Por uma frente de esquerda socialista
Unir os trabalhadores e derrotar o projeto da burguesia!
A crise política brasileira se agrava a cada dia com a emergência
de uma conjuntura típica dos períodos em que o velho ciclo
está morrendo e o novo ainda não se consolidou. Nesse intervalo,
aparecem os fenômenos mais bizarros, as aberrações
inesperadas e os fatos mais imponderáveis, como o renascimento do
fascismo, do fundamentalismo religioso, os pronunciamentos de militares da
ativa e da reserva querendo a volta da ditadura militar, além de grupos
de extrema direita reivindicando a intervenção das Forças
Armadas para resolver a crise e realizando ações obscurantistas,
invadindo salas de aula, bem como realizando censura a
manifestações artísticas em várias regiões
do país.
Mesmo com apenas 3% de popularidade, odiado pelo povo, com o próprio
presidente, ministros e centenas de parlamentares e auxiliares diretos
envolvidos diretamente com a corrupção, esse governo, ou melhor,
essa quadrilha que tomou conta do Planalto vem realizando obstinadamente uma
ofensiva generalizada contra os salários, direitos e garantias dos
trabalhadores e da juventude, mediante o ajuste fiscal predatório e
diversas contrarreformas, promovendo a destruição da
legislação trabalhista, aprovando a lei das
terceirizações e a mudança no ensino médio para
impor uma educação tecnicista e formadora de mão de obra
barata para o mercado. Além disso, o Congresso, em sua imensa maioria
subserviente aos interesses da burguesia e mancomunado com o governo golpista,
elabora uma reforma eleitoral para isolar a esquerda e consolidar os partidos
conservadores, que vem se somar ao conjunto de leis criadas para favorecer o
agronegócio, os latifundiários e o grande capital, além da
criminalização e da repressão contra os movimentos sociais.
A agenda da burguesia e do imperialismo está quase toda aprovada, num
tempo recorde, impossível em outra conjuntura de normalidade
institucional. Trata-se de um governo antinacional e antipopular, apoiado por
um parlamento majoritariamente de direita e corrupto, onde realizam essas
ações tanto para se credenciar junto ao capital quanto para se
safar da cadeia. Uma quadrilha que perdeu completamente todos os
escrúpulos e agora transforma abertamente o governo em um despudorado
balcão de negócios para garantir seu mandato frente a graves
denúncias e saciar o apetite fisiológico de uma base parlamentar
também corrupta.
Mas não podemos nos render ao senso comum, segundo o qual a
corrupção é realizada apenas pelas autoridades
governamentais ou pelo parlamento. A corrupção é funcional
ao capitalismo, fruto da própria lei da concorrência, sem a qual
os capitalistas não poderiam desenvolver plenamente seus
negócios. É necessário enfatizar que as maiores empresas
do país são as principais responsáveis pela
corrupção, seus diretores são os principais corruptores e
não apenas o lumpesinato político que os noticiários
apontam diariamente. Também não podemos esquecer que as
eleições no Brasil são compradas pelos grandes bancos e
grandes empresas como agora ficou escancarado para toda a
população. Portanto, estamos diante de uma
corrupção sistêmica praticada tanto pelos políticos
corruptos quanto pelos grandes empresários.
De outro lado, o movimento social, que vinha em ascenção desde as
jornadas de junho, agora está em compasso de espera em busca de novas
alternativas para voltar à cena com mais firmeza e organicidade. Vale
lembrar que os trabalhadores, a juventude e o povo pobre dos bairros lutaram
bravamente nesse período. As ocupações dos secundaristas
em São Paulo, realizadas por adolescentes, conseguiram derrotar pela
primeira vez o governo Alckmin, um dos mais conservadores do Brasil.
Posteriormente, foram realizadas ocupações de escolas e
universidades em todo o país contra o governo Temer,
manifestações espontâneas no carnaval, nas
olimpíadas e nos estádios de futebol. Também ocorreram
grandes manifestações de rua, mobilizações nos dias
nacionais de lutas e paralisações e a histórica greve
geral de 28 de abril, culminando com a passeata dos 150 mil em Brasília.
Esse movimento em ascensão sofreu uma grave derrota com a
paralisação fracassada do dia 30 de junho, em
função da traição de algumas centrais e as
vacilações e corpo mole de outras, o que levou o movimento ao
refluxo atual. Mas a luta de classes é assim mesmo: tem avanços e
recuos. O importante é constatar que há uma
indignação generalizada contra esse governo e que esta
indignação precisa ser transformada em luta concreta e
organizada. A tarefa dos revolucionários é ampliar seus
vínculos com os trabalhadores e a população em geral,
mediante um trabalho de base e agitação e propaganda no sentido
de esclarecer o caráter do governo e seus patrocinadores, denunciar o
desemprego, as contrarreformas, a corrupção e o sistema de
exploração capitalista.
É nessa conjuntura complexa e difícil que segue a luta de classes
no Brasil. Os comunistas entendem que, ao mesmo tempo em que a burguesia
avança sobre nossos direitos e garantias e entrega o país ao
capital privado nacional e internacional, este momento também abre
possibilidades para uma resposta firme, organizada e unitária da nossa
classe contra as investidas do capital e esse governo degenerado. Não
é hora de cair em prostração ou no desânimo. Pelo
contrário, esse é o momento de lutarmos pela
construção de uma grande frente de esquerda, anticapitalista e
anti-imperialista, com um programa claro em defesa dos interesses e
necessidades da classe trabalhadora, que busque resolver os principais
problemas imediatos e de longo prazo dos setores populares, que fale direto aos
corações e mentes daqueles que ganham o pão com o suor do
rosto, demarcando de forma clara o programa popular do programa da burguesia.
Para contribuir com o debate, o Comitê Central do Partido Comunista
Brasileiro (PCB), reunido nos dias 7 e 8 de outubro, em São Paulo,
apresenta às forças de esquerda socialista, aos movimentos
sociais, à juventude e ao povo pobre dos bairros um programa para o
Brasil como contribuição ao debate para a unidade das
forças populares, intitulado
"Derrotar o Projeto da Burguesia e Construir a Alternativa Popular
Por Pão, Terra, Trabalho e Moradia"
. Trata-se de uma iniciativa para se somar a outras que estão sendo
realizadas por organizações políticas e movimentos sociais
em busca de um programa unitário que poderá ter sua
formulação final num grande encontro nacional dos trabalhadores e
do movimento popular, a ser realizado no momento mais propício da luta
de classes e da unidade das forças populares.
De nossa parte estamos dispostos a realizar todos os esforços para
contribuir com essa unidade e nos comprometemos a realizar conversas, debates,
trocas de opiniões com todas as organizações
políticas e movimentos sociais que estejam dispostos a participar dessa
empreitada. O momento exige disposição para unidade, ousadia na
ação e luta concreta de todos os revolucionários que
buscam a construção do Poder Popular e das
transformações sociais no rumo do Socialismo.
Comitê Central do PCB
Outubro de 2017
Contribuição ao debate para a unidade das forças populares
Derrotar o projeto da burguesia e construir a alternativa popular.
Por Pão, trabalho, terra e moradia!
Programa emergencial.
Programa de transição para um novo Brasil.
Introdução
A atual crise política brasileira revela os limites da forma
política até então empregada para a garantia da
governabilidade burguesa. Os conflitos aparentes entre as esferas do poder
(executivo, legislativo e judiciário), assim como a estrutura
partidária e o sistema eleitoral, revelam didaticamente, por um lado, o
grau de controle que os grandes grupos empresariais têm sobre o Estado
brasileiro e, por outro, a luta intensa das diversas frações das
classes dominantes pelos rumos do governo.
O PCB sempre denunciou os limites desta forma política e a armadilha da
governabilidade pensada nos limites desta institucionalidade. Os grandes
monopólios financiam as campanhas de forma legal ou ilegal e passam a
controlar as políticas realizadas pelo poder Executivo, da mesma forma
que dirigem os investimentos públicos através de
lobbies
no Parlamento, fazendo das eleições uma mera formalidade que
compõe os segmentos das casas ditas representativas e dos governos
comprados por seus financiadores.
Tal fato explica o motivo pelo qual um usurpador com apenas 3% de
aceitação popular pode governar com uma maioria parlamentar
corrupta, sem maiores problemas, contra a vontade e os interesses da grande
maioria da população. Deve-se somar a isso a
legitimação de um poder judiciário que funciona como uma
casta privilegiada que encobre as ilegalidades com contorcionismos
jurídicos visando adequar a lei aos interesses dominantes e ao sabor dos
acordos de conveniência. A esse esquema se junta um poderoso sistema
monopolista de comunicação, absolutamente controlado pelas
classes dominantes, que cumpre a função de defender
permanentemente os interesses dos ricos e poderosos e dos setores mais
reacionários do País.
Para o PCB esta crise revela claramente o esgotamento de uma forma
política que, em tempos normais, parecia apresentar os interesses das
classes dominantes como se fossem de toda a sociedade, mediante as armadilhas
de eleições fundadas no acesso desigual do tempo de TV, aos
recursos também desiguais de financiamento de campanha e às
máquinas governamentais. Um sistema partidário e eleitoral que
opera a mágica de transformar a maioria social em minoria parlamentar
para legitimar o poder das classes dominantes. Por este motivo, para o PCB, as
eleições não são justas ou legítimas no
quadro da dominação burguesa. A busca de governabilidade no
interior desta ordem institucional, em alianças com a burguesia,
só pode levar, como de fato ocorreu, à cooptação de
segmentos populares ou a derrota daqueles que um dia foram ligados aos
interesses da classe trabalhadora.
Nessas circunstâncias, a corrupção não é um
desvio no interior de um sistema virtuoso, mas um elemento constitutivo da
forma política através da qual as classes dominantes disputam o
fundo público e o controle das esferas do governo do Estado
burguês. Aliás, a corrupção é da natureza do
sistema capitalista, em função da própria lei da
concorrência e se torna cada vez mais um instrumento funcional para o bom
andamento dos negócios.
Diante desta compreensão sobre a natureza da crise política
é que o PCB, há bastante tempo, vem afirmando que a
execução de um programa político, econômico e social
que queira representar os interesses dos trabalhadores e da maioria da
população, isto é, que desmercantilize a vida em todas as
esferas essenciais (educação, saúde, moradia,
alimentação, transportes, assistência, etc.), que recupere
a capacidade do Estado em organizar a economia (reversão das
privatizações, auditoria da dívida, controle de setores
estratégicos, estatização do sistema financeiro, etc.);
exige uma ruptura política e econômica com a velha ordem e o
estabelecimento de novas formas de governo e de representação
política.
Para tanto precisamos ir além das formas de representação
que a institucionalidade atual estabelece e que agora entra em crise. Ë
necessário que os trabalhadores se organizem com autonomia e
independência, não apenas em suas organizações
populares, sindicais e políticas, mas em espaços cada vez mais
amplos, de forma a lutar por seus os interesses e necessidades da
população trabalhadora e apresentar, organizada e unitariamente,
um programa político, econômico e social dos trabalhadores para a
sociedade brasileira para se contrapor ao projeto da burguesia. Construir estes
espaços como órgãos de poder popular, eleitos entre os
trabalhadores em locais de moradia, estudo e de trabalho, podem e devem se
tornar a sustentação de governos comprometidos com a nossa
classe, rompendo coma armadilha da governabilidade via compromissos e acordos
com as representações políticas dos interesses da ordem
burguesa.
A reforma política. pactuada entre os grandes partidos da ordem e seus
aliados, reduz em muito a possibilidade de expressões populares e
revolucionárias se apresentarem como alternativa de governo. Por isso o
PCB, sem se omitir da disputa destes espaços, se empenha em construir
uma alternativa de poder que apresente a necessidade de uma nova forma de
Estado, de organização da economia e da sociedade e um
verdadeiro
Poder Popular
que possa implementar um programa que atenda os interesses dos
trabalhadores e da maioria de nossa sociedade.
Uma crise dramática
Realmente, o nosso país vive um dos momentos mais dramáticos de
sua existência moderna, resultado de uma crise econômica, social,
política e ética criada pelos capitalistas e seus agentes
políticos, os quais agora procuram descarregar todas as
consequências da crise nas costas dos trabalhadores. De um lado, temos
uma classe dominante truculenta, com ranços escravocratas, viciada no
autoritarismo, na superexploração dos trabalhadores, acostumada
com a impunidade e com as leis feitas para garantir seus privilégios. De
outro, temos a maioria da população vivendo em
condições sociais difíceis, morando em
habitações precárias, em favelas e cortiços, sem
saneamento básico, com baixos salários, desemprego em massa, um
serviço de transporte caro e deficiente, saneamento precário, com
uma saúde pública sucateada e uma educação de baixa
qualidade, grande parte privatizada e voltada para o mercado.
Apesar de toda a manipulação realizada pelos meios de
comunicação para nos alienar e confundir a
população, é necessário enfatizar que os
empresários industriais, comerciais e de serviços, os banqueiros,
especuladores, os latifundiários, os grandes proprietários do
agronegócio, do ensino e da saúde privada, as multinacionais,
enfim, as classes dominantes, são os principais responsáveis pelo
sufoco de nossa vida cotidiana. Estamos vivendo uma violenta recessão,
que já dura quatro anos, um desemprego que hoje atinge mais de 20
milhões de trabalhadores (13,5 milhões que perderam o emprego e
mais 6,5 milhões que já desistiram de procurar trabalho),
além do corte das verbas para a saúde, educação,
saneamento e gastos sociais.
Juntem-se a isso as precárias condições de moradia de uma
parcela imensa da população, a saúde pública
sucateada, a conspiração contra as aposentadorias, a
destruição dos direitos e garantias trabalhistas conquistados por
nossos avós, a violência, assassinato e encarceramento da
juventude pobre e negra das periferias, além da miséria e
violência generalizada que impera nas periferias das grandes cidades.
Tudo isso para que os ricos fiquem mais ricos e o povo continue na pobreza.
Desesperados diante da crise que eles próprios criaram, os ricos e
poderosos querem avançar ainda mais sobre os nossos pouquíssimos
direitos, mediante um desumano ajuste fiscal que congela os gastos
públicos por 20 anos, o que é uma aberração de
qualquer ponto de vista econômico e social. Querem nos impor o desmonte
da previdência, depois de aprovarem as contra-reformas trabalhista e do
ensino médio, além de apresentarem uma reforma política
para privilegiar os grandes partidos que governam para os ricos e isolar a
esquerda da disputa política.
Acima de tudo, os empresários, banqueiros, especuladores e
proprietários do agronegócio querem saquear os cofres
públicos, com o assalto aos recursos do Tesouro Nacional mediante o
pagamento dos juros obscenos da dívida interna, que somente no ano
passado custaram cerca de R$ 480 mil milhões, recursos que dariam para
construir hospitais e postos de saúde nas várias regiões e
bairros do país, creches para todos, uma educação
pública de qualidade, além da retomada do crescimento e do
emprego. Somem-se a isso a farra das isenções fiscais, o
perdão de dívidas empresariais com a receita federal e a
corrupção generalizada.
A propósito, essa elite brasileira está podre: nosso país
é considerado um dos mais corruptos do mundo. A corrupção
é um mal endêmico tanto no Executivo federal, estadual e
municipal, quanto na Câmara dos Deputados, no Senado, nas Assembleias
Estaduais e Câmara de Vereadores, além de vastos setores do
Judiciário, da burocracia estatal e das polícias militares. As
instituições nacionais se transformaram em balcões de
negócios, onde os convescotes, conchavos e negociatas realizados nos
salões da burguesia representam o centro da política nacional.
Estamos cansados de conviver com essas quadrilhas e máfias que há
séculos dominam o nosso país e que transformaram as
instituições públicas em espaços para os
negócios privados entre corruptores e corruptos.
Essa falsa democracia não nos interessa, porque é a democracia
dos capitalistas, dentro da qual a grande maioria das decisões tomadas
representa um ataque contra os interesses populares. Da mesma forma, esse
sistema partidário também está deteriorado e não
representa a imensa maioria do povo brasileiro. Trata-se de um sistema viciado,
em que as eleições são definidas pelo poder
econômico, e os candidatos se elegem prometendo mundos e fundos para a
população e quando chegam ao poder governam para a burguesia,
esquecem as promessas do passado, dão uma banana para o povo e
vão se locupletar com o dinheiro público mantendo assim um
sistema apodrecido, antipopular a antinacional.
Um governo odiado pelo povo
Essa situação se tornou mais dramática com o golpe
parlamentar realizado pela quadrilha de Temer, pelo qual a burguesia descartou
o Partido dos Trabalhadores, porque este partido já não era mais
funcional diante da crise, e colocou no poder um governo puro sangue,
constituído pelo que há de mais corrupto e degenerado na
política brasileira, um governo tipicamente mafioso, sustentado pelo
grande capital, pelas oligarquias regionais, envolvendo desde o presidente da
República, seus ministros, assessores, parlamentares da base aliada no
Congresso e no Senado, cujo objetivo é realizar o trabalho sujo para o
grande capital e se safar da cadeia, mediante as mais escandalosas
manipulações parlamentares, compra de votos e troca de favores.
O trabalho sujo realizado por essa quadrilha em sua ofensiva contra os direitos
e garantias dos trabalhadores, aposentados e a juventude não tem nada a
ver com a estabilidade da economia ou o combate à
inflação. Em termos concretos, eles querem reduzir o custo da
força de trabalho, rebaixando os salários em todas as
áreas, aumentando a rotatividade no emprego, impedindo que os
trabalhadores recorram à Justiça do Trabalho para exigir seus
direitos, precarizando ainda mais as condições de trabalho
mediante as terceirizações, diminuindo o tempo de vida
útil dos aposentados e evitando ao máximo as novas
aposentadorias. Tudo isso sem prestar contas a ninguém, a não ser
os seus patrocinadores, o grande capital urbano e rural.
Por tudo isso, esse governo e seus patrocinadores são inimigos dos
trabalhadores e precisam ser, no menor prazo possível, derrotados pelas
mobilizações populares. Quanto mais tempo esse governo permanecer
em Brasília, maior será a catástrofe econômica,
social e política em nosso país. A ousadia dessa quadrilha da
burguesia demonstra também o desespero diante da crise econômica
mundial e seus impactos no Brasil. Eles querem resolver a sua crise de maneira
rápida e brutal, com golpes violentos, de forma a não dar tempo
para uma contra-ofensiva popular, além de tentar barrar o processo de
reorganização do movimento operário e popular em curso.
Podem ser surpreendidos por um levante social muito mais violento do que foram
as manifestações de junho de 2013.
Mas é importante também enfatizar que o Partido dos Trabalhadores
e sua base aliada, muito semelhante à de Temer, têm grande
responsabilidade por essa crise. Primeiro porque, em função de
suas alianças com o empresariado e com as oligarquias tradicionais,
realizou um processo de cooptação do movimento sindical, popular
e da juventude, afastando-os da militância, das lutas nas ruas, nos
locais de trabalho, moradia e estudo, desarmando-os politicamente, apassivando
as novas gerações e criando falsas expectativas de melhoria de
vida no capitalismo. Além disso, não realizou as mudanças
necessárias para reduzir o poder dos oligopólios de
comunicação e dos milionários e poderosos. Em outras
palavras, amarelou diante da luta pelas transformações sociais e
foi descartado pelas classes dominantes de maneira humilhante, quando
não servia mais. Desta trajetória fica uma lição: a
política de conciliação de classes, de alianças com
a burguesia, é o cemitério político dos lutadores que
enveredam por esse campo e serve de alerta para todos que querem realmente a
revolução brasileira. A vida mostrou que esse tipo de
aliança não tem futuro.
O capitalismo está em crise no mundo inteiro
Mas essa crise e a degradação geral não ocorre apenas no
Brasil. Nesse momento o sistema mundial capitalista está em crise
profunda. Hoje capitalismo e humanidade são excludentes: a continuidade
do capitalismo significa um risco à vida no planeta. E a única
forma pela qual a humanidade poderá construir uma saída é
superando o capitalismo e caminhando para construir uma nova sociedade: a
sociedade socialista.
A destruição da natureza, o desemprego, a
concentração de riquezas e propriedades, a
mercantilização da vida, a guerra contra os povos para saquear
recursos e viabilizar o complexo industrial militar das grandes
potências, a guerra diária da miséria e da violência
urbana contra o povo, o desemprego, a morte de imensos contingentes da
população causada pelas epidemias e pela fome, os milhões
de imigrantes perambulando em várias partes do mundo, vítimas das
guerras imperialistas, são as manifestações mais
visíveis da lógica do capital contra a vida.
Em outras palavras, o capitalismo é a própria crise e não
cairá de podre se os trabalhadores não o derrotarem. Faz tudo o
que for possível para adiar sua morte e, como animal ferido, investe de
todas as formas contra os salários, direitos e garantias dos
trabalhadores, contra as já precárias condições de
vida da população, contra a biodiversidade do planeta e contra as
organizações populares. Cada vez mais depreda o meio ambiente,
provoca conflitos bélicos, joga os povos uns contra os outros e saqueia
os cofres do Estado para salvar um sistema falido.
Trata-se, portanto, de um sistema em contradição com os
interesses e as necessidades da humanidade. Uma das principais
manifestações dos limites históricos do capitalismo
é a atual crise econômica mundial, aberta em 2008, que revelou de
maneira profunda e didática todos os problemas deste sistema de
exploração de um ser humano por outro. Desvendou suas
contradições, debilidades, capacidade destruidora da riqueza
material e social e seu caráter de classe, uma vez que, enquanto os
governos capitalistas injetaram milhões de milhões de
dólares para salvar os banqueiros, os especuladores e a elite
parasitária, os trabalhadores estão perdendo suas moradias, seus
empregos e seus salários, e uma quantidade expressiva passa a viver na
miséria absoluta.
Mesmo ferido pela crise, o imperialismo afia suas garras para manter essa ordem
envelhecida e desumana. Promove a guerra contra os povos, como no Iraque e no
Afeganistão, Líbia e Síria, arma Israel para continuar a
sua política genocida no Oriente Médio e expulsar os palestinos
de suas terras. Realiza provocações e campanhas permanentes
contra os povos que decidem resistir aos seus interesses, como é o caso
da América Latina, onde foram instaladas bases militares em
vários países para cercar os governos que não rezam por
sua cartilha. Promove o embargo criminoso contra Cuba e reativa a IV Frota para
ter o poder de intervenção rápida em nosso continente,
tentando garantir o controle sobre as riquezas naturais, como o petróleo
da Venezuela, o pré-sal brasileiro, o Aquífero Guarani e a
biodiversidade da Amazônia.
As massas estão se movendo, ainda sem direção
Mesmo diante de toda a crise, das dificuldades de organização, da
dispersão e da fragmentação que existem entre os
trabalhadores e a juventude, as massas estão completando sua
experiência com as organizações que foram criadas e que
cresceram no velho ciclo que está se encerrando no Brasil. Estão
se movimentando em luta por seus direitos e garantias, despertando para a
necessidade de mudanças a partir das lutas nas ruas, nos locais de
trabalho, moradia e estudo. Não podemos esquecer que o ciclo de lutas
que se abriu em junho de 2013, com a juventude e o proletariado precarizado das
grandes cidades, abriu um novo espaço para as lutas populares, apesar
das tentativas dos setores conservadores em confundir e direcionar as
manifestações contra a esquerda classista, na defesa de seus
interesses imediatos e mesquinhos.
O que se pode observar após junho de 2013 é um aumento das lutas
sociais, que se expressaram nas ocupações secundaristas em
São Paulo e vários Estados do país, que impuseram uma
derrota clara aos governos reacionários, especialmente em São
Paulo, que há mais de 20 anos vinha reprimindo todas as lutas dos
trabalhadores. Podemos ainda contabilizar nesse processo as
ocupações de escolas e universidades contra o governo Temer, as
diversas manifestações de ruas, as vaias uníssonas nas
olimpíadas ao presidente usurpador, os dias nacionais de
manifestações, as manifestações do 8 de
março, as paralisações e manifestações do
dia 30 de março e a grande greve geral de 28 de abril, seguida
posteriormente da marcha a Brasília, onde mais de 150 mil pessoas
participaram da manifestação.
Como todos os ciclos históricos, as lutas não são
lineares. Há momentos de ascensão, momentos de derrotas, momentos
de impasses. O importante é compreender o curso mais geral do movimento,
sem se prender ao resultado de uma ou outra batalha específica. Nesse
sentido, podemos dizer que os trabalhadores estão começando a
perder a paciência contra esse estado de coisas, especialmente agora,
quando esta quadrilha tomou de assalto o poder em Brasília. Vale lembrar
que, ao estoque de descontentamento que existia em 2013, se somaram mais 20
milhões de desempregados e suas famílias, a
precarização ainda maior dos serviços básicos, o
corte nos gastos públicos e verbas sociais e uma
indignação geral contra a corrupção descarada de
praticamente todos os envolvidos com o golpe parlamentar realizado pela
quadrilha de Temer. Não é à toa que as pesquisas de
opinião indicam que mais de 95% da população estão
contra esse governo.
Não se pode esquecer também que há uma
contradição de fundo em nosso país, que potencializa um
processo explosivo de lutas: o Brasil é a sétima economia do
mundo, portanto, um capitalismo desenvolvido, mas em termos de desenvolvimento
humano está situado na 75ª posição, abaixo de muitos
países paupérrimos da África e da América Latina.
Possui ainda uma das mais perversas distribuições de renda do
mundo. Esse conjunto de contradições não poderá
conviver por muito tempo, especialmente numa nação urbana onde a
miséria e a riqueza convivem lado a lado. Nessa perspectiva, não
está descartada a possibilidade de um levante social dos explorados e
oprimidos contra a barbaridade e a selvageria imposta pelas classes dominantes
brasileiras.
Portanto, é fundamental e urgente a constituição de uma
frente política das correntes revolucionárias e classistas, dos
movimentos sociais e populares e a construção de um programa dos
trabalhadores e trabalhadoras, da juventude e do povo pobre dos bairros para se
contrapor ao programa da burguesia e indicar um caminho para as massas em
movimento, de forma a que um possível levante social não seja
realizado de maneira anárquica, sem objetivos claros nem
direção, como ocorreu em junho de 2013. Ainda há tempo
para a realização dessa tarefa: basta que a esquerda
revolucionária, os movimentos sociais e populares deixem de privilegiar
apenas a política de autoconstrução e trabalhem no sentido
de promover um grande encontro nacional dos trabalhadores e dos movimentos
sociais e populares, de onde deverá sair uma referência
orgânica e um programa unitário para um novo Brasil.
Uma alternativa dos trabalhadores
Com essa proposta aberta que agora apresentamos, o PCB procura dar sua
contribuição para a unidade de ação e
programática desta frente e está disposto a conversar e discutir
com todas as forças revolucionárias e classistas, com os
movimentos sociais, uma alternativa para nosso país. Entendemos que
é hora de os trabalhadores fazerem uma reflexão sobre seu futuro
e o futuro do Brasil. Nós acreditamos que não haverá uma
solução para os grandes problemas que afligem o mundo do
trabalho, a juventude e a população em geral se não houver
uma mudança radical na economia e na política que há
séculos vêm sustentando o capitalismo brasileiro. Os trabalhadores
da cidade e do campo, aqueles que ganham o pão com o suor do rosto,
precisam tomar consciência da necessidade de construir uma alternativa
própria, socialista, independente e autônoma, capaz de disputar os
destinos da nação, um projeto que liberte os trabalhadores da
opressão capitalista.
Nós acreditamos que o Brasil é um país com imensas
possibilidades para a construção de uma sociedade humana,
próspera, democrática e soberana. Temos a base material
necessária para a libertação econômica e
política do país. Portanto, a desigualdade, a miséria e a
barbárie social em que vive a maioria do povo brasileiro é fruto
da brutalidade das classes dominantes que, desde o descobrimento até
hoje, sempre procuraram afastar o povo das decisões econômicas e
políticas. Esse quadro dramático precisa mudar, e somente o povo
organizado nos seus locais de trabalho, nos locais de moradia e estudo é
capaz de dar um novo rumo ao Brasil.
O PCB acredita que a revolução brasileira será obra dos
milhões de trabalhadores, da juventude e do povo pobre dos bairros e
não será obra exclusiva apenas de uma organização,
mas de um conjunto de forças políticas, sociais e populares, de
caráter revolucionário e classista, reunidos numa grande frente
anti-capitalista e anti-imperialista. É chegada a hora de iniciarmos a
caminhada conjunta para revertermos a catástrofe que está se
abatendo sobre nós e cremos que é chegada a hora de
transformarmos a grande insatisfação que envolve atualmente a
maioria da população em luta concreta e organizada para a
construção da revolução brasileira e o poder
popular.
Nesse sentido, elaboramos alguns apontamentos iniciais de um programa de
emergência e de um programa de transição para um novo
Brasil, com vistas a um debate franco e fraterno entre todos os setores
comprometidos com as transformações sociais e políticas em
nossa pátria.
Eles são poucos, nós somos milhões!
Ousar lutar, ousar vencer!
Programa de emergência
-
Revogação de todos os atos do governo Temer, julgamento
rápido de todos envolvidos com a corrupção e, caso
condenados, prisão e confisco de seus bens para ressarcir a União
e os Estados.
-
Moratória e auditoria da dívida interna e criação
de uma comissão especial para analisar todo o processo de
constituição da dívida, ressaltando-se que durante esse
período também estará suspenso o pagamento dos juros. Os
recursos que atualmente são pagos pelo serviço da dívida
deverão ser direcionados para custear os programas sociais, os
investimentos em um vasto programa de habitações populares, em
saúde, educação e saneamento, de forma a aumentar o
emprego e a renda.
-
Criação emergencial das Frentes de Trabalho Urbana e Rural para
reduzir o desemprego, enquanto a dinâmica da economia não absorver
toda a força de trabalho desempregada.
-
Congelamento dos preços dos bens de primeira necessidade, como carne em
geral, arroz, feijão, farinha, óleo, açúcar, sal,
contas de energia elétrica, gás e água e telefone e
transporte público.
-
Criação de uma rede de restaurantes e mercados populares, a
preço de custo, nos bairros, para atender emergencialmente os
trabalhadores e a população de baixa renda
-
Congelamento do preço dos aluguéis por um ano para todas as
residências urbanas e rurais, expropriação de moradias
ociosas e a construção de moradias nas regiões em que
houver maior necessidade por meio das frentes de trabalho.
-
Transporte gratuito para todos os desempregados e suas famílias,
estudantes e para todos os componentes das frentes de trabalho.
-
Abono salarial para todos os que ganham salário mínimo, inclusive
Bolsa Família, aposentados e seguro desemprego.
-
Desenvolvimento de uma política de garantia do emprego, com o fim de
todas as demissões imotivadas e garantia de estabilidade de emprego para
todos os trabalhadores e fim das terceirizações
-
Revogação da Lei de Responsabilidade Fiscal, da DRU
(Desvinculação das Receitas da União) e das
desonerações e renúncias fiscais.
-
Adoção de um plano de desenvolvimento industrial,
tecnológico e agropecuário, com incentivo especial à
micro, pequena e média empresa e à agricultura familiar,
colocando o BNDEs e os Bancos Públicos como instrumento de fomento do
desenvolvimento econômico, de forma a que o investimento alcance pelo
menos 25% do PIB.
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Implementação de uma reforma agrária, com a
desapropriação de todos os latifúndios improdutivos,
regularização dos assentamentos e titulação das
terras indígenas, quilombolas e ribeirinhas.
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Criação de uma nova política tributária, com
redução ou isenção da tributação
sobre o consumo de bens e produtos de primeira necessidade e
implementação de uma política de impostos progressivos de
acordo com a renda de cada pessoa ou agente econômico, além de um
imposto especial sobre as grandes fortunas, visando criar um Fundo Para
Desenvolvimento Social, de forma a melhorar as condições de vida
da população.
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Isenção da cobrança do imposto de renda para todos os
trabalhadores que ganham até 5 mil reais e criação de uma
nova tabela do imposto de renda onde os que ganhem mais pagarão mais
impostos, dentro do princípio de que quem ganha mais paga mais, quem
ganha menos paga menos e quem não ganha nada não paga nada.
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Nova política de comunicações, com revisão das
concessões, quebra dos monopólios midiáticos e
obrigatoriedade de espaço na grade das televisões e rádios
para os partidos políticos, movimentos sociais e populares, enquanto
não se elabora uma nova estrutura de comunicação.
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Combate firme a todas as formas de opressão, como o racismo, o
preconceito étnico, religioso e a violência e o preconceito contra
os LGTBs.
Programa de transição para um novo Brasil
Medidas políticas
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Convocação de uma Assembleia Constituinte Popular, com a metade
eleita pelo movimento operário e popular da cidade e do campo e a outra
metade pelo voto universal. Essa assembleia será exclusiva para
construir um novo reordenamento institucional e não deve ser confundida
com o trabalho regular do Parlamento.
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Estímulo à criação das instâncias do poder
popular, com formação dos Conselhos Populares eleitos em todos os
locais de trabalho, moradia, estudo, lazer e cultura, de forma a se instituir e
desenvolver uma cultura de democracia direta no seio da população
e fortalecer a organização do povo.
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Abertura do Parlamento aos movimentos sociais e garantia de
realização de plebiscitos e referendos sobre temas relevantes de
interesse nacional. Constituição de um Parlamento unicameral, com
representatividade de acordo com o contingente da população dos
Estados; extinção do Senado. Garantia de revogação
dos mandatos por parte da população.
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Democratização e controle social dos meios de
comunicação, com uma nova Lei das Comunicações, com
fim dos monopólios e revisão das concessões e uma nova
política de mídias digitais. Criação de uma
poderosa rede pública de comunicação social, envolvendo
todos os meios de difusão, e ampla liberdade para que os partidos
políticos e organizações sociais e populares possam
construir livremente seus meios de informação.
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Abertura imediata de todos os arquivos da ditadura, com o objetivo de mapear
plenamente os atos de repressão, envolvendo prisões, torturas,
mortes e desaparecimentos políticos ainda não revelados, com
rigorosa punição aos torturadores e seus mandantes.
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Instituição de uma nova política militar, com
democratização da formação nas Forças
Armadas, modernização dos equipamentos militares e retomada do
programa nuclear brasileiro, com o objetivo de garantir a soberania nacional
contra agressões de qualquer tipo.
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Construção de uma nova política de segurança
pública, desarmamento de traficantes, milicianos e demais quadrilhas de
criminosos, fim da Polícia Militar e sua transformação em
polícia civil, com a formação voltada para a
proteção da vida, do convívio social pacífico e do
patrimônio público.
Medidas econômicas
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Estatização e controle público das
instituições financeiras, dos oligopólios ligados aos
insumos e produtos essenciais básicos, além das empresas
estratégicas e dos meios de produção essenciais à
vida, como água, luz elétrica, transporte, saúde,
educação petróleo e infraestrutura, passando sua
direção para um Conselho de Trabalhadores e redução
das remessas de lucro das multinacionais. Ou seja, colocar a espinha dorsal da
economia a serviço da população brasileira.
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A partir da base estatal, estruturar uma nova política industrial e
tecnológica com o objetivo de modernizar o parque industrial brasileiro,
desenvolver ou criar setores de ponta, especialmente nas tecnologias da
informação, eletro-eletrônica, robótica,
biotecnologia, engenharia genética e nanotecnologia, de forma a
possibilitar suprir o mercado interno de forma auto-sustentada e obter ganhos
competitivos no mercado internacional; desenvolver uma agressiva
política de incentivo à pesquisa e desenvolvimento, envolvendo os
institutos de pesquisas governamentais, universidades e empresas
públicas.
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Controle cambial e cancelamento do montante da dívida interna formada
através do aumento abusivo dos juros e da ciranda financeira, a partir
do entendimento de que a quantidade de juros paga pelo povo brasileiro aos
banqueiros e rentistas foi mais que suficiente para quitar esse débito.
Essa medida tem como objetivo estancar a sangria de recursos para os rentistas,
resgatar a soberania econômica nacional em relação ao
câmbio e estancar a sangria dos pagamentos de juros, cujos montantes vem
sugando o orçamento público e reduzindo as verbas para as
políticas públicas.
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Monopólio estatal do comércio exterior, de forma a garantir a
soberania nacional e evitar as manipulações do mercado por parte
dos agentes privados nacionais e internacionais.
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Reforma agrária sob o controle das entidades dos trabalhadores, com a
desapropriação de todos os latifúndios improdutivos, das
fazendas com trabalho escravo e as que não estejam cumprindo a
função social. Criação de uma nova política
agrícola sustentável ecologicamente, visando a produzir alimentos
saudáveis. Estímulo à democratização da
posse da terra mediante a constituição de grandes cooperativas
agropecuárias para racionalizar o sistema produtivo e ampliar a oferta
de produtos básicos.
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Programa de recuperação do poder de compra dos salários,
discutido com os sindicatos, de forma a resgatar o valor do salário
estipulado pelo Dieese. Redução da jornada de trabalho para 35
horas sem redução do salário, visando a ampliar o emprego
e a renda da população.
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Formação de uma rede de transporte público e gratuito nos
grandes centros urbanos, com ênfase na modernização da
frota de ônibus, ampliação das linhas de trens e do
metrô e produção de veículos leves sobre trilhos
para as grandes metrópoles, bem como uma rede ferroviária e
hidroviária para o transporte de produtos industrializados e mercadorias
em geral.
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Criação do Banco dos Trabalhadores, que passará a
controlar os fundos patrimoniais e previdenciários, dando novas
diretrizes, novas orientações e novas prioridades para o
extraordinário volume de recursos hoje geridos, no interesse do capital,
por entidades paraestatais e estatais. Em outras palavras, os trabalhadores
passarão a controlar os fundos patrimoniais e previdenciários e
da seguridade social, para dar-lhe uma nova dinâmica, com maior
eficiência produtiva e justiça social.
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Reforma urbana, com a desapropriação de todos os terrenos vazios
para a construção de habitações populares,
praças, parques e locais de lazer, acompanhada de uma campanha de
plantação de árvores nas grandes cidades. Como se sabe, os
gastos em habitação são indutores de importantes setores
da economia, como cimento, aço, eletro-eletrônico, cerâmica,
entre outros e, ao mesmo tempo, têm a capacidade de gerar uma
extraordinária capacidade de criação de postos de
trabalho, o que deverá se refletir no emprego, na renda das
famílias e na dinâmica da economia.
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Estatização do sistema privado de saúde, incluindo rede
assistencial (hospitais, serviços ambulatoriais, de apoio
diagnóstico e terapêutico); setores de pesquisa e de
produção de fármacos, imunobiológicos,
hemoderivados e de insumos; e indústrias de material
médico-hospitalar e de equipamentos. Organizar o Sistema de Saúde
a partir da atenção primária à saúde,
evoluindo até os níveis de maior complexidade, conjugando
ações de promoção, prevenção, cura e
reabilitação. Ampliação da rede assistencial, com
construção de unidades básica de saúde e hospitais
nos bairros populares, de modo a garantir a atenção à
saúde a todas as pessoas o mais próximo de seus locais de moradia
e trabalho. Exercício do Poder Popular com a criação de
Conselhos Populares de Saúde para controle do Sistema de Saúde em
todos os seus níveis.
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Estatização de todo o sistema de ensino nacional, especialmente
das universidades privadas e escolas particulares e nova
regulação para as entidades confessionais, com a
implantação de uma ampla reforma na educação que
possibilite, no médio prazo, a criação de uma escola de
qualidade para todos, da educação infantil ao ensino superior,
além da pós-graduação. Campanha nacional para a
erradicação do analfabetismo no prazo de dois anos, utilizando-se
dos métodos universalmente testados e exitosos em Cuba, na Venezuela e
na Bolívia.
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Reestabelecimento do monopólio estatal do petróleo, da
produção e distribuição de energia elétrica,
com reestatização plena da Petrobrás e todas as empresas
que foram privatizadas; extinção das agências reguladoras e
anulação de todos os contratos de risco, leilões e
parcerias público-privadas realizados em território brasileiro.
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Previdência social pública e universal, com teto de 60 anos para
homens e 55 para as mulheres; recuperação das perdas salariais e
aumento real dos proventos e pensões, restabelecendo-se o
princípio amplo da seguridade social.
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Desenvolvimento de uma política sustentável de meio ambiente, com
garantia de demarcação e manutenção das terras
indígenas, quilombolas e ribeirinhas. Defesa da Amazônia, dos
aquíferos em território nacional e o Aquífero Guarani, em
conjunto com países com os quais o compartilhamos; defesa da
biodiversidade, dos diversos recursos naturais brasileiros e
revitalização do Rio São Francisco como forma de garantir
a transposição de suas águas.
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Desenvolvimento de uma política cultural para o país de resgate
da identidade nacional, de forma a envolver os intelectuais e os artistas numa
produção voltada para os interesses populares, para o incentivo
às manifestações do povo, para a construção
de um amplo movimento cultural com capacidade de inovar estética e
politicamente o panorama cultural brasileiro, buscando romper com os interesses
dominantes dos oligopólios nacionais e internacionais e da
mercantilização da cultura e das artes.
Soberania e solidariedade internacional
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Respeito à autodeterminação dos povos e a seu direito de
resistência frente à opressão e à
dominação estrangeira; luta pela retirada da 4ª Frota e das
bases norte-americanas da América Latina e Caribe.
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Promoção de esforços no sentido de criação
de espaços comuns voltados a fortalecer os vínculos
econômicos, sociais e culturais e de comunicação entre os
povos da região.
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Revogação do acordo militar Brasil/Estados Unidos; retirada das
tropas brasileiras do Haiti e sua substituição por
médicos, engenheiros e professores; luta pela
democratização da ONU.
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Solidariedade irrestrita à Revolução Socialista Cubana e
aos processos de mudanças na Bolívia, Venezuela e outros
países; devolução do arquivo da Guerra do Paraguai ao seu
povo.
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Luta pelo fim da agressão imperialista ao Afeganistão, Iraque,
Líbia, Síria e das ameaças ao Irã, Coréia
Popular, Venezuela e outros países; apoio à
construção do Estado Palestino democrático, popular e
laico.
Comitê Central do
Partido Comunista Brasileiro (PCB)
22/Outubro/2017
O original encontra-se em
pcb.org.br/portal2/16724
Este documento encontra-se em
http://resistir.info/
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