Dívidas à Segurança Social:
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Milhões |
Milhões |
Em milhões |
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| 2005 | 0,099 | 2.150,0 | 2.150,1 | 233,7 | |
| 2006 | 0,099 | 3.174,2 | 3.174,3 | 1.024,1 | 310,2 |
| 2007 | 2.744,6 | 1.475,4 | 4.220,0 | 1.045,8 | 2.447,7 |
| 2008 | 3.895,3 | 1.354,0 | 5.249,3 | 1.029,2 | 3.592,7 |
| 2009 | 4.849,6 | 1.776,9 | 6.626,5 | 1.377,2 | 4.560,0 |
| 2010 | 5.739,9 | 1.530,6 | 7.270,5 | 644,0 | 5.437,7 |
| 2010/2005-M | +5.739,8 | -619,4 | +5.120,4 | +5.204,0 | |
| 2010/2005-% | +5797768,7% | -28,8% | +238,1% | +2226,8% | |
De acordo com os Balanços e Contas da própria Segurança
Social, as dívidas a esta, entre 2005 e 2010, passaram de 2.150,1
milhões para 7.270,5 milhões (uma subida de
238,1%), ou seja, aumentaram, em média por ano, 1454 milhões
. Portanto, no fim de 2011, deverão situar-se entre 8.000
milhões e 9.000 milhões . É certamente com o
propósito de ocultar este escândalo, que Pedro Mota Soares
não divulgou o montante actual das dívidas à
Segurança Social (ou será porque nem sabe?). E qual é a
solução para esta situação que o governo tenciona
adoptar? Não é cobrar as dívidas, mas sim anulá-las
e perdoá-las, naturalmente apenas aos grandes devedores, com
milhões de dívidas, os quais retiveram também os
descontos que fizeram nos salários dos trabalhadores, não os
entregando à Segurança Social. A confirmar isso, está o
facto de, até 2010, ter sido criada uma "Provisão" no
valor de 5.437,7 milhões , que permitirá ao actual governo
reduzir administrativamente a divida total à Segurança Social em
5.437,7, milhões , baixando a divida acumulada até 2010 de
7.270,5milhões para apenas 1.832,8 milhões .
Não se tomam atempadamente medidas para cobrar as dívidas e
depois, com a desculpa que não é possível
cobrá-las, anulam-se as dividas; e seguidamente diz-se que a
Segurança Social está em dificuldades financeiras, e congelam-se
pensões, confisca-se o subsidio de férias e de Natal dos
reformados, e reduz-se o subsidio de desemprego, etc, etc. É um circulo
diabólico de destruição da Segurança Social,
é uma espiral de redução de direitos sociais com o claro
propósito de criar uma área de negócios para as
seguradoras e fundos de pensões controlados pelos bancos.
A EVASÃO E A FRAUDE CONTRIBUITIVA À SEGURANÇA SOCIAL
CONTINUA EM LARGA ESCALA
A divida não cobrada é calculada com base nas
declarações que as empresas são obrigadas a enviar
mensalmente à Segurança Social. Por isso, se elas não
enviarem essas declarações ou se as declarações
enviadas não incluírem a totalidade das
contribuições, por ter sido omitida ou não inscrita uma
parcela das remunerações pagas aos trabalhadores, então os
valores não declarados não constam da divida. É certo que
a Segurança Social, aproveitando o histórico existente da empresa
ou cruzando dados com a Administração Fiscal, poderá
detectar uma parte não declarada e fazer um procedimento oficioso, mas
é sempre uma pequena parte. Para concluir isso, observe-se o quadro
seguinte, construído com dados divulgados pelo INE (Estatísticas
do Emprego), pelo Ministério da Solidariedade e Segurança Social
(Boletim Estatístico) e pela Segurança Social
(contribuições cobradas em 2011).
Quadro 2 Estimativa das isenções, evasão, fraude
contributiva à Segurança Social em 2011
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| TRABALHADORES POR CONTA DE OUTRÉM-2011 INE - Mil | 3.815,2 |
| Trabalhadores da Administração Pública e de F. Pensões não abrangidos Segurança Social (*) Mil | 600 |
| TRABALHADORES POR CONTA DE OUTRÉM (s/ Administração Publica e Fundo Pensões) Mil | 3.215,2 |
| Remuneração base media mensal Média 2011 - Euros - Boletim Estatístico - MSSS | 969 |
| Ganho médio mensal Média 2011 - Boletim Estatístico - MSSS - Euros | 1.140 |
| REMUNERAÇÕES TODOS OS TRABALHADORES (sem Administração Publica e F.P.) Milhões | 43.611 |
| GANHOS TODOS OS TRABALHADORES (s/ Administração Publica e F.P.) Milhões | 51.329 |
| ESTIMATIVA DAS CONTRIBUIÇÕES POTENCIAIS DA SEGURANÇA SOCIAL -Milhões | |
| Com base na remuneração base média mensal Milhões euros | 15.155 |
| Com base no ganho médio mensal - Milhões de euros | 17.837 |
| CONTRIBUIÇÕES E QUOTIZAÇÕES COBRADAS EM 2011 Milhões de euros (**) | 13.854 |
| RECEITA PERDIDA DEVIDO FRAUDE , EVASÃO E ISENCÕES CONTRIBUTIVAS E AUMENTO DIVIDA | |
| Cálculo com base na remuneração base média - Milhões de euros | -1.301 |
| Cálculo com base no ganho médio - Milhões de euros | -3.983 |
Com base nos dados divulgados pelo INE, Ministério da Segurança
Social e pela própria Segurança Social, portanto dados oficiais,
estimamos que as isenções e taxas reduzidas, mais a evasão
e fraude contributiva tenham feito perder à Segurança Social,
só em 2011, entre 1.301 milhões e 3.983 milhões
, mas certamente mais próximo deste último valor pois, para
além da remuneração base, que utilizamos para estimar uma
perda de receita de 1.301 milhões , também as outras
remunerações complementares (ganhos) recebidas pelos
trabalhadores estão sujeitos a descontos para a Segurança Social.
A maior perda deve-se à evasão e fraude contributiva para a
Segurança Social. E tenha-se presente que no valor das
Contribuições cobradas em 2011 13.854 milhões
- estão cerca de 440 milhões de dividas de anos
anteriores que foram cobradas (recuperadas) em 2011 o que determina, se
deduzirmos tal importância, que a verdadeira receita perdida pela
Segurança Social, só em 2011, tenha atingido, 4.400
milhões , um valor que, se fosse cobrado, permitiria que a
Segurança Social não tivesse dificuldades financeiras, por um
lado, e, por outro lado, evitaria os cortes brutais que as
prestações sociais estão a sofrer por decisão do
governo PSD/CDS e da "troika estrangeira". Mas este governo
não está interessado num combate eficaz, por isso não dota
a Segurança Social dos meios necessários, para assim arranjar
justificações para privatizar a Segurança Social.