O aumento dos impostos e o agravamento da injustiça fiscal durante o
governo do PS
Após cinco anos de governos PS, interessa fazer um balanço do que
tem sido a política fiscal deste governo e analisar, com objetividade e
de uma forma fundamentada, se a injustiça fiscal que existe em Portugal
tem diminuído. Com esse objetivo, vamos apenas analisar a
evolução dos impostos cobrados pela Administração
Central, ou seja, pelo Estado utilizando, para isso, os dados do próprio
governo divulgados nos relatórios que acompanham o Orçamento do
Estado de cada ano. O quadro 1 contém esses dados divulgados pelo
governo.
Como revelam os dados do quadro 1, entre 2015, último ano de governo
PSD/CDS e 2020 (Orçamento suplementar) os
IMPOSTOS DIRETOS,
que são impostos tecnicamente mais justos já que atendem ao
rendimento do contribuinte
(quanto maior é o rendimento maior é o imposto)
aumentaram em apenas 161 milhões (+1,6%), enquanto os
IMPOSTOS INDIRETOS,
que são impostos tecnicamente mais injustos, porque não atendem
ao rendimento do contribuinte
(quando um pobre ou um rico compra o mesmo bem, por ex., um maço de
cigarros ou um litro de gasolina, paga o mesmo valor de imposto);
repetindo, os
IMPOSTOS INDIRETOS
que são tecnicamente mais injustos aumentaram no mesmo período
(2015/2020) , em 2.927 milhões (+14,1%), ou seja, 18 vezes mais
que o aumento registado em euros nos Impostos diretos. Em termos
técnicos é-se obrigado a concluir que a injustiça fiscal
aumentou em Portugal com o governo PS. E isto depois de ter aumentado
enormemente com o governo PSD/CDS.
Se compararmos a percentagem que os Impostos diretos e os Impostos indiretos
representam nas receitas totais de impostos do Estado chega-se a idêntica
conclusão. Em 2015, os Impostos diretos representavam 46,8% das receitas
fiscais totais do Estado e os Impostos Indiretos correspondiam a 53,2% das
receitas fiscais do Estado nesse ano. Em 2020 (Orçamento suplementar) as
receitas de Impostos diretos representavam já 43,9% das receitas fiscais
do Estado e as receitas dos Impostos indiretos já tinham aumentado para
56,1%. Tecnicamente é-se obrigado a afirmar que a injustiça
fiscal aumentou com o governo PS.
ENTRE OS IMPOSTOS DIRECTOS, NO PERIODO 2015/2020, A RECEITA DE IRS AUMENTOU EM
506 MILHÕES , ENQUANTO A RECEITA DE IRC DIMINUIU EM 433
MILHÕES
Analisemos agora apenas os Impostos diretos: Eles são
constituídos fundamentalmente por receitas de IRS e de IRC. Segundo
dados divulgados pelo Ministérios das Finanças (AT) cerca de 92%
dos rendimentos declarados para efeitos de IRS são rendimentos do
trabalho e pensões. As receitas de IRC é de um imposto que incide
sobre os lucros das empresas, e pago por estas.
E o que á aconteceu no período 2015/2020?
Como revelam os dados do quadro 1, que são do governo, entre 2015
(último ano de governo PSD/CDS)
e 2020
(Orçamento suplementar)
as receitas de IRS aumentaram em 506 milhões (+4%), enquanto as
receitas de IRC, ou seja, as pagas pelas empresas diminuíram em -433
milhões (-8,3%). Se compararmos o Orçamento Inicial de
2020 com o Orçamento Suplementar de 2020, concluímos que a
diminuição da receita prevista é muito maior no IRS do que
no IRC, embora o aumento de desemprego e a quebra de rendimentos dos
trabalhadores seja enorme: -387 milhões no IRS, e -1639
milhões , ou seja, a redução na receita do IRC
é 4,2 vezes superior à redução da receita de IRS.
Esta é a realidade revelada pelos próprios dados divulgados pelo
governo
ENTRE 2015 E 2020, AS RECEITAS QUE MAIS AUMENTARAM A NÍVEL DE IMPOSTOS
INDIRETOS, FORAM AS DE IMPOSTOS SOBRE OS PRODUTOS PETROLIFEROS
(combustíveis)
E DO IVA
Como revelam também os dados do governo constantes do quadro 1, entre
2015
(último ano de governo PSD/CDS)
e 2020 (Orçamento suplementar do PS), as receitas de Impostos indiretos
aumentaram em 2.927 milhões (14,1%), sendo 1.011 milhões
(+45,2%) nos ISP, ou seja, nos impostos que incidem sobre os
combustíveis, e 1.193 milhões (8%) no IVA.
Se analisarmos também a variação das receitas de Impostos
indiretos entre o Orçamento Inicial de 2020 e o Orçamento
Suplementar de 2020, a conclusão que se tira é a seguinte.
Segundo os dados do quadro, a previsão da diminuição das
receitas do Estado que têm como origem os Impostos indiretos é de
-3.209 milhões , pois passam de 26.878 milhões para
23.669 milhões , sendo a redução de 472
milhões nas receitas de impostos sobre os combustíveis
(ISP) e uma diminuição de -2306 milhões no IVA. As
consequências da quebra da atividade económica são
dramáticas para o Estado, o que dificulta a sua
intervenção a nível social e económica.
Para colmatar a quebra enorme das receitas do Estado
(-5.201 milhões entre o Orçamento Inicial e o
Orçamento suplementar)
a alternativa é recorrer a empréstimos, ou seja, aumentar o
enormemente o endividamento do Estado
(em 14.846 milhões , pág. 14 do Relatório do OE
suplementar)
para obter o dinheiro que precisa e assim poder acudir às empresas e
às famílias. Mas como é fácil prever, o recurso
à divida
(dinheiro emprestado)
tem consequências pesadas para o país e para os portugueses,
já que são estes que terão de pagar com impostos as
dividas do Estado, por um lado, e, por outro lado, constituirá um
obstáculo importante ao desenvolvimento do país, já que
dinheiro que devia ser utilizado para investir e desenvolver o país
terá de ser aplicado no pagamento da divida do Estado dos juros desta
divida.
AS RECEITAS DE IMPOSTOS MEDIDAS EM % DO PIB AUMENTARAM MUITO POUCO ENTRE 2015 E
2020
Apesar da quebra enorme das receitas do Estado e do PIB, a percentagem que as
receitas de impostos do Estado de cada ano representam em relação
ao PIB desse ano diminuiu.
Entre 2015 e 2020 (Orçamento suplementar) as receitas dos impostos
cobrados pelo Estado, em percentagem do PIB, reduziu-se de 21,7% do PIB para
21,1% do PIB como mostra o quadro 1. Se a comparação for feita,
tomando como base a receita fiscal do Orçamento inicial e do
Orçamento suplementar de 2020, a redução é de 21,6%
do PIB para 21,1% do PPIB. Pelo menos, a nível da totalidade das
receitas cobradas pelo Estado através dos impostos, em percentagem do
PIB, não se verificou um aumentou durante o governo PS; pelo
contrário até diminuiu como provam os dados oficiais.
O ARTIGO 103 DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA CONTINUA POR
CUMPRIR
O nº1 do art.º 103 da Constituição da República
dispõe, sobre o sistema fiscal, o seguinte:
"O sistema fiscal visa a satisfação das necessidades
financeiras do Estado e outras entidades públicas e
uma repartição justa dos rendimentos e da riqueza".
Como acabamos de mostrar, utilizando dados divulgados pelo próprio
governo, a 2ª parte deste número 1
"uma repartição justa dos rendimentos e da riqueza"
continua por cumprir. Até quando? É a pergunta que todos
fazem. Numa altura de grave crise económica e social seria o momento
apropriado para criar um imposto de solidariedade sobre os lucros das grandes
empresas distribuídos aos grandes acionistas (dividendos) que continuam,
a esmagadora maioria, continuam isentos e são transferidos para o
estrangeiro descapitalizando o país. Por ex., a EDP vai distribuir aos
acionistas 694,7 milhões de dividendos referentes a 2019; a GALP:
580 milhões ; a ANA: 200 milhões de 2019; a
Jerónimo Martins: 120 milhões ; a Navigator: 200
milhões ; a NOS: 143 milhões .
Só estas seis grandes empresas vão distribuir dividendos no
montante de 1.937,7 milhões de lucros referentes a 2019, a
maioria nem paga impostos sobre eles porque os grandes acionistas têm
residência fiscal em outros países.
27/Junho/2020
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edr2@netcabo.pt
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