Guerras imperialistas beneficiam os grandes capitalistas dos Estados mais ricos
por Immanuel Ness
[*]
entrevistado por Mohsen Abdelmoumen
Mohsen Abdelmoumen: No seu livro
Choke Points: Logistics Workers Disrupting the Global Supply Chain
afirma que o capitalismo global é um sistema precário.
Pode explicar porquê?
Dr. Immanuel Ness A economia global está cada vez mais integrada
na indústria transformadora e, como tal, diferentes nações
estão fortemente envolvidas nos diversos produtos
(inputs)
que contribuem para transformar os recursos naturais em produtos finais. Este
sistema é muito dependente do transporte de mercadorias em todo o mundo.
Assim, os trabalhadores da logística e dos transportes são parte
integrante do fluxo contínuo de mercadorias em todo o mundo. Como os
produtos são cada vez mais produzidos para atender às procuras
específicas dos consumidores e dos mercados dos países de destino
do norte, qualquer desafio a esse sistema fará com que o fornecimento de
produtos falhe.
Os trabalhadores da logística e dos transportes desempenham, portanto,
um papel crucial na distribuição de bens ao longo da cadeia de
fornecimentos podendo interromper a entrega de bens em diferentes fases da
produção. Assim, a noção de estrangulamento
está enraizada no sistema de distribuição. Os
estrangulamentos diminuem a velocidade da produção e impedem o
sistema capitalista de processar os produtos em diferentes fases da cadeia
global de mercadorias.
Essa interrupção tem um impacto significativo no fornecimento de
bens essenciais, num sistema de produção global altamente
integrado, no qual os consumidores de bens nas diferentes fases da
produção, são impedidos de obter produtos
(inputs)
cruciais para o seu sistema de produção. A
globalização económica e a produção
flexível aumentaram a dependência da entrega rápida e
fiável de mercadorias. Se o sistema de transportes para os principais
pontos logísticos for interrompido nas fábricas, no transporte
rodoviário ou ferroviário, aeroportos, portos e armazéns,
a entrega dessas mercadorias não poderá atingir os mercados de
produção e de consumo e constitui um risco para a rentabilidade.
As cadeias de fornecimentos globais estão a intensificar a
importância do transporte rápido e fiável de produtos
agrícolas, matérias-primas e bens industriais, cada vez mais
dependentes da subcontratação. Isso coloca o capital numa
posição potencialmente precária, muito dependente da
entrega de mercadorias "just-in-time" aos diversos mercados.
Na sua opinião, o capitalismo é capaz de superar as crises que
gera?
Sim, o capitalismo atual dispersou os trabalhadores por toda uma série
de processos de produção, instalações e empresas,
diminuindo o poder de os trabalhadores perturbarem as cadeias globais de
mercadorias. Embora existam exceções notáveis em que os
trabalhadores da logística conseguiram desacelerar e, em alguns casos,
impedir a produção e o transporte de mercadorias, hoje os
trabalhadores não têm o poder organizacional de resistir e superar
o poder esmagador do capital. Além disso, existe a propensão para
trabalhadores logísticos privilegiados, como marítimos e
estivadores, que recebem salários mais altos e preferem não
atrapalhar um sistema que lhes foi favorável, em detrimento dos
trabalhadores mal remunerados.
Em geral, os trabalhadores com baixos salários produzem bens em
colónias agrícolas e informais e geralmente são
encontrados nos países do sul, onde os salários são
significativamente mais baixos do que nas metrópoles neocoloniais onde
os bens de consumo finalizados são geralmente vendidos a consumidores
com salários mais altos. Além disso, deve-se notar que os
sindicatos são agora muito mais fracos do que eram em meados e nos
finais do século XX, durante a era fordista, quando os trabalhadores
negociavam salários muito mais altos devido ao controlo que tinham sobre
a produção integrada de mercadorias. A globalização
e o crescimento das cadeias de produção envolvendo diversos
Estados, enfraquecem consideravelmente a capacidade de o fator trabalho
enfrentar o capital. Até que este desequilíbrio de poder seja
resolvido a favor dos trabalhadores, as empresas multinacionais manterão
uma posição dominante.
Fingir que não há alternativa ao capitalismo revela uma
impotência para criar um sistema que vai além do capitalismo, o
qual mostrou os seus limites?
Não, vivemos num mundo dominado pelo capitalismo e, de facto, vastas
lutas ocorrem entre trabalho e capital. O problema é que a maioria dos
sindicatos foi derrotada, qualquer tentativa de regulamentação
mínima à ganância dos mercados de trabalho predadores
é um desafio formidável para a classe trabalhadora. Dessa
maneira, ir além do capitalismo não passa de retórica,
porque é muito improvável que o capitalismo seja superado num
futuro próximo
[NT 1]
. Mesmo que seja possível para grandes Estados ou
regiões desenvolver sistemas socialistas, é provável que o
sistema mundial seja dominado pelo capitalismo nas próximas
décadas. O principal desafio é limitar a capacidade de o
capitalismo penetrar nos aspetos fundamentais da vida social e impedir que o
capital inevitavelmente mercantilize serviços essenciais: comida,
saúde, energia, habitação, educação, etc. A
única maneira de encontrar uma alternativa é ao nível
estatal, e isso exige um Estado muito forte, comprometido com o socialismo,
para limitar e lentamente confrontar o capitalismo. Esses estados devem ser
grandes e fortes. Exemplos recentes da maré rosa na América
Latina revelaram os limites de um "ir além do capitalismo",
sem capacidades excecionais para desafiar o capital multinacional e os Estados
imperialistas do Ocidente e de outros lugares que procuram mercantilizar toda a
vida social.
O sistema capitalista não está dizimando populações
inteiras e destruindo o planeta pelo seu modo irrestrito de consumo?
Sim, o sistema capitalista atualmente em vigor, o capitalismo neoliberal,
destruiu muitos dos ganhos sociais do pós-guerra nos países do
norte. Enquanto os residentes de países ricos da Europa, América
do Norte, Oceânia e outros países estão sendo pressionados
para continuarem consumindo, de facto, o padrão de vida aumentou ou
não diminuiu na maioria dos países ricos
[NT 2]
. Devemos entender que os
países capitalistas avançados representam talvez apenas mil
milhões dos 7,7 mil milhões de pessoas que habitam o planeta. Se
o sistema capitalista dos países ricos fosse reproduzido à escala
mundial, o planeta deixaria de ser habitável para a
população mundial, onde os bens não estão
disponíveis para a vasta maioria da população. Apesar
disto, o consumo dos países ricos em detrimento da maioria pobre conduz
o mundo ao esgotamento dos recursos. O reconhecimento do impacto ecologicamente
devastador da produção capitalista não levou a um
declínio do consumo no Ocidente.
É um cientista político experiente e um sindicalista. Não
acha que precisamos de mais sindicatos combativos do que nunca diante da
ofensiva ultraliberal, da insegurança no emprego, do desemprego
maciço, etc?
Sim absolutamente. Mas não precisamos apenas de mais sindicatos
combativos, mas também de organizações mais fortes. Hoje,
os cientistas sociais que estudam o trabalho têm-se concentrado em
organizações combativas fracas, na linha dos
Industrial Workers of the World
e não em organizações fortes. Os sindicatos
autónomos são vistos como uma nova forma de
organização do trabalho. O que essa perspetiva deixa de fora
é que os trabalhadores independentes sempre se comprometeram na luta
contra os patrões. É verdade que muitos sindicatos existentes
tornaram-se organizações burocráticas e fossilizadas e
perderam o seu envolvimento na luta de classes, preferindo envolver-se na
negociação de concessões com o capital. Mas isto é
especialmente verdade porque os sindicatos não têm realmente o
poder de derrotar o capital. A fábrica fordista é uma estrutura
ultrapassada, assim como os sindicatos que representam um grande número
de trabalhadores. Portanto, é importante ter não apenas
sindicatos combativos, mas também sindicatos fortes. Na minha
opinião, esses sindicatos devem alinhar-se com partidos políticos
fortes e comprometidos, dedicados a derrotar o capitalismo e o imperialismo. De
certa forma, isto inspira-se nos sindicatos do início do século
XX, alinhados com partidos políticos. Hoje devemos aprender com os
sucessos e erros do passado. Mas se a classe trabalhadora e a grande maioria
dos pobres do mundo querem melhorar sua situação, devem
organizar-se.
Não há uma necessidade estratégica de uma frente mundial
de trabalhadores contra o capitalismo e o imperialismo?
Evidentemente, é sempre útil ter solidariedade entre os
trabalhadores à escala global, mas, dadas as grandes diferenças
nas condições económicas resultantes da
transferência de valor dos países do Sul para o Norte, é
improvável que trabalhadores em países ricos vão contra
seus interesses económicos e desafiem o capitalismo e o imperialismo.
Tomemos, por exemplo, as recentes eleições na Europa,
América do Norte, Oceânia e países da OCDE, onde há
um aumento dos movimentos da classe trabalhadora de direita que se opõem
aos imigrantes, não põem em causa as políticas
imperialistas e estão mais inclinados a aumentar os salários e as
condições de proteção social do que a
solidarizarem-se com os trabalhadores da África, Ásia e
América Latina. Você está certo ao dizer que é
necessário uma frente global de trabalhadores, mas, na minha
opinião, essa frente virá de trabalhadores oprimidos no Sul, e
não dos trabalhadores com a vida relativamente desafogada no Norte.
Os sindicatos burocráticos não abandonaram a luta da classe
trabalhadora?
Sim, os sindicatos burocráticos abandonaram o apoio à luta de
classes. Eles ignoraram as lutas espontâneas das bases por melhores
salários, condições de trabalho e benefícios. Mas
esse é geralmente o caso das organizações economicistas,
razão pela qual também é necessário ter um
compromisso político a favor do anti-capitalismo e do anti-imperialismo.
Embora a luta seja longa e cansativa, na ausência de um partido de
vanguarda e liderança dedicada à classe trabalhadora, as lutas
diárias dos trabalhadores descritas em numerosos estudos por todo o
mundo, não ganharão terreno. A burocracia sindical é
também uma marca dos sindicatos que aceitaram e fizeram progredir o
capitalismo e o imperialismo a todos os níveis. Assim, a
Confederação Internacional dos Sindicatos (CSI) defende modelos
sindicais que assumem uma posição subordinada em
relação ao capital. Isso também se aplica aos sindicatos
sectoriais nacionais, com algumas exceções na Ásia,
sudeste da Ásia e sul da África, onde os sindicatos rejeitam uma
posição subordinada e prometem combater o imperialismo.
No seu livro, muito importante para entender as lutas dos trabalhadores: "
Southern Insurgency: The Coming of the Global Working Class
", explora as novas lutas dos trabalhadores dos países do sul, como
China, Índia e África do Sul. Quais são as especificidades
da luta dos trabalhadores nesses países que menciona em seu livro?
O livro revela a chegada da classe trabalhadora global, revela a
expansão das lutas de classe no sul global para construir sindicatos
mais responsáveis e de combate de classe, em vez de sindicatos
burocráticos ligados ao colaboracionismo com as
administrações das empresas, o Estado e a troca de
concessões. O livro mostra que os trabalhadores de todo o mundo
estão envolvidos num poder de classe autónomo. Mesmo na China, os
trabalhadores estão desenvolvendo organizações
independentes que buscam a melhoria de condições. Embora as
características de cada uma das lutas na indústria
automobilística, na produção de calçado e nas minas
sejam diferentes, o poder dos trabalhadores provem e é desenvolvido
pelas atividades da base dos trabalhadores. Infelizmente, os sindicatos, como
organizações económicas, são incapazes de afirmar
as suas reivindicações para incluir todos os trabalhadores. Altos
níveis de desemprego, baixos salários e condições
inseguras não podem ser combatidos numa base nacional por assembleias de
trabalhadores, sindicatos independentes e falta de liderança dedicada e
com princípios. O livro presta homenagem às lutas de classe dos
trabalhadores em cada um desses países, que fizeram as maiores greves da
segunda década do século XXI, mas também mostra os limites
dessas lutas para se transformarem em forças poderosas de mudança
sistémica nacional e regional.
Na Argélia, os sindicatos autónomos comprovaram o seu
espírito de luta, diferentemente do sindicato burocrático
vinculado ao patronato. Não acha que, para ser eficaz, os movimentos
sindicais precisam livrar-se da burocracia?
Sim, como já foi dito, a burocracia é uma função do
economicismo, um esforço limitado para defender trabalhadores em
sectores diferentes. Na Argélia, os sindicatos autónomos
comprometeram-se em ações diretas contra o patronato, o seu
espírito de luta é um modelo para os trabalhadores em todo o
mundo. No entanto, esses sindicatos devem mostrar que têm capacidade de
se transformar em organizações mais fortes. Na Argélia,
esses movimentos foram reprimidos pelas forças de segurança do
Estado. O que é necessário é que esses sindicatos se
reúnam em órgãos maiores, com liderança coerente,
dedicada às questões dos trabalhadores. É claro que os
sindicatos devem libertar-se da burocracia, mas é importante não
equiparar a burocracia ao poder político e económico. A autonomia
tem de ser uma prática diária que deve ser reforçada pela
capacidade de quebrar o sistema capitalista. Se as ações de massa
foram muito impressionantes, então a classe trabalhadora argelina deve
ser unificada para exigir concessões políticas e
económicas específicas do Estado e do capital.
Fez um notável trabalho de antologia publicando "
The International Encyclopedia of Revolution and Protest: 1500 to the Present
", em 8 volumes, e
The Encyclopedia of Global Human Migration
,
The Palgrave Encyclopedia Imperialism and Anti-Imperialism
.
" Para combater melhor o capitalismo, não será
necessário cada um armar-se com as ferramentas teóricas que
oferece em particular através de seus livros?
A educação é sempre um empreendimento importante e quanto
mais sabemos sobre o mundo à nossa volta e a história dos
movimentos de esquerda no passado, mais podemos aprender com os sucessos e os
fracassos do passado. Cada um desses trabalhos tem como objetivo mostrar a
diversidade de resistências que os oprimidos enfrentam para fazer
avançar os seus interesses. Mas também mostram que, em muitos
casos, os movimentos políticos são confrontados com o
braço forte do Estado e do capital, que geralmente os vence. É
importante lutar para vencer, em vez de lutar para perder. Assim, a gama de
tendências políticas apresentadas nos livros mostra como diversos
movimentos políticos tiveram êxito dispondo de poder suficiente
para derrotar o Estado e o capital. Aliás, estou a terminar uma segunda
edição da
The Palgrave Encyclopedia Imperialism and Anti-Imperialism
, que mostra como as lutas com princípios, enraizadas na realidade, em
vez de objetivos utópicos, são mais eficazes para melhorar as
condições dos oprimidos.
É o editor do
Journal of Labor and Society
.
Não acha que a classe trabalhadora em dificuldades precisa dos seus
próprios media para combater os media de propaganda que estão nas
mãos do poder do dinheiro?
Sim, é incontestavelmente necessário dispor de meios de
comunicação poderosos que contrariem a propaganda que prevalece
no sistema. Os trabalhadores não precisam apenas de revistas, mas
também de programas populares, publicações on-line,
filmes, literatura, etc. É uma realidade permanente que, mesmo nos meios
universitários, as publicações de esquerda são
vítimas de ataques e são vulneráveis porque são
controladas pelas grandes editoras que geram milhares de milhões de
receitas cada ano. Enquanto o
Journal of Labor and Society
tem 50 mil leitores por ano, os editores estão interessados nos lucros
e na rentabilidade, desaprovando os periódicos e
publicações que desafiam o capitalismo e o imperialismo. Aqueles
de nós que se opõem ao sistema capitalista e ao imperialismo
devem apoiar os jornais da esquerda. Mas são poucos. Cada vez mais,
descobrimos que esses periódicos estão abandonando os seus
princípios de justiça social em favor da rentabilidade, que
é o seu principal indicador de sucesso. Posso citar inúmeros
jornais de esquerda que adotaram o neoliberalismo e mudaram-se para o centro.
Devemos cuidar e proteger não apenas os periódicos
universitários, mas também todos os media que desafiam a
injustiça do sistema político e económico.
Vemos cada vez mais guerras imperialistas lançadas em benefício
dos grandes capitalistas e que visam saquear a riqueza dos povos. Na sua
opinião, o movimento sindical e outras organizações da
esquerda combativa nos países do norte não têm eles
também um outro combate a travar, que é o de afirmar a sua
solidariedade com os povos do sul, os condenados da Terra?
Eu concordo totalmente. O balanço da resistência da esquerda
à guerra imperialista é lamentável e fraco. Por vezes,
grande parte dos esquerdistas apoia a guerra imperialista com base em
intervenções humanitárias artificiais. Os sindicatos nos
Estados Unidos e noutros países imperialistas, geralmente apoiam as
orientações políticas das forças armadas, do
Departamento de Estado e dos serviços secretos. Será
necessária uma educação significativa para combater as
agendas imperialistas dos países do norte, pois praticamente não
há oposição. Estou a trabalhar num projeto com o tema da
guerra sob a forma de sanções, para demonstrar que as
sanções são usadas como instrumento de guerra em dezenas
de países opostos aos Estados Unidos, Europa Ocidental e seus aliados.
As sanções são uma forma híbrida de guerra, que em
muitos casos mata mais pessoas do que um conflito militar por falta de acesso a
alimentos, medicamentos, saneamento e outras necessidades. Mulheres e
crianças são particularmente vulneráveis às
sanções económicas. Os países não conseguem
reconstruir as infraestruturas após a devastação das
guerras. Essas guerras e sanções são travadas
desproporcionalmente contra os Estados do sul, do sudoeste da Ásia,
norte da África, África ao sul do Saara, América Latina e
Caribe.
As guerras imperialistas beneficiam os grandes capitalistas dos Estados mais
ricos e, como diz, saqueiam a riqueza dos povos e criam mais miséria.
Não vejo o movimento sindical e a esquerda dos países do Norte
comprometidos em solidariedade. A oposição vem de grupos
geralmente restritos que reconhecem que essas guerras beneficiam o norte.
Portanto, embora os media ocidentais frequentemente se oponham aos custos das
guerras, referem-se aos dólares gastos pelos Estados Unidos, Europa e
outros países ocidentais, e não ao custo infligido aos
países do sul. No entanto, nós ocidentais não devemos
escapar às nossas responsabilidades simplesmente porque nossos
países são os beneficiários da guerra imperialista. Temos
que lutar todos os dias para alterar os planos e opormo-nos à guerra.
É nossa tarefa, é nossa responsabilidade. Estou no processo
conclusão de três novos livros no próximo ano sobre estes
assuntos.
05/Fevereiro/2020
NT]
[1] Ao dizer isto ele parece dar razão à rendição de ex-marxistas
à
social-democracia e ignorar que a luta de massas não pode ser desligada da luta
ideológica a fim de superar o sistema mesmo que esta seja "longa e
cansativa", como diz. Combater a retórica é correcto, mas a luta
ideológica nada tem que ver com retórica e não deve ser abandonada. Retórica é
o disfarce dos que se voltaram para a social-democracia colaboracionista.
[2] Não é assim, pelo contrário. O objectivo do neoliberalismo é destruir todos
os direitos sociais (as “reformas”). As lutas dos coletes amarelos ou
mesmo nos EUA são exemplos que não podem ser ignorados.
[*]
Professor de ciência política no Brooklyn College da City
University de Nova York. É especialista em organização dos
trabalhadores, mobilização política e ativismo sindical. O
seu trabalho levou-o a viajar por muitos países, principalmente na
América do Norte, Ásia e África. A pesquisa e as
publicações do Dr. Ness concentraram-se na economia
política dos movimentos sindicais, na organização social
dos trabalhadores, nas relações do Sul, no socialismo e no
imperialismo contemporâneo. É co-editor do
Journal of Labor and Society
. O Dr. Ness também é investigador associado sénior do
Centro de Mudança Social da Universidade de Joanesburgo. Foi organizador
e ativista sindical entre 1989 a 2011.
O original encontra-se em
mohsenabdelmoumen.wordpress.com/...
. Tradução de DVC.
Este artigo encontra-se em
https://resistir.info/
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