As FARC dizem não à rendição e pedem oportunidade para a paz na Colômbia

Na sua primeira manifestação após a queda do Comandante Mono Jojoy, as FARC afirmaram sexta-feira, 24 de Agosto, que continuam "a reclamar uma oportunidade para a paz, não para a rendição.
Eis o texto do comunicado:

"O povo da Colômbia e o mundo observam o triunfalismo macabro e a euforia belicista da classe governante colombiana, facto perfeitamente reflectido na imprensa amarela do regime, que entusiasticamente publicou edições especiais não para lamentar a violência e clamar pela paz, como pedem os colombianos, e sim para cantar uma falsa e vitoriosa aniquilação da insurgência.

"Porta-vozes do governo e analistas de bolso alimentam a pretensão de que por meio século amamentou a classe latifundiária e corrompida que governa: exterminar pela via militar a rebelião insurgente.

"Quão longe estão da realidade representada pelas Farc-EP na Colômbia e seu símbolo revolucionário de resistência, guias que hoje se propagam até para além da América Latina.

"Sabemos que os executores da guerra do regime nem por um minuto pensam que as suas bombas de fragmentação podem atingir seus soldados e polícias que permanecem como nossos prisioneiros de guerra na selva. Nada os detém de lançar seus bombardeios ferozes, inclusive assassinar indiscriminadamente os seus próprios homens que dignamente defenderam suas políticas.

"Esta é a personalidade violenta e excludente do regime que enfrentamos e que, apesar dos azares da confrontação, continuaremos a enfrentar enquanto tenhamos, como até hoje, o apoio popular das pessoas humildes e negadas que engrandecem a resistência guerrilheira. Aí está o segredo que nos projecto no futuro, tanto nas selvas como nas cidades da Colômbia.

"Enquanto houver injustiça, deslocados e desterrados, açambarcamento da terra e da riqueza, bandos de narcotraficantes e paramilitares co-governando, impunidade, corrupção, pobreza extrema, falta de garantias para participar politicamente pela via pacífica e democrática e enquanto houver perda de soberania e saqueio dos nossos recursos naturais, aí continuarão a aparecer sem cessar os viveiros genuínos para a existência das Farc-EP.

"Apesar disso continuamos a reclamar uma oportunidade para a paz, não para a rendição como obstinada e estupidamente pensa o regime. O que reclamamos já o comunicou com meridiana clareza nosso comandante Alfonso Cano: o único caminho é a solução política e pacífica para o conflito social e armado interno e nela somos e seremos factor determinante. As demais estratégias só contribuem para prolongar a espiral da guerra.

"Finalmente, queremos corroborar que não nos alegra a morte dos nossos adversários. Jamais a revista e a emissora Resistência, órgãos informativos das Farc-EP, celebraram morte alguma.

"Ao contrário, assumimos com disciplina o pensamento fariano e as linhas do Estado-Maior e do Secretariado Nacional, que claramente e desde sempre lamentaram a violência, e em alternativa temos defendido e proposto o diálogo e a paz. Acaso não foi essa a inspiração da exterminada União Patriótica? E não são as mesmas linhas democráticas, pluralistas e pacifistas do Movimento Bolivariano pela Nova Colômbia?

"Convocamos a comunidade nacional e internacional a não se deixar enganar facilmente pelos cantos de sereia que proclamaram o presidente J. M. Santos em Nova York e os esbirros nos jornais e microfones da Colômbia.

"Não é pela via do extermínio da parte contrária que a Colômbia encontrará a paz e a reconciliação. Ao seu tempo o Secretariado haverá de comunicar a realidade dos factos sucedidos nas selvas do Sul da Colômbia. Por essa razão não acrescentamos nada sobre estes acontecimentos. Entretanto, cobre-nos a honra e a glória de continuar a lutar e a resistir até alcançar uma Nova Colômbia, em paz com justiça e democracia".


O estranho caso dos computadores das FARC

25/Setembro/Aporrea.org – É bem estranho o caso dos computadores das FARC. Depois de 7 toneladas de explosivos, 30 bombas "inteligentes" de 500 libras [226,8 kg] cada uma, dirigidas ao sítio onde abateram Jojoy, todos os corpos destruídos... e os computadores permanecem intactos.

Num verdadeiro alarde de investigação informática (in situ?) as Forças Militares da Colômbia já dizem que os computadores têm 11 vezes mais informação que o de Raúl Reyes.

Dizem os militares que estes computadores têm impactos de bala e estilhaços. Sobre nenhum deles, ao que parece, caiu uma bomba ou meio quilo de explosivos.

Eles ainda não têm, de forma oficial, o número de mortos e suas identificações – mas já têm o inventário tecnológico. Foram muito diligentes para isso: 15 computadores, 94 memórias USB e 14 discos duros externos, com seus modelos e marcas. Até "já sabem" qual era o do comandante morto.

Mais importante que o trabalho de identificação de humanos é o outro: 40 peritos neste momento trabalham a marchas forçadas para descobrir as palavras passe dos computadores e terem acesso a uma informação que consideram chave para o desenvolvimento de futuras operações contra a Farc.

Curiosidade: Não encontraram um só telefone, dizem, mas as botas do comandante abatido tinham um chip para rastreio por satélite.

O original encontra-se em www.resumenlatinoamericano.org , nº 2276, 26/Setembro/2010

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

27/Set/10