A extradição de opositores políticos,
uma política de indignidade
por Jaime Caycedo Turriago
[*]
A extradição de Simón Trinidad é um facto que fere
a soberania colombiana. Uribe é o único presidente do mundo que
extradita os seus opositores políticos.
Uma coisa é que os delitos políticos sejam reconhecidos e
julgados na Colômbia. Simón Trinidad devia purgar uma pena de 80
meses por rebelião.
Outra coisa é pretender negar a condição de presos
políticos a detidos como Simón Trinidad e endossar a outro Estado
o julgamento da sua conduta. Uribe desconhece a Constituição que
proíbe a extradição por motivos políticos. Ainda
que Trinidad não tenha sido pedido formalmente por tais causas, é
uma cegueira negar a sua qualidade de preso político pois é uma
notória de uma força insurgente colombiana que enfrenta o Estado
por razões polítias. A Corte Suprema de Justiça tem
responsabilidade nestas anormalidades, em consequência das suas
decisões recentes.
Ninguém entende que enquanto Uribe extradita os seus opositores, os
narco-paramilitares gozam de plena impunidade. Curiosamente, os
responsáveis por massacres de população civil, por
assassinatos de dissidentes, de activistas sindicais, educadores e jornalistas,
exigem novas concessões e benefícios por parte do governo.
Todas as forças democráticas do país estão
obrigadas a exprimir a sua recusa a esta política de indignidade. Uribe
poderá renunciar à soberania nacional, mas não em nosso
nome. Não em nome do povo colombiano.
01/Jan/05
[*]
Secretário-geral do Partido Comunista Colombiano.
O original encontra-se em
http://www.anncol.org/side/1068
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Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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