Tribunal de Contas condena governo P. Coelho
Cortes excessivos e injustificados nas remunerações e
pensões da função pública
Governo desvia excedentes da ADSE para pagar credores e reduzir o
défice orçamental
Os jornais de 17/Julho/2014 noticiaram com grande destaque (em grandes caixas),
a seguinte noticia
"Beneficiários da ADSE estão a descontar a mais do que
deviam, diz
Tribunal de Contas"
(
Público,
17/Julho/2015).
Em artigo que publicamos em 22/02/2014, que está disponível no
"site"
www.eugeniorosa.com
com o titulo
"140,2 milhões de descontos a mais pagos pelos trabalhadores
e
aposentados em 2014 para a ADSE servirão para reduzir o défice do
OE-2014"
já havíamos denunciado que o aumento de 113% na taxa de
contribuição para a ADSE paga pelos trabalhadores e pelos
aposentados da Função Pública (a taxa passou de 1,5% para
3,5% por decisão do governo de Passos Coelho) significava um corte
excessivo, indevido e injustificado nas remunerações dos
trabalhadores e nas pensões dos aposentados. E isto porque iria gerar um
elevado excedente na ADSE à custa de mais um corte nas
remunerações e pensões. Numa mensagem que enviamos ao
adjunto do secretário de Estado da Administração
Pública chamamos, na altura, a atenção para a
injustiça e injustificação para aumentar a taxa de
desconto para a ADSE de 1,5% para 3,5%. No entanto, o governo de Passos Coelho
manteve tal decisão porque queria criar excedentes na ADSE para assim,
de uma forma encoberta, reduzir o défice orçamental. E isto
porque a ADSE, como é uma direção do Ministério das
Finanças, os excedentes criados nela, quando é feito
cálculo do défice orçamental, são deduzidos neste.
O quadro 1, construído com dados dos Planos de Atividades da ADSE de
2012 e 2015, mostra a dimensão dos excedentes criados na ADSE à
custa de mais um corte nas remunerações e pensões da
Função Pública do agravamento das condições
da Função Pública.
Como consequência do aumento enorme da taxa de
contribuição para a ADSE, os descontos feitos nas
remunerações e pensões da Função
Pública passaram, entre 2013 e 2014, de 285,6 milhões para
520,9 milhões (um aumento de 83,4%). E o resultado foi que, em
2014, a ADSE apresentou um excedente de 214,9 milhões . No Plano
de Atividades da ADSE para 2015 prevê-se um novo excedente agora de 151,2
milhões . Em dois anos 366 milhões pagos a mais. E
tenha-se ainda presente, como menciona o Tribunal de Contas, que, em 2013, os
encargos que deviam ter sido pagos pelo SNS, mas foram suportados pela ADSE,
atingiram 96,4 milhões e que, em 2015, esses encargos indevidos
que serão pagos pela ADSE ascendem a 39,5 milhões
(pág. 17 do relatório de auditoria).
Para além disso, é inaceitável que no Plano de Atividades
da ADSE, onde são apresentadas as receitas e despesas da mesma,
não conste e não tenha sido incluído o saldo do ano
anterior. Será que o governo desviou os 214,9 milhões que
foram indevidamente descontados nos salários e pensões em 2014,
para outros fins? Passos Coelho afirmou na Assembleia da República que
estes saldos se manteriam na ADSE para pagar despesas de anos futuros. Mas,
mais uma vez, é uma mentira. Segundo jornalistas a ministra das
Finanças afirmou que o saldo tinha sido transferido para o Instituto de
Gestão de Crédito Público. A confirmar-se, revela a
intenção do governo de se apropriar indevidamente de um dinheiro
que é dos trabalhadores e aposentados da Função
Pública para o utilizar para outros fins (pagar os 8.800 milhões
de juros aos credores que especulam com a divida pública
portuguesa).
"Confrontado hoje pelos jornalistas, o primeiro-ministro lá
reconheceu e
admitiu a
possibilidade de ser revista a taxa obrigatória paga pelos
Funcionários Públicos para o subsistema de saúde"
(Expresso on-line de 17/07/2015)
O PRÓPRIO TRIBUNAL CONCLUI QUE BASTARIA UMA TAXA DE DESCONTO DE 2,1%, E
NÃO 3,5%, PARA GARANTIR A SUSTENTABILIDADE DA ADSE
O Tribunal de Contas concluiu na auditoria que fez à ADSE que é
suficiente uma taxa de desconto de 2,1% para garantir a sustentabilidade da
ADSE, "
sendo que uma taxa de 2,25% já garantirá um excedente de cerca de
10%
" (pág. 19 do relatório de auditoria). Por isso, é
urgente exigir ao governo a redução da taxa de 3,5%. Os
sindicatos da Frente Comum reivindicam que ela desça para 1,5%. Para
além disso, é necessário também exigir ao governo
que o excedente de 214 milhões que a ADSE teve em 2014 lhe seja
devolvido, pois este valor foi retirado indevidamente nas
remunerações e pensões da Função
Pública. É dinheiro que pertence aos trabalhadores e aos
aposentados da Função Pública. E como afirma o
próprio Tribunal de Contas, "
a criação de excedentes na ADSE não trará, à
partida, qualquer vantagem, servindo apenas propósitos de
consolidação orçamental das finanças
públicas que não são compatíveis com um sistema
financiado por fundos privados
(contribuições dos trabalhadores e dos aposentados)
, afetos a fins privados, e por isso alheios do Estado"
(relatório, pág.19)
O AUMENTO BRUTAL E INJUSTIFICÁVEL DA TAXA DESCONTO ESTÁ LEVAR
TRABALHADORES A ABANDONAREM A ADSE PONDO EM PERIGO A SUA SUSTENTABILIDADE FUTURA
Na ADSE funciona a solidariedade interprofissional. Segundo o artº
47º do regulamento da ADSE, os beneficiários que, após o
desconto fiquem com um rendimento inferior ao salário mínimo
nacional, estão isentos do pagamento de contribuições para
ADSE Segundo o Tribunal de Contas 504.265 beneficiários estão
isentos do pagamento de contribuições. O governo ao fazer um
aumento de 133% na taxa da ADSE o que visa, objetivamente, é, por um
lado, empurrar muitos trabalhadores para fora da ADSE e, por outro lado, criar
problemas à sustentabilidade da ADSE o que pode levar à sua
extinção. No entanto, apesar de todos estes ataques do governo o
número de beneficiários não registou uma
diminuição significativa como mostra o quadro 2 (dados dos
Planos de Atividades da ADSE - 2012 e 2015).
Quadro 2 Evolução dos beneficiários da ADSE no
período 2011-2014
|
ANOS
|
BENEFICIÁRIOS DA ADSE
|
|
Trabalhadores do ativo
|
Titulares aposentados
|
Familiares
|
TOTAL de beneficiários
|
|
2011
|
568.833
|
329.100
|
447.457
|
1.345.390
|
|
2012
|
544.006
|
336.890
|
452.581
|
1.333.477
|
|
2013
|
523.234
|
331.582
|
436.000
|
1.290.816
|
|
2014
|
508.100
|
342.644
|
424.612
|
1.275.356
|
|
2011-14
|
-60.733
|
13.544
|
-22.845
|
-70.034
|
Fonte : Planos de Atividades da ADSE, 2012 e 2015
Entre 2011 e 2014, o numero de beneficiários diminuiu apenas 5,2%, ou
seja, em 70.034. No entanto, apesar de não ser muito significativo, a
continuação da redução pode pôr em causa a
sustentabilidade futura da ADSE.
OS BENEFICIÁRIOS DA ADSE PAGAM DUAS VEZES A SAÚDE E ALIVIAM O SNS
Tanto os trabalhadores como os aposentados da Função
Pública pagam impostos como qualquer português. Uma parcela desses
impostos serve para financiar o SNS. Mas para além disso ainda descontam
3,5% das suas remunerações e pensões para a ADSE. Assim
pagam duas vezes o serviço de saúde. E a ADSE liberta o SNS da
prestação de muitos serviços médicos, tornando o
SNS mais acessível aos outros portugueses. Basta imaginar o que
aconteceria ao SNS, com as graves insuficiências que já tem, e com
o congestionamento que sofre, se os 1.275.356 portugueses utentes da ADSE
tivessem de recorrer, em todos os serviços de assistência
médica, ao SNS. O justo é que a ADSE recebesse do Estado um
subsidio equivalente à redução de despesas que tem o SNS
devido ao facto dos 1.275.356 utentes ta ADSE não recorrerem ao SNS em
muitos serviços de saúde.
17/Julho/2015
[*]
edr2@netcabo.pt
,
www.eugeniorosa.com
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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