A RDPC explica que a ONU traiu a sua missão
Os media corporativos silenciaram este discurso
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"De facto, o acordo internacional sobre a não
proliferação nuclear só foi possível porque as
potências nucleares haviam feito a promessa de não ameaçar
com as mesmas os Estados não dotados de armas nucleares".
Ri Yong Ho
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O artigo 10 do Tratado de Não Proliferação determina que
cada parte tem o direito de se retirar do Tratado se decidir que os seus
interesses supremos foram postos em causa. Este artigo reconhece que os
interesses supremos dos Estados estão acima da não
proliferação nuclear.
Afinal de contas, os próprios Estados Unidos entravaram os
esforços internacionais de não proliferação ao
não renunciarem à ameaça nuclear contra a RDPC, mas
obrigando-a ao invés a possuir armas nucleares.
Isto demonstra eloquentemente que as "resoluções"
anti-RDPC não são fundamentadas sobre princípios
estabelecidos e que elas são nada menos que produtos da antiga
prática não democrática do Conselho de Segurança,
da conspiração e da conivência das forças obcecadas
unicamente pelos seus interesses adquiridos.
Os Estados Unidos pretendem que a posse pela RDPC de mísseis
balísticos e de bombas H constitui uma "ameaça global",
mesmo em plena ONU. Mas esta afirmação é uma mentira
grosseira que se aparenta à tristemente célebre "grande
mentira" fabricada pelos Estados Unidos em 2003 a propósito da
existência no Iraque de armas de destruição maciça a
fim de invadir este país.
A República Democrática e Popular da Coreia é um estado
nuclear responsável.
Vamos tomar medidas preventivas sob a forma de acções impiedosas
caso os Estados Unidos e suas forças vassalas derem sinais de
preparação de uma espécie de operação de
"decapitação" do nosso quartel-general ou de um ataque
nuclear contra o nosso país. Entretanto, não temos qualquer
intenção de utilizar ou ameaçar utilizar nossas armas
nucleares contra os países que não se associam às
acções militares dos Estados Unidos contra a RDPC.
Os Estados Unidos recorreram a uma intriga para condenar a posse de armas
nucleares pela RDPC como "uma ameaça global" a fim de
encontrar um pretexto para constranger os outros Estados membros das
Nações Unidas a executar "resoluções"
sancionatórias contra a RDPC.
É uma tentativa egoísta e maliciosa dos Estados Unidos para
escapar à sua responsabilidade na questão nuclear da
península coreana e para defender seus próprios interesses
utilizando e sacrificando outros países que nada têm a ver com a
questão.
O governo da RDPC fez um pedido ao Secretariado da ONU para que seja organizado
um fórum de peritos em direito internacional a fim de avaliar os
argumentos de direito e de legalidade das "resoluções"
do Conselho de Segurança, mas desde há nove meses já
não tivemos nenhum eco do Secretariado.
Passa-se o mesmo com o facto de que a RDPC fez repetidos pedidos à ONU
para discutir a grave ameaça à paz e à segurança
internacional causada pelos exercícios militares agressivos e
provocatórios conjuntos da Coreia do Sul e dos Estados Unidos, mas estes
pedidos nunca foram postos na ordem do dia do Conselho de Segurança e
foram repelidos todas as vezes.
A Carta das Nações Unidas determina que os membros da
Organização das Nações Unidas aceitam e aplicam as
decisões do Conselho de Segurança.
Se as "resoluções" sobre a RDPC adoptadas no Conselho
de Segurança fossem verdadeiramente justas e legítimas,
não seria necessário que todos os embaixadores americanos no
estrangeiro e mesmo o presidente e o secretário de Estado se agitassem a
constranger outros países a executarem as
"resoluções". Além disso, não seria
necessário para os Estados Unidos fazer com que os seus fantoches, como
a Coreia do Sul e o Japão, participassem nesta actividade.
Os Estados membros das Nações Unidas não devem ceder
às pressões de uma grande potência, aplicando as
resoluções do Conselho de Segurança, mas sim fazer um
julgamento independente sobre a legalidade, a imparcialidade e a moralidade
destas resoluções e contribuir para a promoção da
reforma da ONU elevando suas vozes contra o despotismo e o arbítrio.
Senhor Presidente, os Estados Unidos efectuaram sanções contra o
nosso país exactamente desde o primeiro dia da sua
fundação e pode-se dizer que os mais de 70 anos da longa
história da RDPC são uma história de luta, de
perseverança na via do auto-desenvolvimento no quadro das
sanções mais duras do mundo.
Graças a uma luta longa e tão difícil, agora estamos enfim
a apenas alguns passos da conclusão da nossa força nuclear
nacional. Imaginar a possibilidade de que a RDPC seja abalada uma polegada que
seja ou que modifique sua posição devido a sanções
por parte das forças hostis não é senão uma
esperança desesperada.
Virá o dia, certamente num futuro próximo, em que acabaremos com
todos os danos infligidos ao nosso desenvolvimento económico
pacífico e à melhoria do nível de vida do povo e com todos
os sofrimentos impostos às nossas mulheres, crianças e pessoas
idosas pelas sanções odiosas e bárbaras contra a nossa
República.
A RDPC já organizou um comité nacional de
investigação aos danos a fim de fazer um estudo aprofundado do
conjunto dos danos infligidos à nossa República por todos os
tipos de sanções.
Este comité fará uma investigação aprofundada e
recenseará todos os danos físicos e morais impostos à RDPC
pelos Estados Unidos, seus discípulos e igualmente pelos países
que estão submetidos à coerção dos Estados Unidos.
No momento em que esta chantagem das sanções e da pressão
atinge um ponto crítico, arrastando a península coreana a uma
situação incontrolável, os resultados da
investigação deste comité terão um efeito enorme
designando os responsáveis.
Senhor Presidente, minha delegação aproveita esta ocasião
para exprimir um apoio forte e a sua solidariedade ao governo cubano e aos
povos que se batem para defender sua soberania nacional e realizar a
justiça internacional contra o despotismo, o arbítrio e o embargo
unilateral dos Estados Unidos.
Exprimimos igualmente um apoio firme e a nossa solidariedade ao governo e ao
povo da Venezuela que lutam para defender a soberania nacional e a causa do
socialismo. Os actos injustos e desprezíveis, tais como fecharem os
olhos às acções odiosas de Israel condenando
simultaneamente e de todas as maneiras possíveis o governo sírio,
que se bate para proteger sua soberania nacional e a segurança,
não mais deveriam ser tolerados.
O governo da RDPC defenderá certamente a paz e a segurança do
país com o seu poderoso dissuasor nuclear e contribuirá
igualmente para a salvaguarda da paz mundial e da segurança.
Em consequência, estamos convencidos de que a paz e a segurança do
nordeste da Ásia e da região no seu conjunto foram consolidadas.
Não temos necessidade do reconhecimento por quem quer que seja do nosso
estatuto de Estado dotado da arma nuclear e da nossa capacidade de ataque
nuclear.
O míssil balístico marcado com o nome sagrado da RDPC voou acima
do universo, acima do céu azul infinito, a ogiva do nosso foguete deixou
seu traço sobre as vagas azuis do Oceano Pacífico e a
formidável explosão e vibração da bomba de
hidrogénio foram registados por este planeta.
Se bem que a nossa decisão de possuir armas nucleares tenha sido uma
opção inevitável provocada pelos Estados Unidos, ela
conduziu nosso país a atingir o estatuto de potência nuclear e de
potência balística e este prestígio está
agora inscrito no destino imortal da RDPC.
Senhor Presidente, o fracasso da Organização das
Nações Unidas no cumprimento do seu papel para a
realização de uma verdadeira justiça internacional
é devido principalmente às velhas práticas não
democráticas do Conselho de Segurança. Ninguém mais
senão o Conselho de Segurança despreza a Carta das
Nações Unidas desde o seu artigo primeiro e age apenas para a
prossecução da vontade e do interesse dos seus Estados membros.
Deve-se observar que um pequeno país anti-imperialista pode diante da
Assembleia-Geral das Nações Unidas lembrar aos donos desta
instituição que eles não são os donos do mundo.
A íntegra do discurso oficial do ministro Ry Yong Ho:
Senhor Presidente, em primeiro lugar permita-me felicitar Vossa
Excelência Sr. Miroslav Lajèák pela vossa
eleição à presidência da 72ª sessão da
Assembleia-Geral das Nações Unidas. Desejo pleno êxito
à presente sessão sob a vossa direcção avisada.
Antes de abordar os principais pontos do meu debate, sou obrigado a fazer
comentários sobre o discurso pronunciado há quatro dias por
alguém, chamado presidente dos Estados Unidos, que sujou esta arena
sagrada da ONU. Uma vez que Trump pronunciou nesta mesma tribuna palavras
violentas e irresponsáveis provocando a dignidade suprema da
República Democrática e Popular da Coreia (RDPC), penso que
é bastante justo para mim dar uma resposta no tom correspondente.
No decorrer dos seus oito meses de poder, ele transformou a Casa Branca num
campo de feira ruidoso e pejado com o ribombar de pérolas de tambores e
agora tentou transformar a reunião da ONU num ninho de gangsters onde o
dinheiro é respeito e o banho de sangue está na ordem do dia.
A realidade é absurda: uma pessoa como Trump, mentalmente desarranjada,
cheia de megalomania e de satisfação consigo próprio, a
pessoa que é acusada mesmo por americanos de ser o "comandante do
sofrimento", "Rei mentiroso", "Presidente do mal"
ocupa agora a presidência. A realidade é perigosa: este jogador
que envelheceu utilizando ameaças, fraudes e outras técnicas para
adquirir lotes de terreno detém o botão nuclear. Eis o que
constitui hoje a mais grave ameaça à paz e segurança
internacionais.
Devido à sua falta de conhecimentos comuns de base e de opiniões
pessoais, ele tentou insultar a dignidade suprema do meu país
comparando-o a um foguete. Ao assim fazer, entretanto, cometeu o erro
irreversível de tornar inevitável a visita dos nossos foguetes ao
conjunto do território dos Estados Unidos.
Nenhum outro senão o próprio Trump está em missão
suicida. Caso vidas inocentes dos Estados Unidos sejam perdidas por causa deste
ataque suicida, Trump será tido como inteiramente responsável.
O líder respeitado supremo, o camarada Kim Jong Un, declarou: "Como
o homem que representa a RDPC e em nome da dignidade e da honra do meu Estado e
do meu povo, e em meu próprio nome, vou fazer pagar caro ao homem que
tem a prerrogativa de comandante em chefe dos Estados Unidos seu discurso
apelando a destruir totalmente a RDPC.
Trump talvez não estivesse muito consciente das propostas saídas
da sua boca mais vamos nos assegurar de que ele suportará as
consequências bem para além das suas palavras, bem para
além do âmbito do que possa gerar mesmo se estiver pronto a
fazê-lo.
Senhor Presidente: pensemos nos povos: lutar pela paz e uma vida decente para
todos num planeta durável; é o tema da presente sessão.
Para que todos os países e todos os povos possam desfrutar da paz e de
uma vida decente é imperioso realizar antes de mais nada uma verdadeira
justiça internacional. A realização da justiça
internacional é uma das principais missões da
Organização das Nações Unidas.
Senhor Presidente, o artigo 1 da Carta das Nações Unida determina
"...alcançar por meios pacíficos e de acordo com os
princípios da justiça e do direito internacional o ajustamento ou
a regulação dos diferendos internacionais ou das
situações que poderiam implicar uma violação da
paz".
Entretanto, devido ao autoritarismo e ao arbítrio no momento actual por
parte de uma única grande potência, o objecto e os
princípios da Carta das Nações Unidas e de outros
princípios básicos das relações internacionais
são hoje deliberadamente ignorados na arena da ONU.
Actos anormais justificando e legitimando o despotismo, o arbítrio e os
actos de violação da verdade e da justiça são
compartilhados ou tolerados.
A violação mais extensa da justiça internacional pode ser
observada na península coreana.
Actos de injustiça sem precedentes, como a imposição de
sanções severas sobre uma vítima pela razão de esta
ter escolhido resistir ao agressor são abertamente cometidos em nome da
ONU.
A essência da situação da península coreana é
uma confrontação entre a RDPC e os Estados Unidos, onde esta (a
RDPC) tenta defender sua dignidade e soberania nacional contra a
política hostil e as ameaças nucleares daquela (os EUA).
Os Estados Unidos são o país que produziu primeiro armas
nucleares e o único país que as utilizou, massacrando centenas de
milhares de civis inocentes.
São os Estados Unidos que ameaçaram utilizar a arma nuclear
contra a RDPC no decorrer da guerra da Coreia em 1950 e que introduziram pela
primeira vez armas nucleares na península coreana após a guerra.
No decorrer da guerra fria os Estados começaram exercícios
militares conjuntos em grande escala contra a RDPC e, a seguir, aumentaram sua
importância e seu carácter agressivo após a guerra fria,
organizando estes exercícios várias vezes a cada ano e
mobilizando cada vez mais meios nucleares.
O que é que poderia ser uma ameaça maior do que a violência
de observações tais como "O fogo e o furor",
"Destruição total" vindas da autoridade superior da
maior potência nuclear?
Os Estados Unidos são a própria razão para a RDPC possuir
armas nucleares e ela deve reforçar e desenvolver sua força
nuclear para enfrentar os Estados Unidos.
A política hostil dos Estados Unidos e as ameaças nucleares
continuaram durante mais de 70 anos e conduziram a situação na
península coreana a um ponto de fricção permanente. Mas
nas Nações Unidas resoluções que legalizam a
injustiça são adoptadas selectivamente devido à
brutalidade dos Estados Unidos.
O respeitado líder, o camarada Kim Jong Un, presidente da
Comissão dos Assuntos de Estado da RDPC, declarou: "A
justiça internacional jamais é atingida por si mesma; ela
não pode ser atingida senão quando os países
anti-imperialistas independentes forem bastante fortes".
A menos que a verdadeira justiça internacional não se torne
realidade, o único princípio filosófica válido
é que a força deve ser tratada pela força e que as armas
nucleares da tirania devem ser tratadas com os martelos nucleares da
justiça.
A posse da dissuasão nuclear pela RDPC é uma justa medida de
auto-defesa tomada como última opção, conforme este
princípio.
Recentemente a RDPC testou com êxito um míssil balístico
capaz de transportar uma bomba H como parte dos esforços desenvolvidos
para atingir o objectivo de completar a força nuclear do país.
Com isto, a RDPC entrou numa fase em que completa sua força nuclear
conforme a sua linha de desenvolvimento simultâneo da economia e da
força nuclear.
Nossa força nuclear nacional é, em todos os aspectos, uma arma de
dissuasão para por termo à ameaça nuclear dos Estados
Unidos e para impedir sua invasão militar; nosso fim último
é estabelecer o equilíbrio de forças com os Estados Unidos.
Senhores e Senhoras, os delegados de todos os países presentes nesta
sessão estão conscientes do facto de que a RDPC, ao
contrário de outros Estados dotados de armas nucleares, a cada passo
tornou público para o mundo inteiro o processo de teste e seu resultado
em todas as etapas da elaboração e do avanço da sua
força nuclear.
Uma vez que a arma de dissuasão para preservar a paz e a
segurança da península coreana e da região está
suficientemente reforçada, os Estados Unidos e seus discípulos
devem agora reflectir duas vezes antes de lançar uma
provocação militar contra a RDPC.
Ainda que eles falem de "Fogo e furor", de
"Destruição total" e tudo o resto, cada vez têm
de acrescentar condições diversas tais como "esperamos que
não seja necessário", "esta não é nossa
primeira opção" e assim por diante.
29/Setembro/2017
[*]
Ministro dos Negócios Estrangeiros da República
Democrática e Popular da Coreia. As referidas declarações
foram pronunciadas durante o debate geral da 72ª sessão da
Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova York, em
23/Setembro/2017. As deficiências na qualidade do texto deveram-se
às traduções sucessivas. Este foi baseado no vídeo
em inglês em
https://youtu.be/fbDW_GOvOZA
, o qual foi traduzido para o francês e retraduzido para português.
A versão em francês encontra-se em
comaguer.over-blog.com/...
e em
www.legrandsoir.info/...
Este discurso encontra-se em
http://resistir.info/
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