Cresce a contribuição das mulheres para a criação
da riqueza, mas as desigualdades de género não diminuem
RESUMO DESTE ESTUDO
A CGTP-IN vai realizar no próximo dia 22 de Maio a sua V Conferencia
sobre "Igualdade entre Mulheres e Homens". É uma altura
adequada para fazer um pequeno balanço sobre a situação da
mulher em Portugal em alguns aspectos: os relacionados com o seu contributo
para o desenvolvimento do País (evidentemente não todos), em
particular nos quatro anos de governo de Sócrates.
Entre 2001 e 2008, a participação da mulher na
criação de riqueza em Portugal, medida através do emprego,
aumentou de 45% da população empregada para 46,2%. Se essa
análise for feita por níveis de escolaridade conclui-se que a
participação é tanto maior quanto mais elevado é o
nível de escolaridade considerado. Por ex., em 2008, 43% da
população empregada com um nível de escolaridade
até ao básico (3º ciclo) eram mulheres, mas a nível
da população com o ensino secundário essa
participação já subia para 48,1% e, a nível de
ensino superior, atingia 59,1% do emprego com este nível de escolaridade.
Apesar das mulheres representarem ainda menos de metade quer da
população activa (46,8% em 2008) quer da população
empregada (46,2% em 2008), no entanto, o desemprego feminino correspondia, em
2008, a 54,5% do desemprego total. Se a análise for feita por
níveis de escolaridade, as conclusões são ainda mais
graves. Em 2008, as mulheres representavam 50,2% dos desempregados com o ensino
básico; 59% dos com o ensino secundário, e 71,4% dos com o ensino
superior. Portanto, quanto mais elevado era a escolaridade maior percentagem de
desempregados com esse nível de escolaridade eram mulheres. A
discriminação com base no género é evidente nesta
área.
A discriminação que continuam sujeitas as mulheres no campo das
remunerações em Portugal é também grande e
chocante, sendo revelada pelos próprios dados oficiais. Segundo dados
dos quadros de pessoal divulgados recentemente pelo Ministério do
Trabalho e da Solidariedade Social, em 2007, cerca de 44,3% das mulheres
trabalhadoras empregadas recebiam uma remuneração base inferior a
500 euros, enquanto a percentagem de homens era apenas de 25,1%. Por outro
lado, em Abril de 2008, 9,7% das mulheres trabalhadoras recebiam apenas o
salário mínimo nacional, o que era mais do dobro da dos homens,
pois a percentagem destes que recebiam o salário mínimo nacional,
nessa data, era 4,6%
Mas é quando se faz uma análise mais fina com base nas
qualificações e na escolaridade que a discriminação
a que continuam a ser sujeitas as mulheres se torna ainda mais chocante.
Em 2007, o ganho médio das mulheres era inferior ao do homens, em
-30,5% a nível de "quadros superiores"; em -19,5% a
nível de "quadros médios"; em -16,0% a nível de
profissionais altamente qualificados; em -15,7% a nível de
"profissionais qualificados"; em -19,8% a nível de
"profissionais não qualificados"; e em -8,3% a nível
de "praticantes e aprendizes". Portanto, a desigualdade de ganhos
é tanto maior quanto mais elevada é a qualificação
da mulher.
Situação muito semelhante se verifica em relação
à escolaridade. De acordo com o Ministério do Trabalho e
Solidariedade Social, em 2007, o ganho médio da mulher com o 1º
ciclo básico correspondia a 76,6% da do homem a nível de
"quadros superiores"; a 71,6% a nível de "quadros
médios"; a 86,7% a nível de "profissionais não
qualificados"; e a 88,3% a nível de "praticantes e aprendizes.
Relativamente a licenciados a diferença de ganhos entre homens e
mulheres é ainda maior, pois o ganho médio das mulheres
correspondia apenas a 65,7% do ganho médio dos homens a nível de
"quadros superiores"; a 76,3% a nível de "quadros
médios"; a 86,2% a nível de "profissionais não
qualificados" ; e a 86,5% a nível de "aprendizes e
praticantes. Portanto, em 2007, quanto mais elevada era a
qualificação e escolaridade da mulher maior era a desigualdade de
ganhos entre homens e mulheres. A discriminação com base no
género também é evidente neste caso.
Mas não se pense que a discriminação a que continua
sujeita a mulher actualmente em Portugal se limita à vida activa. De
acordo com dados do próprio Ministério do Trabalho e da
Solidariedade Social, essa discriminação continua quando a mulher
se reforma, e com uma dimensão que não é menor. Em
Março de 2009, portanto já este ano, a pensão de invalidez
da mulher era apenas de 283,54 euros o que correspondia a 77,1% da do homem
(367,93); e a pensão média de velhice da mulher era,
também em Março de 2009, de apenas de 292,12 euros, o que
correspondia a 59,5% da pensão média de velhice recebida pelos
homens (490,93). Portanto, as pensões dos homens, em Março
de 2009, eram baixas, mas as recebidas pelas mulheres eram ainda muito mais
baixas, o que prova que a discriminação com base no
género não se limita apenas à vida activa, mas prolonga-se
também na reforma.
|
A CGTP-IN vai realizar no próximo dia 22 de Maio a sua V Conferencia
sobre "Igualdade entre Mulheres e Homens". É uma altura
adequada para fazer um balanço, mesmo pequeno para não tornar
estudo demasiadamente longo, utilizando os dados oficiais mais recentes, sobre
a situação da mulher em Portugal em alguns aspectos: apenas os
relacionados com o seu contributo para o desenvolvimento do País
(evidentemente não todos), e avaliar como esse contributo é
reconhecido. E como se concluirá rapidamente a situação da
mulher em Portugal não melhorou durante o governo de Sócrates,
tendo-se mesmo agravado em várias áreas importantes (emprego,
ganhos etc.).
A PARTICIPAÇÃO DAS MULHERES NA CRIAÇÃO DA RIQUEZA
EM PORTUGAL É JÁ ELEVADA, CRESCENDO A SUA
PARTICIPAÇÃO COM O AUMENTO DE ESCOLARIDADE
A população activa, ou seja, aquela com capacidade produtiva tem
aumentado em Portugal devido fundamentalmente ao crescimento da
participação da mulher. Por ex., entre 2004 e 2008, a
população activa portuguesa aumentou em 137,1 mil; deste total,
74,6% são mulheres e apenas 25,3% homens. Mas é a nível do
emprego que essa maior participação da mulher na actividade
produtiva se concretiza e torna mais visível. O quadro seguinte,
construído com dados do INE, mostra o nível de
participação das mulheres na criação da riqueza em
Portugal, medida através do emprego, e como essa
participação evoluiu no período 2001-2008 de acordo com o
nível de escolaridade.
QUADRO I Participação da mulher na produção
de riqueza em Portugal, medida através do emprego,
de acordo com o nível de escolaridade no período 2001-2008
|
ANO
|
Ensino até ao básico
(milhares)
|
Ensino Secundário
(milhares)
|
Ensino Superior
(milhares)
|
% que as Mulheres representam do emprego de acordo com o nível de
escolaridade
|
|
H
|
M
|
H
|
M
|
H
|
M
|
TOTAL
|
Básico
|
Secundário
|
Superior
|
|
2001
|
2.281,8
|
1.701,9
|
323,0
|
306,3
|
204,8
|
293,7
|
45,0%
|
42,7%
|
48,7%
|
58,9%
|
|
2004
|
2.154,1
|
1.594,5
|
356,3
|
341,6
|
273,8
|
402,6
|
45,7%
|
42,5%
|
48,9%
|
59,5%
|
|
2005
|
2.107,9
|
1.586,9
|
377,5
|
363,4
|
280,0
|
406,9
|
46,0%
|
42,9%
|
49,0%
|
59,2%
|
|
2006
|
2.099,8
|
1.568,3
|
390,6
|
386,7
|
299,3
|
414,8
|
45,9%
|
42,8%
|
49,7%
|
58,1%
|
|
2007
|
2.093,9
|
1.566,2
|
393,2
|
383,4
|
302,2
|
430,8
|
46,0%
|
42,8%
|
49,4%
|
58,8%
|
|
2008
|
2.069,1
|
1.560,3
|
410,5
|
381,2
|
317,4
|
459,2
|
46,2%
|
43,0%
|
48,1%
|
59,1%
|
Fonte: INE, Estatísticas do Emprego - 4º Trimestre 2008
Entre 2001 e 2008, a participação da mulher na
criação de riqueza em Portugal, medida através do emprego,
aumentou de 45% da população empregada para 46,2%. Mas se essa
análise for feita por níveis de escolaridade conclui-se que a
participação é tanto maior quanto mais elevada é a
escolaridade considerada. Por ex., em 2008, 43% da população
empregada com um nível de escolaridade até ao básico
(3º ciclo) eram mulheres, mas a nível da população
empregada com o ensino secundário essa participação
já subia para 48,1%, e a nível de ensino superior atingia 59,1%.
E como o nível de criação de riqueza depende cada vez
mais da qualificação e, esta do nível de escolaridade,
é legitimo concluir que a contribuição das mulheres para a
criação da riqueza em Portugal seja mais elevada do que a
percentagem do emprego das mulheres no emprego total (46,2% em 2008).
O DESEMPREGO FEMININO É TANTO MAIOR QUANTO MAIS ELEVADA É
ESCOLARIDADE TENDO AUMENTADO MUITO COM ESTE GOVERNO
Em 2008 as mulheres representarem menos de metade da população
empregada, no entanto elas representavam muito mais de metade do total dos
desempregados e a percentagem tem aumentado nomeadamente nos níveis de
escolaridade mais elevada, como revela o quadro seguinte, construído com
dados do INE.
QUADRO II Desemprego de acordo com género por níveis de
escolaridade. 2004/2008
|
RUBRICAS
|
2004
|
2005
|
2008
|
Variação
2004-2008
|
|
Percentagem do desemprego das mulheres no
|
|
No desemprego total
|
52,7%
|
53,1%
|
54,5%
|
+3,5%
|
|
No desemprego com o ensino básico
|
50,1%
|
50,4%
|
50,2%
|
+0,2%
|
|
No desemprego com o ensino secundário
|
57,4%
|
58,2%
|
59,0%
|
+2,8%
|
|
No desemprego com o ensino superior
|
64,1%
|
64,1%
|
71,4%
|
+11,3%
|
Fonte : INE, Estatística do Emprego - 4º Trimestre de 2008
Em 2004 as mulheres representavam 45,7% da população empregada
e, em 2008, 46,2%. No entanto, o desemprego feminino representava 52,7% do
desemprego total em 2004, e 54,5% em 2008. Se a análise for feita por
níveis de escolaridade, conclui-se que, em 2004, o desemprego feminino
representava 50,1% dos desempregados com o ensino básico ou menos; 57,4%
dos desempregados com o ensino secundário; e 64,1% com ensino superior.
Portanto, a percentagem era tanto maior quanto mais elevada era a escolaridade.
Se analisarmos a evolução verificada no período
2004-2008, ou seja, o período de funções do actual
governo, conclui-se que a situação da mulher se agravou ainda
mais. Assim, em 2008, as mulheres representavam 50,2% dos desempregados com o
ensino básico, 59% dos com o ensino secundário, e 71,4% dos com o
ensino superior.
A DESIGUALDADE DE GANHOS ENTRE HOMENS E MULHERES CONTINUA A SER TANTO MAIOR
QUANTO MAIS ELEVADA É A QUALIFICAÇÃO
Uma outra forma de desigualdade de género que não tem
diminuído em Portugal é a nível de ganhos. A analise dos
ganhos dos trabalhadores de acordo com as qualificações revela
que a desigualdade é tanto maior quanto mais elevada é a
qualificação, como revela o quadro seguinte, construído
com dados dos quadros de pessoal divulgados pelo Ministério do Trabalho
e da Solidariedade Social.
QUADRO III Variação do ganho médio por
qualificações, e dentro destas por género: 2004/2007
|
ANOS
|
Quadros superiores
|
Quadros Médios
|
Encarregados, contramestres, mestres e chefes de equipa
|
Profissionais Altamente Qualificados
|
Profissionais Qualificados
|
Profissionais Semiqualificados
|
Profissionais não qualificados
|
Praticantes e Aprendizes
|
|
2004-Mulher
|
1.806,66
|
1.395,15
|
996,66
|
1.180,11
|
668,59
|
543,67
|
481,2
|
468,33
|
|
2004-Homem
|
2.471,57
|
1.693,68
|
1.196,36
|
1.407,33
|
785,02
|
686,37
|
568,29
|
500,98
|
|
2004: Mulher/Homem
|
-26,9%
|
-17,6%
|
-16,7%
|
-16,1%
|
-14,8%
|
-20,8%
|
-15,3%
|
-6,5%
|
|
2007-Mulher
|
1.888,88
|
1.476,13
|
1.110,74
|
1.249,75
|
716,10
|
605,19
|
520,21
|
519,22
|
|
2007-Homem
|
2.719,45
|
1.833,56
|
1.336,98
|
1.487,98
|
849,82
|
754,38
|
616,28
|
566,44
|
|
2007: Mulher/Homem
|
-30,5%
|
-19,5%
|
-16,9%
|
-16,0%
|
-15,7%
|
-19,8%
|
-15,6%
|
-8,3%
|
AUMENTO 2004-07
Mulher Em euros
Homem Em euros
|
+82,22
+247,88
|
+80,98
+139,88
|
+114,08
+140,62
|
+69,64
+80,65
|
+47,51
+64,80
|
+61,52
+68,01
|
+39,01
+47,99
|
+50,89
+65,46
|
2007-2004
Diferenças (H-M) Euros
|
+165,66
|
+58,90
|
+26,54
|
+11,01
|
+17,29
|
+6,49
|
+8,98
|
+14,57
|
Fonte: GEP do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social - Quadros
de Pessoal
Em 2004, o ganho médio das mulheres era inferior ao do homens, em
-26,9% a nível de "quadros superiores"; em 17,6% a
nível de "quadros médios"; em -16,1% a nível de
"profissionais altamente qualificados"; em -14,8% a nível de
"profissionais qualificados"; em -20,8% a nível de
"profissionais qualificados"; em -15,3% a nível de
"profissionais não qualificados"; e em apenas -6,8% a
nível de "praticantes e aprendizes. Portanto, a desigualdade de
ganho era tanto menor quanto mais baixa fosse a qualificação. Em
2007, a situação até se tinha agravado. Efectivamente, o
ganho médio das mulheres era já inferior ao do homens, em -30,5%
a nível de "quadros superiores"; em 19,5% a nível de
"quadros médios"; em -16,0% a nível de profissionais
altamente qualificados; em -15,7% a nível de "profissionais
qualificados"; em -19,8% a nível de "profissionais não
qualificados"; e em -8,3% a nível de "praticantes e
aprendizes". Portanto, a desigualdade de ganhos entre Homens e Mulheres
é tanto maior quanto mais elevada é a qualificado, tendo
até aumentado entre 2004 e 2007 relativamente a várias
qualificações. A provar isso, está o facto que, entre 2004
e 2007, o aumento do ganho médio dos homens foi superior ao aumento do
ganho das mulheres em +165,66 euros a nível dos "quadros
superiores"; em +58,90 euros a nível de "quadros
médios", em +11,01 euros a nível de "profissionais
altamente qualificados"; em +17,29 euros a nível de
"profissionais qualificados"; em 6,49 euros a nível de
"profissionais qualificados"; em +8,98 euros a nível de
"profissionais não qualificados"; e em +14,7 euros a
nível de "praticantes e aprendizes". Portanto, a
diferença de aumentos de ganhos entre Homens e Mulheres , entre 2004 e
2007, foi tanto maior quanto mais elevada é a
qualificação.
A DESIGUALDADE DE GANHOS ENTRE HOMENS E MULHERES CONTINUA A SER TANTO MAIOR
QUANTO MAIS ELEVADO É O NÍVEL DE QUALIFICAÇÃO E DE
ESCOLARIDADE
Desigualdade de ganhos entre homens e mulheres também se verifica com
base na escolaridade. O quadro seguinte, construído com dados do
Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social dos quadros de pessoal,
revelam isso.
QUADRO IV Ganho médio por nível de
qualificação, e dentro destes por género Em euros -
2007
|
Trabalhadores (as) por niveis de habilitação
|
QUADROS SUPERIORES
|
QUADROS MÉDIOS
|
Profissionais não Qualificados
|
Praticantes e aprendizes
|
GANHO MÉDIO MENSAL
Euros
|
% Ganho da Mulher em relação Homem
|
GANHO MÉDIO MENSAL
Euros
|
% Ganho da Mulher em relação Homem
|
GANHO MÉDIO MENSAL
Euros
|
% Ganho da Mulher em relação Homem
|
GANHO MÉDIO MENSAL
Euros
|
% Ganho da Mulher em relação Homem
|
|
Homem
|
Mulher
|
Homem
|
Mulher
|
Homem
|
Mulher
|
Homem
|
Mulher
|
|
1º Ciclo Ensino Básico
|
1.270
|
972
|
76,6%
|
1.221
|
874
|
71,6%
|
593
|
514
|
86,7%
|
540
|
477
|
88,3%
|
|
2º Ciclo Ensino Básico
|
1.259
|
987
|
78,4%
|
1.266
|
998
|
78,8%
|
610
|
511
|
83,7%
|
537
|
479
|
89,2%
|
|
3º Ciclo Ensino Básico
|
1.831
|
1.278
|
69,8%
|
1.595
|
1.257
|
78,8%
|
637
|
529
|
83,1%
|
552
|
500
|
90,4%
|
|
Ensino Secundário
|
2.515
|
1.555
|
61,8%
|
1.919
|
1.386
|
72,2%
|
678
|
548
|
80,8%
|
609
|
554
|
90,9%
|
|
Bacharelato
|
3.018
|
1.934
|
64,1%
|
2.004
|
1.528
|
76,2%
|
663
|
575
|
86,7%
|
788
|
697
|
88,5%
|
|
Licenciatura
|
3.115
|
2.047
|
65,7%
|
2.070
|
1.580
|
76,3%
|
696
|
600
|
86,2%
|
857
|
741
|
86,5%
|
Fonte: GEP do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social - Quadros
de Pessoal
De acordo com os dados dos quadros de pessoal, em 2007, o ganho médio
das mulheres com o 1º ciclo básico correspondia: a 76,6% do ganho
dos homens a nível de "quadros superiores"; a 71,6% a
nível de "quadros médios"; a 86,7% a nível de
"profissionais não qualificados"; e a 88,3% a nível de
"praticantes e aprendizes. E relativamente aos licenciados a
diferença de ganhos entre Homens e Mulheres é ainda maior, pois o
ganho médio das mulheres correspondia apenas a 65,7% do ganho
médio dos homens a nível de "quadros superiores"; a
76,3% a nível de "quadros médios"; a 86,2% a
nível de "profissionais não qualificados" ; e a 86,5% a
nível de "aprendizes e praticantes. Portanto, em 2007, quanto mais
baixa era a qualificação e o nível de escolaridade menor
era a desigualdade de ganhos entre Homens e Mulheres; e, inversamente, quanto
mais elevada era a qualificação e escolaridade das mulheres maior
era a desigualdade de ganhos entre homens e mulheres. Portanto, a
discriminação com base no género continua a ser clara
neste campo.
A DESIGUALDADE DE GÉNERO PERPETUA-SE NA REFORMA
A desigualdade de género não se verifica-se apenas durante a
vida activa das trabalhadoras, ela perpetua-se na reforma como revelam os dados
do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social de 2009 constante do
quadro seguinte.
QUADRO V Pensão media de invalidez e de velhice da
Segurança Social Março de 2009
|
DESIGNAÇÃO
|
Nº Pensionistas
|
PENSÃO MÉDIA - Euros
|
% PENSÃO DA MULHER REPRESENTA
DA PENSÃO DO HOMEM
|
|
Homem
|
Mulher
|
Homem
|
Mulher
|
|
INVALIDEZ
|
151.241
|
150.725
|
367,93
|
283,54
|
77,1%
|
|
VELHICE
|
855.263
|
974.769
|
490,93
|
292,12
|
59,5%
|
Fonte: Ministério do Trabalho e Solidariedade
Social
De acordo com o Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, em
Março de 2009, a pensão de invalidez da mulher era apenas de
283,54 euros o que correspondia a 77,1% da do homem que era de 367,93 ; e
a pensão média de velhice (inclui o Regime Geral, o Regime
Regulamentar Rural, o Regime Rural Transitório e a Pensão Social)
da mulher era, também em Março de 2009, apenas de 292,12 euros, o
que correspondia a 59,5% da pensão media de velhice recebida pelos
homens que era de 490,93.. Portanto, as pensões dos homens, em
Março de 2009, eram baixas, mas as recebidas pelas mulheres eram ainda
muito mais baixas, o que mostra que a discriminação com base no
género não se limita apenas à vida activa, mas prolonga-se
também durante a reforma.
20/Maio/2009
[*]
Economista,
edr@mail.telepac.pt
NOTA: Encontram-se disponíveis mais estudos sobre a desigualdade de
género em Portugal no sítio
www.eugeniorosa.com
,
pasta "Situação da mulher".
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
.
|