Para este governo os cidadãos não são todos iguais perante
a lei
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| 620 | 8.680 | 450 | 525 | 484 |
| 900 | 12.600 | 1.287 | 1.736 | 1.691 |
| 1.000 | 14.000 | 1.735 | 2.334 | 2.274 |
| 1.200 | 16.800 | 2.631 | 3.447 | 3.366 |
| 1.600 | 22.400 | 4.423 | 6.006 | 5.901 |
| 1.800 | 25.200 | 5.412 | 7.100 | 6.998 |
| 2.000 | 28.000 | 6.546 | 8.278 | 8.389 |
| 2.500 | 35.000 | 9.381 | 12.029 | 12.560 |
| 3.000 | 42.000 | 12.216 | 15.781 | 16.732 |
| 3.500 | 49.000 | 15.443 | 19.532 | 21.028 |
| 4.000 | 56.000 | 18.838 | 23.509 | 25.314 |
| 4.500 | 63.000 | 22.233 | 27.563 | 29.345 |
| 5.000 | 70.000 | 25.628 | 31.551 | 33.309 |
| 5.500 | 77.000 | 29.023 | 35.538 | 37.273 |
| 6.000 | 84.000 | 32.418 | 39.525 | 41.238 |
| 6.500 | 91.000 | 36.192 | 43.512 | 45.202 |
| 7.000 | 98.000 | 39.972 | 47.500 | 49.305 |
| 10.000 | 140.000 | 62.652 | 73.232 | 75.035 |
| 15.000 | 210.000 | 100.452 | 116.322 | 117.918 |
| 20.000 | 280.000 | 138.252 | 159.412 | 160.801 |
Para facilitar os cálculos constantes do quadro 1 considerou-se um
contribuinte solteiro (mas as conclusões são evidentemente
válidas para outros tipos de contribuinte) auferindo anualmente o
rendimento ilíquido constante da 2ª coluna a contar da esquerda. E
calculou-se a parcela que seria deduzida a esse rendimento ilíquido, por
força nas normas constantes do OE-2013 que foi aprovado pelo PSD/CDS, se
esse rendimento fosse auferido ou por um trabalhador do setor privado, ou por
um trabalhador da Administração Pública, ou por um
pensionista ou aposentado. E como os dados do quadro 1 mostram de uma forma
clara a parcela de que o Estado se apropria, para o mesmo rendimento
ilíquido, varia muito dependendo do setor a que pertence o contribuinte.
E essa diferença é tanto maior quanto maior é o rendimento.
Assim, por ex., um contribuinte com um rendimento ilíquido de
8.680 por ano (620/mês) se for do setor privado é
obrigado a entregar ao Estado 450, mas se for trabalhador da
Função Pública já tem de entregar 525, e se
for pensionista ou aposentado terá de entregar 484. E se tem um
rendimento de 28.000 por ano (2000/mês) se for do setor
privado é obrigado a entregar ao Estado 6.546, mas se for da
Administração Pública já tem de entregar
8.278, e se for pensionista ou aposentado o governo apropria-se de
8.389. Para o rendimento ilíquido anual de 70000
(5000/mês), se for do setor privado tem de entregar ao Estado
25.628, mas se for da Administração Pública tem
já de entregar 31.551, e se for pensionista ou aposentado o Estado
já se apropria de 33.309. Para este governo os cidadãos
não são todos iguais perante a lei. É evidente que este
governo, com este OE, colocou-se claramente fora de lei.
REDUÇÃO ACENTUADA EM 2013 DO RENDIMENTO LIQUIDO NOMINAL DOS
TRABALHADORES, PENSIONISTAS E APOSENTADOS
O quadro 2 mostra, de uma forma quantificada, a quebra dos rendimentos
líquidos nominais dos trabalhadores provocada apenas pelo aumento da
carga fiscal em 2013.
Quadro 2 Rendimento liquido (depois de deduzida a carga fiscal) dos
trabalhadores da Função Pública e do setor privado, e dos
pensionistas e aposentados em 2012 e 2013
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2012 |
2013 |
2012 |
2013 |
2012 |
2013 |
| 8.680 | 7.263 | 7.081 | 7.460 | 7.275 | 8.337 | 8.196 |
| 12.600 | 9.249 | 9.371 | 10.294 | 9.927 | 10.659 | 10.909 |
| 14.000 | 9.878 | 10.026 | 11.197 | 10.725 | 11.408 | 11.726 |
| 16.800 | 11.239 | 11.403 | 13.003 | 12.321 | 13.039 | 13.434 |
| 22.400 | 13.840 | 13.885 | 16.615 | 15.513 | 16.663 | 16.499 |
| 25.200 | 15.299 | 15.277 | 18.122 | 17.016 | 18.475 | 18.202 |
| 28.000 | 16.683 | 16.586 | 19.620 | 18.374 | 20.120 | 19.611 |
| 35.000 | 19.304 | 19.152 | 23.365 | 21.769 | 23.990 | 22.440 |
| 42.000 | 21.925 | 21.718 | 27.110 | 25.164 | 27.860 | 25.268 |
| 49.000 | 24.546 | 24.284 | 30.789 | 28.167 | 31.730 | 27.972 |
| 56.000 | 27.166 | 26.625 | 34.359 | 31.002 | 35.559 | 30.686 |
| 63.000 | 29.856 | 28.855 | 37.929 | 33.837 | 39.279 | 33.655 |
| 70.000 | 32.529 | 31.137 | 41.336 | 36.672 | 42.999 | 36.691 |
| 77.000 | 35.202 | 33.418 | 44.524 | 39.507 | 46.696 | 39.727 |
| 84.000 | 37.875 | 35.700 | 47.709 | 42.342 | 50.169 | 42.763 |
| 91.000 | 40.377 | 37.981 | 50.894 | 44.798 | 53.559 | 45.798 |
| 98.000 | 42.753 | 40.263 | 54.079 | 47.248 | 56.949 | 48.695 |
| 140.000 | 57.009 | 52.143 | 73.189 | 61.948 | 77.289 | 64.965 |
Os cálculos do quadro 2 tiveram como base um contribuinte solteiro sem
filhos, mas as conclusões são válidas também para
outro tipo de contribuintes. A simples comparação das
remunerações e das pensões liquidas de 2012 com as de 2013
constantes do quadro 2 leva à conclusão que a
aplicação das normas fiscais constantes da Lei do
Orçamento do Estado de 2013 aprovada pelo governo e pelo PSD e CDS
determina uma redução do rendimento liquido nominal dos
trabalhadores em 2013 que, para a Função Pública, varia
entre -2,5% e -8,5% a juntar à redução que estes
trabalhadores têm sofrido ao longo dos últimos anos e,
nomeadamente, em 2012; os trabalhadores do setor privado verão as suas
remunerações nominais liquidas diminuir, em 2013, entre -2,5% e
-15,4%; e os reformados e aposentados sofrerão em 2013 uma
redução nas suas pensões liquidas que varia entre -1,7% e
-15,9%. Estas quebras no rendimento liquido nominal dependem do escalão
do rendimento, sendo tanto maiores quanto mais elevados forem o rendimento, mas
a esmagadora maioria sofre uma redução como mostram os dados do
quadro 2.
O ORÇAMENTO DE ESTADO PARA 2013 AGRAVA AINDA MAIS AS DESIGUALDADES
.De acordo com os dados constantes no Relatório do OE 2013 cerca de 85%
(2.831,4 milhões ) do aumento total de receitas fiscais constante
do OE-2013 (3.320,7 milhões ) terão como origem o IRS. E
segundo dados divulgados pela Autoridade Tributária e Aduaneira do
Ministério das Finanças entre 70% e 80% (se incluir também
os rendimentos abrangidos por taxas liberatórias) dos rendimentos
declarados para efeitos de IRS têm como origem rendimentos do trabalho e
pensões. Portanto, são fundamentalmente os trabalhadores, os
reformados e os aposentados que suportarão o enorme aumento carga fiscal
em 2013 referido pelo próprio Vítor Gaspar da forma como
mostramos, se o OE-2013 aprovado apenas pelo PSD e CDS for aplicado. E isto
apesar dos rendimento do capital e da propriedade representarem uma parcela
enorme do rendimento nacional como mostram os dados do INE constantes do quadro
3 sendo, no entanto, poupados no enorme sacrifício que está a ser
imposto aos trabalhadores e pensionistas, o que agrava ainda mais as graves
desigualdades já existentes no país.
Quadro 3 - RENDIMENTOS DE CAPITAL
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| 2010 | 44.084 | 23.331 | 17.958 | 2.189 | 606 |
| 2011 | 51.961 | 32.581 | 16.657 | 2.198 | 526 |