A crise não está a atingir todas as empresas
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| LUCROS LÍQUIDOS ANUAIS DAS EMPRESAS NÃO FINANCEIRAS SEGUNDO DIMENSÃO- Mil | |||||||
| TOTAL | 15 058 852 | 15 235 377 | 10 455 527 | 11 310 821 | 20 082 675 | 33,4% | 77,6% |
| PME | 8 386 437 | 9 156 957 | 6 153 914 | 6 506 737 | 7 853 275 | -6,4% | 20,7% |
| Micro | 6 084 588 | 6 408 630 | 5 241 567 | 4 894 997 | 5 326 376 | -12,5% | 8,8% |
| Pequenas | 1 103 254 | 1 264 750 | 520 444 | 727 854 | 858 147 | -22,2% | 17,9% |
| Médias | 1 198 595 | 1 483 577 | 391 904 | 883 887 | 1 668 752 | 39,2% | 88,8% |
| Grandes | 6 672 415 | 6 078 419 | 4 301 613 | 4 804 084 | 12 229 400 | 83,3% | 154,6% |
| NÚMERO DE EMPRESAS NÃO FINANCEIRAS SEGUNDO A SUA DIMENSÃO | |||||||
| TOTAL | 1 143 648 | 1 206 116 | 1 235 093 | 1 198 781 | 1 144 150 | 0,0% | -4,6% |
| PME | 1 142 602 | 1 205 002 | 1 233 970 | 1 197 719 | 1 143 068 | 0,0% | -4,6% |
| Micro | 1 091 014 | 1 152 310 | 1 181 213 | 1 147 386 | 1 094 125 | 0,3% | -4,6% |
| Pequenas | 45 147 | 46 020 | 46 030 | 43 882 | 42 662 | -5,5% | -2,8% |
| Médias | 6 441 | 6 672 | 6 727 | 6 451 | 6 281 | -2,5% | -2,6% |
| Grandes | 1 046 | 1 114 | 1 123 | 1 062 | 1 082 | 3,4% | 1,9% |
| LUCRO MÉDIO POR EMPRESA NÃO FINANCEIRAS SEGUNDO A SUA DIMENSÃO- Mil | |||||||
| TOTAL | 13,2 | 12,6 | 8,5 | 9,4 | 17,6 | 33,3% | 86,0% |
| PME | 7,3 | 7,6 | 5,0 | 5,4 | 6,9 | -6,4% | 26,5% |
| Micro | 5,6 | 5,6 | 4,4 | 4,3 | 4,9 | -12,7% | 14,1% |
| Pequenas | 24,4 | 27,5 | 11,3 | 16,6 | 20,1 | -17,7% | 21,3% |
| Médias | 186,1 | 222,4 | 58,3 | 137,0 | 265,7 | 42,8% | 93,9% |
| Grandes | 6.379,0 | 5.456,4 | 3.830,5 | 4.523,6 | 11.302,6 | 77,2% | 149,9% |
Comecemos por analisar a variação dos lucros totais das empresas
não financeiras segundo a sua dimensão (as PME subdividem-se em
Micro, Pequenas e Médias empresas) no período 2006/2010, ou seja,
os lucros de todas as empresas antes da crise (2006) e depois da crise
(2007/2010). E a conclusão que se tira é a seguinte: Entre 2006 e
2010, os lucros totais líquidos das empresas não financeiras
aumentaram em 33,4%, pois passaram de 15.058,8 milhões para
20.082,6 milhões . No entanto, o aumento não foi igual para
todas as empresas, pois as micro e pequenas empresas até registaram
diminuição. Segundo o INE, entre 2006/2010, os lucros das grandes
empresas (1082 empresas em 2010) aumentaram em +83,3%; os lucros
líquidos obtidos pelas médias empresas (6.281 empresas) subiram
em 39,2%, mas os lucros das pequenas empresas (42.662 empresas)
diminuíram em -22,2%, e os lucros das micro empresas (1.094.215
empresas) reduziram-se em -12,5%. Se a analise se restringir ao período
2009/2010, a desigualdade das situações é ainda maior. E
isto porque em 2010 os lucros líquidos das grandes empresas aumentaram
em 154,6%; os das médias empresas subiram em 88,8%; mas os das pequenas
empresas cresceram em 17,9%, e os lucros das micro empresas tiveram um aumento
de apenas 8,8%
E não se pense que esta diferença tão grande na taxa de
aumento dos lucros se deve a alteração do número de
empresas entre 2006 e 2010. Se analisarmos o lucro médio por empresa
conclui-se que, entre 2006 e 2010, o das grandes empresas aumentou +77,2%, o
das médias empresas subiu em +42,8%, e o das pequenas e micro empresas
diminui, respectivamente, em -17,7% e 12.7%. E que, entre 2009 e 2010,
segundo os dados divulgados pelo INE, o lucro liquido obtido em média
por uma grande empresa aumentou em +149,9%, por uma média empresa
cresceu em +93,3%, enquanto o das pequenas e micro empresas tiveram, cada uma
delas, um aumento médio de lucros, respectivamente, de +21,3% e +14,1%.
Em 2010, cada uma das grandes empresas teve em média um lucro liquido
de 11,3 milhões (6,3 milhões em 2006) enquanto o
lucro obtido por uma empresa média foi de 265.700 ; o de uma
pequena empresa foi de 20.100 euros, e o de uma micro empresa foi apenas de
4.900 euros (5.600 em 2006); por outras palavras, o lucro liquido
médio de uma grande empresa foi 2.306 vezes superior ao de uma micro
empresa.
É evidente que a taxa de exploração dos trabalhadores, que
tem como a base a mais-valia criada pelo trabalho não pago, é
muito maior nas grandes empresas como facilmente se conclui do quadro seguinte
cujos valores foram calculados utilizando os dados do INE
Quadro 2 Lucro médio por trabalhador obtido pelas empresas de
acordo com a sua dimensão -2010
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2010 |
Mil euros 2010 |
Euros |
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2010 |
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| Total | 3 843 268 | 20 082 675 | 5.225 | 2,9 | 13.590 | 1,7 |
| PME | 3 025 155 | 7 853 275 | 2.596 | 5,8 | 11.110 | 2,0 |
| Micro | 1 701 959 | 5 326 376 | 3.130 | 4,8 | 6.170 | 3,7 |
| Pequenas | 772 512 | 858 147 | 1.111 | 13,5 | 15.700 | 1,4 |
| Médias | 550 684 | 1 668 752 | 3.030 | 4,9 | 19.950 | 1,1 |
| Grandes | 818 113 | 12 229 400 | 14.948 | - | 22.750 | - |
Em 2010, segundo o INE, o lucro liquido médio por trabalhador obtido nas
grandes empresas foi 4,9 vezes superior ao obtido por trabalhador numa empresa
média, mas o gasto com pessoal per capita foi na grande empresa apenas
1,1 vezes superior ao da empresa média; em relação
às pequenas empresas, o lucro médio por trabalhador de uma grande
empresa foi 13,5 vezes superior ao obtido por uma pequena empresa, mas o gasto
com pessoal per capita na grande empresa foi somente 1,4 vezes superior ao de
uma pequena empresa; em relação às micro empresas, o lucro
médio obtido por trabalhador numa grande empresa foi 4,8 vezes superior
ao obtido numa micro empresa por trabalhador, mas o gasto com pessoal per
capita numa grande empresa foi superior apenas em 3,7 vezes superior ao
suportado por trabalhador numa micro empresa. Fica assim claro que nas grandes
empresas o nível de exploração dos trabalhadores (mais
valia criada pelo trabalho não pago) é superior ao verificado nas
restantes empresas. Daí a necessidade de um imposto que incida sobre
estes sobre-lucros, nomeadamente sobre os dividendos distribuídos que
não são nem investidos, nem criam emprego, e a maior parte deles
nem paga impostos.,
AS GRANDES EMPRESAS EMPREGAM APENAS 21,3% DOS TRABALHADORES MAS APROPRIAM-SE DE
60,9% DOS LUCROS LIQUIDOS TOTAIS DAS EMPRESAS NÃO FINANCEIRAS
As grandes empresas eram apenas 1.082 em 2010 (em 2006 eram 1046), ou seja,
0,1% do total de empresas existentes no nosso país. No entanto, elas
apropriam-se de mais de metade dos lucros líquidos de todas as empresas,
como revelam os dados do INE constantes do quadro 3
Quadro 3 Lucros líquidos e número de trabalhadores segundo
a
dimensão - Empresas não financeiras
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| TOTAL | 20 082 675 | 100,0% | 3 843 268 | 100,0% |
| PME | 7 853 275 | 39,1% | 3 025 155 | 78,7% |
| Micro | 5 326 376 | 26,5% | 1 701 959 | 44,3% |
| Pequenas | 858 147 | 4,3% | 772 512 | 20,1% |
| Médias | 1 668 752 | 8,3% | 550 684 | 14,3% |
| Grandes (*) | 12 229 400 | 60,9% | 818 113 | 21,3% |
Em 2010, segundo o INE, as grandes empresas empregavam apenas 21,3% (818.113)
do total dos trabalhadores, mas obtiveram 60,9% (12.229,4 milhões
) dos lucros líquidos totais alcançados pelas empresas
não financeiras nesse ano, enquanto as micro empresas, que empregavam
44,3% (1.701.959 trabalhadores) do total de trabalhadores, os seus lucros
representaram apenas a 26,5% (5.326,3 milhões ) dos lucros
líquidos totais das empresas.
Fica assim claro, que contrariamente à mensagem que o governo e o
patronato pretendem fazer passar junto da opinião pública, para
impor mais sacrifícios aos trabalhadores, nem todas as empresas
estão a ter prejuízos, e as grandes empresas já
estão a ganhar muito com a crise. É evidente que a crise
não está a atingir nem todos nem todas as empresas (alguns
estão a ganhar muito com ela), o que é ainda agravado mais pela
politica de classe iníqua deste governo e da "troika" em que
os mais atingidos são os trabalhadores, os aposentados e os
pensionistas, e aqueles que para sobreviverem precisam de apoios sociais que
estão a sofrer grandes cortes.