por Comité Central do PCC
Na segunda volta das presidenciais
[1]
os eleitores vêm-se obrigados a
decidirem-se entre as duas candidaturas que se confrontam a fim de conseguir a
administração do continuísmo do sistema neoliberal imposto
pela ditadura.
Trata-se de um sistema económico e político que entronizou
enormes desigualdades e injustiça social e que, além disso,
desenvolve-se e mantem-se num quadro anti-democrático de exclusão
político-social e de ausência de direitos essenciais para
milhões de chilenos.
Como é de conhecimento público esta batalha eleitoral tende a
definir-se por uma estreita diferença de votos, o que abre uma
conjuntura política que, se se aproveitar tendo em vista o futuro, pode
incidir no rumo da luta social e política no próximo
período.
ANULAR O VOTO OU...
Frente a tal situação, em nosso intercâmbio,
examinámos duas alternativas: anular o voto ou tentar comprometer a
candidatura da Concertación com mudanças que, em maior ou menor
medida, poderiam estabelecer melhores condições para o
desenvolvimento da acção social e política do povo.
O Partido Comunista optou por esta segunda possibilidade. Por isso estabeleceu
a posição de votar nulo a menos que Michelle Bachelet se
comprometesse, pública e solenemente, perante o país, a levar
adiante, nos primeiros meses do seu governo,
medidas imediatas tendentes a resolver cinco pontos
que certamente não esgotam nossas propostas
programáticas, mas que consideramos de grande importância nos
planos institucional e social.
Um eventual governo de Michelle Bachelet contará com quóruns
suficientes em ambas as câmaras para aprovar a maioria dos projectos de
lei que enviar ao parlamento, pelo que não poderá alegar o
boicote da direita, como tem ocorrido até agora com os governos da
Concertación, para não cumprir os seus compromissos.
A partir dos intercâmbios públicos mantidos entre o nosso partido
e o comando de Michelle Bachelet surgem compromissos, da parte da sua
candidatura, com diversos graus de clareza e certeza. O mais débil
é o referido aos direitos dos trabalhadores.
Sim, devemos destacar que tem importância significativa que dos
compromissos e dos factos políticos recentes se venham criando
condições para a conformação de um grande movimento
destinado a impor a mudança do sistema eleitoral binomial por um
proporcional, representativo e não excludente. O compromisso já
assinalado de Michelle Bachelet, de enviar um projecto de reforma nesse sentido
no primeiro mês do seu governo, apesar da recusa que este teria por parte
da direita, pode ter resultados positivos se se generalizar a unidade e a
mobilização cidadã. Ao consulta ao povo, para além
de ser ou não vinculante, é fundamental.
Baseado principalmente nesta possibilidade que se abre de eliminar da nossa
institucionalidade o sistema eleitoral binomial e de por fim a este ferrolho
ditatorial que impede a democratização do país, o
Comité Central do Partido Comunista do Chile resolveu apela à
votação por Michelle Bachelet.
É claro que somos e seremos força de oposição seja
quem for que encabece o governo. A nossa tarefa continuará a ser o
fortalecimento de uma força alternativa ao neoliberalismo, fortalecendo
e ampliando o
Juntos Podemos Más
e avançando na construção de um amplo movimento contra a
exclusão que deve começar desde já. Além disso,
continuaremos a promover a mobilização social e a luta como o
recurso principal para abrir o caminho às mudanças que o
país exige.
Deixamos claro que não negociámos nem negociaremos o voto de
ninguém. O voto é um acto pessoal, que se realiza no segredo da
câmara de sufrágio como um acto de consciênia. Nós
só apelamos a essa consciênia. De maneira transparente expusemos
publicamente cada um dos nossos passos até chegar à
conclusão que hoje damos a conhecer ao país.
É da responsabilidade de Michelle Bachelet exprimir pública e
solenemente seu compromisso perante o povo com a máxima clareza para que
os eleitores saibam com o que contar no momento decisivo de ir às urnas.
Estamos certos de que o compromisso e realização positiva de
cada um dos cinco pontos propostos lhe permitiria diferenciar-se das
posições mais reaccionárias da candidatura da direita.
Da nossa parte, concentraremos esforços neste período na
promoção da unidade e da mobilização para
concretizar os cinco pontos expostos ao país que têm a ver com
aspectos centrais do nosso programa: a mudança do sistema eleitoral
binomial, o direito à negociação colectiva e de greve dos
trabalhadores e trabalhadoras, a situação das pensoes, os
problemas do desemprego, os direitos dos povos originários, a
protecção do meio ambiente, a verdade e a justiça, e o
respeito pelos direitos humanos. Tudo isso depende fundamentalmente da nossa
luta e da do povo.
Comité Central do Partido Comunista do Chile.
Santiago, 27 de Dezembro de 2005
[1]
Na primeira volta o candidato da coligação
Juntos Podemos Más
, apoiado pelo PCC, MIR e outras forças progressistas, foi
Tomás Hirsch
. Hirsch e algumas das forças que o apoiaram defendem agora a
anulação do voto, como o MIR que classifica a segunda volta como
"uma disputa entre ladrões e sem vergonhas".
O original encontra-se em
http://www.pcchile.cl/index.php?option=com_content&task=view&id=194&Itemid=1
Esta declaração encontra-se em
http://resistir.info/
.