O fracasso para além das finanças
por Jim Kunstler
Agora são os acontecimentos que nos conduzem, não personalidades
e nem mesmo políticas. Ben Bernanke, Hank Paulson e os outros
personagens nas manchetes podem pretender que estão a administrar as
coisas, mas a verdade é que os problemas no sector financeiro rodopiam
loucamente fora de controle. As rodas estão a desprender-se do carro e
estamos naquele longo momento angustiante do movimento de derrapagem de um lado
ao outro da estrada quando já nenhuma manobra no volante ajudará
a evitar o desastre. O que está a acontecer em plena altura do Natal,
quando os eventos anteriormente eram controláveis a
estação do Pai Natal manufacturado anima e rende US$50
milhões mostra quão perigosa é a
situação.
A razão porque o sector financeiro está a entrar em crash
é realmente muito simples: ele criou demasiados títulos
fraudulentos. O que tem estado visivelmente ausente até então
é qualquer senso de responsabilidade para o que pode resultar na maior
fraude da história. É realmente impossível imaginar que
um punhado de trabalhadores de baixo nível hierárquico na banca
haja disseminado todos estes maços de obrigações
colaterizadas de dívida, títulos apoiados por hipotecas e outros
lixos semelhantes por si próprios sem a anuência dos seus
patrões um grupo que inclui o actual secretário do
Tesouro, sr. Paulson, anteriormente administrador principal da
organização Goldman Sachs. E, naturalmente, as questões
que se seguem são: e aqueles responsáveis pelas agências
de classificação que premiaram com a categoria AAA investimentos
lixo de alto risco; e onde estavam os reguladores bancários quando
grupos como o Countrywide Financial, Washington Mutual, e Ditech estavam a
distribuir hipotecas milagrosas a mutuários sem
qualificações normais; e onde estava a Securities and Exchange
Commission quando o comércio por grosso de instrumentos de dívida
criativamente concebidos dispararam em alto volume, e o que estava a pensar o
conselho de directores da Merrill Lynch quando permitiu que o desgraçado
presidente-executivo Stan O'Neal voltasse com um camião à
companhia e o carregasse com US$160 milhões em pagamentos de bonus
depois de no período presidido por O'Neal ter sofrido perdas de pelo
menos US$8 mil milhões?
O que estamos a assistir é uma crise de autoridade no topo de uma crise
de capital, e isto provavelmente conduzirá a uma crise de legitimidade
pela qual quero dizer uma perda catastrófica de fé em que
esta sociedade possa governar-se a qualquer nível. A liderança
em todas as categorias fracassou, no governo, nos negócios, naquilo que
costumava ser chamado de imprensa, e na educação. A
liderança em todos os sectores alinhou-se com o programa,
maravilhosamente estúpido, de que a sociedade poderia obter alguma coisa
em troca de nada.
O público em geral não comportou-se mais honradamente
devido a não importa que fracasso de normas cívicas em ele opera
e na verdade o país como um todo pode merecer todo o sofrimento
que enfrenta. Mas por pior que seja o comportamento do público geral,
ou sombrio ou seu destino, um fracasso de normas cívicas é em
última análise um fracasso de liderança, a qual deve
declarar claramente as fronteiras e os termos do comportamento. Quando algo
avança, nada importa. Uma vez que esta era atitude dos nossos
líderes, o público fez o que era natural: seguiu o exemplo
estabelecido pela liderança.
Ainda não começámos a ver aonde tudo isto
conduzirá. Uma vez que o que está a acontecer é
basicamente a evaporação de milhões de milhões
(trillions)
de dólares de suposta riqueza. No mínimo veremos provavelmente
um país empobrecido muito em breve com escassez de dinheiro para comprar
o necessário. Historicamente isto é conhecido como uma
deflação ruinosa. A última vez que a América
atravessou uma tal experiência foi na Grande Depressão da
década de 1930. Tal como esta situação, que veio no fim
de uma extraordinária expansão do crédito
empréstimos feitos em grande parte naquele dia para a compra de
acções "na margem".
Uma diferença entre aquela época e agora é que em 1929 uma
minoria relativamente pequena de americanos estava envolvido na compra de
acções. Hoje, um número relativamente grande de
cidadãos comuns possuem casos compradas com sobrepreço utilizando
empréstimos extraordinariamente arriscados, e um grande números
de instituições tais como fundos de pensão, bancos, hedge
funds, e mercados monetários possuem títulos fraudulentos
baseados nestes empréstimos imobiliários, os quais valem um
fracção do seu valor facial. Algumas outras diferenças
que desta vez envolvem o problema: na retaguarda está uma economia
"real" de esgotamento de recursos naturais (petróleo, solos,
aquíferos, etc) e a desmontagem sistemática da uma infraestrutura
manufactureira industrial. Na década de 1930, muitas pessoas podiam
retornam às propriedades agrícolas das suas famílias e
sobreviver, mesmo com pouco dinheiro. Hoje há de longe muito poucas
famílias na agricultura.
O país está a actuar agora simplesmente como uma multidão
de espectadores a assistir um desastre de carro como se este nada tivesse nada
a ver com elas como se estivessem simplesmente a ocupar a arquibancada
de uma corrida de Fórmula Um num dia particularmente mau. Dentro em
breve descobrirão que é a sua própria sociedade que
se choca com a muralha atravessada na pista. Isto levanta a pergunta, nestas
circunstâncias, de se a próxima eleição presidencial
terá qualquer legitimidade.
17/Dezembro/2007
O original encontra-se em
http://jameshowardkunstler.typepad.com/
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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