por Comissão Política Nacional do PCB
A crise do governo Lula é o óbvio resultado da sua escolha
política. O quadro político tem se agravado diariamente, numa
esteira interminável de denúncias, depoimentos e
acusações. O partido do governo, o PT, foi posto no centro do
turbilhão que atingiu o seu núcleo dirigente, culminando com a
queda do seu presidente nacional, José Genoíno.
A reação do governo Lula e do PT à crise se resume a
tentar recompor sua base de sustentação parlamentar para dar
continuidade a sua política antipopular, de subserviência ao
capital financeiro. O espetáculo constrangedor que o Presidente Lula
proporcionou ao país, ao tentar cooptar o PMDB com mais
ministérios, e a ameaça da Executiva deste partido de
expulsão dos seus filiados que porventura assumam cargos federais,
demonstra a perda de rumo do PT e do governo. O resgate do deputado Delfim
Netto, de sinistra lembrança, expressa a sua opção
preferencial pelo capital financeiro e pelo rentismo.
A nomeação de Luis Marinho, presidente da CUT, para o
Ministério do Trabalho, longe de ser um retorno às bases
operárias, significa, objetivamente, a ressurreição
das reformas sindical e trabalhista, que golpearão as conquistas
históricas dos trabalhadores. Como sabemos, o senhor Marinho tem sido o
timoneiro da conciliação de classe, que levou ao banco de
horas e outras flexibilizações dos direitos trabalhistas,
materializando o conluio com o patronato e a traição aos
trabalhadores.
Em que pese o aceno do presidente Lula aos movimentos sociais, o giro
político do governo é, de fato, em direção aos
setores conservadores e reacionários da sociedade. Isso fica evidente
quando setores significativos do Campo Majoritário do PT sinalizam com
um acordo com o PSDB, em nome da garantia de uma pretensa governabilidade. A
reengenharia da Executiva do PT fortaleceu a viabilidade dessa proposta.
A análise deste quadro político põe a nú a
falácia de uma conspiração da direita,
golpismo e quejandos. O objetivo do PSDB é, no máximo, desgastar
o governo com vistas às eleições de 2006. Porém, a
crise está fugindo ao controle, atingindo os partidos da chamada
oposição, com os últimos acontecimentos envolvendo um
deputado do PFL.
Os comunistas entendem que a atual crise vai além da febre de
denúncias, pois a corrupção é
inerente ao sistema capitalista.
Ao se propor a administrar o capitalismo, em sua fase monopolista e
financeirizada, como a mão esquerda do capital, o PT mergulhou nas
mazelas da ordem burguesa. O PT ignorou as lições da
história e cumpre as tarefas dos partidos socialdemocratas, liquidando
seus compromissos com os trabalhadores.
A saída para a crise também não se encontra no campo da
oposição burguesa. Pelo contrário. O governo do PSDB/PFL
promoveu uma brutal concentração de renda, com uma
política econômica perversa, da qual este governo é
continuador. Realizou privatizações escandalosas e dissipou o
patrimônio nacional. Fez uma contra-reforma da Previdência, que o
atual governo concluiu. Construiu sua base parlamentar calcada na
corrupção, através da compra de votos e farta
distribuição de cargos e verbas.
É sabido que o PSDB é representante direto do grande capital, que
tem por interesse a preservação da política
econômica praticada nos últimos quinze anos. Nesse sentido, as
soluções apontadas para a crise caem como uma luva na
tática tucana. A solução burguesa, assumida pelo governo
Lula, elimina, definitivamente, as diferenças entre os dois programas.
Cabe aos setores populares a saída para a crise! Somente a ampla
mobilização das forças conseqüentes, comprometidas
com a democracia e com o socialismo, possibilitará um salto de
qualidade, na perspectiva do povo trabalhador.
Neste contexto, entendemos que o conjunto dos trabalhadores deve constituir um
campo de oposição classista.
O PCB propõe a construção de um Bloco de Esquerda, como
alternativa de poder popular, contrário ao neoliberalismo, à
socialdemocracia e seus aliados.
Iniciativas como a Assembléia Popular realizada no dia 9 último,
em São Paulo, devem se reproduzir por todo o país. Conclamamos as
forças populares para a consolidação de uma unidade
programática e de ação, que norteie a saída para a
crise, na perspectiva do socialismo.
Rio de Janeiro, 11 de julho de 2005.
Comissão Política Nacional do Partido Comunista Brasileiro.
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