por Mike Whitney
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Haverá ainda alguém que não entenda que a conversa de
funcionários acerca da "inflação" é
apenas para nos distrair do muito mais perigoso dragão da
deflação?
Mike Shedlock, Mish's Global Economic Trend Analysis
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Estamos prestes a ver em que medida George Bush acredita realmente nas tolices
do "lado da oferta"
("supply side")
que esteve a propalar nestes últimos sete anos. O relatório da
semana passada do Departamento do Trabalho confirmou que o desemprego
está em crescimento (5%) e que será necessária
acção correctiva a fim de evitar uma longa e penosa
recessão. Aqui está uma boa oportunidade para o Camaleão
em Chefe lançar ao mar a sua doutrina do "gotejamento"
("trickle down")
e substituí-la por remédios keynesianos mais convencionais como
cortar taxas de juros, programas governamentais e alívio fiscal para
pessoas de médios e baixos rendimentos. Na segunda-feira Bush anunciou
que a sua equipe de conselheiros económicos estava a remendar um
"Pacote de estímulos económicos" a ser revelado no fim
deste mês no "Discurso do Estado da União". O objectivo
é reverter a queda nos gastos do consumidor e reduzir a
contracção dos negócios. Ironicamente, o
Telegraph
do Reino Unido baptizou o plano de estímulo de Bush como "New
Deal". É uma meia volta chocante para um presidente que esteve a
esmagar a classe média desde que tomou posse e que hesitou até
mesmo em proporcionar abrigo temporário a vítimas de desastres.
Agora Bush está em vias de abandonar a agricultura só para
impedir a economia de entrar em crash. Boa sorte. Claramente, a perspectiva
de um vasto colapso sistémico na banca, no imobiliário e nas
hipotecas tornou-se o momento da "Estrada de Damasco" para este
incapaz George.
O aumento no desemprego é apenas a parte final de um quadro
económico que de qualquer forma é negro. A manufactura
também está a sofrer. Quarta-feira passada, o Índice ISM
de Manufacturas de Dezembro afundou 47,7, o seu nível mais baixo em
cinco anos. A notícia colocou o mercado de acções num
mergulho de mais de 200 e levou o ouro a subir a mais de US$800 por
onça. Desde então, as notícias tem piorado
progressivamente. O mercado caiu outros 200 pontos com o relatório do
Departamento do Trabalho de sexta-feira, seguido por uma sacudidela de 238
pontos na quinta-feira com rumores da bancarrota (potencial) no gigante dos
empréstimos hipotecários, Countrywide Financial, e de um mergulho
de 2,6% nas vendas pendentes de habitações da National
Association of Realtors. No momento em que a ATT anunciava os seus receios de
"gastos reduzidos do consumidor" o mercado já estava a rolar
para a terra tal como um barril em chamas.
O Dow Jones está agora 10% mais baixo do que no ano passado, o sinal
oficial de uma correcção. Mais importante, acções
estouravam abaixo dos seus níveis de apoio o que indica uma
mudança básica na trajectória do mercado. Trata-se agora
de um
bear market
[1]
e qualquer ressalto será temporário. Ainda há um bocado
de gordura a ser cortada antes de acções super-valorizadas
retornarem à média. Não é de admirar que Bush
esteja nervoso.
Os cortes constantes na taxa de juros e o nervosismo geopolítico
remeteram o ouro para os céus. Desde Agosto de 2007 o ouro caminhou dos
US$650 por onça para US$887, uns colossais US$237 em apenas cinco meses.
Se isto não é uma acusação ao Federal Reserve e a
"plácida" política monetária, então o que
é? Segundo o
Wall Street Journal,
o ouro e o petróleo têm corrido quase num par perfeito. O
preço do ouro ascendeu 239% desde 2001, ao passo que o preço do
petróleo ascendeu 267%. Isto significa que se o dólar tivesse
permanecido "tão bom quanto o ouro" desde 2001, o
petróleo hoje estaria a ser vendido a cerca de US$30, não
US$99". (WSJ, 04/Janeiro/08).
Está certo, o preço da gasolina hoje é atribuível
à guerra, cortes fiscais e à implacável expansão do
crédito pelo Federal Reserve NÃO À ESCASSEZ DE
PETRÓLEO!
A escalada dos preços da energia é cada vez mais o custo da
produção alimentar, a qual cria um ciclo inflacionário
auto-reforçante. Cortes adicionais nas taxas apenas
enfraquecerão o dólar mais uma vez e colocarão um fardo
ainda maior sobre consumidores que atingiram o limite máximo.
Antes de sair no seu "Passeio da vitória" pelo Médio
Oriente, Bush disse:
"Quando o Congresso retornar, procurarei trabalhar com eles, tratar das
realidades económicas do momento e assegurar ao povo americano que
faremos tudo o que pudermos para permanecermos um país
próspero".
As realidades económicas que Bush estará a enfrentar são a
prevista "aterragem drástica" de um desmoronamento nacional da
habitação juntamente com um esmagamento do crédito que
está a estrangular as indústrias bancária e financeira. O
país está a inclinar-se perigosamente para uma espiral da morte
deflacionária enquanto Bush faz um passeio despropositado ao
cenário do seu maior fracasso de política externa. Parece uma
brincadeira. Quando retornar, Bush descobrirá que está
constrangido no seu plano de "estímulo" devido aos
défices fiscais maciços, os quais são o resultado dos
enormes cortes nos impostos e da glutonaria do orçamento militar.
"Agora não é como em 200, quando os EUA estavam a
administrar um grande excedente fiscal de US$300 mil milhões, ou 2,5% do
PIB", disse o economista Nouriel Roubini. "Agora que todas as balas
de estímulo fiscal foram gastas com os mais impulsivos e
insustentáveis cortes fiscais da história a
administração ficou com muito pouco espaço [de manobra]
nos maus tempos ... Estamos agora fincados numa situação onde o
espaço para qualquer estímulo fiscal significativo ...
desapareceu. ... Na verdade desperdiçámos todas as nossas balas
da macro política em 2001-2004 "na melhor recuperação
que o dinheiro pode comprar" e agora ficamos com espaço
relativamente limitado para estímulos de política
monetária e fiscal. Esta é uma das razões principais
porque a recessão de 2008 será mais severa e prolongada do que a
suave recessão de 2001". (Nouriel Roubini, Global EconoMonitor)
Apesar disso haverá um pacote de estímulo ainda que magro
e também haverá mais cortes de taxas por parte do Fed.
Isto significa que ouro e petróleo continuarão a subir e que o
dólar continuará a ser martelado. As opções de
Bernanke são limitadas, tal como as de Bush. O sistema está a
triturar-se até uma paragem e o chefe de Fed terá de utilizar as
ferramentas à sua disposição para tentar estimular a
actividade económica. Não será fácil.
Actualmente, ele enfrenta um certo número de desafios. Os preços
das casas estão a cair, os gastos no retalho estão baixos, o
imobiliário comercial está numa depressão aguda, e muitos
dos grandes bancos de investimento são capital arruinado devido aos seus
maus investimentos em títulos apoiados por hipotecas. Se os sais de
cheiro dos "juros baixos" do Fed não ressuscitarem o
consumidor americano do estado de coma e fizerem com que as caixas
registadora do Target e do Billy McHales
[2]
tilintem outra vez o mundo enfrentará um arrefecimento
(slowdown)
global. Eis porque as taxas dos Fundos Fed provavelmente serão
cortadas em 50 pontos base no fim do mês e a equipe económica do
camarada Bush cozinhará um plano de salvação fiscal digno
de Fidel Castro.
Já estamos nela?
Um número crescente de analistas do mercado acredita que já
estamos em recessão. David Rosenber da Merrill Lynch colocou isto
assim: "Segundo as nossas análises, isto [a recessão]
não é sequer mais uma previsão mas sim uma realidade do
dia de hoje".
Rosenberg argumenta que o quadro de enfraquecimento do emprego e o
declínio das vendas a retalho assinalam que a economia entrou no seu
primeiro mês de recessão. O sr. Rosenberg destaca todo um
conjunto de dados negativos para apoiar a sua análise, incluindo os
quatro barómetros chave utilizados pelo National Bureau of Economic
Research (NEBR) emprego, rendimento pessoal real, produção
industrial e actividade real das vendas no retalho e na manufactura" (
Telegraph
do Reino Unido).
Se alguém escolhe chamar a isto recessão ou não é
irrelevante. Quando as duas classes de activo mamute imobiliário
e títulos começam a desabar, há obrigatoriamente
algumas consequências más. A habitação permaneceu
forte durante a falência das dot.com. Não desta vez, de modo
algum. Todo o sistema está a soçobrar e isto poderia arrastar o
mercado de títulos consigo. Quando as duas gigantescas bolhas de
acções perderem gás, os gastos do consumidor serão
paralizados, a actividade dos negócios enfraquecerá, mais
trabalhadores serão despedidos e os preços afundarão.
Acções e
commodities
serão duramente afectadas (mesmo o ouro) e os preços da
habitação mergulharão para novas profundidades quando o
conjunto de potenciais compradores se tornar cada vez mais pequeno.
Estes problemas serão mais uma vez agravados pela falta de
poupanças pessoais e pela enorme carga de dívida a qual
pressionará para o incumprimento números crescentes de
proprietários, clientes de cartões de crédito, e mesmo
receptores de empréstimos estudantis. Por volta de 2009, a bancarrota
será a moda em crescimento mais rápido na cultura pop americana.
O fantasma da habitação
Agora muitos peritos prevêem que os preços das casas mergulhem 30%
até o fim de 2008. Isto significa que aproximadamente 20 milhões
de proprietários de casas ficarão "de cabeça para
baixo", isto é, que possuirão mais da sua hipoteca do que o
valor actual da casa (imagine possuir uma dívida de US$ 400 mil sobre
uma casa que actualmente vale US$ 325 mil!). Quarenta por cento de todos os
proprietários de casa nos EUA estarão de cabeça para baixo
no próximo ano. Isto é um grave problema sistémico que
terá implicações generalizadas. Os peritos já
sabem que quando possuidores de hipotecas têm "saldo negativo"
ficam muito mais propensos a colocar as suas chaves na caixa de correio e fugir
da cidade. Daí o nome para esta prática cada vez mais comum
"jingle mail". O secretário do Tesouro Henry Paulson
está a tentar desesperadamente instaurar uma "taxa congelada"
nacional para evitar o que poderia ser a mais devastadora onda de arrestos que
o mundo alguma vez já viu. A taxa congelada de Paulson não
oferece "Nova esperança" como promete mas, ao invés
disso, uma vida de servidão a liquidar um activo de valor cada vez mais
decrescente. Proprietários abaixo da linha de água
estarão melhor se aceitarem o golpe no seu crédito e deixarem o
banco retomar a casa. Deixem o banco preocupar-se com isto. Foram eles que
criaram esta confusão.
A bolha da habitação está a deflacionar mais rapidamente
do que toda a gente havia previsto. As vendas globais decaíram mais de
40% em relação ao seu pico em 2005 enquanto os preços
desceram uns meros 6,5%. Os preços, os quais são um indicador
protelado, ainda têm de cair um bocado antes de atingirem o fundo.
Robert Schiller, Professor de Ciências Económicas na Universidade
de Yale e autor de
Irrational Exuberance,
"previu que havia uma possibilidade muito real deos EUA mergulharem numa
depressão
(slump)
estilo japonês, com preços de casas a declinarem durante
anos".
O Professor Shiller, co-fundador do respeitado S&P Case/Shiller house-price
index, disse: "Os valores do imobiliário americano já
perderam cerca de US$1 milhão de milhões [£503 mil
milhões]. Isto poderia facilmente aumentar três vezes ao longo
dos próximos pouco anos. Trata-se de uma questão muito maior do
que as sub-prime. Estamos a falar de perdas de valor milhões de
milhões de dólares" (
Times Online,
UK)
Schiller está na pista certa, mas as suas estimativas são
demasiado conservadoras. Afinal de contas, em 2002, o preço mediano de
um lar de família em Los Angeles era US$270 mil. Mas em 2006 o custo
daquela mesma casa duplicara para US$540 mil "empurrado pela
especulação desenfreada alimentada pelo acesso sem paralelo a
capital hipotecário"
(L.A. Times).
O problema era o crédito barato que estava prontamente
disponível para qualquer um que pudesse embaciar um espelho. Tudo isso
mudou. Os bancos endureceram os seus padrões de empréstimo, e
empréstimos gigantes (empréstimos de mais de US$417 mil)
são quase impossíveis de obter. Assim, porque Schiller
não acredita que os preços retornarão aos níveis de
2002? Eles retornarão. E ficarão ainda mais baixos, muito mais
baixos. De facto, o imobiliário está a tornar-se rapidamente o
leproso na festa de aniversário, toda a gente fica longe. Isto
significa que os preços cairão e mais rapidamente do que
qualquer pessoa imaginou. A palavra é fora da habitação e
isto não é bom. O sangue está na água. Saia antes
de a piscina dos candidatos a hipotecas secar totalmente.
Tsunami bancário
A indústria bancária estado-unidense nunca enfrentou maiores
desafios do que hoje. Muitos dos maiores e mais prestigiosos bancos de
investimento estão seriamente sub-capitalizados e enterraram centenas de
milhares de milhões de dólares em complexos investimentos
estruturados que estão a ser degradados semana a semana. No topo disto,
muitas das principais fontes de rendimento dos bancos esvaneceram-se quando o
interesse de investidores em títulos e derivativos apoiados por
hipotecas desapareceram junto. Por exemplo, as vendas de
obrigações colaterizadas de dívida (CDOs)
"mergulharam 85%, para US$15,69 mil milhões no quarto
trimestre". Além disso, "O valor das hipotecas Alt-A ...
emitidas no terceiro trimestre caiu 64%, para US$39,3 mil milhões, do
alto registo de US$109,5 mil milhões do segundo trimestre ... a S&P
disse que a queda dramática é o resultado do "crédito
sem precedentes e das rupturas de liquidez" tanto para os mutuários
como para os que emprestam" (Dow Jones). Trata-se de declínios
agudos e representam uma série perda de rendimentos para os resultados
dos bancos.
Muitos dos bancos estão simplesmente em "modo
sobrevivência", a tentar esconder dos accionistas a magnitude das
suas perdas enquanto tentam atrair capital de investidores além mar para
escorar o afundamento do seu colateral (via Fundos de Riqueza Soberana).
Os bancos agora estão a lutar a fim de preencher a sua
função como canal principal para o fornecimento de crédito
a consumidores e negócios. Eles cortaram seus empréstimos quando
o seu capital de base foi severamente corroído por meio da
degradação persistente. O Federal Reserve tentou resolver esta
questão com a abertura de um Guichet de Leilão Temporário
(Temporary Auction Facility, TAF),
o qual permite que os bancos tomem secretamente milhares de milhões do
Fed sem o embaraço de revelar a transacção ao
público. Os bancos também estão livres para utilizar os
Títulos apoiados por hipotecas
(Mortgage-backed securities, MBS)
e papel comercial como colateral para assegurar a retomadas do Fed. É
um doce tratamento e mais de 100 instituições financeiras
já aproveitaram a munificência do Fed.
Trata-se de um mau sinal. Ele indica que os bancos expuseram-se seriamente,
têm o "capital debilitado" e precisam uma esmola do Banco
Central para se livrarem do incumprimento. Isto significa que os cofres
estão repletos de lixo sem valor apoiado por hipotecas que eles
estão deliberadamente a esconder dos seus accionistas e depositantes.
Se houvesse regulamentação adequada nunca teria sido permitido
aos bancos que se interessassem por instrumentos de dívida tão
arriscados como empréstimos subprime e os tóxicos CDOs. Toda a
catástrofe podia ter sido evitada. Ao invés disso, centenas de
milhares de milhões de dólares serão exterminados, um
certo número de bancos irá à falência e a
confiança do público nas suas instituições
será estilhaçada.
O Federal Reserve anunciou esta semana que "aumentará a
dimensão dos dois leilões de empréstimos de
emergência previsto em 50 por cento, para US$30 mil milhões, como
parte de uma tentativa global de banqueiros centrais para restaurar a fé
nos mercados monetários" (AP). Por outras palavras, o Fed
proporcionará uma tigela de esmola ainda maior para apoiar os bancos a
fim de manterem a aparência de solvência. É uma
simulação total.
Inflação vs. Deflação
É impossível prever a dimensão e a escala da
recessão que se aproxima. Os mercados imobiliários e de
acções sem dúvida verão milhões de
milhões de dólares de perdas, mas o que se passa acerca dos
estimados US$300 milhões de milhões de dólares de
derivativos, créditos swaps incumpridos e outras abstrusas
opções com contrapartidas? Será que a economia global
congelará quando o oceano de ciber-capital se evaporar subitamente?
Será que a riqueza virtual simplesmente se desvanecerá no
éter quando os activos subjacentes (CDOs, MBS, ABCP) forem degradados
para tostões, ou quando o número de arrestos domiciliares for
catapultado para milhões, ou quando o dólar deslizar para uma
fracção do seu valor actual? Ninguém realmente sabe.
Mas o presidente do Fed de Atlanta, Dennis Lockhart resumiu aquilo que se pode
esperar num discurso pronunciado na semana passada. Intitula-se "A
economia em 2008". Disse ele:
"Uma avaliação sóbria dos riscos deve levar em conta
a possibilidade da prolongada instabilidade do mercado financeiro juntamente
com o enfraquecimento dos preços da habitação,
preços de energia voláteis e altos, contínua
depreciação do dólar e inflação
elevada".
Amen.
O que a recessão que está para vir "parecerá"
tem sido o assunto de debate feroz na Internet. Toda a gente parece concordar
em que isto não é um típico mau período
(downturn)
resultante da super-produção, do sub-consumo ou do mau
investimento. É, ao contrário, o estraçalhamento de
enormes bolhas de acções que foram geradas pela abusiva
expansão de crédito do Fed e da proliferação sem
precedentes de opacos instrumentos de dívida estruturada. Muitos
acreditam que o desmancho destas bolhas disparará um ciclo de
hiper-inflação a qual já é evidente nos custos
ascendentes de alimentos, energia e cuidados de saúde. Estes
preços estão obrigados a aumentar substancialmente pois o Fed
continua a cortar taxas e mais uma vez a minar o dólar.
Mas a questão real (parece-me) é a insondável perda de
capitalização de mercado, a crescente insolvência de
consumidores que atingiram os seus limites, e a incapacidade dos bancos para
darem crédito livremente a candidatos a empréstimos
responsáveis. Estas três coisas vão provavelmente arrastar
todas as classes de activos, reduzir a actividade dos negócios ao
rastejamento e obrigar consumidores a entesourar ao invés de gastar. O
dólar fortalecerá num ambiente deflacionário (será
isto algum consolo?).
Paul L. Kasriel, Director de Investigação Económica em The
Northern Trust Company responde a algumas perguntas típicas acerca de
deflação em entrevista recente ao guru económico Mike
Shedlock (Mish):
Mish: Diria o sr. que a dívida do consumidor nos EUA em
oposição à falta de dívida do consumidor no
Japão aumenta as pressões deflacionárias sobre a economia
estado-unidense?
Kasriel: Sim, absolutamente. Os números mais recentes que disponho
mostram que a exposição dos bancos ao mercado hipotecário
está em 62% do total dos seus activos de rendimento, uma alta
inédita. Se uma prolongada quebra na habitação se seguir,
os bancos poderiam ficar em grande perturbação.
Mish: E se Bernanke cortar taxas de juro em 1 por cento?
Kasriel: Numa quebra sustentada da habitação que leva os bancos
a sofrerem um grande golpe no seu capital simplesmente não
importará. Isto é essencialmente o que aconteceu recentemente no
Japão e também nos EUA durante a grande depressão.
Mish: Pode explicar?
Kasriel: A maior parte das pessoas não está consciente das
acções tomadas pelo Fed durante a grande depressão.
Bernanke afirma que o Fed não actuou suficientemente forte durante a
Grande Depressão. Isto simplesmente não é verdade. O Fed
cortou taxas de juros e injectou enormes somas de dinheiro base mas isto
não resultou. Mais recentemente, o Japão fez a mesma coisa.
Isto também não fez bem. Se as taxas de incumprimento ficarem
altas bastante, os bancos simplesmente estarão a recusar-se a emprestar
o que limitará severamente a criação de moeda e o
crédito.
Mish: Como é que a inflação começa e acaba?
Kasriel: A inflação começa com a expansão do
dinheiro e do crédito. A inflação finaliza quando o banco
central não é mais capaz ou não mais deseja estender
crédito e/ou quando consumidores e negócios não
estão mais desejosos de tomar emprestado porque nova expansão
e/ou especulação não faz mais qualquer sentido
económico.
Mish: Assim, quando vai terminar tudo isto?
Kasriel: É extremamente difícil prever. Se a actual
recessão na habitação se tornasse uma depressão na
habitação, conduzindo a incumprimentos maciços de
hipotecas, podia terminar. Alternativamente, se houvesse uma corrida sobre o
dólar no mercado de câmbios estrangeiro, a inflação
do preço podia travar-se e o Fed não teria escolha senão
aumentar taxas de juro agressivamente. Dada a alavancagem record na economia
dos EUA, o aumento na taxa de juros estimularia bancarrotas em grande escala.
Estes são os dois cenários de "cheque mate" que
vêm à mente.
(ler toda a entrevista aqui)
Resumo: Quando bancos não emprestam e consumidores não tomam
emprestado, a economia entra em crash. Fim de estória. O conjunto do
sistema é estabelecido sobre a utilização prudente do
crédito. Tal sistema está agora em agonia final. Toda a gente
para os bunkers.
Talvez todo o debate "inflação-deflação"
seja académico. A questão real é a duração
e severidade da recessão iminente. Isto é o que realmente
queremos saber. E quantas pessoas sofrerão desnecessariamente.
12/Janeiro/2008
Notas
[1] Bear market: qualquer mercado em que os preços estão em
declínio durante um período prolongado.
[2] Cadeias de restaurantes nos EUA.
O original encontra-se em
http://www.dissidentvoice.org/2008/01/the-deflation-time-bomb/
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Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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