Os direitos humanos e o fascista 'Plano Patriota'
por FARC-EP
Completamos já 14 meses de execução do chamado "Plano
Patriota" ou a segunda fase do Plano Colômbia que o governo de Uribe
promoveu a pretexto de combater a insurgência revolucionária
armada.
Os Estados Unidos investiram na sua aplicação mais de 3,5 mil
milhões de dólares ao longo dos últimos três anos e
suportam os pedidos de Uribe que implora por mais dinheiro. De facto, para
2005 já estão a tramitar no congresso gringo outros 700
milhões a acrescentar aos US$11,8 mil milhões aprovados no
orçamento nacional colombiano para a guerra.
E como este governo, no quadro da concepção de segurança
nacional que sustenta a estratégia terrorista do Estado colombiano,
insiste na orientação de "tirar a água ao
peixe, agredindo a população civil que não simpatiza
com as suas políticas e aumenta a violação dos Direitos
Humanos, está conseguindo que novos sectores se incorporem à
torrente insurreccional devido à agressão às comunidades.
Álvaro Uribe, ao transformar os seus ódios pessoais e mimos
retaliatórios numa razão de Estado, afunda mais, no
lamaçal da guerra, qualquer tentativa de melhorar a
situação dos direitos fundamentais de todos os colombianos.
Em amplas zonas do país, a força pública oficial acelera o
seu desprestígio porque trata a população como seu
inimigo, realçando o seu perfil de força mercenária
agregada ao Comando Sul do exército dos Estados Unidos, o qual concebe e
dirige as operações.
Como afirmou recentemente o ministro Sabas Pretel, correm contra o Estado mais
de 60 mil processos que, a serem ganhos, gerariam indemnizações
superiores a US$61 mil milhões, a maioria delas em consequência
dos atropelos da força pública durante este governo. Alguns
exemplos:
-cinco camponeses em Cajamarca-Tolima e três dirigentes sindicais
(Martínez, Leonel Goyeneche e Jorge Prieto) foram fuzilados pelo
exército que os pretendeu fazer passar como guerrilheiros;
-em 31 de Março, em San Nicolás de Coconuco-Cauca, o
exército assassinou quando dormiam na sua casa, Nancy Inchima Golondrino
e Marta Inchima Golondrino (menor de idade que estava grávida) a quem
também pretendeu apresentar como guerrilheiras;
-em Janeiro no norte do Cauca, o indígena Olmedo Ul foi assassinado pelo
exército e apresentado à opinião pública como
guerrilheiro pelo que uma assembleia indígena processou o coronel
José Vicente Trujillo, comandante do Batallón Pichincha,
responsabilizando o exército por este revoltante crime e recusando a sua
versão mentirosa;
-em Agosto foi assassinado pelo exército nas Cabañas das termas
do nevado do Tolima, o civil Jhon Jairo Triana que cuidava do lugar, sendo
apresentado como guerrilheiro morto em confronto militar;
-em 27 de Novembro, em San Isidro de Planadas-Tolima foi assassinado na sua
casa Raúl Castro Machado, a quem o exército queria vestir de
camuflado para o fotografar ao lado de armas e boletins das FARC, o que a sua
família impediu.
Também são aos milhares os massacrados pelo exército em
nome do paramilitarismo, que numas ocasiões se coloca a
braçadeira respectiva para se encobrir ou, noutras, monta dispositivos
de segurança para proteger os sicários, como por exemplo:
-em 5 de Setembro, em Pailitas e El Carmen limites do Cesar e norte de
Santander, veredas Guarumera y Bobalí onde assassinaram Obdulio Bayona,
Daniel Montego, Alfonso Quevedo e outra pessoa de apelido Maldonado e fizeram
desaparecer outras sete;
-na vereda Las Vegas da Motilonia em 11 de Setembro assassinou Víctor
Estrada e o professor da vereda Carmen em Convención;
-na vereda Carmona, em Agosto, foi assassinado Cesar Angarita, tesoureiro da
junta e também Arturo Meneses em Mata de Enea no mês de Julho foi
assassinado neste mesmo município Hermes Pérez.
Os atropelos cometidos contra a população civil pela força
pública ao abrigo do Plano Patriota nas diferentes áreas do
país, são plena prova contra um governo que em nome da
segurança se assanhou contra os que nada têm. Vejamos exemplos:
En Urabá, onde exército e paramilitares desenvolvem
operações conjuntas.
a) Do rio Cauca até Urabá, zona do mega-projecto de Pescadero
(Ituango) e a represa de Urra com presença permanente de tropas e
instalação da Brigada móvel número 11 em Urra,
avançando a operação até às cabeceiras do
Sinú, Esmeralda e Cañón do rio San Jorge, com bloqueio e
desalojamento forçado da população, assassinato de
camponeses e detenções maciças de civis em Ituango e Peque.
b) Urrao- Frontino- río Atrato: grandes rondas de exército e
paramilitares na selva de Mande, Pantano e La Blanquita de
características similares no rio Atrato, multiplicação de
zonas com projectos de cultivo de palma africana e bloqueio económico.
c) Oriente de Antioquia e Caldas: forte presença de exército e
paramilitares na zona das barragens e da auto-estrada Medellín -
Bogotá. Os campos abandonados em municípios como San Carlos e
San Luís, rusgas e devassas nas comunas de Medellín e toque de
recolher nas estradas.
d) Eixo cafeeiro: aumento dos efectivos e operações permanentes
até aos limites do Chocó.
Na costa atlântica:
a) Grande operação desde há um ano na Sierra Nevada. do
exército e dos paramilitares, com tamponamento de todos os caminhos, o
que provocou o abandono do campo e de habitações, perda das
colheitas de café e produtos de colheitas, assassinato de camponeses e
indígenas, bombardeios indiscriminados com destruição de
edifícios, confiscações e racionamento de mercados.
b) Grande operação de infantaría da Marinha e de
paramilitares em toda a extensão de Sucre (montes de María, La
Sabana e El Litoral) e centro de Bolívar. Muitos camponeses
assassinados. Campos abandonados. São frequentes as prisões
maciças, o alistamento e o controle de remessas.
c) Na serrania do Perijá há repressão, centenas de civis
assassinados ao longo da serrania desde Aguachica, passando por Becerril,
Codazzi e Media Luna, povoados e campos abandonados, falta de abastecimento e
muitas famílias deslocadas para a Venezuela.
No Oriente do país:
Em Carurú, Miraflores, Calamar, ameaçaram os camponeses com
helicópteros para que abandonassem tudo e se fossem embora. As tropas
roubaram gado, mulas, porcos, aves de capoeira, motores, carros, motos,
combustíveis, vasilhas e roupas, queimaram e destruíram
habitações. Metade dos habitantes foi desterrada, outros presos,
desaparecidos e mortos. Tudo isto acompanhado de bloqueios,
retenções, detenções massivas de camponeses
acusados como guerrilheiros ou de lhes prestarem auxílio. Há
controle populacional, fumigações, metralhamento e
bombardeamentos.
Este mesmo procedimento o aplicam no médio e baixo Guayabero, nos
municípios metenses de Mapiripan, Concordia, Puerto Rico, Puerto Lleras,
Fuente de Oro, Vista Hermosa, San Juan de Arama, Mesetas, Lejanías,
Castillo, Dorado, Cubarral, San Juanito, Calvario e San Martín. Tropas
do exército e paramilitares ocuparam extensas regiões, expulsando
os antigos povoadores, assassinando-os ou fazendo-os desaparecer, roubando tudo
e repovoando com estranhos a quem titulam as terras.
De San Vicente a Macarena, o exército queimou e destruiu 17 casas com
todo o seu recheio, em três fazendas mataram e abandonaram o gado. O
mesmo fizeram nos departamentos de Vichada, Casanare, Arauca, Boyacá e
Cundinamarca. O exército e os paramilitares assassinaram e fizeram
desaparecer dezenas de habitantes da área rural de El Castillo-Meta,
até a despovoarem.
No Sul:
O exército do Governo atacou a inspecção de Peñas
Coloradas no Caguán provocando o desalojamento de mais de 1200 dos seus
habitantes aos quais acusou de auxiliares da guerrilha. A
situação foi ainda agravada pelo bombardeamento e metralha por
aviões e helicópteros, procedimento que se repetiu nos povoados
de Ánimas, Animas Altas, Caño Perdido, Cristales, Cumarales,
Danto, la Playa, Muelona, Venado, Billar, Santa Fe e Remolinos, onde
também dispararam contra as habitações.
Exército e infantaria da Marinha obrigaram os civis a
transportá-los em embarcações suas, usando-os como escudos
humanos.
As detenções arbritrárias de camponeses são
frequentes. Os detidos são submetidos a maus tratos humilhantes,
torturas, pancadas, ameaças, detenção por um ou
vários dias, sempre sob a acusação de serem guerrilheiros,
bandoleiros, narcotraficantes, terroristas, familiares ou cúmplices dos
mesmos. Vários deles foram transferidos de helicóptero para
diversas bases militares ou para a própria cidade de Florencia, onde
finalmente os libertaram com toda a espécie de ameaças.
As casas dos camponeses, os estabelecimentos de comércio nas
povoações ou isoladas são violadas e saqueadas pelas
tropas. O gado e os animais domésticos são roubados. O mesmo
procedimento é seguido em vivendas ocupadas, cujos habitantes são
ultrajados e detidos. Algumas denúncias indiciam unidades da Brigada
Móvel Número 22 sob comando do Major Peña.
Nas escolas públicas ocupadas pela tropa durante a jornada escolar,
humilharam, ameaçaram e maltrataram os professores diante dos seus
alunos. Aos detidos tiram fotos, impressões digitais e, apesar dos
abusos, fazem-nos assinar declarações de bom tratamento. A todos
procuram aliciar para trabalharem como informadores. Os militares dizem:
"somos as AUC e viemos para ficar", e também ameaçam
com "os paramilitares que irão atrás deles para os
degolar".
Estes são procedimentos generalizados em todo o país: na costa
pacífica nariñense, vallecaucana e chocoana, onde as
operações também foram acompanhadas de bombardeamentos e
metralhamento nas zonas povoadas, no Cauca sobre a via pan-americana e sobre as
duas cordilheiras e particularmente nos territórios indígenas, no
Valle, no Huila, no Quindío e no Tolima.
Em todo o país, as operações militares significaram saque
e pilhagem das casas de habitação da população por
parte de um exército de ocupação incentivado à
barbárie e justificado pelo Presidente.
A utilização e manipulação da
informação como arma de guerra, permitiu ao regime militarista de
Uribe enganar a opinião pública acerca das supostas bondades
humanitárias do seu governo e da sua força pública.
O sequestro do companheiro Rodrigo Granda em Caracas, desmascarou Uribe e o seu
séquito de servidores pessoais, como falsários cínicos.
Dias antes já haviam incorrido na mesma hipocrisia com a chamada
"destruição da última mina anti-pessoal do
exército colombiano" do que informaram a rainha Noor da
Jordânia.
O que não se publicou nem se disse, é que essa não era a
última mina anti- pessoal do exército, nem pouco mais ou menos,
porque elas circundam cada uma das bases militares em todo o país como
defesa contra possíveis incursões guerrilheiras. Nem tão
pouco disseram que vêm utilizando bombas de fragmentação
nos ataques aéreos provocando feridos com metralha incrustada.
Segundo o modelo, cada bomba de cacho equivale a 230 minas anti-pessoal, que
não são semeadas na terra mas sim lançadas sobre
áreas rurais em caminhos rurais, espaços públicos abertos
como estradas e pontes e sobre cultivos e casas da população
civil.
Com razão um dos participantes no simpósio "Guerra e
Medicina na Colômbia -- as minas anti-pessoal", realizado na
universidade militar Nova Granada em 9 de Abril de 2003, assinalou:
"Talvez pelo facto de estas armas também serem usadas na
Colômbia para bombardear colombianos, em operações
aéreas dirigidas por estadunidenses, agora prefere-se aqui falar de
"minas terrestres". As minas anti-pessoal são também
conhecidas como "a arma dos pobres". A guerra ensina que o
negócio existente por trás do fabrico de armas é que
dá cidadania sobre a legalidade ou ilegalidade de uma arma, e não
o sofrimento e dano indiscriminado que causa".
O fascismo sempre ocultou o seu raivoso e violento método de governar
atrás da máscara da segurança, sempre violou os Direitos
Humanos com qualquer desculpa como Hitler ou Pinochet. Uribe Vélez
não constitui excepção.
Secretariado do Estado-Maior Central das FARC-EP
Montanhas da Colômbia, 26 de Janeiro de 2005
Tradução de Carlos Coutinho
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