95 o
período de ajustamento em Portugal é de 4 semanas, quando a
média na UE é de 3 semanas para as subidas e de apenas 2 semanas
em relação às descidas (em Portugal é o dobro).
Para além disso, a duração do chamado fenómeno de
"overshooting", isto é, "de um aumento dos respectivos
PMAI (Preço Médio Antes dos Impostos) superior ao aumento da
cotação do petróleo Brent por um certo período de
tempo, em Portugal, relativamente ao gasóleo é de 5 a 11 semanas
após o choque inicial quando a media na UE é de 3 a 9 semanas. E
apesar da própria Autoridade da Concorrência afirmar (pág.
384) que se verificava uma maior celeridade do PMAI´s à subida da
cotação do petróleo Brent do que à sua descida,
mesmo assim, essa mesma autoridade, concluiu que tudo está bem no
mercado dos combustíveis em Portugal e que nada há fazer. Os
comentários são inúteis e os interesses que a Autoridade
da Concorrência defende com este comportamento são também
claros.
10/Maio/2009
[*]
Economista,
edr@mail.telepac.pt
. Seu novo sítio web:
http://www.eugeniorosa.com
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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