O aumento das dívidas à Segurança Social
Entre 2005 e 2014, com Sócrates/Vieira da Silva e Passos/Mota
Soares, o aumento foi de 8.851 milhões
SUMÁRIO EXECUTIVO
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Entre 2005 e 2014, as dividas à Segurança Social aumentaram 8.851
milhões (7 vezes), sendo 4.520,9 milhões durante o
governo de Sócrates/Vieira da Silva (5 anos), e 4.330,2 milhões
no governo de Passos Coelho/Mota Soares (4 anos).
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3.258 milhões de descontos feitos nos salários dos
trabalhadores pelos patrões não foram entregues por estes
à Segurança Social.
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A Segurança Social é duplamente penalizada com a divida: por um
lado, não recebe as receitas dessas contribuições e, por
outro lado, tem de pagar pensões em cujo cálculo é
considerado o tempo de carreira contribuitiva dos trabalhadores correspondente
às contribuições não recebidas (para não
prejudicar os trabalhadores).
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Para além das contribuições declaradas pelos
patrões, mas não cobradas pela Segurança Social que
vão engrossar a divida, há ainda milhares de milhões
de contribuições não declaradas pelos
patrões que também não são cobradas devido à
evasão e fraude contributiva que os governos nada têm feito para
combater.
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Os serviços de recuperação de dívidas à
Segurança Social degradados pelos sucessivos governos foram praticamente
desmantelados por Passos/Mota Soares
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Sem recuperação da divida e combate eficaz à evasão
e fraude contributiva o aumento das pensões será cada mais
difícil e mais justificações para o não fazer.
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A questão das dívidas enormes das empresas à
Segurança Social, voltou às páginas dos
órgãos de comunicação a propósito do
anúncio feito pelo governo que iria reiniciar a publicação
dos nomes dos devedores, tal como acontece já com as dividas fiscais.
Embora seja uma medida positiva, pois representa mais transparência, no
entanto não é um instrumento eficaz para combater a divida
crescente das empresas à Segurança Social. E isto até
porque no passado já houve essa divulgação, e não
foi por esse facto que as dividas à Segurança Social deixaram de
crescer a um ritmo elevado, como iremos mostrar.
DIVIDAS À SEGURANÇA SOCIAL AUMENTARAM 904 MILHÕES
/ANO COM SÓCRATES/VIEIRA DA SILVA E 1.083 MILHÕES
/ANO COM PASSOS/MOTA SOARES
Para se poder ter uma ideia rigorosa do que tem acontecido neste campo,
observem-se os dados que constam do quadro 1, retirados dos Relatórios
dos OE, portanto dados oficiais.
Entre 2005 e 2014, as dividas das empresas à Segurança Social
passaram de 1.442,1 milhões para 10.293,2 milhões ,
ou seja, aumentaram em 8.851,1 milhões , isto é, em mais de
7 vezes. Se repartimos este enorme aumento da dividas à Segurança
Social
8.851,1 milhões
pelos governos que estiveram neste periodo, e que foram
responsáveis
em permitir tais aumentos, concluimos que 4.520,9 milhões se
referem ao periodo em que era 1º ministro Sócrates, e Ministro da
Segurança Social Vieira da Silva (5 anos); e que 4330,2 nulhões
se referem ao período do governo de Passos/Coelho Portas, em que
era ministro da Segurança Social Mota Soares (4 anos). Isto significa
que as dividas à Segurança Social aumentaram durante o governo
Sócrates/Vieira da Silva em média 904 milhões por
ano, e durante o governo de Passos Coelho/Mota Soares o aumento médio
foi de 1.083 milhões por ano. E como mostra o quadro 1, no fim de 2014,
o governo previa que 4.652 milhões dos 10.293,2 milhões
era divida inrrecuperável (perdida), pois tinha
constituído, por isso, uma provisão de 4.862,1 milhões
.
Portanto nada se faz de eficaz para recuperar a divida, protelando
indifenidamente, e depois utiliza-se isso para justificar que é
irrecuperável
Outro aspeto importante que é esquecido, é o facto de uma parcela
importante desta divida 3.258,3 milhões - serem descontos
feitos nos salários dos trabalhadores que os patrões não
entregaram à Segurança Social; ou seja, 3.258,3 milhões
de salários que os trabalhadores perderam e que não foram
recebidos pela Segurança Social.
A SEGURANÇA SOCIAL SOFRE UM DUPLO PREJUÍZO
Contrariamente ao que se pode pensar, a Segurança Social não
sofre apenas o prejuízo causado pela perda de receita de
contribuições que vão engrossar a divida das empresas.
Para além de não receber essas contribuições, a
Segurança Social é obrigada, por lei, a considerar no
cálculo da pensão o tempo de carreira contributiva dos
trabalhadores referente àquelas contribuições não
entregues pelos patrões. E isto porque os trabalhadores não podem
ser culpabilizados nem sofrer pelo incumprimento ou pelas malfeitorias dos
patrões. Repetindo, a Segurança Social não só
não recebe as contribuições em divida de que se
apropriaram os patrões, como também é obrigada por lei a
considerar no cálculo das pensões o tempo de carreira
contributiva correspondente a essas contribuições que não
recebeu, portanto tem um duplo prejuízo. E os sucessivos governos nada
de eficaz têm feito para pôr cobro a essa situação. E
depois utilizam-se as dificuldades assim criadas à Segurança
Social, para justificar o aumento da idade de reforma, e mais cortes e
congelamento das pensões.
A DIVIDA RESULTA DE CONTRIBUIÇÕES DECLARADAS PELOS PATRÕES
À SEGURANÇA SOCIAL, MAS PARA ALÉM DISSO HÁ MUITOS
MILHÕES DE EUROS DE CONTRIBUIÇÕES NÃO DECLARADAS
Como se acabou de mostrar há 10.292 milhões de
contribuições que foram declaradas pelas empresas à
Segurança Social, mas que depois a Segurança Social não
cobrou. Mas para além destes 10.292 milhões que foram
declarados mas não cobrados, existem muitos mais milhões
de contribuições devidas à Segurança Social que nem
são declaradas devido à evasão e fraude contributiva e,
consequentemente, também não são cobradas. O quadro 2
mostra a dimensão desse problema
Assim, se calcularmos as contribuições potencialmente devidas
à Segurança Social com base no valor dos salários totais
pagos anualmente no país divulgados pelo INE, aplicando a estes a TSU (
11% dos trabalhadores e 23,75% das empresas = 34,75%)
obtém-se, para o período 2005/2014, 216.425 milhões
. Se depois somarmos as contribuições cobradas pela
Segurança Social no mesmo período (2005/2014), obtém-se
mos 128.420 milhões segundo os dados divulgados pela
Segurança Social. Seguidamente se ao primeiro valor 216.425
milhões - deduzirmos o segundo 128.420 milhões
- restam 88.005 milhões , o que dá uma média
de 8.800 milhões /ano. Se deduzirmos a este valor a receita
perdida devido às isenções e reduções da
T.S.U., assim como as contribuições que são declaradas mas
não cobradas pela Segurança (que vai para a divida) e ainda as
contribuições pagas à CGA pelos trabalhadores da
Função Pública e pelos serviços, obtém-se
aproximadamente a receita que a Segurança Social perde devido à
evasão e fraude contributiva. Por ex., em 2014 se deduzirmos ao valor de
6.945 milhões (que é aquela diferença que consta do
quadro 2 relativo a 2014); repetindo, se deduzirmos a este valor, o aumento da
divida registado em 2014 (373,1 milhões seguindo o quadro 1),
assim como a perda de receita devido a isenções e
reduções da TSU (218 milhões , segundo o governo),
bem como as contribuições dos trabalhadores e serviços da
Função Pública pagos à CGA, portanto que não
foram para a Segurança Social, que somaram 3.958,2 milhões
segundo o relatório da CGA, obtém-se ainda (restam) 3.195,8
milhões . Esta é a receita que a Segurança Social
deve ter perdido em 2014, devido à evasão e fraude contributiva.
Embora este valor se possa considerar indicativo, no entanto quando o governo
PS, através de Vieira da Silva, diz, como consta do relatório do
OE-2016, que prevê recuperar deste montante apenas 50 milhões
de receita da Segurança Social resultante do
"combate à fraude e evasão contributiva e prestacional"
(Relatório OE-2016, pág. 52), só pode resultar da
intenção de não levar a cabo um combate eficaz contra a
evasão e fraude contributiva, o que é grave, pois tal passividade
só pode contribuir para criar problemas de sustentabilidade financeira
à Segurança Social e para justificar não aumentar
futuramente as pensões, ou fazer "aumentos" como o de 2016,
que é ofensivo para os pensionistas. Era importante que os partidos de
esquerda que apoiam este governo dessem mais atenção a esta
questão.
A DEGRADAÇÃO E DESTRUIÇÃO DOS SERVIÇOS
RESPONSÁVEIS PELA RECUPERAÇÃO DAS DIVIDAS À
SEGURANÇA SOCIAL
No livro que publicamos em 2015 com o titulo
"COMO GARANTIR A SUSTENTABILIDADE DA SEGURANÇA SOCIAL E DA CGA"
transcrevemos (págs. 80-82) um relato feito por um trabalhador do IGFSS.
A situação de caos e de degradação a que chegaram
estes serviços fundamentais é chocante. Mas leia-se o que ele
relata:
A competência para recuperar as dívidas à Segurança
Social cabe ao IGFSS, concretamente às suas SPE's . Estas, nos
últimos anos, perderam cerca de 50% dos seus trabalhadores, não
tendo sido feito nenhum investimento a nível de meios
técnico-informáticos que permitisse, de algum modo, compensar
esta perda de trabalhadores. Apenas alguns exemplos para que se perceba
até que ponto a execução fiscal das dívidas
à Segurança Social ainda se encontra na "idade da
pedra". No Sistema de Execuções Fiscais (SEF), a
aplicação informática utilizada para a
tramitação dos processos de execução fiscal,
é extremamente limitado a única tarefa que realiza
automaticamente é a emissão de citações, tudo o
resto é feito manualmente; enquanto na Administração
Tributária (impostos) uma penhora de créditos ocorre
automaticamente, na Segurança Social, no IGFSS a mesma só
é possível se for o próprio contribuinte a indicar o
crédito à penhora, já que não há qualquer
cruzamento de dados com a Administração Tributária. Os
seus poucos trabalhadores deparam-se, diariamente, com as mais variadas
dificuldades: desde impressoras e computadores obsoletos até
aplicações informáticas que pura e simplesmente não
funcionam, obrigando à realização manual de tarefas que
poderiam e deveriam ser automatizadas. O número de processos pendentes
não para de aumentar, o que, naturalmente, se traduz num aumento
exponencial da afluência aos postos de atendimento ao público. No
IGFSS não há qualquer distinção entre tarefas de
"front office" e de "back office". No distrito de Braga, o
terceiro maior do país no que diz respeito a dívidas à
Segurança Social, são seis (6) os trabalhadores
responsáveis por mais de 220 mil processos pendentes (em distritos como
Lisboa e Porto a situação ainda é pior).
O leitor interessado pode ler o relato completo no livro.
É necessário forte investimento nesta área, pois sem meios
não é possível recuperar a divida
, mesmo que se apresente um plano de recuperação da divida.
É preciso ter presente que uma coisa é recuperar a divida das
contribuições declaradas pelas empresas e não pagas
(a divida conhecida),
e outra coisa bem diferente são as contribuições
não declaradas que resultam da evasão e fraude contributivo de
que ninguém fala
(divida desconhecida).
Apenas se conhece a intenção deste governo em recuperar 50
milhões em 2016 o que é muito pouco, para não dizer
NADA. Era importante que os partidos da esquerda dessem mais
atenção a estas questões pois são importantes para
garantir a sustentabilidade da S. Social e o aumento das pensões
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04/Março/2016
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edr2@netcabo.pt
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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