Desemprego e destruição de emprego aceleram, economia afunda-se e
entra em espiral recessiva
Passos Coelho diz que tudo isso está em linha com as
previsões do governo e que é apenas a seleção
natural
RESUMO DESTE ESTUDO
No último trimestre de 2012 verificou-se uma aceleração
rápida quer do desemprego quer da destruição de emprego, o
que é um indicador claro da espiral recessiva em que o país
já está mergulhado devido à politica recessiva violenta
imposta pelo governo e "troika". Se dividirmos o período de
governo PSD/CDS e "troika" em dois subperíodos
(1ºTrm.2011/3ºTrim.2012, e 4º Trim.2012), concluímos que
se verificou no 4º Trimestre de 2012 uma aceleração brutal
quer do desemprego quer da destruição de emprego. No
período que vai do 1º Trim.2011 ao 3ºTrim. 2012, a taxa de
desemprego oficial aumentou, em média, 0,6 pontos percentuais por
trimestre (desemprego real subiu 1 ponto percentual por trimestre), e a
destruição de emprego atingiu, em média, 388 empregos por
dia; mas no 4º Trimestre de 2012 a taxa de desemprego oficial aumentou 1,1
pontos percentuais apenas num único trimestre (a real subiu 1,6 pontos
percentuais), e a destruição de emprego atingiu, em média,
1353 empregos por dia, ou seja, 3,5 mais do que o verificado no
subperíodo anterior. E não se pense que são apenas estes
dois indicadores desemprego e destruição de emprego
que revelam uma aceleração do agravamento da crise
económica e social do país. O INE tem divulgado já em 2013
um conjunto de informação sobre os vários setores mais
importantes da economia e sociedade portuguesa industria,
serviços, investimento, rendimentos, etc. que confirmam o
agravamento da crise económica e social. Mesmo as
exportações, em que assentava a recuperação
fictícia do governo e da "troika", aumentaram apenas 1% no
4º Trimestre de 2012, tendo-se verificado num só ano 2012-
uma redução do índice do custo do trabalho em 14,9%, tendo
os custos salariais diminuído 16,1% segundo o INE, o que revela uma
redução brutal nos rendimentos dos trabalhadores.
Por outro lado,
a perda para o país devido ao desemprego é gigantesca: variando,
conforme se considere o desemprego oficial ou o desemprego real: (1) Entre
36.805 milhões do PIB (22% do PIB previsto para 2013) e 48341
milhões de PIB (29% do PIB previsto); (2) Entre 14.354
milhões e 18.853 milhões de salários; (3) Entre
3.802 milhões e 4.994 milhões (e só
consideramos o IRS e IVA); (4) E entre 4.988 milhões e 6.551
milhões de contribuições para a Segurança.
São valores gigantescos de riqueza e receitas contributivas perdidas,
que são indispensáveis ao desenvolvimento do país e ao
bem-estar dos portugueses, que a politica recessiva violenta imposta ao
país pelo governo PSD/CDS e pela "troika" tem feito aumentar
de uma forma rápida.
O gráfico 1, construído com dados oficiais do INE e do Banco de
Portugal, mostra de uma forma clara os efeitos diretos da recessão
económica no aumento brutal do desemprego.
É clara uma forte correlação negativa entre a taxa de
variação do PIB e a taxa de desemprego, ou seja, quando a taxa de
variação do PIB diminui ou torna-se negativa, a taxa de
desemprego aumenta. Em Portugal, o desemprego só diminui quando a taxa
de crescimento do PIB é superior a 2%. Afirmar como faz Passos
Coelho, Vitor Gaspar, António Borges, personagens de outro mundo
que, em 2013, e mais acentuadamente em 2014, se verificará uma
inversão na situação económica, e que o desemprego
diminuirá, só pode ser ou por ignorância sobre a economia,
ou então com a intenção clara de enganar e manipular a
opinião pública.
|
A aceleração verificada no 4º Trimestre de 2012 quer do
aumento do desemprego quer da destruição do emprego revela que a
crise económica e social se está a agravar de uma forma muito
rápida em Portugal, confirma que as previsões do governo e da
"troika" são um completo falhanço, e que a politica
recessiva está a destruir a economia e a sociedade portuguesa. O quadro
1, construído com dados do INE, mostra de uma forma objetiva e clara o
que está a acontecer ao país e aos portugueses e a necessidade
urgente de inverter tal situação.
Quadro 1- O aumento do desemprego e a destruição do emprego no
período da "troika" e do governo PSD/CDS - 2011/2012
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RUBRICAS
|
1ºT-
2011
|
2ºT-
2011
|
3ºT-2011
|
4ºT-2011
|
1ºT-2012
|
2ºT-2012
|
3ºT-2012
|
4ºT-2012
|
Variação
Mil
|
Variação
%
|
|
População Activa - Mil
|
5.555
|
5.568
|
5.543
|
5.507
|
5.482
|
5.515
|
5.527
|
5.455
|
-99,8
|
-1,8%
|
|
DESEMPREGO OFICIAL Milhares
|
688,9
|
675,0
|
689,6
|
771,0
|
819,3
|
826,9
|
870,9
|
923,2
|
234,3
|
34,0%
|
|
TAXA DE DESEMPREGO OFICIAL
|
12,4%
|
12,1%
|
12,4%
|
14,0%
|
14,9%
|
15,0%
|
15,8%
|
16,9%
|
4,5%
|
36,5%
|
|
Inativos disponíveis mas que não procuram emprego Milhares
(*)
|
143,8
|
147,7
|
193,4
|
203,1
|
202,1
|
217,4
|
249,2
|
259,8
|
116,0
|
80,7%
|
|
Subemprego de trabalhadores a tempo parcial Milhares
|
173,9
|
211,4
|
210,2
|
238,0
|
255,8
|
261,0
|
247,3
|
260,9
|
87,0
|
50,0%
|
|
DESEMPREGO REAL Milhares
|
1006,6
|
1.034,1
|
1.093
|
1.212
|
1.277,2
|
1.305,3
|
1.367,4
|
1.443,9
|
437,3
|
43,4%
|
|
TAXA DE DESEMPREGO REAL
|
17,7%
|
18,1%
|
19,1%
|
21,2%
|
22,5%
|
22,8%
|
23,7%
|
25,3%
|
7,6%
|
43,0%
|
|
Desempregados a receber subsidio de desemprego Milhares
|
293,7
|
285,7
|
296,3
|
316,1
|
360,7
|
356,5
|
375,0
|
389,9 (**)
|
96,2
|
32,7%
|
|
TAXA DE COBERTURA DO SUBSIDIO DE DESEMPREGO
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Percentagem do desemprego oficial
|
42,6%
|
42,3%
|
43,0%
|
41,0%
|
44,0%
|
43,1%
|
43,1%
|
42,2%
|
-0,4%
|
-0,9%
|
|
Percentagem do desemprego real
|
29,2%
|
27,6%
|
27,1%
|
26,1%
|
28,2%
|
27,3%
|
27,4%
|
27,0%
|
-2,2%
|
-7,5%
|
|
EMPREGO - Milhares
|
4 866,0
|
4 893,0
|
4.853
|
4 735
|
4 662,5
|
4 688,2
|
4 656,3
|
4 531,8
|
-334,2
|
-6,9%
|
|
DESTRUIÇÃO MÉDIA DIÁRIA DE EMPREGO EM PORTUGAL COM
A"TROIKA" E GOVERNO PSD/CDS
|
Entre o 1º Trim.2011 e 3ºTrim. 2012 a destruição foi
de 388 empregos/dia
|
No 4ºTrim. 2012 a destruição atingiu 1353 empregos/dia
|
|
A destruição diária do emprego no período da troika
(1ºTrim.2011/4ºTrim.2012) foi de 530 empregos/dia
|
(*) Não inclui os inativos que procuraram emprego mas que não
estavam disponíveis, que eram já 30,7 mil no 4º Trim2012,
por razões obvias.
(**) Este valor refere-se a Novembro/2012 que é o útil que a
Segurança Social disponibilizou
Fonte: Estatísticas de Emprego : 2ºT2011/4º T2012 -
INE
Entre o 1º Trimestre de 2011, inicio de funções do governo
PSD/CDS e da entrada em Portugal da "troika, e o 4º Trimestre de
2012, o desemprego oficial aumentou de 688,9 mil para 923,2 mil portugueses, ou
seja, em mais 234,3 mil (+34%), e o desemprego real que, para além do
desemprego oficial, inclui também os desempregados que não
procuram emprego e que por isso não são incluídos nos
dados do desemprego oficial (259,8 mil), nem aqueles que estão numa
situação de subemprego parcial por não conseguirem
arranjar um trabalho a tempo completo (260,9 mil); repetindo, entre o 1º
Trim.2011 e o 4º Trim.2012, o desemprego real subiu de 1.006.600 para
1.443.900 (25,3% da população ativa), ou seja, em mais 437,5 mil
(+43,4%). Se dividirmos este período de governo PSD/CDS e
"troika" em dois subperíodos
(1ºTrm.2011/3ºTrim.2012, e 4º Trim.2012), concluímos que
se verificou no 4º Trimestre de 2012 uma aceleração
rápida quer do desemprego quer da destruição de emprego.
No período que vai do 1º Trim.2011 ao 3ºTrim. 2012, a taxa de
desemprego oficial aumentou, em média, 0,6 pontos percentuais por
trimestre (desemprego real subiu 1 ponto percentual por trimestre), e a
destruição de emprego atingiu, em média, 388 empregos por
dia; no 4º Trimestre de 2012 a taxa de desemprego oficial aumentou 1,1
pontos percentuais apenas num único trimestre (a real subiu 1,6 pontos
percentuais), e a destruição de emprego atingiu, em média,
1353 empregos por dia, ou seja, 3,5 vezes superior ao verificado no
subperíodo anterior.
OUTROS DADOS DIVULGADOS JÁ EM 2013 PELO INE CONFIRMAM O AGRAVAMENTO E A
ENTRADA DO PAÍS NUMA ESPIRAL RECESSIVA
E não se pense que são apenas estes dois indicadores
desemprego e destruição de emprego que revelam uma
aceleração do agravamento da situação
económica e social do país, mostrando que ele está
mergulhado já numa espiral recessiva, que o governo e
"troika", assim como os seus defensores teimam em ignorar. O INE
têm divulgado já em 2013 dados relativos à
evolução registada nos principais setores da atividade
económica, que confirmam o agravamento rápido da crise
económica e social portuguesa. Recordemos os mais importantes até
para que o leitor possa ficar com uma ideia global, não fragmentada, do
que está a acontecer. Para isso vamos apenas transcrever os
títulos que o próprio INE colocou na informação que
divulgou, e que se encontra disponível no "site" desta
entidade. Eis alguns deles que são significativos e esclarecedores
utilizados pela entidade oficial de estatística:
"Índice de Produção Industrial manteve
variação homóloga negativa- Dez.2012";
"Significativa revisão em baixa do investimento empresarial em
2012- 2.º Semestre de 2012"; "Índice de Volume de
Negócios na Indústria acentuou variação
homóloga negativa Dez.2012; ""Índice de Novas
Encomendas na Indústria registou variação homóloga
mais negativa Dez.2012; "Comércio Internacional de bens:
saídas aumentaram 1% e entradas diminuíram 3% - Dez. 2012";
"Índice de Volume de Negócios nos Serviços
intensificou variação homóloga negativa
Dez.2012"; "Índice de Produção na
Construção diminuiu 17,7% em termos homólogos
Dez.2012"; "Produto Interno Bruto diminuiu 3,8% em volume - 4.º
Trim.2012"; "O Índice de Custo do Trabalho diminuiu 14,9% face
ao trimestre homólogo de 2011 - 4.º Trim.2012.
Todos eles revelam o agravamento da situação.
Mesmo as exportações, em que assentava a
recuperação fictícia do governo e da "troika",
aumentaram apenas 1% no 4º Trimestre de 2012, tendo-se verificado em 2012
uma redução do índice do custo do trabalho em 14,9% o que
revela uma redução brutal nos rendimentos dos trabalhadores
(diminuição de 16,1% nos custos salariais segundo o INE)..
É um panorama aterrador revelado pelo próprio INE,
consequência da ação conjugada da crise internacional
capitalista, com uma especial incidência na U,E, e da politica recessiva
violenta imposta ao país, a que se juntam os problemas estruturais da
economia portuguesa, que governo e "troika" teimam em ignorar e
esconder. O que se está a verificar é não apenas a
destruição do tecido produtivo do país, tornando cada vez
mais difícil a recuperação económica futura, como
também do tecido social. Perante esta evolução grave da
economia e da sociedade portuguesa, Passos Coelho, na sua ignorância e
insensibilidade caraterística, ainda teve o descaramento de afirmar, nas
2ª jornadas de "Consolidação, crescimento e
coesão " do PSD, que
"o País já ultrapassou o momento em que, por
seleção
natural, faliram as empresas mais fracas restando somente as mais
economicamente fortes. Esta seleção natural das empresas que
podem melhor sobreviver está feita" (Público, 16/2/2013).
Para o 1º ministro, a falência de milhares de empresas, a
destruição maciça de emprego, e o aumento brutal do
desemprego é apenas "um processo natural de
"seleção". Passos Coelho mais uma vez mente quando
afirma que este processo de destruição e de empobrecimento
terminou, pois se a politica deste governo e da "troika" continuar,
aquele processo de destruição inevitavelmente prosseguirá.
A DESTRUIÇÃO MACIÇA DA PRINCIPAL RIQUEZA DO PAÍS, A
REDUÇÃO SIGNIFICATIVA DOS RENDIMENTOS DO TRABALHO, E A QUEBRA
ACENTUADA DAS RECEITAS DO ESTADO E DA SEGURANÇA SOCIAL AGRAVA AINDA MAIS
A CRISE
A previsão da "troika" para o PIB português para 2013
é de 166.800 milhões , o valor mais baixo dos
últimos anos. Tendo como base este valor de PIB e o emprego existente no
4º Trimestre de 2012 -
4 531.800 obtém-se um valor médio de
36.805 por empregado. Utilizando este valor obtêm-se os valores de
riqueza (PIB), de salários, de receita fiscais e de
contribuições sociais perdidas devido ao elevado desemprego em
Portugal, os quais constam do quadro 2. No cálculo dos valores perdidos
devido ao desemprego real, em relação aos trabalhadores em
situação de subemprego a tempo parcial (260,9 mil) apenas se
considerou metade do valor do PIB por empregado.
Quadro 2 Estimativa dos valores do PIB, salários, receitas
fiscais e contribuições sociais que se perderão em 2013
devido ao desemprego
|
CONSEQUÊNCIAS DO DESEMPREGO - 2013
|
PIB perdido
Milhões
|
Salários perdidos
Milhões
|
Receita de IVA perdida pelo Estado
Milhões
|
Receita de IRS perdida pelo Estado
Milhões
|
Contribuições perdidas pela Segurança Social
Milhões
|
|
Devido desemprego oficial
|
36.805
|
14.354
|
2.797
|
1.005
|
4.988
|
|
Devido desemprego real
|
48.341
|
18.853
|
3.674
|
1.320
|
6.551
|
Como revelam os dados do quadro 2, a perda para o país devido ao
desemprego é gigantesca: variando, conforme se considere o desemprego
oficial ou o desemprego real,: (1) Entre 36.805 milhões de PIB
(22% do PIB previsto para 2013), e 48341 milhões de PIB (29% do
PIB previsto); (2) Entre 14.354 milhões e 18.853 milhões
de salários; (3) Entre 3.8'02 milhões e 4.994
milhões de receitas fiscais(e só consideramos o IRS e
IVA); (4) Entre 4.988 milhões e 6.551 milhões de
contribuições para a Segurança Social. São valores
gigantescos de riqueza, de salários e receitas fiscais e
contribuições perdidas, que eram indispensáveis ao
desenvolvimento do país e ao bem-estar dos portugueses, que a politica
recessiva violenta imposta ao país pelo governo PSD/CDS e pela
"troika" tem feito aumentar de uma forma rápida. Quando se
parará com esta politica que só está a destruir a economia
e a sociedade portuguesa cuja única justificação tem sido
obter o agrado dos "nossos credores internacionais e o regresso aos
mercados"?. È a questão que urge resolver para bem dos
portugueses e do país já que, pelos resultados, ficou claro que a
politica seguida está profundamente errada. E quanto mais durar mais
destruirá.
17/Fevereiro/2013
[*]
Economista ,
edr2@netcabo.pt
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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