por Jornal
O Poder Popular
Há pouco mais de 40 anos, em outubro de 1978, era promulgada emenda
constitucional que revogava as medidas discricionárias impostas pelo Ato
Institucional nº 5, que aprofundava, tornando-a ainda mais violenta, a
bárbara repressão inaugurada pelo golpe empresarial-militar de
1964.
Hoje estamos novamente diante de um cenário de ameaças às
ainda insuficientes garantias democráticas instituídas
após as intensas lutas travadas pelos movimentos populares, partidos de
esquerda, ativistas pelos Direitos Humanos e todos(as) aqueles(as) que se
mobilizaram em defesa das liberdades democráticas, pelos direitos
políticos e sociais, além de que fossem abertos processos para
julgar e punir as barbaridades e crimes cometidos nos tempos da ditadura, a
exemplo do que se tentou fazer através da Comissão Nacional da
Verdade.
Mais uma vez na história da sociedade brasileira, tempos sombrios e
desafiadores flertam com um passado recorrente de violência,
repressão e perseguições políticas. Inspirando-se
na truculência e na arbitrariedade dos aparatos de repressão dos
tempos da ditadura e utilizando-se de métodos fascistas com base na
intolerância política e ideológica, grupos conservadores
liderados pelo presidente eleito Jair Bolsonaro promovem factoides nas redes
sociais para desviar o foco da opinião pública das medidas que o
novo governo pretende adotar no Brasil, promovendo uma onda ainda mais brutal
de expropriações das riquezas nacionais,
privatizações e ataques aos direitos da classe trabalhadora, a
serviço dos interesses dos grandes capitalistas e do imperialismo.
O governo Bolsonaro representa o marco de um novo ciclo da
dominação burguesa no Brasil. Inserido no contexto de acirramento
das disputas interimperialistas e ofensiva dos EUA, o bolsonarismo conjuga uma
pauta econômica ultraliberal com o reacionarismo que se manifesta em
setores da sociedade brasileira. Trata-se de um novo tipo de fascismo,
alinhando características tradicionais deste fenômeno
político do século XX, com outras características
particulares.
Convergente com as políticas de Bolsonaro, uma expressiva bancada foi
eleita para o Congresso Nacional e as Assembleias Legislativas dos estados, o
que torna a escalada do fascismo mais ampla do que a catastrófica
eleição presidencial e intensifica o grau de repressão
à classe trabalhadora e o desmonte das políticas e
serviços públicos como parte de sua agenda. Além disso,
uma série de governadores eleitos compõe o mesmo campo
político neofascista e buscarão desenvolver ações
na mesma linha de avanço das privatizações, desmonte dos
serviços públicos e ataques aos direitos sociais.
Para reprimir, cercear direitos e aplicar pautas antipopulares, o bolsonarismo
deverá utilizar as próprias leis e o quadro institucional
já existente. Estão em pauta o fim da previdência social, a
retirada de direitos trabalhistas, a privatização do
SUS
, das escolas e universidades federais, a privatização do
pré-sal e de estatais. Ao mesmo tempo, a extrema direita
continuará agindo por meio de grupos paramilitares, os quais já
vêm perseguindo e assassinando militantes sociais, como um
prelúdio do que pode vir a se tornar prática constante nos
próximos quatro anos.
No entanto, nenhuma dessas medidas será implementada sem luta,
resistência e mobilização popular. Neste cenário
adverso, é preciso reforçar a mais ampla unidade social e
política contra o fascismo, priorizando, no interior dessa frente ampla,
a construção de uma sólida articulação da
esquerda socialista. É hora de muita resistência e
organização. 2019 se anuncia como um ano de intensas batalhas,
greves e manifestações populares em defesa dos direitos da classe
trabalhadora e dos setores populares, contra todo e qualquer retrocesso! Vamos
à luta!
01/Janeiro/2019
O original encontra-se em
pcb.org.br/portal2/21820/por-um-2109-de-muita-luta-e-resistencia/
Este editorial encontra-se em
http://resistir.info/
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