Os cortes nas pensões nominais ilíquidas
Já atingem 1.900 milhões
O poder de compra chega a cair 33%
É reconhecido que os pensionistas foram um dos grupos da
população mais massacrados por este governo. O governo PSD/CDS
transformou os pensionistas em alvo preferencial da sua fúria
neoliberal. Para se poder ter uma ideia completa da dimensão da
redução dos rendimentos dos pensionistas determinado pelo efeito
conjugado das medidas deste governo é necessário quantificar cada
uma dessa medidas e depois somar os resultados obtidos, o que normalmente
não é feito, mas que vamos procurar fazer neste estudo. No
entanto, é importante recordar que desde 2010, apenas o escalão
mais baixo das pensões mínimas (até 246 em 2010)
é que têm tido aumentos, todas as outras pensões (que
são a esmagadora maioria) têm-se mantido inalteráveis, ou
seja, congeladas. E mesmo as poucas que foram aumentadas, as subidas têm
sido irrisórias.
Em 2011, nenhum reformado ou aposentado teve qualquer
aumento. Em 2012, apenas as pensões de valor inferior a 247
tiveram um aumento de 7,46 por mês (25 cêntimos por dia); em
2013 apenas as pensões de valor inferior a 254 foram aumentadas em
2,79 por mês (9 cêntimos por dia); e em 2014, apenas as
pensões de valor inferior a 257 tiveram uma subida de 2,57
por mês (8,5 cêntimos por dia). Isto significou que na
Segurança Social dos1.922.600 reformados de velhice apenas 253.000
(13,2%) tiveram aumentos irrisórios. E na CGA dos 471.779 aposentados
apenas 51.871 (11%) viram as suas pensões serem aumentadas nos mesmos
valores irrisórios. Os restantes reformados e aposentados (quase
2.100.000) têm as suas pensões congeladas desde 2010. E o
congelamento das pensões representa, segundo cálculos do
próprio governo, uma perda de rendimentos para os pensionistas avaliada
em 628 milhões por ano. E já são quatro anos em que
a esmagadora maioria dos pensionistas em Portugal não tem qualquer
aumento. E é sobre estas pensões que não têm tido
qualquer aumento que o governo tem feito múltiplos cortes, como se vai
mostrar e quantificar.
OS MÚLTIPLOS CORTES NAS PENSÕES ILÍQUIDAS DOS APOSENTADO
DETERMINAM UMA REDUÇÃO DE 1.160 MILHÕES NOS SEUS
RENDIMENTOS ANUAIS
Comecemos por analisar o que tem acontecido com os rendimentos ilíquidos
dos aposentados da Função Pública. O quadro 1
construído com base nos dados divulgados no Relatório e Contas da
CGA de 2013 permite fazê-lo. Os valores das pensões utilizados
são o ponto médio dos escalões da CGA.
Como revela o quadro 1, o aumento da taxa de retenção do IRS
entre 2010 e 2014
(para o escalão de 690 o aumento atinge 350%, enquanto para o
escalão mais elevado a subida é de 15,4%),
da CES
(redução entre 3,5% e 10% para as pensões superiores a
1000 por mês),
o aumento do desconto para a ADSE
(entre 2010 e 2014, sobe de 1,5% para 3,5%,ou seja, aumenta em 133%),
e a sobretaxa extraordinária de IRS (3,5%) determina um corte nas
pensões dos aposentados, congeladas desde 2010, que se estima em 1.160
milhões por ano. Só a Contribuição
Extraordinária de Solidariedade
(um imposto que incide apenas sobre os pensionistas)
determina um corte nas pensões dos aposentados que estimamos, para
2014, em 407 milhões (385 milhões em 2013, segundo
a CGA). Como consequência de tudo isto, os aposentados com pensões
iguais ou superiores a 600/mês sofreram, no período
2010/2014, uma redução no seu poder de compra que variou entre
13,4% e 33,2%.
OS CORTES NAS PENSÕES NOMINAIS ILÍQUIDAS DOS REFORMADOS DA
SEGURANÇA SOCIAL JÁ ATINGEM 774 MILHÕES EM 2014, E
A REDUÇÃO DO PODER DE COMPRA DAS SUAS PENSÕES CHEGA A
ATINGIR 30,4%
Os reformados da Segurança Social também foram alvo dos ataques
do governo PSD/CDS aos que menos têm, tendo sofrido uma
redução muito importante nos seus rendimentos como mostra o
quadro 2
(os valores das pensões correspondem aos pontos médios dos
escalões da Segurança Social do RC2012).
Como consequência do aumento da taxa de retenção do IRS
entre 2010 e 2014 ,
da CES
(corte entre 3,5% e 10%),
e da sobretaxa extraordinária de IRS (corte de 3,5%) as pensões
dos reformados das Segurança Social, que estão congeladas desde
2010, sofreram uma redução que se estima em 774 milhões
por ano. Só a Contribuição Extraordinária de
Solidariedade
(um imposto que incide apenas sobre os pensionistas)
determina um corte nas pensões dos reformados que estimamos em 287
milhões . O congelamento das pensões associado a estas
medidas de cortes importantes das pensões, determinaram uma
redução do poder de compra dos reformados da Segurança
Social, com pensões iguais ou superiores a 338 que varia entre
7,4% e 30,4%.
Em conjunto, aposentados da CGA e reformados da Segurança Social, como
consequência das medidas deste governo contra eles
(não inclui o congelamento de pensões que custa aos pensionistas
628 milhões /ano desde 2010.
) perderam mais de 1.900 milhões dos seus rendimentos por ano.
Eis a política social de Passos Coelho e Portas. É
necessários que os pensionistas não a esqueçam nas
próximas eleições.
05/Julho/2014
[*]
edr2@netcabo.pt
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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