As dívidas à Segurança Social aumentaram com o governo
PSD/CDS
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Milhões |
Milhões |
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| 2010 | 5.963 | 5.002 | 83,9% |
| 2011 | 7.142 | 3.402 | 47,6% |
| 2012 | 8.489 | 3.797 | 44,7% |
| 2013 | 9.920 | 4.396 | 44,3% |
De acordo com os dados dos Balanços e Demonstrações de
Resultados da Segurança Social constantes dos relatórios do
Orçamento de Estado de cada ano, que constam do quadro 1, as dividas
à Segurança Social aumentaram, desde a entrada da
"troika"
e do governo PSD/CDS, em 3.957 milhões pois, entre 2010 e
2013 (último ano nem que os dados já estão
disponíveis), passaram de 5.963 milhões para 9.920
milhões . E desconhece-se que montantes foram abatidos neste valor
pelo facto ou de terem prescrito ou porque o governo os ter considerado de
pagamento impossível.
No entanto, mesmo em relação aos valores constantes do quadro 1,
o governo considera que uma parcela muito significativa da "Divida
Total" seja de "cobrança duvidosa" ou, por outras
palavras, que não seja paga. Deixa-se passar o tempo por falta de meios
para atuar e depois as empresas devedoras desaparecem.
Em 2010, as dividas à Segurança Social atingiam 5.963
milhões , e 5.002 milhões (83,9%) eram consideradas
de cobrança duvidosa. Em 2011, as dividas à Segurança
Social aumentam para 7.142 milhões (+ 1.172 milhões
num ano apenas), mas as de cobrança duvidosa diminuíram em 1.600
milhões , portanto uma parcela importante passa de "divida de
cobrança duvidosa" a "divida de cobrança não
duvidosa" ou, então, é pura e simplesmente eliminada dos
registos da Segurança Social. Por aqui se vê, que o seu montante
varia de acordo com a disposição do governo.
A divida total à Segurança Social continuou a subir a um ritmo
muito elevado. Em 2012 a divida aumentou em 1.347 milhões e, em
2013, em mais 1.431 milhões . Em três anos de
"troika" e de governo PSD/CDS as divididas à Segurança
Social aumentaram em média, por ano, 1.319 milhões , o que
é muito preocupante pois contribui para pôr em perigo a
sustentabilidade financeira da Segurança Social.
DIVIDAS À SEGURANÇA SOCIAL AUMENTAM E PRESTAÇÕES
SOCIAIS DIMINUEM
Uma das consequências do aumento vertiginoso das dívidas à
Segurança Social, que se traduz por menos receitas, associada à
política de austeridade para reduzir o défice, foram os cortes
brutais nas prestações sociais.
Entre 2010 e 2015, as pensões da Segurança Social foram
congeladas, com exceção apenas das pensões de valor
inferior a 262 que abrangem cerca de 400 mil pensionistas da
Segurança Social e da CGA num total de 3.500.000 pensionistas. Cerca de
3.100.000 reformados e aposentados (88,6% do total) têm as suas
pensões congeladas desde 2010, o que representou um corte nos seus
rendimentos estimado, pelo próprio governo, em 3.140 milhões
. Para além disso, uma parte importante deles ainda teve de pagar
a chamada Contribuição Extraordinária de Solidariedade
(CES) que representou um corte nos seus rendimentos estimado em 842
milhões e sofreu o confisco do subsídio de férias e
de Natal em 2012 que representou outro corte de 1.200 milhões nos
seus rendimentos. O quadro 2 mostra a redução significativa dos
portugueses a receber prestações sociais o que acarretou,
naturalmente, mais miséria e mais pobreza.
Quadro 2 Corte nos beneficiários de prestações
sociais, Período 2010-2014
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| Nov/10 | 138.359 | 346.627 | 234.883 | 1.392.096 | 308.915 | 689.600 | 44,8% |
| Dez/11 | 118.839 | 316.906 | 236.013 | 1.220.789 | 307.969 | 711.000 | 43,3% |
| Out/12 | 112.572 | 285.111 | 230.483 | 1.179.008 | 374.277 | 870.900 | 43,0% |
| Dez/13 | 97.472 | 231.149 | 237.844 | 1.185.175 | 375.098 | 826.700 | 45,4% |
| Dez/14 | 91.333 | 210.669 | 171.378 | 1.146.229 | 304.293 | 698.300 | 43,6% |
| Variação | -47.026 | -135.958 | -63.505 | -245.867 | -4.622 |
As estatísticas divulgadas pela própria Segurança Social
revelam que, com o governo PSD/CDS e com a "troika", se registou uma
quebra continuada do número de beneficiários de
prestações sociais consequência de uma politica que tem
precisamente esse objetivo para assim reduzir a despesa social e, com isso,
reduzir o défice orçamental. Entre Dez/2010 e Dez/2014, o
número de famílias a receber o rendimento social de
inserção diminuiu em 47.026 e o número de
beneficiários caiu em 135.950; no mesmo período, o numero de
idosos a receber um complemento solidário de idoso diminuiu em 63.505, e
o numero de crianças a receber o abono de família foi reduzido
pelo governo em 245.867. Em Dez/2014, a percentagem de desempregados a receber
subsidio de desemprego correspondia apenas a 43,6% do desemprego oficial e
somente a cerca de 31,8% do desemprego real. Como consequência a
miséria aumentou em Portugal como confirmam os dados mais recentes do
INE constantes do quadro 3
Quadro 3 Aumento da pobreza em Portugal
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| TAXA DE RISCO DE POBREZA | ||||
| Antes das transferências sociais | 42,5% | 45,4% | 46,9% | 47,8% |
| Após transferências pensões | 25,4% | 25,3% | 26,6% | 26,7% |
| Após transferências sociais | 18,0% | 17,9% | 18,7% | 19,5% |
Entre 2010 e 2013 (são os últimos dados do INE) a percentagem de
portugueses na pobreza, após o pagamento das prestações
sociais, aumentou de 18% para 19,5%, ou seja, em 2013, já 2.033.324
portugueses viviam em situação de pobreza.
PASSOS COELHO E MOTA SOARES INCENTIVAM O INCUMPRIMENTO
É neste contexto que terá de ser também avaliado o
comportamento de Passos Coelho e de Mota Soares. O primeiro, quando afirmou que
se esqueceu de pagar as contribuições para a Segurança
Social apesar de nenhum outro português se poder desculpar dizendo mesmo,
ou seja, que não conhecia a lei, e de só as pagar quando foi
apanhado pelo serviços da Segurança Social e mesmo assim, segundo
alguns media, não pagando a totalidade do que devia ser pago. E Mota
Soares quando afirmou que Passos Coelho "foi "vitima de um erro da
Administração Pública" culpabilizando assim os
funcionários públicos pelo incumprimento de Passos Coelho. Tais
comportamentos são certamente mais um incentivo para o aumento da fraude
e evasão contributiva (muitos dirão que
"os exemplos veem de cima"
) o que tem graves consequências na sustentabilidade da Segurança
Social, e no combate à pobreza que alastra na sociedade portuguesa fruto
de uma politica que tem destruído a economia, o emprego e o tecido
social nacional.